sábado, 11 de agosto de 2018

Livre arbitrio

Há histórias escritas a carvão
pela mão do tempo,
palavras rasgadas pelas almas feridas
perdidas num momento de fúria...
Jura que o Amor é tudo o que preciso,
 jura não há juízo maior que a razão do Amor...
Um dia tive asas e escolhi morar aqui
entre os homens que não sonham,
entre os dementes que não amam,
entre os indiferentes que não vivem...
Escolhi ser destroçada vezes e vezes sem conta
na afronta de viver sempre fora do peito
e fazer do meu leito a cura do sofrimento...
Escolhi olhar dentro dos outros e beber-lhes a alma devagarinho,
sabendo que o único caminho da lucidez
é aquele que se trilha com o coração
e jamais com os pés...
Escolhi amar sem limites,
mesmo que nunca acredites ser possível.
Um dia, quando morrer, saberei que nunca precisei de asas para voar
e que Amar chega e não cega!





O tempo não cura, só atrasa...

Não procuro o contacto imediato das coisas frívolas,
a minha alma não se acalma com a superficialidade
da realidade furtiva,
cativa das aparências e indecências fugazes...
Se todos fossemos capazes de Amar,
de despir os medos e contar os segredos mais sombrios ao vento,
o mundo seria um lugar menos vazio...
Quero um Amor profundo,
um Amor voraz,
capaz de tudo,
louco,
infantil,
febril e solto!
Quero ser feliz,
intensamente,
imensamente,
obscenamente feliz!

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Sonho de uma noite de Verão..

Sinto todas as palavras por dizer,
a cadência da respiração,
a frequência cardíaca e mágica...
A saudade é um veludo delicioso,
desejoso de se exprimir e se expandir
pelo corpo todo!
Deus inventou o amor,
nós ensinamos-lhe o que fazer com ele...
O desejo é um beijo repetido
que ecoa em cada poro,
coro,
rio,
imagens que se repetem
quando os corpos se completam...
O Amor é o único sonho que nos mantém acordados,
desesperados por pertencer
e esquecer quem fomos...
 Somos ar quente,
sente
o chão a fugir,
Amor,
tens de te permitir enterrar a dor e soltar o pranto
porque dói muito mais resistir tanto...
As asas feitas de penas pertencem,
 apenas,
 a quem ousar Amar!




sábado, 4 de agosto de 2018

Asas partidas...

Há amores que já nascem em fase terminal,
contaminados pelo mal que herdaram de outras marés,
espraiam-se, demasiado cansados para formar ondulação.
Só queria molhar os pés, outra vez...
O meu coração nunca soube perder,
ou amar com cuidado,
tem medo de ficar trancado
na claustrofobia, de um dia, não sair nunca mais...
Sempre amei tudo,
o ar que respiro,
o mar que me comove,
os amigos que abraço,
e os amores que nunca alcanço...




terça-feira, 31 de julho de 2018

Um mundo melhor para os meus filhos

Sempre defendi os meus ideais de forma apaixonada, ás vezes violenta até, acredito convictamente que a maior doença do mundo é o preconceito, luto fervorosamente com os meus todos os dias.
Um dia alguém de quem gosto mesmo, mesmo muito, disse-me:
-Sou maricas...
Ninguém que desde criança tem uma opção sexual diferente pode ser maricas, ninguém... É preciso uma coragem imensa para a assumir perante o mundo, para suportar os olhares, os risinhos, a piadinha fácil e ainda assim escolher ser feliz!
Não devia ser tão difícil.
Não devia.
Não.
Mas é...
E ainda não têm os mesmos direitos que os heterossexuais que acham que podem decidir a felicidade deles, se podem casar, se podem andar de mãos dadas na rua, se podem ser pais...
Isto parece-me demasiado errado, eu não gostaria que alguém decidisse essas coisas por mim.
Eu quero que os meus filhos, um dia, possam assumir aquilo que são sem dependerem da tolerância dos outros.
Eu acredito, verdadeiramente, que um mundo mais simples é um mundo melhor.
Um mundo em que a opção sexual, a raça, a religião não definam os nossos direitos e o direito de outro decidir por nós, é este o mundo que luto (até comigo mesma, muitas e muitas vezes) para deixar aos meus filhos.

domingo, 29 de julho de 2018

You know nothing, Jon Snow...

Engulo o mundo num copo de vinho tinto,
o cetim das uvas esmagadas e adocicadas a embriagarem-me o palato...
Os gestos que se demoram e choram por atenção
numa ebriedade lenta e violenta...
Devoro o cheiro húmido do mundo,
o ruído branco do sexo,
reflexo de sonhos ao espelho...
Os homens não sabem nada sobre o amor,
mastigam-no quando o deviam sorver, devagar...
Gosto desta liberdade aparente,
da tempestade dormente que se faz cá dentro,
de analisar tudo e antecipar todos os cenários...
Há vários sonhos que sei que ficarão por sonhar...
Os medíocres, porém, nem ousam sonhar...
Quero a alma dos outros servida numa bandeja de prata,
estou farta que me esquartejem por dentro,
essa curiosidade mórbida de me ter...
Quero morrer a viver tudo,
todos os instantes, todos os fôlegos,
todos os gemidos,
a dar gargalhadas!
Os homens não sabem amar,
os homens não sabem foder...
Os homens não sabem absolutamente nada.