quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Purpurinas

(...) O tempo respirava devagar com receio de tocar ao de leve o breve momento em que o amantes se completavam, nada seria como antes porém o mundo transpirava da mesma forma, a mesma sudação inquieta e intensa que antevia o legado ingrato do mundo dos homens.
Eram anjos e erravam, desta vez sem medo, desta vez sem juízes, desta vez sem despedidas.
Sabiam que a condição efémera lhes roubaria a sabedoria e serenidade da imortalidade, sabiam que seriam castrados de voar e sentiriam nos lábios o pó da terra, o peso da vulgaridade, a busca por uma razão de existência ornamentada de futilidade cínica e mortal.
Sabiam também que não havia castigo maior do que não serem corpo e alma um do outro, ainda que não mais se encontrassem, ainda que as suas almas se conspurcassem de vivências subtis, condenadas a prazo de validade. Só quem ama alcança a verdadeira eternidade e toda a compreensão do sentido de qualquer existência e o Amor é como a agua e encontra sempre um caminho. E isso era tudo o que precisavam de saber! (...)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Table for two?


Eco,
repetição,
onomatopeia,
veia que explode,
tudo se contorce,
espatula pela garganta,
mantra, lema, poema...
Pequenos passos que são sempre fracassos.
Os sonhos são venenos perigosos,
vacina contra a sina,
Amor?
Não.
Vicio apenas,
resquício de uma história
memória deturpada.
Paz,
sobrevivência,
escalada,
mão a escorregar,
corrimão,
consciência (ou inteligência).
Brinquedo,
medo de crescer,
impotência...
Ejaculação precoce, pré-coice,
foice a tremer
a descer pelo meu corpo...
"Adeus aos meus Amores que me vou... "
Fim?
(O meu) Não.

Só quero que o mundo pare de girar tão depressa...
So quero que o mundo pare de girar...
Só quero que o mundo pare...
Só quero o mundo...
Só quero...
Só.



sábado, 25 de janeiro de 2020

E foi assim que fiquei a saber que esta menina maravilhosa também canta e se chama Zendaya!


Don't fall down... Rue...

Euforia,
risco,
caminho,
paz de espírito, luzes fluorescentes,
cruzes dormentes à minha espera,
quimera de olhos tristes,
existes?
Sonho, cunho pessoal,
mais um risco,
desisto?
Dor que se torna Amor,
vicio?
Não vale a pena
sentir-me pequena outra vez...
Silêncio,
sussurro,
murro no estômago...
Tirar tudo de mim,
demónios que dançam no meu corpo,
sacrificio da carne e da alma,
tudo se recompõe e acalma,
uma voz de cada vez
e tu, sempre tu, nunca nós,
nunca eu,
nunca nada.
Mais um risco e arrisco tudo,
morte anunciada
dois, três, até ao fim...
Overdose, osmose,
ilusão, tua mão a arrancar-me o coração,
dedos dentro de mim...
Orgasmo, corpo arqueado,
espasmo final,
o mal a escorrer pelos meus seios,
respirar devagar,
freios a fundo,
micro-segundo de plenitude...
Mundo em mute.
Mais um risco?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Test Drive

Vazio,
corpo que nada no nada,
alvorada de um compasso,
passo frio, descalço,
caminho interrompido,
gemido fugaz,
voraz,
animal selvagem,
património imaterial,
alma,
demónio à solta...
Volta.
Tempestade que não se acalma, cá dentro...
Alento que morre
e escorre pelo meu corpo nu, abaixo..
Tu, encaixe,
sina, condenação,
mão,
murro no estomago.
Não corro mais.
Amor?
Não, cego.
Apenas e sempre o teu ego a falar.
Amei-te até à exaustão do mundo.
Perdoei-te a fraqueza,
o desamor,
a crueldade.
Idade da inocência,
cadência da chuva,
luva branca a afagar-te o rosto...
Que gosto tem o meu beijo?
Que rosto tem o meu orgasmo?
Que som tem o meu prazer?
Que sabor tem o meu toque?
Tantos que gostavam de o saber.
Amor filho de um Deus menor...


terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Faith song

O sonho é uma ilusão em loop,
livros espalhados pelos meus olhos,
páginas e páginas de orações,
corações ao alto,
sobressalto constante,
meu amante de lábios trémulos...
Deixamos quem fomos numa estrada,
hoje somos fantasmas livres,
almas vestidas de brisa,
maresia de Inverno,
um beijo terno e demorado
que se desprende num sopro.
Viagens, sem rumo, pelos teus olhos,
miragens de outros corpos a dançarem nas tuas mãos...
Fumo esbatido, condensação
multidão claustrofóbica e melancólica,
personalidade camuflada de nada.
Já não pertenço a ninguém,
na verdade nunca pertenci,
nem aqui,
nem a lugar nenhum...
Sou e serei deslumbramento constante,
fechar os olhos a cheirar flores,
dores de parto misturadas com gargalhadas,
sentir o calor do sol e sentir que o fecho em mim,
chorar com desenhos animados à frente de toda a gente,
passar todos os dias pela mesma rua e descobrir sempre algo diferente
e sentir que o meu corpo é tocado constantemente pela plumagem dos anjos.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Descobri esta, ontem!


Vai-se indo, mais ou menos...

As mentiras são comboios descarrilados
com corpos espalhados por todo o lado.
Cada carruagem uma história,
desta inglória de amar.
Já não sei,
não sou capaz,
camuflei-me no meio das árvores,
no cheiro das folhas,
escolhas no meio de raízes.
Podemos ser felizes, no fim.
E entretanto o pranto é o monstro debaixo da cama
que nos chama para jantar.
"Como estás?
Assim, assim..."
Esta meia salubridade que nos rouba a integridade.
Quero tudo,
a dor,
o Amor,
a perda,
o risco,
o medo,
a entrega.
Odeio o intermédio,
se a virtude se encontrasse realmente no meio
chamar-se-ia marasmo,
e não orgasmo.
Matilhas a fazerem ruído e a falarem de saldos
e tu despido, comigo, a rir às gargalhadas,
a terra molhada lá fora,
dança de chuva,
conhecer-te cada curva.
Ver-te dormir e sair.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Coríntios 13:4-7

Estrada acidentada dos danos dos anos
onde me perdi à boleia.
Sol sempre a meia-haste,
talvez baste...
Talvez culpa,
talvez dor, apenas.
Vitórias pequenas esmagadas
por bocados roubados aos sonhos.
Ainda sabes a que sabe um abraço?
Passo que nunca foi caminho.
Perdão sem arrependimento,
sentimento esteril e superficial.
O maior mal do mundo é o Amor profundo.
E tu?
Sozinho porque o coração é um cabrão que mente, sempre.
Sempre a amar Depois...
ego inflamado disfarçado
de amor em letra miudinha.
Sempre a viver Depois...
 E eu?
Sozinha porque o Amor é um inocente que sofre, sempre. 
 Crente sem fé de orgulho doído...

Somos os dois tempo perdido. 

domingo, 12 de janeiro de 2020

Mac Drive

Relato a minha vida num acto hostil de introspecção,
ilusão de me teres em boa conta, 
afronta e arrogância,
ânsia de reveres cada capitulo e remediar os menos bons...
Eu não mudaria uma virgula.
O Amor tem demasiados tons e tu, 
um monocromático em piloto automático!
Tu, que nessa inconsciência da paixão,
tens a indecência de te quereres curar no fundo dos meus olhos
e de te absolveres dos crimes todos no meio das minhas pernas...
Não almejo ser céu, inferno ou purgatório,
apenas o cumulo irrisório da existência residual.
Chamaste-me tanta coisa:
Amor espectral (de ocasião),
pedestal solitário,
Deusa intocável,
Ninfa perfeita
e eu a devorar um Big Mac de bacon e a rir-me às gargalhadas...