(...) Despiu-se, devagar, como quem se desfolha e se olha por dentro num lamento introspectivo e furtivo da realidade. A maldade e a hipocrisia caídas no chão com uma mão cheia de sonhos de areia... E se o caminho já estivesse traçado desde o primeiro passo delimitado nas estrelas do espaço que se obrigam a constelações porque as emoções nunca viajam sozinhas? E se todos os homens com quem dormiu, que beijou, que amou fossem escolhas conscientes de dormentes aspirações a forças maiores? Quem precisa de flores depois de morrer? Quem quer ser uma boa recordação se o coração precisa de bater agora, na hora que nos pertence e nos convence a ter coragem? E se a vida for apenas uma miragem, uma ave de penas delicadas a roçar no nosso rosto, um gosto de liberdade aparente que na realidade traz um guião carente de realizador? Uma dependência doente da dor que nos decepa a razão e nos trepa pelo corpo até trazer um tempo morto e um lamento de prazer num porto inseguro e escuro qualquer...
quinta-feira, 18 de junho de 2020
quinta-feira, 11 de junho de 2020
Inferno de Dante
O teu corpo é um lençol transparente,
que cobre e descobre o meu...
Luz dormente do desejo,
beijo que se perde e se mede
na resistência da entrega,
fúria cega dos sentidos,
gemidos interrompidos
por línguas gulosas,
sequiosas de conhecer o sabor de cor.
Amor, perdição, tentação
o que interessa
quando o pecado tem as rédeas da acção?
Volúpia expressa no teu olhar
a trespassar alma e corpo,
mãos que apertam,
unhas que marcam,
palavras que escapam
sem moral ou razão,
coração a trote,
galope sem sela,
janela para o inferno.
que cobre e descobre o meu...
Luz dormente do desejo,
beijo que se perde e se mede
na resistência da entrega,
fúria cega dos sentidos,
gemidos interrompidos
por línguas gulosas,
sequiosas de conhecer o sabor de cor.
Amor, perdição, tentação
o que interessa
quando o pecado tem as rédeas da acção?
Volúpia expressa no teu olhar
a trespassar alma e corpo,
mãos que apertam,
unhas que marcam,
palavras que escapam
sem moral ou razão,
coração a trote,
galope sem sela,
janela para o inferno.
segunda-feira, 1 de junho de 2020
Requiem for a Dream...
O sonho solta-se,
como beijo-ave, suave,
que viaja, sem que haja, um destino destinado.
Roça, ao de leve,
no momento breve que encontra
os lábios doces de alguém
e surpreende quando nos rende,
numa respiração partilhada.
O sonho revela-se,
como nudez lenta e compassada
e sela-se numa porta que se fecha atrás de nós,
na voz que amacia o timbre,
no olhar que se importa,
na alma que confidencia,
no corpo que se entrega,
no coração que compreende e sossega.
como beijo-ave, suave,
que viaja, sem que haja, um destino destinado.
Roça, ao de leve,
no momento breve que encontra
os lábios doces de alguém
e surpreende quando nos rende,
numa respiração partilhada.
O sonho revela-se,
como nudez lenta e compassada
e sela-se numa porta que se fecha atrás de nós,
na voz que amacia o timbre,
no olhar que se importa,
na alma que confidencia,
no corpo que se entrega,
no coração que compreende e sossega.
sábado, 30 de maio de 2020
in Purpurinas...
O rosto dela era um percurso sinuoso de histórias, uma espécie de diário de bordo tatuado nos olhos e no sorriso.
Nascera assim, condenada a acreditar que o mundo se pode emocionar com o perfume das flores, àvida de vida, de peito escancarado a olhar para dentro dos outros e a apaixonar-se perdidamente, mesmo sabendo que em campos abertos não existem ecos.
Há muito tempo que deixara de sonhar com a mão de alguém, não porque o desgosto lhe tenha roubado o alento, sempre soubera ser colo, só já não sabia ser choro.
