quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Vai à tua vida (ahahah)!

Há uma dormência na inocência que se perde,
quando o coração cai ao chão e se parte...
Não há perdão,
não há mágoa,
não há dor,
apenas um vazio que fica e petrifica tudo
o que foi profundo...
Amor?
Para ti nem chega a ser palavra,
só manipulação que existe na tentação que insiste.
Fecho os olhos e respiro fundo,
o mundo continua um lugar bonito,
nada mudou por tua causa!
Acredito que a tua incapacidade
é a razão da infelicidade que transpiras
cada vez que inspiras todo o ar à tua volta...
Foge, a covardia cai-te tão bem,
nunca iria atrás de ti,
nunca corri atrás de ninguém...
Vive como puderes,
entre mulheres que não sabes amar...
Pobre de ti,
tão pequeno para saber,
nunca conseguiste de facto estar à altura,
que tortura  que deve ser!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Hey Now, hey now...



 Podias percorrer cem mil anos sem me encontrar,
mas há um lugar para cada um de nós,
onde o tempo se perde e a voz se reconhece!
A cadência da respiração é uma pulsação partilhada
e o nada é o mundo a abrir-nos os braços numa prece perfeita...
Ouço os passos do destino, num desalinho de alinhamento universal,
deita-te ao meu lado, vamos contar as constelações, devagar ...
Obrigar os ponteiros a serem pioneiros nesta rebelião
de não nos apressar o coração...
Meu Amor, minha dor maravilhosa!
Não sei se há bem maior no mundo,
do que o sentir profundo da entrega de alguém...
Meu Amor, minha palavra em letra crescida
que faz a vida parecer preciosa e breve...
Deixa que eu te leve, assim, pela mão,
o mundo é uma criança a fazer bolas de sabão...
💓

 

domingo, 9 de setembro de 2018

Stairway to Heaven

O medo é o maior inimigo do Amor, o medo de perdermos quem amamos e o medo de nos perdermos por quem queremos…

Não vou falar do amor que vem nos livros, 
retratado de uma forma pueril
onde as árvores que se agitam na loucura do tempo,
choram folhas douradas durante as intempéries…

O Amor é senil,
 nada tem de poético,
ou de ético
é o caos anárquico da emoção,
a esquizofrenia do coração...
O Amor não cabe em geometrias descritivas,
em tabelas de excel, 
ou facturações detalhadas…
É o sentir que nos faz desistir da razão!
Quero-te!
 Sem palavras ensaiadas, 
ou furtivas…
Quero o teu corpo sobre o meu, 
vezes e vezes sem conta,
numa afronta que ruborize o mundo,
quero aquilo que dura,
a loucura,
o profano, 
o profundo,
quero conspurcar a definição,
beber-te,
conhecer-te,
foder-te 
e adormecer-te depois
na exaustão de dois corpos que se fundem
e se confundem num só folego...

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Imortalidade

Procuro no escuro,
tacteando o futuro com as mãos,
entrego ao braille do coração
a razão de tudo o que faço...
Gosto de sentir o vento no rosto
saborear tudo como se a vida breve e leve
me estivesse a beijar pela ultima vez,
o tempo é a única coisa que tenho a certeza
que não terei muito tempo...
Quero sorver a vida e fazer amor com ela,
não quero desesperos,
nem remorsos,
nem culpas a carpir na minha lápide...
A dor passa,
as feridas curam,
mas a vida,
se não a despirmos,
se não a sentirmos,
a preencher cada poro,
cada fôlego,
cada instante,
se não for a amante que desejamos e amamos intensamente,
morre-nos por dentro,
nos dias que se tornam cinzentos...
O meu legado será sempre o amor demente que entrego a toda a gente!
Este sentir cego que não se assusta por poder sofrer,
porque viver sem Amar é estar morto sem saber...




quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Cosplay

Podia falar do cansaço das almas sensíveis,
do aço que trespassa,
do fracasso que compassa,
dos afectos invisíveis dos outros...
Mas as palavras são sobras de obras inacabadas,
terminadas antes mesmo de começar.
Estou exausta,
atiro a toalha gasta e encardida ao chão,
o meu coração não pode continuar a comandar a minha vida
porque só me traz a morte, mais nada...
Tenho a sorte de o poder encurralar
numa redoma de razão plastificada,
preciso de respirar devagar,
preciso de treinar a alma,
fazer da calma e da dormência um novo caminho de resistência!
Aprender a morrer um pouco,
para não morrer de todo.
Se alguém caminhasse sob os meus pés sentiria como me pesa cada passo
e como disfarço sempre tão bem...

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Ain't no mountain high enough...

Existem montanhas escondidas
nas almas perdidas dos sonhadores...
Dores que os ensinam que a sina de crescer
faz o tempo moer-nos por dentro...
Tento sempre crescer devagar,
sem vagar o meu lugar,
sem deixar de pertencer,
sem ter de deixar nada
na sombria encruzilhada de cada vida,
envolvida na minha linha delimitada...
Somos teias perfeitas em areias desfeitas,
ora aprisionamos os outros,
ora nos afundamos  em sopros fugazes...
Capazes de lutar até ao ultimo fôlego pelo que acreditamos,
vivemos, perdemos,
vivemos, erramos,
vivemos, amamos,
vivemos, morremos.


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A insustentável cegueira do Ser

Os olhos são rasgos do infinito
a conduzir as emoções que não entendemos…
Não sei expressar tudo o que sinto,
não analiso cada riso ou cada lágrima,
não podemos dissecar a nossa alma
em fatias completamente simétricas.
Os sentimentos são momentos que nos escapam,
cavalos a trote no peito,
leito da racionalidade rendida e perdida
 a dar tréguas enquanto entrega as rédeas!
Os olhos são os sábios que simplificam os lábios,
a nossa passagem secreta e directa para a alma dos outros,
o lugar mágico onde as almas se sentem e consentem!

Não há fim mais trágico ou desperdiçado
que um olhar que afaga,
 enquanto se apaga, 
assim, 
tão devagar ,
por nunca encontrar ninguém do outro lado...