Professo a gratidão de todas as derrotas,
agradeço cada desilusão,
cada perda,
cada dor.
Só se desilude quem sonha,
só perde quem ama
e só se magoa quem sente.
Sou grata a Deus por me mostrar que a força de um Adeus espelha a nossa capacidade de entrega...
Sempre soube dar sem esperar muito em troca,
o que nos liberta é a oferta de nós próprios,
receber às vezes sufoca...
Um dia que pode ser agora, amanhã, ou mais tarde,
não levarei restos de mim para a campa,
deixei tudo por cá, em recantos da vida,
prantos sofridos mas vividos,
beijos e abraços que dei sem inventariar.
Não me arrependo de nada,
acho que viver sem arrependimentos
é a sorte que cultivo, enquanto vivo,
não temo a morte, temo o arrependimento.
O momento passa,
o amor acaba,
o beijo foge,
a vida deixa-nos,
mas o arrependimento fica,
tatuado na nossa memória edificada
a corromper uma historia de decepção.
Não, não me arrependo de nada!
sábado, 6 de janeiro de 2018
domingo, 17 de dezembro de 2017
Genesis...
As árvores são testemunhas do declínio dos tempos, uma espécie de sábio moribundo, em voto perpétuo de silêncio e contemplação a assistir à destruição do mundo.
Não existem mais estradas,
não existem caminhos,
não existem saídas...
O fim abraça-nos com a mesma piedade
que beijámos a terra,
enquanto espalhávamos as nossas pegadas
de bondade embalada em plástico...
O tempo devolve-nos num fôlego justo
o carbono encardido com que pintámos os céus,
porque o azul era aborrecido
e os homens sempre tiveram problemas em aceitar as cores dos outros.
As aguas queimam-nos as entranhas
com a mesma sede com que lhe matámos os peixes
e os devolvemos podres nos braços,
nenhuma mãe devia ver morrer os filhos...
Quem ouviria o perdão de um carrasco
a lamber o sangue da guilhotina que decepou uma criança?
A esperança é a extinção para que a vida prevaleça,
talvez cresça melhor desta vez,
talvez aprenda a pertencer em vez de reinar,
talvez aprenda a Amar em vez de vencer,
talvez aprenda a viver, em vez de matar...
Não existem mais estradas,
não existem caminhos,
não existem saídas...
O fim abraça-nos com a mesma piedade
que beijámos a terra,
enquanto espalhávamos as nossas pegadas
de bondade embalada em plástico...
O tempo devolve-nos num fôlego justo
o carbono encardido com que pintámos os céus,
porque o azul era aborrecido
e os homens sempre tiveram problemas em aceitar as cores dos outros.
As aguas queimam-nos as entranhas
com a mesma sede com que lhe matámos os peixes
e os devolvemos podres nos braços,
nenhuma mãe devia ver morrer os filhos...
Quem ouviria o perdão de um carrasco
a lamber o sangue da guilhotina que decepou uma criança?
A esperança é a extinção para que a vida prevaleça,
talvez cresça melhor desta vez,
talvez aprenda a pertencer em vez de reinar,
talvez aprenda a Amar em vez de vencer,
talvez aprenda a viver, em vez de matar...
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
Ipso facto...
Os lábios sabem-me a retrospectiva salgada,
desidratam nos amores subtraídos e nas decepções adicionadas,
ressequidos pela solidão que me acompanhou sempre,
entre tanta gente que amei nunca ninguém me soube amar.
Amar é ousar aceitar o imperfeito, o defeito miserável,
abraçar a condição humana que não engana a ilusão.
Os homens não sabem amar, são crianças sempre à espera do Natal,
a admirar laços e a desembrulhar embrulhos
e depois de nos terem olham-nos com mais um par de meias, feias...
Somos o confortável, o expectável, o comodo, ou a cómoda do quarto,
o urinol que os alivia mas que salpicam sem respeito...
O peito tonto que os acolhe e que repudiam no confronto,
a vida do poucochinho que nunca valorizaram
e tanto invejaram nos outros...
Ser o sonho desde que o sono não chegue...
Ser a musa desde que a carne não ceda...
Ser o horizonte desde que o sol não cegue.
desidratam nos amores subtraídos e nas decepções adicionadas,
ressequidos pela solidão que me acompanhou sempre,
entre tanta gente que amei nunca ninguém me soube amar.
Amar é ousar aceitar o imperfeito, o defeito miserável,
abraçar a condição humana que não engana a ilusão.
Os homens não sabem amar, são crianças sempre à espera do Natal,
a admirar laços e a desembrulhar embrulhos
e depois de nos terem olham-nos com mais um par de meias, feias...
Somos o confortável, o expectável, o comodo, ou a cómoda do quarto,
o urinol que os alivia mas que salpicam sem respeito...
O peito tonto que os acolhe e que repudiam no confronto,
a vida do poucochinho que nunca valorizaram
e tanto invejaram nos outros...
Ser o sonho desde que o sono não chegue...
Ser a musa desde que a carne não ceda...
