A minha alma é uma manta de retalhos,
alinhavada em lágrimas e gargalhadas
e remendada nos erros que cometo e prometo assumir.
Não sei amar pouco ou devagar,
porque o amor não tem travão ou botão de volume.
Preciso de rir e chorar numa bipolaridade que me equilibra
porque a vida é agora e não demora muito.
Um dia não olharei para trás à procura do que perdi,
porque vivi as perdas todas e não faz sentido
lamber feridas cicatrizadas.
O tempo perdido é o que olhamos mais tarde,
enquanto os novos dias se ignoram
porque só se choram os mortos.
Não sei o que quero amanhã,
mas sei que a manhã de hoje tem o valor
que o Amor deixar.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
sábado, 28 de novembro de 2015
As bandeiras do medo...
"Em dia de homenagem nacional às vítimas dos atentados terroristas, o Presidente François Hollande tinha apelado a que os franceses ostentassem a bandeira nacional às janelas dos seus apartamentos. Foi um fiasco" (A noticia inteira aqui! )
Dizem que o mundo mudou a 13 de Novembro com os atentados de Paris, eu acho que o mundo já não muda e este é o verdadeiro problema.
Vivi com horror o que aconteceu em Paris porque tenho lá pessoas que amo e as nossas dores são sempre maiores, porque são as nossas.
No Brasil decorria uma catástrofe ecológica que nos vai perseguir pelo menos durante 30 anos e isso também me doeu, claro, mas aquilo que nos atinge mais de perto tem outra dimensão e desta vez podiam ter sido os meus a morrer e eu sou egoísta e confesso: As dores dos meus são mais minhas do que as dores dos outros.
E por isto sei que o mundo nunca vai mudar, haverão sempre os nossos e os outros, não sabemos ser de todos, só sabemos ser de alguns.
O mundo não muda e vive no medo, sempre viveu, às vezes em diferentes alturas na História há lugares onde isso se esquece, outros há, porém, em que o medo e o terror já são banalizados.
Se isto é uma realidade aceitável? Não, não deveria ser.
Os franceses não meteram bandeiras nas janelas mas estão de luto pelos seus compatriotas, amigos, familiares, pelos seus iguais, mas querem que a vida continue e querem estar seguros, queremos todos.
Não meteram bandeiras porque as bandeiras lhes vão lembrar aquelas pessoas inocentes mortas, aquelas mortes estúpidas e ordinariamente gratuitas que lhes tocaram tão de perto e que foram tão chocantes que merecem bandeiras em janelas e nas redes sociais.
E inconscientemente ou talvez conscientemente, sabem que cada terrorista que vir uma bandeira saberá que foi ele que provocou aquilo, aquela dor, aquele símbolo de homenagem a uma vida ceifada.
E o terrorismo não merece bandeiras hasteadas, merece repúdio e vergonha alheia.
A vida em Paris continua, a vida pela Europa, pelo mundo inteiro continua, todos os dias nascerão crianças a mostrar aos terroristas do mundo que a vida é mais importante que qualquer causa, que podem matar-nos mas outros viverão e amarão e darão gargalhadas e o som da vida dos que sobreviverem serão mais forte que o silêncio que a morte que causam provoca.
E se Deus existe que vos saiba perdoar.
Dizem que o mundo mudou a 13 de Novembro com os atentados de Paris, eu acho que o mundo já não muda e este é o verdadeiro problema.
Vivi com horror o que aconteceu em Paris porque tenho lá pessoas que amo e as nossas dores são sempre maiores, porque são as nossas.
No Brasil decorria uma catástrofe ecológica que nos vai perseguir pelo menos durante 30 anos e isso também me doeu, claro, mas aquilo que nos atinge mais de perto tem outra dimensão e desta vez podiam ter sido os meus a morrer e eu sou egoísta e confesso: As dores dos meus são mais minhas do que as dores dos outros.
E por isto sei que o mundo nunca vai mudar, haverão sempre os nossos e os outros, não sabemos ser de todos, só sabemos ser de alguns.
O mundo não muda e vive no medo, sempre viveu, às vezes em diferentes alturas na História há lugares onde isso se esquece, outros há, porém, em que o medo e o terror já são banalizados.
Se isto é uma realidade aceitável? Não, não deveria ser.
Os franceses não meteram bandeiras nas janelas mas estão de luto pelos seus compatriotas, amigos, familiares, pelos seus iguais, mas querem que a vida continue e querem estar seguros, queremos todos.
Não meteram bandeiras porque as bandeiras lhes vão lembrar aquelas pessoas inocentes mortas, aquelas mortes estúpidas e ordinariamente gratuitas que lhes tocaram tão de perto e que foram tão chocantes que merecem bandeiras em janelas e nas redes sociais.
