Perguntam-me muitas vezes porque estou sozinha, se não sinto falta de ter alguém.
Eu não quero "ter" alguém, nunca tive essa necessidade de me completar por arrasto, precisar de ser salva por um príncipe encantado, encontrar noutra pessoa a razão da minha existência, não quero, nem posso transferir para outra pessoa essa responsabilidade.
Também não busco um Amor daqueles de cinema, perfeito, utópico, quase intocável, de dias sempre maravilhosos, hálitos sempre frescos e personalidades super-hiper-mega positivas.
Eu não consigo, de todo, ser essa personagem, não quero alguém que me veja como um anjinho papudo, ou uma Cinderela esvoaçante, não sou assim, sou sarcástica, às vezes odeio pessoas, digo asneiras no transito, odeio transito, acho que tenho sempre razão e tenho mesmo quase sempre o que por si só é também bastante irritante, quando estou com o período apetece-me matar meio mundo, gosto das coisas arrumadas e se me pisam o chão que estou a lavar é melhor fugirem, tipo logo...
Choro muito facilmente mas passado 10 minutos já ninguém o sabe.
Adoro crianças e animais, é sempre tudo mais fácil com eles.
Adoro aprender coisas e que me ensinem coisas e saber coisas e livros, adoro livros, adorava ter uma biblioteca e musica, não vivo sem musica e amo dançar, danço quando estou feliz e ainda mais quando estou triste e estou triste muitas vezes.
Tenho o humor mais negro deste mundo e amo incondicionalmente os meus amigos, todos eles sabem isso porque lhes digo, sempre.
Quando ouço musica da Mafalda Veiga e do André Sardet na rádio irrito-me...
Amo os meus filhos com todo o coração, todo. Às vezes zango-me com eles mas eles sabem que a mãe, apesar do mau feitio, faria qualquer coisa por eles, mesmo qualquer coisa, tipo crimes.
Sou um bocadinho mãe de toda a gente, sempre fui, até dos meus pais desde sempre, talvez por isso tenha sempre sido um bocadinho mãe dos meus namorados e hoje sei que já não quero isso para mim.
Sou horrível com tecnologias, horrível mesmo.
Quando me apaixono perco o controlo e isso assusta-me porque sei que irremediavelmente vou sofrer, o que acontece sempre, mas é a vida.
Não quero alguém que me ame só pelo meu lado bom, quero alguém que me veja como sou, com vontade de me mandar à merda muitas vezes, mas que saiba que eu sou este furacão sem fundo de emoções mas que o amo e também o sei amar nos dias maus e não vou a lado nenhum porque o nosso caminho é o mesmo.
Quero alguém que tenha a inteligência de saber que "as princesas" também dão puns e às vezes parecem bem mais dragões ou ogres, do que princesas...
Quero alguém com quem me sinta sempre eu, porque eu sempre soube amar as falhas nos outros e honestamente é aquilo que está realmente por baixo da mascara que me puxa mais a atenção.
Quero alguém que perceba que primeiro estarão sempre os meus filhos e não se sinta ameaçado por isso, ou tente competir porque não há competição possível.
Enquanto não encontrar alguém, realmente, assim, prefiro estar como estou sozinha mas completa porque nunca fui metade de nada!

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