" (...) O corpo dela rodopiava até ao limite da loucura, talvez assim o mundo girasse mais depressa antes que terminasse toda a empatia dos homens que se habituaram à distância.
Houvera um tempo em que o toque e o beijo eram a pureza da afeição e a tradução livre do sentir, agora amar era acenar e falar mais alto para nos podermos ouvir entre vidros invisíveis.
O poder da centrifugação adivinhava com ansiedade o embate do chão e até a iminente agressão da queda seria menos violenta que o entorpecimento em que vivia, precisava de um abraço que a consolasse do cansaço desta segurança metálica e disciplinada, precisava de um encontrão por acidente, um toque ainda que fugaz de uma mão a roçar na sua mão nua, de sentir a fragância dos cabelos de alguém e o perfume do cheiro do corpo de quem se reconhece e se obedece com os sentidos.
As pernas por fim cediam ao peso da gravidade e enquanto caía sabia que em breve ao menos sentiria alguma coisa e que face à dormência permanente até uma dor fantasma pode trazer algum consolo!"
