quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Guilty pleasure
As minhas pálpebras carregam o mundo nos ombros,
arrastam-se pesadas pelas rugas cansadas da minha face,
como gastrópodes obesos em descidas suicidas...
Aplaudo de pé todos os homens que amei,
porque me roubaram sempre o orgulho e a dignidade
sem me terem dado nada em troca...
A verdade é uma lamina com dois dedos molhados
que me penetra devagar,
obrigando-me a gemer baixinho
enquanto a sinto desbravar caminho...
Os homens são como orgasmos acidentados,
carnívoros vorazes a devorar-me o corpo
e a beberem-me os seios,
enquanto namoram uma Sagres...
Estou exausta e gasta,
farta de lhes passar a língua húmida no ego erecto,
cansada de ser o objecto perfeito
num leito abjeto...
A mão que embala o berço
da masturbação,
mereço mais.
arrastam-se pesadas pelas rugas cansadas da minha face,
como gastrópodes obesos em descidas suicidas...
Aplaudo de pé todos os homens que amei,
porque me roubaram sempre o orgulho e a dignidade
sem me terem dado nada em troca...
A verdade é uma lamina com dois dedos molhados
que me penetra devagar,
obrigando-me a gemer baixinho
enquanto a sinto desbravar caminho...
Os homens são como orgasmos acidentados,
carnívoros vorazes a devorar-me o corpo
e a beberem-me os seios,
enquanto namoram uma Sagres...
Estou exausta e gasta,
farta de lhes passar a língua húmida no ego erecto,
cansada de ser o objecto perfeito
num leito abjeto...
A mão que embala o berço
da masturbação,
mereço mais.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Cansaço
Quero a plenitude da virtude cega,
a entrega completa e compacta,
beijo que mata a astúcia, angústia de te tocar...
Sei de cor o teu gosto,
o desgosto que provoca a tua boca quando és silêncio,
surdez de sentimentos, excrementos de alma,
palma de mão que me afasta,
tormento, ócio,
desprezo, peso morto.,
Tenho os sonhos todos amarrotados no bolso,
comprimidos, oprimidos, deprimidos,
destroçados...
Esboço esborratado de mim,
tinta da china que me encarna e descarna por dentro,
pincel de crina que me esmaga,
magoa, viola e afoga em água tingida..
Sou cansaço,
prémio de consolação barato,
grémio, bordel, papel higiénico,
acto sujo de perversão,
desilusão,
fracasso sistémico.
a entrega completa e compacta,
beijo que mata a astúcia, angústia de te tocar...
Sei de cor o teu gosto,
o desgosto que provoca a tua boca quando és silêncio,
surdez de sentimentos, excrementos de alma,
palma de mão que me afasta,
tormento, ócio,
desprezo, peso morto.,
Tenho os sonhos todos amarrotados no bolso,
comprimidos, oprimidos, deprimidos,
destroçados...
Esboço esborratado de mim,
tinta da china que me encarna e descarna por dentro,
pincel de crina que me esmaga,
magoa, viola e afoga em água tingida..
Sou cansaço,
prémio de consolação barato,
grémio, bordel, papel higiénico,
acto sujo de perversão,
desilusão,
fracasso sistémico.
domingo, 7 de janeiro de 2018
O voo do Albatroz...
Não sei de que falam as gaivotas
quando se juntam para chorar,
longe do mar que as conhece...
Sei que o amor se reconhece pelo olhar,
num abraço visual de duas pupilas que se encaixam
e se acham por fim enquanto respiram, enfim...
Sei que já viajei por muitos olhos e ainda não encontrei
quem viajasse nos meus,
talvez o trajecto não seja aliciante,
ou simplesmente íngreme demais...
Sei que o viajante desiste sempre.
Não sei porque choram as gaivotas,
mas conheço o voo solitário do Albatroz,
que busca o amor que dura
e prefere morrer sozinho,
sem voz no mar salgado,
enquanto procura o olhar do seu semelhante.
Um cavaleiro andante entre as vagas,
com a credibilidade de uma criança
e a coragem de um coração completo,
que só almeja afecto
cheio de esperança, sempre.
quando se juntam para chorar,
longe do mar que as conhece...
Sei que o amor se reconhece pelo olhar,
num abraço visual de duas pupilas que se encaixam
e se acham por fim enquanto respiram, enfim...
Sei que já viajei por muitos olhos e ainda não encontrei
quem viajasse nos meus,
talvez o trajecto não seja aliciante,
ou simplesmente íngreme demais...
Sei que o viajante desiste sempre.
Não sei porque choram as gaivotas,
mas conheço o voo solitário do Albatroz,
que busca o amor que dura
e prefere morrer sozinho,
sem voz no mar salgado,
enquanto procura o olhar do seu semelhante.
Um cavaleiro andante entre as vagas,
com a credibilidade de uma criança
e a coragem de um coração completo,
que só almeja afecto
cheio de esperança, sempre.
sábado, 6 de janeiro de 2018
Absolvição
Professo a gratidão de todas as derrotas,
agradeço cada desilusão,
cada perda,
cada dor.
Só se desilude quem sonha,
só perde quem ama
e só se magoa quem sente.
Sou grata a Deus por me mostrar que a força de um Adeus espelha a nossa capacidade de entrega...
Sempre soube dar sem esperar muito em troca,
o que nos liberta é a oferta de nós próprios,
receber às vezes sufoca...
Um dia que pode ser agora, amanhã, ou mais tarde,
não levarei restos de mim para a campa,
deixei tudo por cá, em recantos da vida,
prantos sofridos mas vividos,
beijos e abraços que dei sem inventariar.
Não me arrependo de nada,
acho que viver sem arrependimentos
é a sorte que cultivo, enquanto vivo,
não temo a morte, temo o arrependimento.
O momento passa,
o amor acaba,
o beijo foge,
a vida deixa-nos,
mas o arrependimento fica,
tatuado na nossa memória edificada
a corromper uma historia de decepção.
Não, não me arrependo de nada!
agradeço cada desilusão,
cada perda,
cada dor.
Só se desilude quem sonha,
só perde quem ama
e só se magoa quem sente.
Sou grata a Deus por me mostrar que a força de um Adeus espelha a nossa capacidade de entrega...
Sempre soube dar sem esperar muito em troca,
o que nos liberta é a oferta de nós próprios,
receber às vezes sufoca...
Um dia que pode ser agora, amanhã, ou mais tarde,
não levarei restos de mim para a campa,
deixei tudo por cá, em recantos da vida,
prantos sofridos mas vividos,
beijos e abraços que dei sem inventariar.
Não me arrependo de nada,
acho que viver sem arrependimentos
é a sorte que cultivo, enquanto vivo,
não temo a morte, temo o arrependimento.
O momento passa,
o amor acaba,
o beijo foge,
a vida deixa-nos,
mas o arrependimento fica,
tatuado na nossa memória edificada
a corromper uma historia de decepção.
Não, não me arrependo de nada!
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