(....) E tudo começara com um toque suave no rosto, um breve tocar de dedos que quase a medo lhe saboreavam a pele, um momento que se vincava na eternidade, se tatuava nos segredos mais profundos do tempo, um instante que significava uma vida inteira, entre tantas vidas passadas à espera de um sentido irrelevante qualquer...
Talvez fosse esse o honesto significado do Amor um toque que resume tudo e se partilha na sabedoria do silêncio entre dois olhares que se bastam (...)
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
Basorexia
Lapso do Universo,
prolapso de verso na estrofe,
o silêncio interrompe tudo,
grito em mímica
o infinito a contorcer-se
e o Amor a encolher-se,
cá dentro,
para caber numa cave,
amarrado à trave de uma dor qualquer.
Mentiras em espargata perfeita,
quando a boca foi feita para beijar.
Ofensa gradual à minha inteligência emocional...
Relaxo e contemplo o horizonte,
corpos que se atropelam,
lábios que apelam o calor dos meus.
Deus é o nome da desculpa maior da culpa dos homens...
Travo salgado que lambo devagar,
pecado carnal que mora ao lado...
Guerra imortal da minha alma
condenada na palma da mão.
Não.
prolapso de verso na estrofe,
o silêncio interrompe tudo,
grito em mímica
o infinito a contorcer-se
e o Amor a encolher-se,
cá dentro,
para caber numa cave,
amarrado à trave de uma dor qualquer.
Mentiras em espargata perfeita,
quando a boca foi feita para beijar.
Ofensa gradual à minha inteligência emocional...
Relaxo e contemplo o horizonte,
corpos que se atropelam,
lábios que apelam o calor dos meus.
Deus é o nome da desculpa maior da culpa dos homens...
Travo salgado que lambo devagar,
pecado carnal que mora ao lado...
Guerra imortal da minha alma
condenada na palma da mão.
Não.
domingo, 16 de fevereiro de 2020
If the world was ending...
Meu corpo desenhado no chão,
procuro a tua mão
no escuro,
seguro o teu nome junto a mim,
fim de tudo,
pecado capital.
Lá fora o mundo morre
como a vida escorre,
vazio,
alma solta que não volta mais.
A hora repete-se,
cada minuto é o luto que luto para afastar,
talvez se o mundo acabar...
Valeria a pena condenar toda a gente
pela eternidade de um olhar?
Morrer no teu abraço,
pelo cansaço de te tocar,
sentir cada milímetro do teu prazer
e o mundo a morrer, lá fora,
na hora que seria só nossa?
A minha boca a devorar a tua,
carne nua ,
coreografia das minhas ancas
a receber-te devagar,
sentada no teu colo,
olhos nos olhos,
ritmo certo e inquieto,
sermos sofreguidão
e a destruição do mundo lá fora
a vingar a hora que nunca foi nossa.
sábado, 15 de fevereiro de 2020
Perguntam-me muitas vezes porque estou sozinha, se não sinto falta de ter alguém.
Eu não quero "ter" alguém, nunca tive essa necessidade de me completar por arrasto, precisar de ser salva por um príncipe encantado, encontrar noutra pessoa a razão da minha existência, não quero, nem posso transferir para outra pessoa essa responsabilidade.
Também não busco um Amor daqueles de cinema, perfeito, utópico, quase intocável, de dias sempre maravilhosos, hálitos sempre frescos e personalidades super-hiper-mega positivas.
Eu não consigo, de todo, ser essa personagem, não quero alguém que me veja como um anjinho papudo, ou uma Cinderela esvoaçante, não sou assim, sou sarcástica, às vezes odeio pessoas, digo asneiras no transito, odeio transito, acho que tenho sempre razão e tenho mesmo quase sempre o que por si só é também bastante irritante, quando estou com o período apetece-me matar meio mundo, gosto das coisas arrumadas e se me pisam o chão que estou a lavar é melhor fugirem, tipo logo...
Choro muito facilmente mas passado 10 minutos já ninguém o sabe.
Adoro crianças e animais, é sempre tudo mais fácil com eles.
Adoro aprender coisas e que me ensinem coisas e saber coisas e livros, adoro livros, adorava ter uma biblioteca e musica, não vivo sem musica e amo dançar, danço quando estou feliz e ainda mais quando estou triste e estou triste muitas vezes.
Tenho o humor mais negro deste mundo e amo incondicionalmente os meus amigos, todos eles sabem isso porque lhes digo, sempre.
Quando ouço musica da Mafalda Veiga e do André Sardet na rádio irrito-me...