Demorou o olhar nas costas dele, beijou-lhe a despedida nos passos e abraçou os abraços que morriam por dar. Na sua alma o Amor era um eterno viajante que podia sempre pernoitar. Sabia que até o Amor mais frágil vale a pena na pequena circunstância em que a ânsia de o fazer prevalecer o torna ágil e audaz e nos faz entender que nos podemos estender pelos outros. E mesmo que o Inverno rigoroso nos gele os lábios de roxo e sele as palavras que trancámos nos momentos tão pouco sábios em que cortejamos o nosso egoísmo o Amor é o eufemismo que a eternidade nos empresta e a única verdade que nos resta.
Nascera assim, condenada a acreditar que o mundo se pode emocionar com o perfume das flores, àvida de vida, de peito escancarado a olhar para dentro dos outros e a apaixonar-se perdidamente, mesmo sabendo que em campos abertos não existem ecos.
Há muito tempo que deixara de sonhar com a mão de alguém, não porque o desgosto lhe tenha roubado o alento, sempre soubera ser colo, só já não sabia ser choro.
Demorou o olhar nas costas dele, beijou-lhe a despedida nos passos e abraçou os abraços que morriam por dar. Na sua alma o Amor era um eterno viajante que podia sempre pernoitar. Sabia que até o Amor mais frágil vale a pena na pequena circunstância em que a ânsia de o fazer prevalecer o torna ágil e audaz e nos faz entender que nos podemos estender pelos outros. E mesmo que o Inverno rigoroso nos gele os lábios de roxo e sele as palavras que trancámos nos momentos tão pouco sábios em que cortejamos o nosso egoísmo o Amor é o eufemismo que a eternidade nos empresta e a única verdade que nos resta.
sábado, 23 de maio de 2020
Blame it on the stars...
A noite é a venda acetinada que perpetua os sonhos,
a sombra nua que veste o desejo,
lingua ousada,
que nos prova como um beijo que se rouba
sem remorso...
A noite é dorso de cavalo selvagem,
viagem sem destino,
desatino que se escolhe
A noite é voto de confiança,
esperança que se sela no escuro,
hálito de Amor puro
a ensinar o caminho,
carinho que se compromete
e promete ficar além da Dor
e aquém de nós.
a sombra nua que veste o desejo,
lingua ousada,
que nos prova como um beijo que se rouba
sem remorso...
A noite é dorso de cavalo selvagem,
viagem sem destino,
desatino que se escolhe
num peito que não se encolhe
nem se envergonha.
A noite é a alma de quem sonha,
habitat secreto dos amantes,
errantes no seu sentir de tanto querer,
razões de emoções periclitantes!errantes no seu sentir de tanto querer,
A noite é voto de confiança,
esperança que se sela no escuro,
hálito de Amor puro
a ensinar o caminho,
carinho que se compromete
e promete ficar além da Dor
e aquém de nós.
quinta-feira, 21 de maio de 2020
in Purpurinas...
O sonho era um fôlego mais suave que lhe descia pela face e a ruborizava de esperança, a beleza fora substituída por confiança numa história de vida invejável...
- É lamentável que não sejamos eternos, - disse-me nessa vez com um sorriso quase provocador.
-O Amor quer-se para sempre num corpo dormente e mortal que nada tem de especial...
Fiquei a observar a sensatez e a sorte de quem já deve anos à morte e ainda assim não pára de crescer e aprender todos os dias!
Fechava os olhos enquanto falava talvez por cansaço, talvez pelo embaraço de me ver tão embevecido a ouvi-la e senti-la como se lhe tocasse, como tocara há muitos anos enquanto os enganos da juventude me levaram por outros caminhos igualmente importantes e desafiantes.
- Podemos apaixonarmos-nos mais do que uma vez por alguém? - perguntei
-Podemos e devemos apaixonarmos-nos todos os minutos e fazermos os lutos de cada tempo que se vai e leva o motivo esquivo que nos fez apaixonar!
- É lamentável que não sejamos eternos, - disse-me nessa vez com um sorriso quase provocador.
-O Amor quer-se para sempre num corpo dormente e mortal que nada tem de especial...
Fiquei a observar a sensatez e a sorte de quem já deve anos à morte e ainda assim não pára de crescer e aprender todos os dias!