E inconscientemente ou talvez conscientemente, sabem que cada terrorista que vir uma bandeira saberá que foi ele que provocou aquilo, aquela dor, aquele símbolo de homenagem a uma vida ceifada.
E o terrorismo não merece bandeiras hasteadas, merece repúdio e vergonha alheia.
A vida em Paris continua, a vida pela Europa, pelo mundo inteiro continua, todos os dias nascerão crianças a mostrar aos terroristas do mundo que a vida é mais importante que qualquer causa, que podem matar-nos mas outros viverão e amarão e darão gargalhadas e o som da vida dos que sobreviverem serão mais forte que o silêncio que a morte que causam provoca.
E se Deus existe que vos saiba perdoar.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
sábado, 21 de novembro de 2015
ADeus...
Esquecemo-nos do que somos,
meros mortais de uma espécie qualquer a querer cultivar o vento,
a almejar mais do que a vida que fica tantas vezes esquecida dentro de nós.
Deus criou-nos num dia de tédio.
Nós criamo-lo num dia de raiva.
Demos-lhe palavra e um propósito,
Demos-lhe moral e uma consciência
e chamamos à nossa vingança, justiça.
O Homem cobiça o perdão de deus mas nunca soube perdoar.
Aprendemos o rancor e chamamos-lhe Amor
e aos amantes tudo se perdoa…
Se eu conseguisse queria ser uma pedra, imutável mas em paz.
A felicidade para mim seria resistir à chuva e ao vento,
ou deslizar por uma colina num momento qualquer.
Os Homens não sabem ser pedras, não sabem ser chuva,
não sabem ser vento, não sabem ser nada.
E gostam da mão pesada do deus que inventaram, sobre as suas cabeças,
a fazer ameaças, a atormentar-lhes a alma
e a culpar-lhes a carne.
O masoquismo é um egoísmo disfarçado…
Deus porém nunca teve mãos,
só Amor e nunca o soube explicar
e deu cores aos Homens como deu cores aos pássaros,
mas os Homens não voam e magoam as aves…
Se o mundo adormecesse no meu colo,
hoje, fazia-o esquecer as cores e as dores que deus lhes traz.
meros mortais de uma espécie qualquer a querer cultivar o vento,
a almejar mais do que a vida que fica tantas vezes esquecida dentro de nós.
Deus criou-nos num dia de tédio.
Nós criamo-lo num dia de raiva.
Demos-lhe palavra e um propósito,
Demos-lhe moral e uma consciência
e chamamos à nossa vingança, justiça.
O Homem cobiça o perdão de deus mas nunca soube perdoar.
Aprendemos o rancor e chamamos-lhe Amor
e aos amantes tudo se perdoa…
Se eu conseguisse queria ser uma pedra, imutável mas em paz.
A felicidade para mim seria resistir à chuva e ao vento,
ou deslizar por uma colina num momento qualquer.
Os Homens não sabem ser pedras, não sabem ser chuva,
não sabem ser vento, não sabem ser nada.
E gostam da mão pesada do deus que inventaram, sobre as suas cabeças,
a fazer ameaças, a atormentar-lhes a alma
e a culpar-lhes a carne.
O masoquismo é um egoísmo disfarçado…
Deus porém nunca teve mãos,
só Amor e nunca o soube explicar
e deu cores aos Homens como deu cores aos pássaros,
mas os Homens não voam e magoam as aves…
Se o mundo adormecesse no meu colo,
hoje, fazia-o esquecer as cores e as dores que deus lhes traz.
Facto ou consequência?
Desisto.
O impacto da indiferença devorou-me e cuspiu-me num desdém violento.
Já não me conheço, nem reconheço o momento que nos trouxe aqui.
Esqueci tudo e envolvi-me de nada,
essa mancha disforme de angústia solitária a que chamas saudade.
Perdi a razão de ser razoável ou arrojada,
a verdade ficou permeável e tornou-se chuva ácida
que nos molhou aos dois…
Se ainda te amo?
Sei que não me amo há muito tempo, que desaprendi…
Deixei de ser condescendente com a imagem doente e sofrida do espelho,
rasguei-lhe os braços e a alma vezes demais.
Desisti e depois?
Os teus braços foram agua que nunca saciou ninguém,
Os teus lábios nunca lamberam o sal dos meus olhos,
O teu peito nunca foi leito do meu descanso.
Erva daninha que a minha culpa desculpou…
Despede-te de mim, meu Amor,
Antes que a minha vida se desvaneça e te queime as asas.
Um amor moribundo não é mundo onde a felicidade cresça.
