quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Will you still love me (versão bachata)


Transgressão...

O silencio vestiu-nos
num momento entre os momentos todos,
voz mordida e perdida em nós,
entre vinganças e castigo...
Não consigo esquecer-te,
 lembrar-te,
ou amar-te como antes,
quando os amantes eram quadros emoldurados,
ornamentados por cores...
Antes das mentiras e das dores
éramos palavras soltas, envoltas um no outro...
Mataste (me) os silêncios,
arrancaste-me de ti e quiseste-me aos bocados,
numa espécie de droga recreativa, proibida
que injectavas às escondidas da vida...
Ainda te corro nas veias, amor?
Ainda te tocas a pensar em mim,
quando o sonho te abocanha, num beijo devagar
e lambe a espessura dura do teu desejo?
O silencio despiu-nos
num momento da transgressão da palavra,
a razão fechou os olhos e humedeceu os lábios
num gemido abafado pela raiva.



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Porque me dói o peito.

Enquanto mães imploram que deixem passar os seus filhos, os atiram desesperadas por cima do arame farpado e os deixam aterrorizados e perdidos do outro lado, sem colo, sem chão, sem elas...
O mundo discute o indiscutível...

Primeiro salvam-se as pessoas, depois encontram-se soluções, primeiro garantem-se os direitos fundamentais, primeiro está a humanidade depois a merda das fronteiras e das religiões e das culturas e dos subsídios...

São pessoas, mães como nós que embalam os filhos para os adormecer, que sofrem quando estão doentes, que querem o melhor para eles, eles são crianças como as nossas, querem brincar, correr, ir à escola, ter amigos, ter um futuro possível e em segurança.

Estamos a condenar crianças por termos medo dos adultos, porque podem ser terroristas e podem fazer-nos mal, é certo... Então matamos-lhes os filhos à fome e ao frio.

Não são refugiados, porque ser refugiado no dicionário de muitos significa que têm mais é de aguentar tudo porque não pertencem aqui.
Não são refugiados, são pessoas, cidadãos de um mundo que é de todos...

Malucos existem em todo o lado, aqui também existem psicopatas que matam pessoas seja porque motivo for e isso não faz de todos os portugueses malucos.

São culturas diferentes?
Nós também embirramos com os espanhóis e eles connosco tantas e tantas vezes e há quem diga que os franceses não gostam de tomar banho...
Todos os espanhóis são estúpidos?
Todos os franceses são porcos?
Todos os portugueses são corruptos ou matam vizinhos por causa dos cães?

 No meio de toda esta insanidade desumana as crianças, aquelas que condenamos com medo dos pais, às vezes são tão mais simples e sábias:
Tens fome? Queres uma bolacha?
És uma pessoa como eu e eu partilho as minhas (poucas) bolachas contigo.


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Dorme meu amor, dorme...






Dorme meu amor, dorme...
Esquece os gritos aflitos e o trovejar do ódio dos homens,
esquece os sonhos que não te acolheram
e as pessoas boas que escolheram nascer mais longe.
Dorme meu amor, dorme...
Esquece as lágrimas da tua mãe por o colo não curar tudo
esquece toda a riqueza do mundo
e a tristeza leve de quem não sabe a sorte que tem
e pensa que conhece o rosto e o gosto da dor.
Dorme meu amor, dorme...
Deixa que o mar te abrace num enlace molhado e frio,
sente o meu coração vazio por ter escolhido olhar para o lado...
Dorme meu menino, dorme...
Que o teu corpo pequenino tenha resistido pouco tempo,
que tenhas inspirado as lágrimas da nossa culpa num fôlego valente e breve.
Deixa que o mar morno te leve e sonha, inocente, com um mundo melhor!
Dorme em paz, meu amor...

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

E se fosse em Portugal?

Milhares de refugiados Sírios batem, desesperadamente à nossa porta, às portas de uma Europa que se julga civilizada, democrática, solidária, evoluída…
São tratados como cães vadios, quando nem vadios deviam ser os cães…
Insultados, atacados, escorraçados quando a única coisa que querem é poder viver e que os seus vivam…

São emigrantes e nós, portugueses, somos também um povo de emigrantes, tantos nossos, com gentes suas, lá fora que ouço a dizer:
“Eles que voltem para o país deles que nós cá já temos muita miséria”

Não é obrigação, daqueles pais, procurar um futuro possível para os seus filhos?
Uma vida de paz com, alguma, dignidade?
Não queremos nós todos o mesmo para nós, para os nossos filhos?
Se cá houvesse guerra, só morte, fome e miséria não fugiríamos nós, com os nossos filhos pelas mãos?

São Sírios, mas podiam ser Portugueses. Franceses, Alemães…

 Não escolhemos o lugar onde nascemos e é muito cruel condenarem-nos a morrer só porque tivemos o azar de nascer no sítio errado.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Para além da Morte...

Tacteio-te de olhos fechados,
o silencio dos teus olhos morde-me os pensamentos...
Os lamentos são canções que se ouvem ao longe,
mas hoje são os sonhos que mandam!
Agarraste a razão com mãos tremulas e envelhecidas,
nas partidas efémeras de cada lágrima mordida...
Tentaste, amaste, morreste...
Renasceste porém, numa esperança de criança inocente,
todos os dias, quando a madrugada governa a ilusão, tão terna...
Ninguém pertence a ninguém...
Porém o Amor faz-nos pertença, mesmo que não mereça...
Escreve-me, sonha-me, esquece-me e recorda-me,
uma vez, de cada vez, uma e outra vez...
Odeia-me e perdoa-me enquanto te lambo as feridas
e te escapo entre os dedos do destino que não nos destina...
Somos fado, loucura, medo, procura, sina que ensina a viver condenado,
somos prazer...
Amor a reinventar a dor em cada palavra escrava...
Fecha os olhos, deixa-me beijar-te, provar-te, amar-te, saciar-te
e deixar-te, antes que queira morrer nos teus braços.