Fechava os olhos enquanto falava talvez por cansaço, talvez pelo embaraço de me ver tão embevecido a ouvi-la e senti-la como se lhe tocasse, como tocara há muitos anos enquanto os enganos da juventude me levaram por outros caminhos igualmente importantes e desafiantes.
- Podemos apaixonarmos-nos mais do que uma vez por alguém? - perguntei
-Podemos e devemos apaixonarmos-nos todos os minutos e fazermos os lutos de cada tempo que se vai e leva o motivo esquivo que nos fez apaixonar!
terça-feira, 19 de maio de 2020
Paper heart
Existem silêncios que gritam mais do que mil palavras,
atitudes escravas de ideologias vazias e desprendidas,
vidas interrompidas que não se vivem nem interlaçam
e se espaçam em abismos.
Corações feitos papel que se rasgam,
protagonismos doentios,
vazios de profundidade,
o cinismo é o fim da idade da inocência.
Amor, ciência ou demência exata?
Solidão que te mata e trucida o coração,
vida perfeita por fora e desfeita por dentro...
O que precisas quando economizas aquilo que és?
Imagem desfocada e projectada de ti,
miopia ou estigmatismo?
A partilha é um magnetismo perigoso...
Dia que devora o dia anterior
e te deixa um dia mais perto da morte.
A arrogância é um magnetismo orgulhoso...
Hora que voa como avião de papel amarrotado,
coração que já não mede a distância da minha pele,
pecado que a alma não perdoa.
Coração que é papel jogado fora.
atitudes escravas de ideologias vazias e desprendidas,
vidas interrompidas que não se vivem nem interlaçam
e se espaçam em abismos.
Corações feitos papel que se rasgam,
protagonismos doentios,
vazios de profundidade,
o cinismo é o fim da idade da inocência.
Amor, ciência ou demência exata?
Solidão que te mata e trucida o coração,
vida perfeita por fora e desfeita por dentro...
O que precisas quando economizas aquilo que és?
Imagem desfocada e projectada de ti,
miopia ou estigmatismo?
A partilha é um magnetismo perigoso...
Dia que devora o dia anterior
e te deixa um dia mais perto da morte.
A arrogância é um magnetismo orgulhoso...
Hora que voa como avião de papel amarrotado,
coração que já não mede a distância da minha pele,
pecado que a alma não perdoa.
Coração que é papel jogado fora.
sábado, 2 de maio de 2020
Sonnet song...
Ele chega,
na tarde em que o sol arde a meia haste e nos cega,
entrega que não nos rende
nem prende aquilo que fomos...
Somos estranhos que não se identificam
mas que ficam, porque sim...
Tenho em mim todos os medos do mundo...
Segredos que nunca digo alto
e este sobressalto constante...
Temo o Amor e remo para terra...
Acho que já não suporto mais desilusões,
nem corações remendados,
tornei-me amante da Dor,
numa segurança controlada e confortável.
Depois Ele,
instável e provocador,
tão difícil de ler e prever,
pedante e arrogante tantas vezes,
pura cobiça e conquista anarquista...
Revezes da vida e da loucura que me deixam perdida.
Pudesse eu manter o coração esquivo cativo da razão...
Pudesse eu viver o momento sem envolvimento...
Pudesse eu não ter esta esperança toda no mundo
e não ser feita de sonho, de Amor e profundo deslumbramento.
na tarde em que o sol arde a meia haste e nos cega,
entrega que não nos rende
nem prende aquilo que fomos...
Somos estranhos que não se identificam
mas que ficam, porque sim...
Tenho em mim todos os medos do mundo...
Segredos que nunca digo alto
e este sobressalto constante...
Temo o Amor e remo para terra...
Acho que já não suporto mais desilusões,
nem corações remendados,
tornei-me amante da Dor,
numa segurança controlada e confortável.
Depois Ele,
instável e provocador,
tão difícil de ler e prever,
pedante e arrogante tantas vezes,
pura cobiça e conquista anarquista...
Revezes da vida e da loucura que me deixam perdida.
