Bebi-te como agua fresca, mas salgada,
num alívio envenenado que alimenta mais a sede…
Um dia fomos trapézios sem rede
num circo de feras, entre encontros e esperas
de sorte e de morte.
Hoje somos chuva fugaz no deserto,
entre temperaturas escabrosas que matam tudo…
Pingos d’esperança a desenhar rosas molhadas em areias desidratadas
e que secam logo a seguir enquanto se ouvem ruir os sonhos…
quinta-feira, 25 de junho de 2015
segunda-feira, 15 de junho de 2015
O Naufrago...
Lamentos disfarçando a inércia do medo,
desapego,
ou freio que se pisa a meio-gás
quando se desliza para o abismo, num sismo de razão infértil…
Ilusão em água ardente porque a mente é ágil, mas frágil…
Passaremos a vida a fugir de viver?
Acordamos a morrer todos os dias, em frias manhãs de Inverno.
Somos a paz e a angústia das nossas almas,
as armas biológicas e ilógicas que nos contaminam e matam…
Meu vício urgente e doente
com travo áspero a aguardente…
Bulício que agita as ondas tranquilas,
esquife errante e flutuante nas marés sombrias…
Já não me chamas Amor, nem dor, nem nada…
Era uma vez uma história inacabada,
sem final, nem começo, só capítulos salteados…
Barca Velha de casco ressequido que se afunda comigo…
Galeão antigo de convés encardido a assombrar o mar,
porque insistes tanto em naufragar?
desapego,
ou freio que se pisa a meio-gás
quando se desliza para o abismo, num sismo de razão infértil…
Ilusão em água ardente porque a mente é ágil, mas frágil…
Passaremos a vida a fugir de viver?
Acordamos a morrer todos os dias, em frias manhãs de Inverno.
Somos a paz e a angústia das nossas almas,
as armas biológicas e ilógicas que nos contaminam e matam…
Meu vício urgente e doente
com travo áspero a aguardente…
Bulício que agita as ondas tranquilas,
esquife errante e flutuante nas marés sombrias…
Já não me chamas Amor, nem dor, nem nada…
Era uma vez uma história inacabada,
sem final, nem começo, só capítulos salteados…
Barca Velha de casco ressequido que se afunda comigo…
Galeão antigo de convés encardido a assombrar o mar,
porque insistes tanto em naufragar?
sábado, 13 de junho de 2015
Penitências do silêncio…
O silêncio é a espada dos covardes, a lâmina cega que nos esventra e nos descarna enquanto as lágrimas se distraem de sentir…
A saudade encarna uma viúva-alegre, a mentir ao destino num desatino qualquer e nós meros fantoches da fatalidade, por amarmos mais do que podemos e sonharmos mais do que devemos…
Amo-te muito mais do que sei,
numa fúria descompensada, irracional, anormal e triste
que insiste em prevalecer numa lamuria qualquer…
Amei sempre mais do que devia,
porque ao Amor tudo se deve.
Vivo nesta sofreguidão que me sabe aos teus lábios,
na revolta feroz da tua voz quando viaja pela minha pele...
Seremos sempre a lentidão baldia que nos impele a morder os sonhos
e a experimentar a Vida…
Amor…
Tanta dor numa definição tão indefinida…
Palavra feita substantivo, feita verbo, feita adjectivo…
Comunhão que nos sela e nos une na desunião que nos castiga
e nos instiga a sermos felizes por teimosia…
Só se morre por Amor, mais nada…
Pelo Amor que se quer,
Pelo amor que se tem…
Pelo Amor que se perde…
Pelo amor de ninguém…
A saudade encarna uma viúva-alegre, a mentir ao destino num desatino qualquer e nós meros fantoches da fatalidade, por amarmos mais do que podemos e sonharmos mais do que devemos…
Amo-te muito mais do que sei,
numa fúria descompensada, irracional, anormal e triste
que insiste em prevalecer numa lamuria qualquer…
Amei sempre mais do que devia,
porque ao Amor tudo se deve.
Vivo nesta sofreguidão que me sabe aos teus lábios,
na revolta feroz da tua voz quando viaja pela minha pele...
Seremos sempre a lentidão baldia que nos impele a morder os sonhos
e a experimentar a Vida…
Amor…
Tanta dor numa definição tão indefinida…
Palavra feita substantivo, feita verbo, feita adjectivo…
Comunhão que nos sela e nos une na desunião que nos castiga
e nos instiga a sermos felizes por teimosia…
Só se morre por Amor, mais nada…
Pelo Amor que se quer,
Pelo amor que se tem…
Pelo Amor que se perde…
Pelo amor de ninguém…
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Os nossos Homens e a Voz da Casa dos Segredos!
Sabem quando vocês vão
trabalhar e eles (sim eles, os nossos Homens, sim vocês gajos!) ficam em casa?
