quinta-feira, 21 de maio de 2020

in Purpurinas...

O sonho era um fôlego mais suave que lhe descia pela face e a ruborizava de esperança, a beleza fora substituída por confiança numa história de vida invejável...
- É lamentável que não sejamos eternos,  - disse-me nessa vez com um sorriso  quase provocador.
 -O  Amor quer-se para sempre num corpo dormente e mortal que nada tem de especial...
Fiquei a observar a sensatez e a sorte de quem já deve anos à morte e ainda assim não pára de crescer e aprender todos os dias!
Fechava os olhos enquanto falava talvez por cansaço, talvez pelo embaraço de me ver tão embevecido a ouvi-la e senti-la como se lhe tocasse, como tocara há muitos anos enquanto os enganos da juventude me levaram por outros caminhos igualmente importantes e desafiantes.
- Podemos apaixonarmos-nos mais do que uma vez por alguém?  - perguntei
-Podemos e devemos apaixonarmos-nos todos os minutos e fazermos os lutos de cada tempo que se vai e leva o motivo esquivo que nos fez apaixonar!

2 comentários:

ACunha disse...

Adoro tudo o que escreves, porque o fazes com o coração!!!

Inês Dunas disse...

:) Obrigada minha querida!