quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Ultima dança

Foi contigo que aprendi a gostar de musica clássica, devia ter uns 9/10 anos, eu disse que era horrível e que não dava para dançar e tu mandaste-me ouvir de olhos fechados.
Dançavas a valsa comigo, adoravas dançar...
Tinhas montanhas de paciência para mim, para eu não enjoar no carro deixavas-me ir lá atrás, agarrada ao teu banco a cantar aos teus ouvidos!
Foi contigo que passei anos de férias na minha praia preferida, íamos juntos para a agua e ria-me de ti porque nadavas sempre de costas.
Morreste hoje.
Gosto muito de ti, vou gostar sempre, porque o Amor não acaba aqui, deves-me uma ultima valsa ao som do Pavarotti!



João Pinho 13/03/1935-16/08/2018

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Partitura ou condenação...

Respiro-te como pauta de musica,
articulando,
pausadamente,
o poder de cada nota,
quero sentir cada momento,
cada suspiro,
cada movimento,
aqui,
onde o tempo é barco sem leme...
Geme,
grita,
a vida se deixarmos fica sempre para trás,
aflita...
Traz contigo tudo o que consigo adivinhar,
há quanto tempo não fechas os olhos para ouvir o mar?
Respira como pauta de musica,
articula,
vorazmente
a loucura da orquestra,
sente os momentos todos,
contornos do meu corpo arqueado
enrolado no teu,
circulo perfeito,
peito em compasso certo,
o céu aqui tão perto,
erosão de desgaste consentido,
gemido após gemido...
Há quanto tempo não fechas os olhos para ouvir Amar?



sábado, 11 de agosto de 2018

Livre arbitrio

Há histórias escritas a carvão
pela mão do tempo,
palavras rasgadas pelas almas feridas
perdidas num momento de fúria...
Jura que o Amor é tudo o que preciso,
 jura não há juízo maior que a razão do Amor...
Um dia tive asas e escolhi morar aqui
entre os homens que não sonham,
entre os dementes que não amam,
entre os indiferentes que não vivem...
Escolhi ser destroçada vezes e vezes sem conta
na afronta de viver sempre fora do peito
e fazer do meu leito a cura do sofrimento...
Escolhi olhar dentro dos outros e beber-lhes a alma devagarinho,
sabendo que o único caminho da lucidez
é aquele que se trilha com o coração
e jamais com os pés...
Escolhi amar sem limites,
mesmo que nunca acredites ser possível.
Um dia, quando morrer, saberei que nunca precisei de asas para voar
e que Amar chega e não cega!





O tempo não cura, só atrasa...

Não procuro o contacto imediato das coisas frívolas,
a minha alma não se acalma com a superficialidade
da realidade furtiva,
cativa das aparências e indecências fugazes...
Se todos fossemos capazes de Amar,
de despir os medos e contar os segredos mais sombrios ao vento,
o mundo seria um lugar menos vazio...
Quero um Amor profundo,
um Amor voraz,
capaz de tudo,
louco,
infantil,
febril e solto!
Quero ser feliz,
intensamente,
imensamente,
obscenamente feliz!

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Sonho de uma noite de Verão..

Sinto todas as palavras por dizer,
a cadência da respiração,
a frequência cardíaca e mágica...
A saudade é um veludo delicioso,
desejoso de se exprimir e se expandir
pelo corpo todo!
Deus inventou o amor,
nós ensinamos-lhe o que fazer com ele...
O desejo é um beijo repetido
que ecoa em cada poro,
coro,
rio,
imagens que se repetem
quando os corpos se completam...
O Amor é o único sonho que nos mantém acordados,
desesperados por pertencer
e esquecer quem fomos...
 Somos ar quente,
sente
o chão a fugir,
Amor,
tens de te permitir enterrar a dor e soltar o pranto
porque dói muito mais resistir tanto...
As asas feitas de penas pertencem,
 apenas,
 a quem ousar Amar!




sábado, 4 de agosto de 2018

Asas partidas...

Há amores que já nascem em fase terminal,
contaminados pelo mal que herdaram de outras marés,
espraiam-se, demasiado cansados para formar ondulação.
Só queria molhar os pés, outra vez...
O meu coração nunca soube perder,
ou amar com cuidado,
tem medo de ficar trancado
na claustrofobia, de um dia, não sair nunca mais...
Sempre amei tudo,
o ar que respiro,
o mar que me comove,
os amigos que abraço,
e os amores que nunca alcanço...