sábado, 26 de setembro de 2015

Funny you're the broken one, but I'm the only one who needed saving... 'Cause when you never see the light it's hard to know which one of us is caving.


Dádiva...

Amor, eclipse que elipsa a morte...
 Lápide de linguagem perpetua
e rosas imortais
num império de sentidos sem sentido de orientação.

Caminho de pedras de coração partido
a respirar e chorar baixinho...
Limbo,principio, meio e fim
onde desisto de mim e me reencontro
quando Deus pestaneja e o Inferno me beija.

Amor, elipse que eclipsa a vida...
Berço de gestos efémeros
e espinhos mortais
num claustro de razões, sem razão de ser.
Conceito retórico,
dádiva, murro no estômago, sussurro, GRITO.
Vazio que nos esmaga, preenche e afaga,
elemento, firmamento, infinito.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Will you still love me (versão bachata)


Transgressão...

O silencio vestiu-nos
num momento entre os momentos todos,
voz mordida e perdida em nós,
entre vinganças e castigo...
Não consigo esquecer-te,
 lembrar-te,
ou amar-te como antes,
quando os amantes eram quadros emoldurados,
ornamentados por cores...
Antes das mentiras e das dores
éramos palavras soltas, envoltas um no outro...
Mataste (me) os silêncios,
arrancaste-me de ti e quiseste-me aos bocados,
numa espécie de droga recreativa, proibida
que injectavas às escondidas da vida...
Ainda te corro nas veias, amor?
Ainda te tocas a pensar em mim,
quando o sonho te abocanha, num beijo devagar
e lambe a espessura dura do teu desejo?
O silencio despiu-nos
num momento da transgressão da palavra,
a razão fechou os olhos e humedeceu os lábios
num gemido abafado pela raiva.



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Porque me dói o peito.

Enquanto mães imploram que deixem passar os seus filhos, os atiram desesperadas por cima do arame farpado e os deixam aterrorizados e perdidos do outro lado, sem colo, sem chão, sem elas...
O mundo discute o indiscutível...

Primeiro salvam-se as pessoas, depois encontram-se soluções, primeiro garantem-se os direitos fundamentais, primeiro está a humanidade depois a merda das fronteiras e das religiões e das culturas e dos subsídios...

São pessoas, mães como nós que embalam os filhos para os adormecer, que sofrem quando estão doentes, que querem o melhor para eles, eles são crianças como as nossas, querem brincar, correr, ir à escola, ter amigos, ter um futuro possível e em segurança.

Estamos a condenar crianças por termos medo dos adultos, porque podem ser terroristas e podem fazer-nos mal, é certo... Então matamos-lhes os filhos à fome e ao frio.

Não são refugiados, porque ser refugiado no dicionário de muitos significa que têm mais é de aguentar tudo porque não pertencem aqui.
Não são refugiados, são pessoas, cidadãos de um mundo que é de todos...

Malucos existem em todo o lado, aqui também existem psicopatas que matam pessoas seja porque motivo for e isso não faz de todos os portugueses malucos.

São culturas diferentes?
Nós também embirramos com os espanhóis e eles connosco tantas e tantas vezes e há quem diga que os franceses não gostam de tomar banho...
Todos os espanhóis são estúpidos?
Todos os franceses são porcos?
Todos os portugueses são corruptos ou matam vizinhos por causa dos cães?

 No meio de toda esta insanidade desumana as crianças, aquelas que condenamos com medo dos pais, às vezes são tão mais simples e sábias:
Tens fome? Queres uma bolacha?
És uma pessoa como eu e eu partilho as minhas (poucas) bolachas contigo.


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Dorme meu amor, dorme...






Dorme meu amor, dorme...
Esquece os gritos aflitos e o trovejar do ódio dos homens,
esquece os sonhos que não te acolheram
e as pessoas boas que escolheram nascer mais longe.
Dorme meu amor, dorme...
Esquece as lágrimas da tua mãe por o colo não curar tudo
esquece toda a riqueza do mundo
e a tristeza leve de quem não sabe a sorte que tem
e pensa que conhece o rosto e o gosto da dor.
Dorme meu amor, dorme...
Deixa que o mar te abrace num enlace molhado e frio,
sente o meu coração vazio por ter escolhido olhar para o lado...
Dorme meu menino, dorme...
Que o teu corpo pequenino tenha resistido pouco tempo,
que tenhas inspirado as lágrimas da nossa culpa num fôlego valente e breve.
Deixa que o mar morno te leve e sonha, inocente, com um mundo melhor!
Dorme em paz, meu amor...