O rosto da mulher parecia papel crepe,
belo e alegre, apesar de amachucado...
Cada ruga representava uma história diferente,
como se guardasse o diário nos caminhos da face...
Nos olhos ainda residia a esperança de criança em noite de Natal, recebendo o presente mais desejado...
As almas às vezes são assim, permanecem jovens,
disfarçadas em corpos marcados e abraçados pelo tempo...
O sorriso sábio que às vezes lhe acetinava o lábio,
tinha a bondade de quem amou uma vida toda...
De quem respirou cada aurora, namorou cada hora,
com fúria e com alegria...
Fora tantas vezes tempestade rebelde, hoje era mar de calmaria,
os cabelos brancos longos eram ondas doces q já só queriam beijar areia e conchas...
Já não construía marés e os pés tinham aprendido a pousar mais vezes no chão...
A palma da mão escondia a sina cumprida e honrava a linha da vida que se tinha provado longa...
O colo era passeio obrigatório dos netos irrequietos...
Quando a morte a encontrasse não teria receio,
sabia q teve a sorte de viver mais vidas q a maioria dos mortais...
sábado, 21 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
O mito dos dragões...
Quando o amor se torna o caminho,
o mundo muda as cores,
como se as flores do campo se estendessem para nos dar passagem, deitando os cales,
fazendo vénias...
O som torna-se um candeeiro de luz fraca,
entre promessas e roupa ainda quente,
tremulo,
como luz de fraca amperagem q apenas cria ambiente,
mas não permite ler...
Não se constroem frases,
porque a gramática fica esquecida...
É muito mais uma questão de linguagem gestual fluída,
que se sabe, sem aprender letras com dedos ...
Nessas alturas, somos surdos,
que sentem a linguagem nas mãos,
segredando segredos...
Somos mudos, que apenas articulam sons, às vezes nomes...
Somos cegos porque escolhemos fechar os olhos e experimentar o tacto e o gosto...
Os sentidos todos à flor da pele,
como tatuagens em alto relevo...
O corpo torna-se fogo posto,
servo dedicado,
cativo em veredas de emoções,
q não se imola nas chamas...
E brinca com as labaredas,
imitando dragões em fúria...
o mundo muda as cores,
como se as flores do campo se estendessem para nos dar passagem, deitando os cales,
fazendo vénias...
O som torna-se um candeeiro de luz fraca,
entre promessas e roupa ainda quente,
tremulo,
como luz de fraca amperagem q apenas cria ambiente,
mas não permite ler...
Não se constroem frases,
porque a gramática fica esquecida...
É muito mais uma questão de linguagem gestual fluída,
que se sabe, sem aprender letras com dedos ...
Nessas alturas, somos surdos,
que sentem a linguagem nas mãos,
segredando segredos...
Somos mudos, que apenas articulam sons, às vezes nomes...
Somos cegos porque escolhemos fechar os olhos e experimentar o tacto e o gosto...
Os sentidos todos à flor da pele,
como tatuagens em alto relevo...
O corpo torna-se fogo posto,
servo dedicado,
cativo em veredas de emoções,
q não se imola nas chamas...
E brinca com as labaredas,
imitando dragões em fúria...
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
As lágrimas são de pedra...
A estátua viu o seu corpo de pedra tombar com tristeza,no chão...
Tinha sido esculpida à mão, fruto de amor e suor de um escultor apaixonado,
dedicado a tornar o seu corpo perfeito...
Agora o trabalho do homem que amou,
era destruído por ignorantes sem piedade,
que a devassavam, sem respeito...
No peito da estátua não batia um coração,
nem havia sangue que lhe colorisse as veias,
mas o seu mestre e criador tinha-lhe dado um pouco da sua alma...
Eram parte um do outro, comungando amor e arte,
eram um só...
Mas os homens não sabiam nada desse amor,
não tinham dó do escultor que podia fazer outras estátuas melhores e mais belas q aquela...
Enquanto os membros da estátua caiam por terra,
os seios se tornavam pó e pedra solta,
o escultor chorava, não sentia revolta,
mas sabia que a sua maior obra morria ali
e ele morria com ela...
Tinha sido esculpida à mão, fruto de amor e suor de um escultor apaixonado,
dedicado a tornar o seu corpo perfeito...
Agora o trabalho do homem que amou,
era destruído por ignorantes sem piedade,
que a devassavam, sem respeito...
No peito da estátua não batia um coração,
nem havia sangue que lhe colorisse as veias,
mas o seu mestre e criador tinha-lhe dado um pouco da sua alma...
Eram parte um do outro, comungando amor e arte,
eram um só...
Mas os homens não sabiam nada desse amor,
não tinham dó do escultor que podia fazer outras estátuas melhores e mais belas q aquela...
Enquanto os membros da estátua caiam por terra,
os seios se tornavam pó e pedra solta,
o escultor chorava, não sentia revolta,
mas sabia que a sua maior obra morria ali
e ele morria com ela...
domingo, 8 de novembro de 2009
As asas de cartão...
A esperança caminha, escrevendo capítulos na escuridão...
Houve tempos em que a sua auto-confiança era inabalável,
agora, até os neons da noite a fazem sentir invisível,
ou frágil,
como cartão molhado depois de chover...
A maturidade não faz ninguém mais feliz,
torna-nos apenas zombis solitários,
a pisar o chão a medo,
sem nos atrevermos a correr...
