sábado, 30 de maio de 2020

in Purpurinas...

    O rosto dela era um percurso sinuoso de histórias, uma espécie de diário de bordo tatuado nos olhos e no sorriso.
     Nascera assim, condenada a acreditar que o mundo se pode emocionar com o perfume das flores, àvida de vida, de peito escancarado a olhar  para dentro dos outros e a apaixonar-se perdidamente, mesmo sabendo que em campos abertos não existem ecos.
  Há muito tempo que deixara de sonhar com a mão de alguém, não porque o desgosto lhe tenha roubado o alento, sempre soubera ser colo, só já não sabia ser choro.
Demorou o olhar nas costas dele, beijou-lhe a despedida nos passos e abraçou os abraços que morriam por dar. Na sua alma o Amor era um eterno viajante que podia sempre pernoitar. Sabia que até o Amor mais frágil vale a pena na pequena circunstância em que a ânsia de o fazer prevalecer o torna ágil e audaz e nos faz entender que nos podemos estender pelos outros. E mesmo que o Inverno rigoroso nos  gele os lábios de roxo e sele as palavras que trancámos nos momentos tão pouco sábios em que cortejamos o nosso egoísmo o Amor é o eufemismo que a eternidade nos empresta e a única verdade que nos resta.

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