Amo os meus filhos com todo o coração, todo. Às vezes zango-me com eles mas eles sabem que a mãe, apesar do mau feitio, faria qualquer coisa por eles, mesmo qualquer coisa, tipo crimes.
Sou um bocadinho mãe de toda a gente, sempre fui, até dos meus pais desde sempre, talvez por isso tenha sempre sido um bocadinho mãe dos meus namorados e hoje sei que já não quero isso para mim.
Sou horrível com tecnologias, horrível mesmo.
Quando me apaixono perco o controlo e isso assusta-me porque sei que irremediavelmente vou sofrer, o que acontece sempre, mas é a vida.
Não quero alguém que me ame só pelo meu lado bom, quero alguém que me veja como sou, com vontade de me mandar à merda muitas vezes, mas que saiba que eu sou este furacão sem fundo de emoções mas que o amo e também o sei amar nos dias maus e não vou a lado nenhum porque o nosso caminho é o mesmo.
Quero alguém que tenha a inteligência de saber que "as princesas" também dão puns e às vezes parecem bem mais dragões ou ogres, do que princesas...
Quero alguém com quem me sinta sempre eu, porque eu sempre soube amar as falhas nos outros e honestamente é aquilo que está realmente por baixo da mascara que me puxa mais a atenção.
Quero alguém que perceba que primeiro estarão sempre os meus filhos e não se sinta ameaçado por isso, ou tente competir porque não há competição possível.
Enquanto não encontrar alguém, realmente, assim, prefiro estar como estou sozinha mas completa porque nunca fui metade de nada!
Eu não quero "ter" alguém, nunca tive essa necessidade de me completar por arrasto, precisar de ser salva por um príncipe encantado, encontrar noutra pessoa a razão da minha existência, não quero, nem posso transferir para outra pessoa essa responsabilidade.
Também não busco um Amor daqueles de cinema, perfeito, utópico, quase intocável, de dias sempre maravilhosos, hálitos sempre frescos e personalidades super-hiper-mega positivas.
Eu não consigo, de todo, ser essa personagem, não quero alguém que me veja como um anjinho papudo, ou uma Cinderela esvoaçante, não sou assim, sou sarcástica, às vezes odeio pessoas, digo asneiras no transito, odeio transito, acho que tenho sempre razão e tenho mesmo quase sempre o que por si só é também bastante irritante, quando estou com o período apetece-me matar meio mundo, gosto das coisas arrumadas e se me pisam o chão que estou a lavar é melhor fugirem, tipo logo...
Choro muito facilmente mas passado 10 minutos já ninguém o sabe.
Adoro crianças e animais, é sempre tudo mais fácil com eles.
Adoro aprender coisas e que me ensinem coisas e saber coisas e livros, adoro livros, adorava ter uma biblioteca e musica, não vivo sem musica e amo dançar, danço quando estou feliz e ainda mais quando estou triste e estou triste muitas vezes.
Tenho o humor mais negro deste mundo e amo incondicionalmente os meus amigos, todos eles sabem isso porque lhes digo, sempre.
Quando ouço musica da Mafalda Veiga e do André Sardet na rádio irrito-me...
Amo os meus filhos com todo o coração, todo. Às vezes zango-me com eles mas eles sabem que a mãe, apesar do mau feitio, faria qualquer coisa por eles, mesmo qualquer coisa, tipo crimes.
Sou um bocadinho mãe de toda a gente, sempre fui, até dos meus pais desde sempre, talvez por isso tenha sempre sido um bocadinho mãe dos meus namorados e hoje sei que já não quero isso para mim.
Sou horrível com tecnologias, horrível mesmo.
Quando me apaixono perco o controlo e isso assusta-me porque sei que irremediavelmente vou sofrer, o que acontece sempre, mas é a vida.
Não quero alguém que me ame só pelo meu lado bom, quero alguém que me veja como sou, com vontade de me mandar à merda muitas vezes, mas que saiba que eu sou este furacão sem fundo de emoções mas que o amo e também o sei amar nos dias maus e não vou a lado nenhum porque o nosso caminho é o mesmo.
Quero alguém que tenha a inteligência de saber que "as princesas" também dão puns e às vezes parecem bem mais dragões ou ogres, do que princesas...
Quero alguém com quem me sinta sempre eu, porque eu sempre soube amar as falhas nos outros e honestamente é aquilo que está realmente por baixo da mascara que me puxa mais a atenção.
Quero alguém que perceba que primeiro estarão sempre os meus filhos e não se sinta ameaçado por isso, ou tente competir porque não há competição possível.
