quinta-feira, 18 de junho de 2020

in Purpurinas...

(...) Despiu-se, devagar, como quem se desfolha e se olha por dentro num lamento introspectivo e furtivo da realidade. A maldade e a hipocrisia caídas no chão com uma mão cheia de sonhos de areia... E se o caminho já estivesse traçado desde o primeiro passo delimitado nas estrelas do espaço que se obrigam a constelações porque as emoções nunca viajam sozinhas? E se todos os homens com quem dormiu, que beijou, que amou fossem escolhas conscientes de dormentes aspirações a forças maiores? Quem precisa de flores depois de morrer? Quem quer ser uma boa recordação se o coração precisa de bater agora, na hora que nos pertence e nos convence a ter coragem? E se a vida for apenas uma miragem, uma ave de penas delicadas a roçar no nosso rosto, um gosto de liberdade aparente que na realidade traz um guião carente de realizador? Uma dependência doente da dor que nos decepa a razão e nos trepa pelo corpo até trazer um tempo morto e um lamento de prazer num porto inseguro e escuro qualquer...

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