Pudesse eu manter o coração esquivo cativo da razão...
Pudesse eu viver o momento sem envolvimento...
Pudesse eu não ter esta esperança toda no mundo
e não ser feita de sonho, de Amor e profundo deslumbramento.
sábado, 25 de abril de 2020
... Who knows...
O meu corpo,
calor ,
pele
e entrega,
regra quebrada
e destroçada num carinho...
Caminho dos teus dedos quentes,
segredos que a minha respiração descompassa
e sussurra entre dentes,
o teu nome,
exigência,
pedido,
voz que abraça e ordena,
terna e selvagem,
viagem pelos sentidos,
Prazer de pertencer,
cumplicidade?
Quem sabe...
calor ,
pele
e entrega,
regra quebrada
e destroçada num carinho...
Caminho dos teus dedos quentes,
segredos que a minha respiração descompassa
e sussurra entre dentes,
o teu nome,
exigência,
pedido,
voz que abraça e ordena,
terna e selvagem,
viagem pelos sentidos,
Prazer de pertencer,
cumplicidade?
Quem sabe...
terça-feira, 21 de abril de 2020
"O Pedido" Desafio semana 2 Laboratório de Escrita
Há momentos na nossa vida que parecem emoldurados e ficam perpetuados no tempo, como se um fotógrafo, indelevelmente, nos tornasse musas da sua arte que congela, de forma bela, o movimento.
Tinham-se passado meses desde que tinha estado ali, naquele mesmo campo de trigo, a partilhar gargalhadas rasgadas contigo, corpos nus e soltos, revoltos um no outro, o dourado refletido nos teus olhos, aquele pequeno sinal que tens ao pé da boca a provocar-me em cada sorriso, a minha voz rouca a arrepiar-te a pele, o mel das tuas promessas confessas no meu ouvido, as ondas rebeldes do teus cabelos a deslizar pelo meu peito, agora desfeito por te ter perdido.
O Amor é o eterno que nos ilude com o momento mais terno das nossas vidas e eu, Sofia, amei-te como pude. Amei o teu sorriso fácil, a mente ágil e revoltada e essa encruzilhada de sentimentos de meteorologia bipolar, ensinaste-me a amar as tuas noites de trovoada e a tua calmaria de mar em espelho de água. E eu, velho de alma, sempre à procura de uma perfeição transcendente pensei ser a tua cura quando nunca estiveste doente.
Quis moldar-te, transformar-te, enfiar-te no tubo de ensaio da minha mente analítica e com a diplomacia política que me é tão característica, pedi-te que casasses comigo, em Maio.
Nesse dia tínhamos jantado no restaurante pedante que eu reservei criteriosamente para o momento oficial, sei que era cozinha de autor e que me disseste a determinada altura, com a desenvoltura que te é tão natural,
-Amor, tens um bocadinho de salsa no dente da frente! E sorriste com aquele ar maternal quase condescendente que sempre me irritou solenemente.Tinha tudo para te oferecer, uma casa maior, uma vida melhor, segurança, ou seja nada que estivesses interessada.
Tiveste esperança que reformulasse o pedido e te tivesse, quiçá dito que só no teu colo sentia consolo, mas eu, arrogante e ignorante, senti-me ofendido por não te teres enchido de lágrimas e não haver um loop de sins a sair dos teus lábios, sempre tão mais sábios que os meus.
Disseste-me Adeus, viraste as costas e foste embora, derrubando todas as minhas apostas ganhas pelo chão onde jazia também o entulho do meu orgulho e agora o teu coração.
Depois disso o silêncio, partilhado pelos dois adivinhando que não existiria um depois, dias que se atropelaram e devoraram em galope e eu a desferir o golpe final quando te liguei a dizer que nunca mais te queria ver.
Neste presente, ausente de ti, com a nossa foto na mão daquelas férias maravilhosas em Milão, tenho noção que me perdi desde que te deixei partir.
Hoje tenho a certeza que tudo o que tenho para te oferecer é o meu corpo rendido no teu, a minha alma nua decifrada pela tua, a minha existência sem resistência, a calma de querer acordar todos os dias ao teu lado e o momento estranho de te ouvir a cantar tão mal, no banho.