Enquanto não encontrar alguém, realmente, assim, prefiro estar como estou sozinha mas completa porque nunca fui metade de nada!
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Purpurinas...
(...) A mão tremia-lhe , brisa trazida pela idade que o agitava por dentro, mágoas envenenadas pelas derrotas, tudo condensado num tremer de mãos. A caneta tentava efectuar as piruetas das letras, confessando num bailado acidentado tudo o que o peito escorria, a alma era um banho de sangue tingido como o papel corrompido pela tinta esborratada da caneta segurada com tanta dificuldade, lágrimas que se suicidavam dos olhos, de mãos dadas, cheias de medo de um embate num combate de sobrevivência...
O Amor é a demência da vida devolvida em migalhas pelas nossas constantes falhas. Agora que a vida lhe ditava pouco tempo e a mente se perdia, era uma casa vazia de sonhos, faltava escrever a ultima carta, o legado que provaria a razão da ilusão da sua existência, a mão falhava, fugia ao seu controlo como a vida sempre teimara em fugir e exigir um rumo independente, a dor era voraz e capaz de o silenciar em breve e depois o leve peso da viagem para a irrelevância da ânsia de deixar tudo o que julgamos conhecer... Como se escrevia aquela palavra que nos lavra por dentro, como se segura a cura de todos os medos e se deposita na força de uma caneta a ultima confiança da esperança, meta final, derradeira ruga na fuga à dor tamanha que sempre nos acompanha?
Amor. (...)
O Amor é a demência da vida devolvida em migalhas pelas nossas constantes falhas. Agora que a vida lhe ditava pouco tempo e a mente se perdia, era uma casa vazia de sonhos, faltava escrever a ultima carta, o legado que provaria a razão da ilusão da sua existência, a mão falhava, fugia ao seu controlo como a vida sempre teimara em fugir e exigir um rumo independente, a dor era voraz e capaz de o silenciar em breve e depois o leve peso da viagem para a irrelevância da ânsia de deixar tudo o que julgamos conhecer... Como se escrevia aquela palavra que nos lavra por dentro, como se segura a cura de todos os medos e se deposita na força de uma caneta a ultima confiança da esperança, meta final, derradeira ruga na fuga à dor tamanha que sempre nos acompanha?
Amor. (...)
Not meant to be.
Dor,
lágrima,
esgrima,
estocada,
rancor.
Não preciso de nada disto,
desisto.
Sabemos que perdemos quando não já nos reconhecemos.
Degrau,
sub-cave
mau presságio,
contágio grave,
entrave,
morte.
Deixa-me sepultar-te com carinho, por favor.
Meu Amor,
boa sorte!
Segue o teu caminho,
não olhes para trás,
preciso de paz para seguir o meu.
Adeus.
lágrima,
esgrima,
estocada,
rancor.
Não preciso de nada disto,
desisto.
Sabemos que perdemos quando não já nos reconhecemos.
Degrau,
sub-cave
mau presságio,
contágio grave,
entrave,
morte.
Deixa-me sepultar-te com carinho, por favor.
Meu Amor,
boa sorte!
Segue o teu caminho,
não olhes para trás,
preciso de paz para seguir o meu.
Adeus.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
Ad Aeternum
Espiral,
Anáfora,
Infinito,
Mural,
Metáfora,
Grito,
Repetição (in)voluntária da acção.
Padrão,
Pulsação,
covardia.
-Quem sabe um dia?
-Nunca.
Mentiras atrás de mentiras atrás de mentiras, atrás...
Sinopse e sinapse.
Elipse,
sintoma viral,
soma residual,
pena.
(talvez seja demasiado pequena??!...)
Ausência.
Falta de paciência,
ribalta da gabarolice,
tolice brejeira,
Amor para a vida toda?
-Que se foda!
Anáfora,
Infinito,
Mural,
Metáfora,
Grito,
Repetição (in)voluntária da acção.
Padrão,
Pulsação,
covardia.
-Quem sabe um dia?
-Nunca.
Mentiras atrás de mentiras atrás de mentiras, atrás...
Sinopse e sinapse.
Elipse,
sintoma viral,
soma residual,
pena.
(talvez seja demasiado pequena??!...)
Ausência.
Falta de paciência,
ribalta da gabarolice,
tolice brejeira,
Amor para a vida toda?
-Que se foda!
sábado, 8 de fevereiro de 2020
Purpurinas
(...) Havia um tracejado esbatido na forma dela andar, um pisar de chão delicado como se pedisse permissão à calçada para a pisar sem magoar. Se observássemos, ao pormenor, só as pontas dos pés acariciavam o solo, descia todos os dias a mesma rua numa corrida ornamentada de hélio, como quem tem receio de não chegar a tempo de dar o último abraço a alguém.