E no fim de um dia, longo, de
trabalho chegam a casa e percebem que eles…
(Como dizer isto sem ferir susceptibilidades másculas… )
NÃO FIZERAM NADA EM CASA!!!
Sabem?
E nós perguntamos assim meio
a híper-ventilar de raiva, mas ainda com esperança que tenha havido, de facto,
um bom motivo*:
-Então mas tu nem meteste a louça do TEU almoço na
máquina?
(*do género:
-Amor, nem sabes, houve uma invasão de extraterrestres
e tive de ajudar a salvar a Terra, porque não saberia viver sem ti e os nossos
filhos!)
Ou outra pergunta comum:
-Não estendeste a roupa, porquê?
E chega aquela resposta, brilhante, que nos faz pensar em como os serial Killers até são boas pessoas e modelos a seguir:
-Se tu me tivesses dito, eu tinha feito!
Epá…
A sério???
Mas é preciso dizer?
Tipo “a Voz” da casa dos
segredos?
É estranho mas…
A nós (sim, nós, mulheres) também ninguém nos diz…
Eu sei que acham que temos
uma voz que nos dá instruções e não contamos a ninguém, mas juro que não,
apenas… Sei lá, pensamos e fazemos…
Bizarro, não é?
Desde cedo, chegamos a
conclusões estapafúrdias do tipo:
-A roupa não vai sozinha para dentro da máquina e
estranhamente, também não saltita alegremente para o arame…
-A louça no lava-loiça não entra em auto-gestão, nem se auto-destrói ao fim de 30 segundos… Coisa estúpida, eu sei…
-O chão não come o cotão… Era bom, mas não, escusam de insistir…
-O pó não consegue ser todo assimilado pelos vossos pulmões, mesmo que respirem de boca aberta, juro…
Mulheres que têm homens que fazem tudo em casa, deuses
do lar na Terra, portanto, acendam velas e vão a Fátima todos os anos!
(Ou então calem a boca antes
que as outra mulheres vos partam a cremalheira contra uma parede, ou vos atirem
duma falésia, sem querer, claro…)
Homens que fazem tudo em casa, ou pelo menos alguma
coisa, sem esperarem uma voz de intervenção divina (ou a nossa fúria do demo)!
Ide e multiplicai-vos, por favor!!!
domingo, 24 de maio de 2015
Serviço publico (ou... talvez não...)
Para quem não sabe o que são orgasmos múltiplos...
MILKA SPLASH de menta!!!!
De nada :)
(Sara quando eu morrer de obesidade mórbida venho cá puxar-te os pezinhos por me apresentares este chocolate do demo!!!)
MILKA SPLASH de menta!!!!
De nada :)
quarta-feira, 20 de maio de 2015
(Sobre a PSP) Pérolas a Porcos...
Eu trabalhei no Pavilhão dos Oceanos (actual Oceanário de Lisboa, S.A.) durante a Expo'98 (e também depois da Expo) e aprendi que as multidões são naturalmente estúpidas, quando uma grande massa de gente se junta e se instala a confusão, pouca diferença existe entre pessoas e búfalos desgovernados (talvez a diferença maior seja o porte e o peso e nem sempre, mesmo esta, existe).
Não é fácil manter a ordem com multidões, existe sempre um ou dois, num micro-grupo, que causa confusão e a manada que os segue porque só está à espera de um pastor.
Eu adorei trabalhar ali mas, dias houveram, em que saí de lá a odiar pessoas...
Apanhavamos de tudo, desde pais que perdiam crianças na confusão e continuavam calmamente a visita sem se ralar e nós ficavamos com os putos ao colo , inconsoláveis, a tentar localiza-los, a pessoas que empurravam deficientes em cadeiras de rodas contra os acrílicos para poder ver melhor os peixes, desde bestas que urinavam ou defecavam nos corredores de passagem mais escuros porque , não sei porquê, nunca percebi...
E claro, pessoas que nos batiam, pisavam e ofendiam porque, pois também não sei a resposta desta questão...
Isto para nem falar em todos os acéfalos que tiravam fotos com flash, quando lhes era dito, a cada 2 segundos, que não se podia.
Uma coisa que nos era bastante clara era que a ordem mantinha a segurança não só a nossa mas sobretudo daquela gente toda, sem ela poderíamos ter pessoas esmagadas e muitas daquelas pessoas eram crianças, idosos e deficientes, outra coisa que nos era claramente evidente é que manter a ordem com multidões é extremamente difícil e de um momento para o outro instala-se a confusão e o pânico...
Trabalhar nestas circunstâncias, diariamente e a Expo'98 foram só seis meses disto (e apesar do stress e dos Kg que perdi, cheguei aos 46Kg e bebia 7 cafés por dia, que saudades da nossa Expo!!!), é extenuante porque a pressão é constante.
Além desta parte também tinha de existir empatia nossa para perceber que as pessoas que ali estavam tinham estado 3h (ou mais) na fila, ao calor, até chegar ali e estavam ansiosas, exaustas e irritadas.