Espero por ti, agora, aqui, neste campo de trigo para fazer Amor contigo, como esperei ontem, e no dia anterior, cheio de fé que um dia o nosso Amor resiliente te convença e te vença pelo cansaço e que sejamos abraço um do outro, finalmente!
sábado, 18 de abril de 2020
Nankurunaisa (II) (Desafio semanal 1 laboratório de Escrita)
O meu olhar demorou-se na luz dormente e amarela que me violentava o rosto,
tudo me parecia difuso
e confuso, fechei os olhos, tentei lubrificar a visão, a cabeça num latejo
permanente, a mente saltitava entre recordações avulsas de vários puzzles
que não conseguia montar.
Onde estava? Como tinha chegado até ali?
tudo me parecia difuso
e confuso, fechei os olhos, tentei lubrificar a visão, a cabeça num latejo
permanente, a mente saltitava entre recordações avulsas de vários puzzles
que não conseguia montar.
Onde estava? Como tinha chegado até ali?
Tentei mexer-se mas os braços marmoreados doíam-me e não respondiam
à vontade do movimento.
Tinha sede, tanta sede, passei a língua nos lábios e senti
o sabor metálico do sangue.
Subitamente passos e vozes,à vontade do movimento.
Tinha sede, tanta sede, passei a língua nos lábios e senti
o sabor metálico do sangue.
-Está a despertar
-Tente não se mexer Joana, está no Hospital, teve um acidente.
-Tente não se mexer Joana, está no Hospital, teve um acidente.
O embate da realidade, “tente não se mexer” foi o que fiz
nos últimos três anos evitar mexer-me, não reagir,
sujeitar-me a uma vassalagem medíocre,
uma submissão vergonhosa e o Miguel, o sempre encantador Miguel,
que me vampirizou até à última gota que me transformou num fantasma,
que me destituiu de quem era.
Fechei os olhos, virei o rosto para o lado, “teve um acidente”,
a minha vida resumida numa frase.
Perturbador como a violência pode mascarar-se tanto tempo
de amor verdadeiro,
perturbador aquilo que toleramos às pessoas que amamos,
onde fica a fronteira entre o nosso Amor próprio e o Amor pelos outros?
nos últimos três anos evitar mexer-me, não reagir,
sujeitar-me a uma vassalagem medíocre,
uma submissão vergonhosa e o Miguel, o sempre encantador Miguel,
que me vampirizou até à última gota que me transformou num fantasma,
que me destituiu de quem era.
Fechei os olhos, virei o rosto para o lado, “teve um acidente”,
a minha vida resumida numa frase.
Perturbador como a violência pode mascarar-se tanto tempo
de amor verdadeiro,
perturbador aquilo que toleramos às pessoas que amamos,
onde fica a fronteira entre o nosso Amor próprio e o Amor pelos outros?
Tive um acidente mas sobrevivi e ele o meu captor emocional,
o adorável ego-maníaco Miguel, teria sobrevivido?
Íamos tão depressa na ponte, ele a sorrir, como sempre e a dizer calmamente:
- Já não me dás tusa Joana, eu tento meu Amor mas és tão desinteressante,
sabes que eu tento tanto gostar de ti.
As lágrimas desta vez não correram, o meu corpo sentiu conforto
na pressão do acelerador,
o volante colado nas mãos como se me tivesse tornado mecânica,
agora era só válvulas,
velas, pistons e outras peças que não faço a mínima ideia do que são,
ou para que servem.
Isolei a voz dele, concentrei-me no rio, quem era o ínfimo Miguel perante o rio?
Quem era o minúsculo Miguel perante o meu momentâneo domínio absoluto
sobre o alcatrão?
Pela primeira vez, em muito tempo, senti-me livre,
livre do pretensiosismo do Miguel,
daquele comensalismo doentio que nos unira e se tornara em canibalismo.
E de repente piruetas, senti-me um bailado de Bolshoi,
os gritos aterrorizados do intrépido Miguel, o embalo do rio à
distância doce de um embate e toda eu era simbiose mecânica,
velocidade, caos e paz de espírito.