Ser o horizonte desde que o sol não cegue.
terça-feira, 28 de novembro de 2017
Combustão
Anseio o toque,
combustão auto-suficiente,
cura demente,
penetração,
seio que procura a tua boca,
tortura da espera molhada,
noite ardida, perdida em nada.
Anseio o cheiro,
corpo que se perde e encontra,
espada que perfura,
estocada contra a parede,
crinas de cabelos enrolados nos dedos,
segredos gemidos ao ouvido,
tempo despido sem despedida,
noite ardida perdida em sonhos...
Anseio o meu nome,
sussurrado, gritado, mordido,
carne lasciva,
pele,
saliva,
língua,
membro...
Noite ardida perdida no tempo.
combustão auto-suficiente,
cura demente,
penetração,
seio que procura a tua boca,
tortura da espera molhada,
noite ardida, perdida em nada.
Anseio o cheiro,
corpo que se perde e encontra,
espada que perfura,
estocada contra a parede,
crinas de cabelos enrolados nos dedos,
segredos gemidos ao ouvido,
tempo despido sem despedida,
noite ardida perdida em sonhos...
Anseio o meu nome,
sussurrado, gritado, mordido,
carne lasciva,
pele,
saliva,
língua,
membro...
Noite ardida perdida no tempo.
domingo, 19 de novembro de 2017
Partir é morrer um pouco...
Ás vezes a vida é um lugar estranho,
com um tamanho que não nos serve
e um apetite cruel que nos sorve sem pedir licença...
Sinto que perdi parte do chão e a parte que resta
não deixa o coração descansar...
Podia chorar, mas chorar desidrata o que me sobra do corpo.
Estou farta da seca lá fora e da tempestade cá dentro
e depois tu morreste.
Amaste-me e morreste.
Ensinaste-me a despedir,
ofereceste-me o ultimo fôlego,
suspiraste como quem retorna ao ventre
e regressa a casa, o meu colo.
E eu ajudei-te, queria fugir dali,
mas fiquei a ver-te espaçar o respirar até ao silêncio ensurdecedor
levar-te de mim...
Assim num segundo em que (de)terminou tudo.
Porque Amar também é saber deixar partir...
com um tamanho que não nos serve
e um apetite cruel que nos sorve sem pedir licença...
Sinto que perdi parte do chão e a parte que resta
não deixa o coração descansar...
Podia chorar, mas chorar desidrata o que me sobra do corpo.
Estou farta da seca lá fora e da tempestade cá dentro
e depois tu morreste.
Amaste-me e morreste.
Ensinaste-me a despedir,
ofereceste-me o ultimo fôlego,
suspiraste como quem retorna ao ventre
e regressa a casa, o meu colo.
E eu ajudei-te, queria fugir dali,
mas fiquei a ver-te espaçar o respirar até ao silêncio ensurdecedor
levar-te de mim...
Assim num segundo em que (de)terminou tudo.
Porque Amar também é saber deixar partir...
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Lápide
O cavalo soltou o trote do meu peito,
desfeito pela dor e agora corre e morre em liberdade
a saudade sobrevalorizada, não me traz absolutamente nada!
A vida é uma carta fechada que leio devagar,
nunca tive a arrogância de esperar sorrir sempre,
mas acredito nas tuas asas sobre mim!
Quem ama respira mais fundo
e vê o mundo de uma forma mais clara!
Por isso sinto o teu toque tantas vezes,
o teu abraço, o traço imperfeito do teu rosto...
Um dia a morte vencerá pelo cansaço
e eu vou olha-la nos olhos, perdoá-la e abraça-la!
Dir-lhe-ei ao ouvido que o amor não guarda rancor de ninguém
e tornarei a sua missão mais fácil, dar-lhe-ei a mão
e respirarei uma ultima vez sabendo que não guardo remorsos de nada.
O mundo esquecerá os meus esforços, as minhas conquistas,as minhas derrotas
e sem revoltas, dor ou angustias
só terá uma recordação ténue do amor que se afasta
e isso é o legado que me basta!
desfeito pela dor e agora corre e morre em liberdade
a saudade sobrevalorizada, não me traz absolutamente nada!
A vida é uma carta fechada que leio devagar,
nunca tive a arrogância de esperar sorrir sempre,
mas acredito nas tuas asas sobre mim!
Quem ama respira mais fundo
e vê o mundo de uma forma mais clara!
Por isso sinto o teu toque tantas vezes,
o teu abraço, o traço imperfeito do teu rosto...
Um dia a morte vencerá pelo cansaço
e eu vou olha-la nos olhos, perdoá-la e abraça-la!
Dir-lhe-ei ao ouvido que o amor não guarda rancor de ninguém
e tornarei a sua missão mais fácil, dar-lhe-ei a mão
e respirarei uma ultima vez sabendo que não guardo remorsos de nada.
O mundo esquecerá os meus esforços, as minhas conquistas,as minhas derrotas
e sem revoltas, dor ou angustias
só terá uma recordação ténue do amor que se afasta
e isso é o legado que me basta!
Subscrever:
Mensagens (Atom)