Voa para longe e magoa o céu.
O impacto da indiferença devorou-me e cuspiu-me num desdém violento.
Já não me conheço, nem reconheço o momento que nos trouxe aqui.
Esqueci tudo e envolvi-me de nada,
essa mancha disforme de angústia solitária a que chamas saudade.
Perdi a razão de ser razoável ou arrojada,
a verdade ficou permeável e tornou-se chuva ácida
que nos molhou aos dois…
Se ainda te amo?
Sei que não me amo há muito tempo, que desaprendi…
Deixei de ser condescendente com a imagem doente e sofrida do espelho,
rasguei-lhe os braços e a alma vezes demais.
Desisti e depois?
Os teus braços foram agua que nunca saciou ninguém,
Os teus lábios nunca lamberam o sal dos meus olhos,
O teu peito nunca foi leito do meu descanso.
Erva daninha que a minha culpa desculpou…
Despede-te de mim, meu Amor,
Antes que a minha vida se desvaneça e te queime as asas.
Um amor moribundo não é mundo onde a felicidade cresça.
Voa para longe e magoa o céu.
Alzheimer...
A tua ausência pulsa-me no sangue como um orgasmo inacabado, cada segundo é um
mundo que se acaba e recomeça e as escolhas as folhas de Outono que despimos pelo chão.
Esquece o tempo Amor,
esquece a mortalidade, o rumo dos dias, a contagem decrescente,
a dor que acompanha a crueldade dormente
do relógio divino tatuado na nossa existência…
O destino é um cronómetro viciado e vicioso
que nos castiga, mastiga e condena,
sem pena, desde o berço…
Esquece-o Amor,
Seremos ponteiros fixos de pernas interlaçadas,
a saborear o prazer mesquinho
de gemer eternidade baixinho.
O tempo não nos conhece,
Esquece Amor,
Porque a memória não perdura
E o tempo não cura nada,
é um velho arrogante e impotente
a invejar a felicidade dos homens…
Um errante, indigente e imundo a desdenhar e a exigir a esmola das nossas vidas
a vaguear, sempre só, pelo mundo…
Esquece...
mundo que se acaba e recomeça e as escolhas as folhas de Outono que despimos pelo chão.
Esquece o tempo Amor,
esquece a mortalidade, o rumo dos dias, a contagem decrescente,
a dor que acompanha a crueldade dormente
do relógio divino tatuado na nossa existência…
O destino é um cronómetro viciado e vicioso
que nos castiga, mastiga e condena,
sem pena, desde o berço…
Esquece-o Amor,
Seremos ponteiros fixos de pernas interlaçadas,
a saborear o prazer mesquinho
de gemer eternidade baixinho.
O tempo não nos conhece,
Esquece Amor,
Porque a memória não perdura
E o tempo não cura nada,
é um velho arrogante e impotente
a invejar a felicidade dos homens…
Um errante, indigente e imundo a desdenhar e a exigir a esmola das nossas vidas
a vaguear, sempre só, pelo mundo…
Esquece...
O (Amor te)rreno...
Odeiem-se.
Odeiem-se porque não merecemos mais nada.
Odeiem-se e morram afogados no ódio, no desdém, na indiferença
que é a vossa crença no divino.
Seres bons, tão perfeitos, os eleitos naturais…
Vós, os que estão acima de todas as coisas e não fazeis coisa nenhuma.
Odeiem-se e lambam o mel envenenado do vosso discurso condescendente,
enquanto se agoniam com o cheiro doente do mundo.
Perfumem-se de arrogância e respirem fundo!
Odeiem-se da forma como odeiam os que sofrem,
os que são diferentes, os que são menores…
A vossa grandeza humilha-nos, a vossa soberba verga-nos,
a nossa humanidade interrompe-vos a dignidade.
Odeiem-se e VIVAM ALTO, nós morremos baixinho.
Odeiem-se porque não merecemos mais nada.
Odeiem-se e morram afogados no ódio, no desdém, na indiferença
que é a vossa crença no divino.
Seres bons, tão perfeitos, os eleitos naturais…
Vós, os que estão acima de todas as coisas e não fazeis coisa nenhuma.
Odeiem-se e lambam o mel envenenado do vosso discurso condescendente,
enquanto se agoniam com o cheiro doente do mundo.
Perfumem-se de arrogância e respirem fundo!
Odeiem-se da forma como odeiam os que sofrem,
os que são diferentes, os que são menores…
A vossa grandeza humilha-nos, a vossa soberba verga-nos,
a nossa humanidade interrompe-vos a dignidade.
Odeiem-se e VIVAM ALTO, nós morremos baixinho.
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