Dias depois as vozes voltaram como uma estalada de realidade:
-O seu marido está bastante confuso mas fora de perigo.
Lamento, no entanto,
informar que o condutor do veículo no qual a Joana embateu não resistiu,
teve uma reação adversa à Heparina.
Estava óleo derramado na ponte, foi um acidente, um terrível acidente
e eu matei alguém chamado Francisco.
As enfermeiras sugeriam, constantemente, que visitasse o Miguel
que já estava na enfermaria e continuava extremamente confuso,
parecia ter perdido a noção da sua identidade
e pedia constantemente para o deixarem morrer.
Se eu não temesse tanto o julgamento dos outros
também pediria para o deixarem morrer.
Na minha mente só deambulava a morte que tinha causado
ao desconhecido de nome Francisco,
que tipo de pessoa seria, se teria família?
O fabuloso Miguel tinha conseguido destruir duas vidas,
provavelmente destroçado várias de uma vez só
e como a erva daninha que era tinha sobrevivido
e conseguia agora a simpatia e empatia de quem o cuidava.
Não, não ia visitar aquele veneno de merda à enfermaria,
só se fosse para o sufocar com uma almofada.
Três dias depois tivemos alta os dois e tive de o levar para casa,
nada poderia preparar-me ou prever
aquilo que o destino me reservara naquele dia,
naquela ponte, ante a tranquilidade provocadora daquele rio.
Testemunho do Francisco:o adorável ego-maníaco Miguel, teria sobrevivido?
Íamos tão depressa na ponte, ele a sorrir, como sempre e a dizer calmamente:
- Já não me dás tusa Joana, eu tento meu Amor mas és tão desinteressante,
sabes que eu tento tanto gostar de ti.
As lágrimas desta vez não correram, o meu corpo sentiu conforto
na pressão do acelerador,
o volante colado nas mãos como se me tivesse tornado mecânica,
agora era só válvulas,
velas, pistons e outras peças que não faço a mínima ideia do que são,
ou para que servem.
Isolei a voz dele, concentrei-me no rio, quem era o ínfimo Miguel perante o rio?
Quem era o minúsculo Miguel perante o meu momentâneo domínio absoluto
sobre o alcatrão?
Pela primeira vez, em muito tempo, senti-me livre,
livre do pretensiosismo do Miguel,
daquele comensalismo doentio que nos unira e se tornara em canibalismo.
E de repente piruetas, senti-me um bailado de Bolshoi,
os gritos aterrorizados do intrépido Miguel, o embalo do rio à
distância doce de um embate e toda eu era simbiose mecânica,
velocidade, caos e paz de espírito.
Dias depois as vozes voltaram como uma estalada de realidade:
-O seu marido está bastante confuso mas fora de perigo.
Lamento, no entanto,
informar que o condutor do veículo no qual a Joana embateu não resistiu,
teve uma reação adversa à Heparina.
Estava óleo derramado na ponte, foi um acidente, um terrível acidente
e eu matei alguém chamado Francisco.
As enfermeiras sugeriam, constantemente, que visitasse o Miguel
que já estava na enfermaria e continuava extremamente confuso,
parecia ter perdido a noção da sua identidade
e pedia constantemente para o deixarem morrer.
Se eu não temesse tanto o julgamento dos outros
também pediria para o deixarem morrer.
Na minha mente só deambulava a morte que tinha causado
ao desconhecido de nome Francisco,
que tipo de pessoa seria, se teria família?
O fabuloso Miguel tinha conseguido destruir duas vidas,
provavelmente destroçado várias de uma vez só
e como a erva daninha que era tinha sobrevivido
e conseguia agora a simpatia e empatia de quem o cuidava.
Não, não ia visitar aquele veneno de merda à enfermaria,
só se fosse para o sufocar com uma almofada.
Três dias depois tivemos alta os dois e tive de o levar para casa,
nada poderia preparar-me ou prever
aquilo que o destino me reservara naquele dia,
naquela ponte, ante a tranquilidade provocadora daquele rio.
