domingo, 8 de março de 2020

Homeopatia

Misturo-me em milhões de litros de água,
separo a  minha essência da demência de sentir,
e deixo-me diluir...
Pudesse eu fluir com a inocência da agua
que mata a sede sem exigir nada em troca
e morre na sede da tua boca.
Pudesses tu beber-me com a mesma coragem
que devoras a agua da torneira,
sem questionares a origem da ribeira,
ou a pureza da sua margem.
Pudéssemos nós ser combinação molecular
em vez de bóias perdidas no mar...
Misturo-me em milhões de litros de agua
para perder a intensidade
e render-me ao peso da superficialidade
e do  amor descartável
e solúvel em cafés...
Bato com os pés até ao expoente da loucura,
nado até à exaustão do corpo...
podíamos ter sido sede,
mas não,
estás sempre à procura do furo na rede.




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