Ele bebia o café, sem açúcar, sempre no mesmo café de toldo esbatido e resiliente, castigado pelo sol, brincando com o maço de tabaco para não roer as unhas que vingavam a resistência de três dias, sorvia a forma estratégica como o sol se aconchegava nos cabelos dela e sentia-se, finalmente, em casa!(...).
Ele bebia o café, sem açúcar, sempre no mesmo café de toldo esbatido e resiliente, castigado pelo sol, brincando com o maço de tabaco para não roer as unhas que vingavam a resistência de três dias, sorvia a forma estratégica como o sol se aconchegava nos cabelos dela e sentia-se, finalmente, em casa!(...).
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
Acto condicionado
Coma,
sintoma inconsciente,
id reaccionário,
diário de bordo...
Cão de Pavlov
a salivar migalhas,
falhas de memória,
Alzheimer selectivo...
Somos todos predaDores ..
Imagem, miragem de Oásis,
areia a entupir a boca de Amores
de pouca fé...
Pé alto do meu peito,
derrocada,
do nada resta sempre nada.
Multiplicação de zero,
espero respirar, devagar,
salto a sétima mentira
e peço um desejo!
Beijo com sabor a dor e sal,
eixo de mal,
purgatório,
crematório da vaidade...
Sinceridade absoluta...
Uma luta
e outra luta
e outra luta...
Olho negro,
derrame..
Enxame de desculpas...
Medo?
Catapultas e muros, sempre.
O inferno está cheio de actos obscuros
de gente sem maldade aparente...
Essa é a única verdade.
sintoma inconsciente,
id reaccionário,
diário de bordo...
Cão de Pavlov
a salivar migalhas,
falhas de memória,
Alzheimer selectivo...
Somos todos predaDores ..
Imagem, miragem de Oásis,
areia a entupir a boca de Amores
de pouca fé...
Pé alto do meu peito,
derrocada,
do nada resta sempre nada.
Multiplicação de zero,
espero respirar, devagar,
salto a sétima mentira
e peço um desejo!
Beijo com sabor a dor e sal,
eixo de mal,
purgatório,
crematório da vaidade...
Sinceridade absoluta...
Uma luta
e outra luta
e outra luta...
Olho negro,
derrame..
Enxame de desculpas...
Medo?
Catapultas e muros, sempre.
O inferno está cheio de actos obscuros
de gente sem maldade aparente...
Essa é a única verdade.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020
O Amor não é uma aula de equitação...
Nevoeiro,
branco manto da imensidão condensada,
vislumbre do nada,
penumbra alva que hipnotiza a mente,
frente fria,
gelo pelo corpo todo...
Malva rosa a perder pétalas-perola,
diamantes em bruto a quebrar de encontro ao chão..
Coração vestido de luto
engolido de uma vez só.
Nó na garganta,
palavras congeladas
violentadas contra a parede,
trampolim sem rede...
(sede de mim)
Nu, a tremer de fome,
homem feito menino, feito embrião,
feito inicio de tudo,
quando o mundo era desfeito, ainda...
Cacimba,
orvalho,
orgulho húmido nos ombros...
Camuflagem ariana,
imagem impecável,
indecifrável, inteligível,
significado de dicionário priberam...
Garupa, privilégio e nunca escravidão...
Lupa que ensina o pormenor da sina,
o Amor não tem freios, ou arreios,
apenas crina solta e revolta entrançada nas mãos...
branco manto da imensidão condensada,
vislumbre do nada,
penumbra alva que hipnotiza a mente,
frente fria,
gelo pelo corpo todo...
Malva rosa a perder pétalas-perola,
diamantes em bruto a quebrar de encontro ao chão..
Coração vestido de luto
engolido de uma vez só.
Nó na garganta,
palavras congeladas
violentadas contra a parede,
trampolim sem rede...
(sede de mim)
Nu, a tremer de fome,
homem feito menino, feito embrião,
feito inicio de tudo,
quando o mundo era desfeito, ainda...
Cacimba,
orvalho,
orgulho húmido nos ombros...
Camuflagem ariana,
imagem impecável,
indecifrável, inteligível,
significado de dicionário priberam...
Garupa, privilégio e nunca escravidão...
Lupa que ensina o pormenor da sina,
o Amor não tem freios, ou arreios,
apenas crina solta e revolta entrançada nas mãos...
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