Antes, só temíamos os monstros imaginários que se escondiam ao pé dos casacos nos roupeiros,
hoje temos medo de nós próprios,
porque nos tornamos cínicos e pequeninos...
Queremos ser os primeiros a concretizar alguma coisa,
apenas para estarmos a altura dos segundos lugares...
Somos livres, mas preferimos sair com coleira e trela quando vamos à rua,
para termos desculpa de não conseguirmos morder ninguém...
A confiança deixou de ser cega e passou a ser crua e insossa...
Onde deixamos as nossas asas?
Devem estar cheias de pó, as penas amassadas, as guias tortas ou até mesmo partidas...
E as nossas costas de tão vergadas, estão demasiado doridas para suportar a sua leveza...
Houve tempos em que a sua auto-confiança era inabalável,
agora, até os neons da noite a fazem sentir invisível,
ou frágil,
como cartão molhado depois de chover...
A maturidade não faz ninguém mais feliz,
torna-nos apenas zombis solitários,
a pisar o chão a medo,
sem nos atrevermos a correr...
Antes, só temíamos os monstros imaginários que se escondiam ao pé dos casacos nos roupeiros,
hoje temos medo de nós próprios,
porque nos tornamos cínicos e pequeninos...
Queremos ser os primeiros a concretizar alguma coisa,
apenas para estarmos a altura dos segundos lugares...
Somos livres, mas preferimos sair com coleira e trela quando vamos à rua,
para termos desculpa de não conseguirmos morder ninguém...
A confiança deixou de ser cega e passou a ser crua e insossa...
Onde deixamos as nossas asas?
Devem estar cheias de pó, as penas amassadas, as guias tortas ou até mesmo partidas...
E as nossas costas de tão vergadas, estão demasiado doridas para suportar a sua leveza...
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Alice no país, sem maravilhas...
As palavras fogem como manadas de cavalos selvagens,
de crinas soltas...
O teu silêncio é o muro que limita os nossos sonhos...
Baixei a espada, não luto mais,
já não acredito em possibilidades saídas de contos de fadas...
A Alice saiu de vez da toca mágica do coelho...
A poesia deixou de ser a nossa aliada secreta,
agora é apenas o meu carrasco...
Partes porque não te encontras,
mas sou eu quem se perde pelo caminho...
Já não tenho forças para entender,
só me resta tentar esquecer...
Fazer de conta que o príncipe e a princesa envelheceram juntos,
num conto infantil qualquer que eu não li por lapso...
E que a imortalidade do meu amor por ti,
reside ali,
nas paginas coloridas, entre castelos e dragões...
de crinas soltas...
O teu silêncio é o muro que limita os nossos sonhos...
Baixei a espada, não luto mais,
já não acredito em possibilidades saídas de contos de fadas...
A Alice saiu de vez da toca mágica do coelho...
A poesia deixou de ser a nossa aliada secreta,
agora é apenas o meu carrasco...
Partes porque não te encontras,
mas sou eu quem se perde pelo caminho...
Já não tenho forças para entender,
só me resta tentar esquecer...
Fazer de conta que o príncipe e a princesa envelheceram juntos,
num conto infantil qualquer que eu não li por lapso...
E que a imortalidade do meu amor por ti,
reside ali,
nas paginas coloridas, entre castelos e dragões...
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
O Sol queima as asas das borboletas...
A cinza caía como neve negra,
salpicando o corpo,
tingindo o cabelo,
fazendo contornos ou silhuetas cinzentas...
Ela permanecia de joelhos, no chão frio,
as mãos cobriam o rosto que era um rio...
Os soluços repetiam-se como eco,
ou pancada seca...
Talvez estivesse nua,
ou apenas fosse a sensibilidade doce à flor da pele...
O coração de trote violento, estremecia lá dentro...
O corpo brilhava-lhe como lamparina de azeite,
era enfeite da escuridão,
mas a beleza às vezes dói...
Ela sentia-se salpicada de ácido sulfúrico,
o corpo ardia-lhe de vergonha...
Tinha vontade de mergulhar-se em água a escaldar,
ate a pele ser balão de ar...
Sentia a lixeira do mundo agarrada a si, como se fosse o único aterro, ou enterro da podridão...
Queria voar para longe,
mas as asas estavam queimadas e sabia que jamais sairia dali...
Estava presa ao chão, estava condenada, estava morta, fechou-se a porta dos sonhos...
As asas já não lhe valiam de nada...
salpicando o corpo,
tingindo o cabelo,
fazendo contornos ou silhuetas cinzentas...
Ela permanecia de joelhos, no chão frio,
as mãos cobriam o rosto que era um rio...
Os soluços repetiam-se como eco,
ou pancada seca...
Talvez estivesse nua,
ou apenas fosse a sensibilidade doce à flor da pele...
O coração de trote violento, estremecia lá dentro...
O corpo brilhava-lhe como lamparina de azeite,
era enfeite da escuridão,
mas a beleza às vezes dói...
Ela sentia-se salpicada de ácido sulfúrico,
o corpo ardia-lhe de vergonha...
Tinha vontade de mergulhar-se em água a escaldar,
ate a pele ser balão de ar...
Sentia a lixeira do mundo agarrada a si, como se fosse o único aterro, ou enterro da podridão...
Queria voar para longe,
mas as asas estavam queimadas e sabia que jamais sairia dali...
Estava presa ao chão, estava condenada, estava morta, fechou-se a porta dos sonhos...
As asas já não lhe valiam de nada...
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