domingo, 9 de setembro de 2018

Stairway to Heaven

O medo é o maior inimigo do Amor, o medo de perdermos quem amamos e o medo de nos perdermos por quem queremos…

Não vou falar do amor que vem nos livros, 
retratado de uma forma pueril
onde as árvores que se agitam na loucura do tempo,
choram folhas douradas durante as intempéries…

O Amor é senil,
 nada tem de poético,
ou de ético
é o caos anárquico da emoção,
a esquizofrenia do coração...
O Amor não cabe em geometrias descritivas,
em tabelas de excel, 
ou facturações detalhadas…
É o sentir que nos faz desistir da razão!
Quero-te!
 Sem palavras ensaiadas, 
ou furtivas…
Quero o teu corpo sobre o meu, 
vezes e vezes sem conta,
numa afronta que ruborize o mundo,
quero aquilo que dura,
a loucura,
o profano, 
o profundo,
quero conspurcar a definição,
beber-te,
conhecer-te,
foder-te 
e adormecer-te depois
na exaustão de dois corpos que se fundem
e se confundem num só folego...

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Imortalidade

Procuro no escuro,
tacteando o futuro com as mãos,
entrego ao braille do coração
a razão de tudo o que faço...
Gosto de sentir o vento no rosto
saborear tudo como se a vida breve e leve
me estivesse a beijar pela ultima vez,
o tempo é a única coisa que tenho a certeza
que não terei muito tempo...
Quero sorver a vida e fazer amor com ela,
não quero desesperos,
nem remorsos,
nem culpas a carpir na minha lápide...
A dor passa,
as feridas curam,
mas a vida,
se não a despirmos,
se não a sentirmos,
a preencher cada poro,
cada fôlego,
cada instante,
se não for a amante que desejamos e amamos intensamente,
morre-nos por dentro,
nos dias que se tornam cinzentos...
O meu legado será sempre o amor demente que entrego a toda a gente!
Este sentir cego que não se assusta por poder sofrer,
porque viver sem Amar é estar morto sem saber...




quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Cosplay

Podia falar do cansaço das almas sensíveis,
do aço que trespassa,
do fracasso que compassa,
dos afectos invisíveis dos outros...
Mas as palavras são sobras de obras inacabadas,
terminadas antes mesmo de começar.
Estou exausta,
atiro a toalha gasta e encardida ao chão,
o meu coração não pode continuar a comandar a minha vida
porque só me traz a morte, mais nada...
Tenho a sorte de o poder encurralar
numa redoma de razão plastificada,
preciso de respirar devagar,
preciso de treinar a alma,
fazer da calma e da dormência um novo caminho de resistência!
Aprender a morrer um pouco,
para não morrer de todo.
Se alguém caminhasse sob os meus pés sentiria como me pesa cada passo
e como disfarço sempre tão bem...

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Ain't no mountain high enough...

Existem montanhas escondidas
nas almas perdidas dos sonhadores...
Dores que os ensinam que a sina de crescer
faz o tempo moer-nos por dentro...
Tento sempre crescer devagar,
sem vagar o meu lugar,
sem deixar de pertencer,
sem ter de deixar nada
na sombria encruzilhada de cada vida,
envolvida na minha linha delimitada...
Somos teias perfeitas em areias desfeitas,
ora aprisionamos os outros,
ora nos afundamos  em sopros fugazes...
Capazes de lutar até ao ultimo fôlego pelo que acreditamos,
vivemos, perdemos,
vivemos, erramos,
vivemos, amamos,
vivemos, morremos.


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A insustentável cegueira do Ser

Os olhos são rasgos do infinito
a conduzir as emoções que não entendemos…
Não sei expressar tudo o que sinto,
não analiso cada riso ou cada lágrima,
não podemos dissecar a nossa alma
em fatias completamente simétricas.
Os sentimentos são momentos que nos escapam,
cavalos a trote no peito,
leito da racionalidade rendida e perdida
 a dar tréguas enquanto entrega as rédeas!
Os olhos são os sábios que simplificam os lábios,
a nossa passagem secreta e directa para a alma dos outros,
o lugar mágico onde as almas se sentem e consentem!

Não há fim mais trágico ou desperdiçado
que um olhar que afaga,
 enquanto se apaga, 
assim, 
tão devagar ,
por nunca encontrar ninguém do outro lado...


domingo, 26 de agosto de 2018

Gin (a)tónico

Mata-me devagar,
alimenta-te de mim,
a minha morte eminente
é o que me torna diferente,
saberes que no fim
eu vou sufocar,
mas o prazer que te posso dar será satisfeito...
Crava-me os dentes no peito,
exibe-me como uma aberração maravilhosa,
afinal sou mais uma rosa que te pode picar...
Sou só mais um  Gin!
O que importa é fechares a porta atrás de ti,
eu rendo-me,
não aprendo...
Bebe-me de um só trago,
deixa o coração ao largo,
não me deves nada...
Eu estou tão cansada...
Tão cansada...
-E então?!



sábado, 25 de agosto de 2018

Atelophobia

O meu corpo tem kilometros de mar,
ondas saturadas de sal que me desidratam...
Um dia quis ser porto onde atracassem escunas,
um dia quis ser as dunas que te polvilham os sonhos...
Mas os dias são acasos a morrerem em ocasos,
nem sempre são aquilo que a gente deseja...
O meu coração almeja a paz
que a tranquilidade traz, devagarinho...
Nasci ímpar num mundo par,
a reconstruir-me um bocadinho todos os dias
e destruir-me completamente a cada minuto...
Luto contra este luto que me faz companhia,
esta protecção que me dá a mão,
afaga a cabeça e me levanta do chão.
Aconteça, o que acontecer,
nunca dependeu de mim,
não pelo menos agora...
A hora das escolhas foi quando o mundo não existia,
sequer,
ter escolhido ser mulher já foi demasiado audaz...
Um dia fecharei os olhos,
inspirarei pela ultima vez o mar,
verei tudo em perspectiva e assimilarei a paz...