Chorei algumas vezes de stress, cansaço e raiva num fim de dia de trabalho, mas ao mesmo tempo adorava estar ali e no dia seguinte a disposição renovava-se, porque o ambiente Expo tinha qualquer coisa de mágico!
Foi nessa altura da minha vida que tive uma, muito ligeira e fugaz, noção do quão é extremamente difícil e ingrato zelar pela segurança dos outros...
Um policia em Guimarães errou, se calhar já salvou dezenas de vidas, mas para manadas de Búfalos isso não interessa, se calhar, tantas vezes, meteu a vida dele em risco para salvar outros, mas os Búfalos querem sangue.
Os policias são heróis e os heróis não podem ser mortais se não os Búfalos pisam-nos...
Eu, porque sei o quão é fácil as multidões se descontrolarem (e não havia maior festa do que a Expo) não levaria crianças para estádios com jogos decisivos, ou comemorações de 40.000 pessoas bem bebidas e não o faria por ter medo da policia, mas dos outros e do acaso...
Um policia errou, um pai também, devem ser ambos responsabilizados, de certo ambos se sentem culpados e envergonhados com a forma como agiram naquele dia...
Se calhar o policia sempre foi um excelente policia e o pai um excelente pai, naquele dia não foram, um dia na vida de duas pessoas, provavelmente boas...
Eu admiro todos os dias a coragem de quem mete a vida dos outros acima da sua, mesmo nos dias maus, porque uma onda não pode, nem deve apagar o mar...
Não é fácil manter a ordem com multidões, existe sempre um ou dois, num micro-grupo, que causa confusão e a manada que os segue porque só está à espera de um pastor.
Eu adorei trabalhar ali mas, dias houveram, em que saí de lá a odiar pessoas...
Apanhavamos de tudo, desde pais que perdiam crianças na confusão e continuavam calmamente a visita sem se ralar e nós ficavamos com os putos ao colo , inconsoláveis, a tentar localiza-los, a pessoas que empurravam deficientes em cadeiras de rodas contra os acrílicos para poder ver melhor os peixes, desde bestas que urinavam ou defecavam nos corredores de passagem mais escuros porque , não sei porquê, nunca percebi...
E claro, pessoas que nos batiam, pisavam e ofendiam porque, pois também não sei a resposta desta questão...
Isto para nem falar em todos os acéfalos que tiravam fotos com flash, quando lhes era dito, a cada 2 segundos, que não se podia.
Uma coisa que nos era bastante clara era que a ordem mantinha a segurança não só a nossa mas sobretudo daquela gente toda, sem ela poderíamos ter pessoas esmagadas e muitas daquelas pessoas eram crianças, idosos e deficientes, outra coisa que nos era claramente evidente é que manter a ordem com multidões é extremamente difícil e de um momento para o outro instala-se a confusão e o pânico...
Trabalhar nestas circunstâncias, diariamente e a Expo'98 foram só seis meses disto (e apesar do stress e dos Kg que perdi, cheguei aos 46Kg e bebia 7 cafés por dia, que saudades da nossa Expo!!!), é extenuante porque a pressão é constante.
Além desta parte também tinha de existir empatia nossa para perceber que as pessoas que ali estavam tinham estado 3h (ou mais) na fila, ao calor, até chegar ali e estavam ansiosas, exaustas e irritadas.
Chorei algumas vezes de stress, cansaço e raiva num fim de dia de trabalho, mas ao mesmo tempo adorava estar ali e no dia seguinte a disposição renovava-se, porque o ambiente Expo tinha qualquer coisa de mágico!
Foi nessa altura da minha vida que tive uma, muito ligeira e fugaz, noção do quão é extremamente difícil e ingrato zelar pela segurança dos outros...
Um policia em Guimarães errou, se calhar já salvou dezenas de vidas, mas para manadas de Búfalos isso não interessa, se calhar, tantas vezes, meteu a vida dele em risco para salvar outros, mas os Búfalos querem sangue.
Os policias são heróis e os heróis não podem ser mortais se não os Búfalos pisam-nos...
Eu, porque sei o quão é fácil as multidões se descontrolarem (e não havia maior festa do que a Expo) não levaria crianças para estádios com jogos decisivos, ou comemorações de 40.000 pessoas bem bebidas e não o faria por ter medo da policia, mas dos outros e do acaso...
Um policia errou, um pai também, devem ser ambos responsabilizados, de certo ambos se sentem culpados e envergonhados com a forma como agiram naquele dia...
Se calhar o policia sempre foi um excelente policia e o pai um excelente pai, naquele dia não foram, um dia na vida de duas pessoas, provavelmente boas...
Eu admiro todos os dias a coragem de quem mete a vida dos outros acima da sua, mesmo nos dias maus, porque uma onda não pode, nem deve apagar o mar...
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