Claustrofobia voluntária,
mortalidade mascarada de abraço,
mobilidade restringida pelo espaço de direito à vida...
Quem seremos depois de tudo isto?
Resisto, esperança que se acalenta...
E o Amor? Onde fica?
O Amor aguenta...
Contenção ao invisível
que nos prende o coração sensível...
Receio da má sorte da Morte
e um mundo que se alimenta no seio do terror do toque...
E o Amor? Onde fica?
O Amor aguenta...
O que será da humanidade quando nos habituarmos à saudade?
Quando não houverem mais beijos repentinos,
olhares intemporais,
braços que se confundem e fundem em momentos triviais e citadinos?
Que faremos com este distanciamento
que nos rouba do alento uns dos outros?
Da dor partilhada dos nossos mortos?
Torpor a colorir a nossa alma de magenta...
E o Amor? Onde fica?
O Amor aguenta...
Seremos ilhas desertas?
Feridas abertas?
Sobreviventes envenenados
eternamente contaminados pelo horror de sermos tocados?
Colo onde nunca mais ninguém se senta?
E o Amor? Onde fica?
O Amor, meu Amor...
O Amor aguenta!

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