quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

24 de Setembro de 2009

Percebi agora que este cantinho já faz parte de mim há mais de 6 anos...
O meu primeiro post foi no dia 24 de Setembro de 2009, não sou uma dona de casa muito dedicada, ora ando por cá, ora nem cá venho espanar o pó, mas este também é o meu lar!
:)
Uma especie de diário, uma especie de muro das lamentações, uma especie de amigo, uma especie da minha especie!

guilty pleasure... Rever isto e nunca me decepcionar!


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Escada

Degraus, latidos do tempo, mãos gretadas...
O silêncio é um mescla do imenso céu que nos pousa aos pés.
O Amor uma penumbra solitária do desejo
enquanto um beijo se escapa nas marés da dor...
Saboreio a solidão acompanhada do mundo,
num profundo momento de reflexão.
No meio de nós existe um centro de acolhimento,
onde a voz não faz sentido e os olhos não se encolhem...
Hoje somos o corpo das lágrimas,
a humidade gentil e delicada a morrer nos lábios,
devagar, enquanto nos mata a sede de chorar.
Amo-te.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Hora zero.

A minha alma é uma manta de retalhos,
alinhavada em lágrimas e gargalhadas
e remendada nos erros que cometo e prometo assumir.
Não sei amar pouco ou devagar,
porque o amor não tem travão ou botão de volume.
Preciso de rir e chorar numa bipolaridade que me equilibra
porque a vida é agora e não demora muito.
Um dia não olharei para trás à procura do que perdi,
porque vivi as perdas todas e não faz sentido
lamber feridas cicatrizadas.
O tempo perdido é o que olhamos mais tarde,
enquanto os novos dias se ignoram
porque só se choram os mortos.
Não sei o que quero amanhã,
mas sei que a manhã de hoje tem o valor
que o Amor deixar.

sábado, 28 de novembro de 2015

As bandeiras do medo...

"Em dia de homenagem nacional às vítimas dos atentados terroristas, o Presidente François Hollande tinha apelado a que os franceses ostentassem a bandeira nacional às janelas dos seus apartamentos. Foi um fiasco" (A noticia inteira aqui! )


Dizem que o mundo mudou a 13 de Novembro com os atentados de Paris, eu acho que o mundo já não muda e este é o verdadeiro problema.

Vivi com horror o que aconteceu em Paris porque tenho lá pessoas que amo e as nossas dores são sempre maiores, porque são as nossas. 

No Brasil decorria uma catástrofe ecológica que nos vai perseguir pelo menos durante 30 anos e isso também me doeu, claro, mas aquilo que nos atinge mais de perto tem outra dimensão e desta vez podiam ter sido os meus a morrer e eu sou egoísta e confesso: As dores dos meus são mais minhas do que as dores dos outros. 

E por isto sei que o mundo nunca vai mudar, haverão sempre os nossos e os outros, não sabemos ser de todos, só sabemos ser de alguns.

O mundo não muda e vive no medo, sempre viveu, às vezes em diferentes alturas na História  há lugares onde  isso se esquece, outros há, porém, em que o medo e o terror já são banalizados.

Se isto é uma realidade aceitável? Não, não deveria ser.

Os franceses não meteram bandeiras nas janelas mas estão de luto pelos seus compatriotas, amigos, familiares, pelos seus iguais, mas querem que a vida continue e querem estar seguros, queremos todos.

Não meteram bandeiras porque as bandeiras lhes vão lembrar aquelas pessoas inocentes mortas, aquelas mortes estúpidas e ordinariamente gratuitas que lhes tocaram tão de perto e que foram tão chocantes que merecem bandeiras em janelas e nas redes sociais. 
E inconscientemente ou talvez conscientemente, sabem que cada terrorista que vir uma bandeira saberá que foi ele que provocou aquilo, aquela dor, aquele símbolo de homenagem a uma vida ceifada.

E o terrorismo não merece bandeiras hasteadas, merece repúdio e vergonha alheia.

A vida em Paris continua, a vida pela Europa, pelo mundo inteiro continua, todos os dias nascerão crianças a mostrar aos terroristas do mundo que a vida é mais importante que qualquer causa, que podem matar-nos mas outros viverão e amarão e darão gargalhadas e o som da vida dos que sobreviverem serão mais forte que o silêncio que a morte que causam provoca.

E se Deus existe que vos saiba perdoar.


sábado, 21 de novembro de 2015

ADeus...

Esquecemo-nos do que somos,
meros mortais de uma espécie qualquer a querer cultivar o vento,
a almejar mais do que a vida que fica tantas vezes esquecida dentro de nós.
Deus criou-nos num dia de tédio.
Nós criamo-lo num dia de raiva.
Demos-lhe palavra e um propósito,
Demos-lhe moral e uma consciência
e chamamos à nossa vingança, justiça.
O Homem cobiça o perdão de deus mas nunca soube perdoar.
Aprendemos o rancor e chamamos-lhe Amor
e aos amantes tudo se perdoa…

Se eu conseguisse queria ser uma pedra, imutável mas em paz.
A felicidade para mim seria resistir à chuva e ao vento,
ou deslizar por uma colina  num momento qualquer.
Os Homens não sabem ser pedras, não sabem ser chuva,
não sabem ser vento, não sabem ser nada.
E gostam da mão pesada do deus que inventaram, sobre as suas cabeças,
a fazer ameaças, a atormentar-lhes a alma
e a culpar-lhes a carne.
O masoquismo é um egoísmo disfarçado…

Deus porém nunca teve mãos,
só Amor e nunca o soube explicar
e deu cores aos Homens como deu cores aos pássaros,
mas os Homens não voam e magoam as aves…

Se o mundo adormecesse no meu colo,
hoje, fazia-o esquecer as cores e as dores que deus lhes traz.