quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Since I don't have you...

Sinto saudades do sabor do beijo de Amor que nunca demos,
das juras que fizemos
patéticas e proféticas
como são sempre as juras puras dos apaixonados
quando o para sempre é sempre tão breve...
Sempre...
Cai neve cá dentro, lá fora chove...
Já ninguém ouve a chuva com o mesmo entusiasmo...
Vai Amor,
a dor sempre me fez companhia e nunca me senti vazia por causa disso!
Esse marasmo que escolheste vai acabar por te matar,
um dia...
Pensas que morreste para mim,
mas eu escolho deixar-te viver,
aqui,
onde te senti feliz pela ultima vez!
Para mim sempre fez mais sentido
esquecer como acabou
e lembrar-me de porque começou!
Não te sintas arrependido por tudo o que (não) me disseste,
o passado não se refaz nem se desfaz em desculpas,
nem de facas afiadas que me apontaste
e acabaste por espetar em ti...
O Homem que foste ontem morreu no nascer da madrugada
e eu não espero nada de um Homem morto...
O futuro a Deus cabe
e Deus não sabe nada de arrependimentos,
ou de sentimentos,
apenas de perfeição,
e nós não somos perfeitos, Amor!






domingo, 14 de outubro de 2018

Caçadores furtivos

Há um epicentro de cimento dentro de mim,
uma espécie de edificação em marfim
que ceifou a vida a manadas de elefantes
e outras espécies protegidas...
Antes havia o sonho,
agora o conforto da distância
e esta ânsia de me converter à solidão.
Não suporto mais ficar à espera,
antes só do que este nó constante na garganta,
escolho ser feliz nos meus termos,
no meu tempo,
sem a imposição da desilusão alheia...
Estou cheia e completa,
numa felicidade discreta mas confiante.
O esforço não compensa o sacrifício,
o oficio de servir os outros e continuar sem sentir...
Preciso de me ouvir,
de me escutar,
de me respeitar mais...
A paz não se procura lá fora,
numa madrugada semi-partilhada,
semi-perfeita,
semi-quase-nada...
Eu não quero que me completem,
quero que me aceitem!


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Guilty pleasure...


Hipnagogia

Agarro o meu coração na mão,
 a força vai diminuindo
enquanto o estado de consciência se apaga,
 draga tudo o que me rasga cá dentro
e arrasta a minha essência num grito mudo…
Estou cansada.
Estamos condenados,
seres egoístas a regatear conquistas irrisórias
enquanto vasculham as histórias uns dos outros...
Quero despir-me e nadar no mar,
purificar-me e amar-me ali mesmo!
Encher os pulmões de agua até me habituar
a respirar fluídos outra vez…
Não pertenço aqui.
Anjo da guarda que guarda a minha dor,
vamos escrever Amor na cor do céu!
Tu e Eu...
Quero-te nu a beijar-me devagar,
preciso de sentir que Amar não é mentir a mim mesma
e é possível,
mesmo na demência
de me recusar à dormência do mundo desenvolvido…
Faz amor comigo!
Larga as asas e nada!
Quero o sabor salgado da tua pele,
o fel da humanidade não é a nossa verdade,
foste feito para Amar,
salvar o mundo um leito de cada vez!
Deixa-me dormir nos teus braços
antes de ouvir os passos da inevitabilidade
de ter de continuar a enterrar os meus pés
na lama do mundo onde as marés não governam…
Onde os homens não Amam…
Onde os homens não sonham...


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Ponto Cardeal

Ás vezes sou um sopro que viaja a lamber o céu,
o inicio do véu da noite que destapa as estrelas,
o vicio de morder os lábios de alguém...
Sou o todo que se confunde com o tudo
 e se funde com o universo,
o verso que ama a estrofe,
o Amor que nos entope as veias!
Sei que no final há um sinal
que nos abranda e nos manda de volta a casa,
nos devolve a asa e nos envolve de tranquilidade...
Sei a verdade de todas as coisas,
só desconheço o preço que tenho a pagar...
Gosto de Amar,
de me envolver no cheiro dos outros
como se fosse um primeiro beijo suave e doce!
A minha fragilidade aparente
sente a força de cada lágrima,
sou abraço e aço de esgrima
a trespassar e a mergulhar em ti!
Tudo tem um sentido que vai além do desconhecido,
um rumo envolto em fumo,
a ânsia mórbida e sórdida de saber o fim...
o Amor é o único ponto cardeal
que tenho em mim
o retiro espiritual que nos salva constantemente
da semente da irrelevância!


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Eu te I love you!

Lambo-te as lágrimas, devagar,
cada gota saboreada nos meus lábios,
cada dor s-o-l-e-t-r-a-d-a nos meus sonhos...
Ergo-te e ajoelho-me a chorar por ti,
descansa meu Amor,
estou aqui a trocar de lugar contigo...
Somos isqueiros acesos,
presos em chamas violentas,
eu sei que não aguentas mais
e ainda assim não reclamas de nada
sempre que me chamas de Amor...
A vida é tramada mas juntou-nos...
Vou cuidar desse mar no teu olhar,
hoje és areia molhada,
amanhã serás de novo rebentação,
meu coração desfeito a soluçar dentro do peito...
Gosto tanto de ti...
Minha tormenta atormentada,
princesa sem castelo ou flores no cabelo...
Estou aqui a dar colo,
a lamber-te as feridas nas próximas mil-vidas
que te destruírem...
Nasceste árvore em solo crispado de pedras
e ainda assim teimas em dar sombra aos outros...


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Burn baby burn!

Dispo-me,
a roupa desliza pela pele lisa,
baixo as luzes
e imagino que me seduzes com o olhar,
começo-me a tocar,
os meus dedos conhecem-me de cor,
mordo-me e sinto o sabor a desejo
como se desse um beijo violento,
olhos fechados,
os joelhos dobrados a roçar um no outro,
mamilos erguidos,
gota que escorre até ao umbigo,
quando consigo finalmente respirar...
Gemo,
 tremo por dentro,
conheço-me,
meço-me na resistência,
ainda não,
um pouco mais devagar,
posso esperar o tempo que quiser
e recomeçar tudo outra vez,
sei que me vês na tua imaginação,
constantemente,
de sexo na mão,
demente por não me poderes tocar,
porém,
rio-me com desdém
a imaginar a tua frustração!
Nua,
suada,
saciada,
sem precisar de ti para nada!