As árvores são testemunhas do declínio dos tempos, uma espécie de sábio moribundo, em voto perpétuo de silêncio e contemplação a assistir à destruição do mundo.
Não existem mais estradas,
não existem caminhos,
não existem saídas...
O fim abraça-nos com a mesma piedade
que beijámos a terra,
enquanto espalhávamos as nossas pegadas
de bondade embalada em plástico...
O tempo devolve-nos num fôlego justo
o carbono encardido com que pintámos os céus,
porque o azul era aborrecido
e os homens sempre tiveram problemas em aceitar as cores dos outros.
As aguas queimam-nos as entranhas
com a mesma sede com que lhe matámos os peixes
e os devolvemos podres nos braços,
nenhuma mãe devia ver morrer os filhos...
Quem ouviria o perdão de um carrasco
a lamber o sangue da guilhotina que decepou uma criança?
A esperança é a extinção para que a vida prevaleça,
talvez cresça melhor desta vez,
talvez aprenda a pertencer em vez de reinar,
talvez aprenda a Amar em vez de vencer,
talvez aprenda a viver, em vez de matar...
domingo, 17 de dezembro de 2017
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
Ipso facto...
Os lábios sabem-me a retrospectiva salgada,
desidratam nos amores subtraídos e nas decepções adicionadas,
ressequidos pela solidão que me acompanhou sempre,
entre tanta gente que amei nunca ninguém me soube amar.
Amar é ousar aceitar o imperfeito, o defeito miserável,
abraçar a condição humana que não engana a ilusão.
Os homens não sabem amar, são crianças sempre à espera do Natal,
a admirar laços e a desembrulhar embrulhos
e depois de nos terem olham-nos com mais um par de meias, feias...
Somos o confortável, o expectável, o comodo, ou a cómoda do quarto,
o urinol que os alivia mas que salpicam sem respeito...
O peito tonto que os acolhe e que repudiam no confronto,
a vida do poucochinho que nunca valorizaram
e tanto invejaram nos outros...
Ser o sonho desde que o sono não chegue...
Ser a musa desde que a carne não ceda...
Ser o horizonte desde que o sol não cegue.
desidratam nos amores subtraídos e nas decepções adicionadas,
ressequidos pela solidão que me acompanhou sempre,
entre tanta gente que amei nunca ninguém me soube amar.
Amar é ousar aceitar o imperfeito, o defeito miserável,
abraçar a condição humana que não engana a ilusão.
Os homens não sabem amar, são crianças sempre à espera do Natal,
a admirar laços e a desembrulhar embrulhos
e depois de nos terem olham-nos com mais um par de meias, feias...
Somos o confortável, o expectável, o comodo, ou a cómoda do quarto,
o urinol que os alivia mas que salpicam sem respeito...
O peito tonto que os acolhe e que repudiam no confronto,
a vida do poucochinho que nunca valorizaram
e tanto invejaram nos outros...
Ser o sonho desde que o sono não chegue...
Ser a musa desde que a carne não ceda...
Ser o horizonte desde que o sol não cegue.
terça-feira, 28 de novembro de 2017
Combustão
Anseio o toque,
combustão auto-suficiente,
cura demente,
penetração,
seio que procura a tua boca,
tortura da espera molhada,
noite ardida, perdida em nada.
Anseio o cheiro,
corpo que se perde e encontra,
espada que perfura,
estocada contra a parede,
crinas de cabelos enrolados nos dedos,
segredos gemidos ao ouvido,
tempo despido sem despedida,
noite ardida perdida em sonhos...
Anseio o meu nome,
sussurrado, gritado, mordido,
carne lasciva,
pele,
saliva,
língua,
membro...
Noite ardida perdida no tempo.
combustão auto-suficiente,
cura demente,
penetração,
seio que procura a tua boca,
tortura da espera molhada,
noite ardida, perdida em nada.
Anseio o cheiro,
corpo que se perde e encontra,
espada que perfura,
estocada contra a parede,
crinas de cabelos enrolados nos dedos,
segredos gemidos ao ouvido,
tempo despido sem despedida,
noite ardida perdida em sonhos...
Anseio o meu nome,
sussurrado, gritado, mordido,
carne lasciva,
pele,
saliva,
língua,
membro...
Noite ardida perdida no tempo.
domingo, 19 de novembro de 2017
Partir é morrer um pouco...
