sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Purpurinas...

    (...) A mão tremia-lhe , brisa trazida pela idade que o agitava por dentro, mágoas envenenadas pelas derrotas, tudo condensado num tremer de mãos. A caneta tentava efectuar as piruetas das letras, confessando num bailado acidentado tudo o que o peito escorria, a alma era um banho de sangue tingido como o papel corrompido pela tinta esborratada da caneta segurada com tanta dificuldade, lágrimas que se suicidavam dos olhos, de mãos dadas, cheias de medo de um embate num combate de sobrevivência...
O Amor é a demência da vida devolvida em migalhas pelas nossas constantes falhas. Agora que a vida lhe ditava pouco tempo e a mente se perdia, era uma casa vazia de sonhos, faltava escrever a ultima carta, o legado que provaria a razão da ilusão da sua existência, a mão falhava, fugia ao seu controlo como a vida sempre teimara em fugir e exigir um rumo independente, a dor era voraz e capaz de o silenciar em breve e depois o leve peso da viagem para a irrelevância da ânsia de deixar tudo o que julgamos conhecer... Como se escrevia aquela palavra que nos lavra por dentro, como se segura a cura de todos os medos e se deposita na força de uma caneta a ultima confiança da esperança, meta final, derradeira ruga na fuga à dor tamanha que sempre nos acompanha?
Amor. (...)


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