Há um lapso perdido
entre o sonho e o encontro que perdemos muitas vezes,
um tempo que não volta,
um ombro que não chega,
uma palavra que não solta o que cala o coração...
Somos apenas distânsia,
ansia de um chão que não se percorre
e morre um pouco, dentro de nós,
todos os dias...
Orgulhosamente sós,
ocupantes e ocupados pela dor,
Amor que se sonega,
não nos chegam os abraços
e entre nós sempre mais passos,
sempre mais migalhas
onde te atrapalhas e escorregas...
Habituei-me ao conforto do vazio,
a respirar em salas poluídas de gente
que nunca sente,
gosto da sofreguidão do ar a insuflar o peito,
da pulsação a disparar,
da vida a trespassar-me de Dor
e a provar que o Amor
é um sem abrigo de castigo dentro de mim
que no fim de contas só pede esmola
e consola a fome no sorriso de quem passa...

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