Ás vezes a vida é um lugar estranho,
com um tamanho que não nos serve
e um apetite cruel que nos sorve sem pedir licença...
Sinto que perdi parte do chão e a parte que resta
não deixa o coração descansar...
Podia chorar, mas chorar desidrata o que me sobra do corpo.
Estou farta da seca lá fora e da tempestade cá dentro
e depois tu morreste.
Amaste-me e morreste.
Ensinaste-me a despedir,
ofereceste-me o ultimo fôlego,
suspiraste como quem retorna ao ventre
e regressa a casa, o meu colo.
E eu ajudei-te, queria fugir dali,
mas fiquei a ver-te espaçar o respirar até ao silêncio ensurdecedor
levar-te de mim...
Assim num segundo em que (de)terminou tudo.
Porque Amar também é saber deixar partir...
com um tamanho que não nos serve
e um apetite cruel que nos sorve sem pedir licença...
Sinto que perdi parte do chão e a parte que resta
não deixa o coração descansar...
Podia chorar, mas chorar desidrata o que me sobra do corpo.
Estou farta da seca lá fora e da tempestade cá dentro
e depois tu morreste.
Amaste-me e morreste.
Ensinaste-me a despedir,
ofereceste-me o ultimo fôlego,
suspiraste como quem retorna ao ventre
e regressa a casa, o meu colo.
E eu ajudei-te, queria fugir dali,
mas fiquei a ver-te espaçar o respirar até ao silêncio ensurdecedor
levar-te de mim...
Assim num segundo em que (de)terminou tudo.
Porque Amar também é saber deixar partir...
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Lápide
O cavalo soltou o trote do meu peito,
desfeito pela dor e agora corre e morre em liberdade
a saudade sobrevalorizada, não me traz absolutamente nada!
A vida é uma carta fechada que leio devagar,
nunca tive a arrogância de esperar sorrir sempre,
mas acredito nas tuas asas sobre mim!
Quem ama respira mais fundo
e vê o mundo de uma forma mais clara!
Por isso sinto o teu toque tantas vezes,
o teu abraço, o traço imperfeito do teu rosto...
Um dia a morte vencerá pelo cansaço
e eu vou olha-la nos olhos, perdoá-la e abraça-la!
Dir-lhe-ei ao ouvido que o amor não guarda rancor de ninguém
e tornarei a sua missão mais fácil, dar-lhe-ei a mão
e respirarei uma ultima vez sabendo que não guardo remorsos de nada.
O mundo esquecerá os meus esforços, as minhas conquistas,as minhas derrotas
e sem revoltas, dor ou angustias
só terá uma recordação ténue do amor que se afasta
e isso é o legado que me basta!
desfeito pela dor e agora corre e morre em liberdade
a saudade sobrevalorizada, não me traz absolutamente nada!
A vida é uma carta fechada que leio devagar,
nunca tive a arrogância de esperar sorrir sempre,
mas acredito nas tuas asas sobre mim!
Quem ama respira mais fundo
e vê o mundo de uma forma mais clara!
Por isso sinto o teu toque tantas vezes,
o teu abraço, o traço imperfeito do teu rosto...
Um dia a morte vencerá pelo cansaço
e eu vou olha-la nos olhos, perdoá-la e abraça-la!
Dir-lhe-ei ao ouvido que o amor não guarda rancor de ninguém
e tornarei a sua missão mais fácil, dar-lhe-ei a mão
e respirarei uma ultima vez sabendo que não guardo remorsos de nada.
O mundo esquecerá os meus esforços, as minhas conquistas,as minhas derrotas
e sem revoltas, dor ou angustias
só terá uma recordação ténue do amor que se afasta
e isso é o legado que me basta!
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Sim, a Constança Urbano tem direito a almejar as férias.
O que aconteceu em Junho e no dia 15 de Outubro foi uma calamidade, mas não foi culpa da Constança Urbano de Sousa, não foi.
Acho verdadeiramente vergonhoso que metam nas costas de uma mulher a incompetência que tem vindo a ser praticada ao longo de décadas no que diz respeito a protecção das Florestas.
As pessoas que se regozijam com a sua demissão, com o seu: "não aguento mais", que gozam com as lágrimas que verteu e lhe chamam de fraca metem-me nojo porque eu tenho nojo de pessoas hipócritas. As pessoas que a apedrejam publicamente, são as mesmas que metem emojis tristes nas publicações que dizem respeito aos fogos, enquanto estão num jantar de amigos a rir-se às gargalhadas, porque nós podemos continuar a viver e estamos gratos porque não aconteceu connosco, a Constança Urbano é que é uma cabra sem coração porque falou em férias.
De facto as pessoas que morreram não mais terão férias, as pessoas que viram as as suas vidas ardidas, o suor e o sacrifício de largos anos desaparecer em cinzas e lágrimas, não devem estar a pensar em férias de certeza.
Eu vi uma ministra destroçada, uma mulher que só lhe faltou cair de joelhos perante o publico por estar trespassada pela dor e pela impotência e responsabilidade que sentiu. Eu vi alguém que sentiu empatia pela dor dos outros, que admitiu que aquele foi o momento mais dificil da sua vida, não tendo sido a sua vida, ali, reduzida às chamas. Mas a Constança é fraca porque chorou, o Marcelo porque é homem, pode abraçar uma senhora e toda a gente o acha perfeito ( e foi perfeito porque foi empático e se importou).
Claro que se tem de apurar responsabilidades, responsabilidades que vão desde o agricultor que acha que deve fazer queimadas, ao condutor que manda uma beata pela janela, às pessoas que não limpam os terrenos, aos piromaníacos, às madeireiras e outras Empresas que ganham com isso, a nós todos que contribuímos para a mudança das condições climatéricas, a quem planta eucaliptos.
Claro que têm de ser tomadas medidas, preventivas e eficazes que, infelizmente, não se conseguem em 4 meses, porque então o governo anterior e associados têm de enfiar a cabeça num balde de merda e baixar a crista, porque estiveram lá bem mais tempo e não o fizeram.
O problema é que enquanto o Bento Rodrigues que jurou nunca mais ter ferias na vida de certeza, lançou esta acha para a fogueira, o povo sedento de sangue quis logo queimar bruxas e eu, honestamente estou farta de incendiários.
Acho verdadeiramente vergonhoso que metam nas costas de uma mulher a incompetência que tem vindo a ser praticada ao longo de décadas no que diz respeito a protecção das Florestas.
As pessoas que se regozijam com a sua demissão, com o seu: "não aguento mais", que gozam com as lágrimas que verteu e lhe chamam de fraca metem-me nojo porque eu tenho nojo de pessoas hipócritas. As pessoas que a apedrejam publicamente, são as mesmas que metem emojis tristes nas publicações que dizem respeito aos fogos, enquanto estão num jantar de amigos a rir-se às gargalhadas, porque nós podemos continuar a viver e estamos gratos porque não aconteceu connosco, a Constança Urbano é que é uma cabra sem coração porque falou em férias.
De facto as pessoas que morreram não mais terão férias, as pessoas que viram as as suas vidas ardidas, o suor e o sacrifício de largos anos desaparecer em cinzas e lágrimas, não devem estar a pensar em férias de certeza.
Eu vi uma ministra destroçada, uma mulher que só lhe faltou cair de joelhos perante o publico por estar trespassada pela dor e pela impotência e responsabilidade que sentiu. Eu vi alguém que sentiu empatia pela dor dos outros, que admitiu que aquele foi o momento mais dificil da sua vida, não tendo sido a sua vida, ali, reduzida às chamas. Mas a Constança é fraca porque chorou, o Marcelo porque é homem, pode abraçar uma senhora e toda a gente o acha perfeito ( e foi perfeito porque foi empático e se importou).
Claro que se tem de apurar responsabilidades, responsabilidades que vão desde o agricultor que acha que deve fazer queimadas, ao condutor que manda uma beata pela janela, às pessoas que não limpam os terrenos, aos piromaníacos, às madeireiras e outras Empresas que ganham com isso, a nós todos que contribuímos para a mudança das condições climatéricas, a quem planta eucaliptos.
Claro que têm de ser tomadas medidas, preventivas e eficazes que, infelizmente, não se conseguem em 4 meses, porque então o governo anterior e associados têm de enfiar a cabeça num balde de merda e baixar a crista, porque estiveram lá bem mais tempo e não o fizeram.
O problema é que enquanto o Bento Rodrigues que jurou nunca mais ter ferias na vida de certeza, lançou esta acha para a fogueira, o povo sedento de sangue quis logo queimar bruxas e eu, honestamente estou farta de incendiários.
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