Esclerose lateral amiotrófica,
o diagnóstico a martelar-me o cérebro, a minha vida a passar em loop,
diante dos olhos, e o meu futuro ensombrado pela guilhotina
de uma certeza decadente.
Era médico, sabia muito bem o que podia esperar,
a paralisação gradual e consciente da pessoa que era,
só tinha a certeza de uma coisa nascera para cuidar dos outros e não
para que cuidassem de mim.
A vida também tem de representar aquilo que somos
se não passa a ser apenasum ventilador invisível
que respira por nós.
Peguei no carro com uma única certeza tive uma vida feliz,
fiz tudo o que almejei,
beijei com vontade todas as mulheres que amei
e abracei a minha profissão como missão de vida,
terminaria o meu percurso consciente de que valeu a pena
e se alguns considerassem que fui egoísta por decidir suicidar-me
também teriam direito a alguma raiva para lhes tornar o luto mais fácil.
Quando vi a Joana pela primeira vez foi como
quando se avista a terra ao fim de 200 dias perdido no mar,
estava revoltado, ausente de mim mesmo,
preso a um corpo que não era meu,
ela fez-me respirar devagar.
Não foi fácil aproximar-me dela
a sua alma estava fraturada em muitas partes
e muitas das arestas jamais voltariam a encaixar perfeitamente.
Ela chorou a admitir que me tinha morto e mal sabia que me tinha salvo
e que o continuaria a fazer para o resto das nossas vidas.
Quando acordei no Hospital, num corpo que não reconhecia,
só quando ouvi a sua voz e me vi reflectido naquele olhar amendoado
senti tranquilidade pela primeira vez,
-Vamos para casa Miguel, venceste, vamos para casa.
Só tive consciência de duas coisas,
que não me chamava Miguel mas que queria ir para casa com ela.
Mais tarde apercebi-me também que por algum motivo que jamais entenderemos
o universo achou que merecíamos, os dois, uma segunda oportunidade,
sem sombras de doenças degenerativas sejam elas físicas, mentais ou mesmo emocionais.
Aprendi que o Amor é aquele fármaco inexplicável que nos vicia e cura
de formas que nem sabíamos que existia uma terapêutica
e que o mais difícil é aprendermos a confiar no nosso coração,
quando fomos formatados para deixar que a razão seja o nosso guia.
Testemunho da Joana:o diagnóstico a martelar-me o cérebro, a minha vida a passar em loop,
diante dos olhos, e o meu futuro ensombrado pela guilhotina
de uma certeza decadente.
Era médico, sabia muito bem o que podia esperar,
a paralisação gradual e consciente da pessoa que era,
só tinha a certeza de uma coisa nascera para cuidar dos outros e não
para que cuidassem de mim.
A vida também tem de representar aquilo que somos
se não passa a ser apenasum ventilador invisível
que respira por nós.
Peguei no carro com uma única certeza tive uma vida feliz,
fiz tudo o que almejei,
beijei com vontade todas as mulheres que amei
e abracei a minha profissão como missão de vida,
terminaria o meu percurso consciente de que valeu a pena
e se alguns considerassem que fui egoísta por decidir suicidar-me
também teriam direito a alguma raiva para lhes tornar o luto mais fácil.
Quando vi a Joana pela primeira vez foi como
quando se avista a terra ao fim de 200 dias perdido no mar,
estava revoltado, ausente de mim mesmo,
preso a um corpo que não era meu,
ela fez-me respirar devagar.
Não foi fácil aproximar-me dela
a sua alma estava fraturada em muitas partes
e muitas das arestas jamais voltariam a encaixar perfeitamente.
Ela chorou a admitir que me tinha morto e mal sabia que me tinha salvo
e que o continuaria a fazer para o resto das nossas vidas.
Quando acordei no Hospital, num corpo que não reconhecia,
só quando ouvi a sua voz e me vi reflectido naquele olhar amendoado
senti tranquilidade pela primeira vez,
-Vamos para casa Miguel, venceste, vamos para casa.
Só tive consciência de duas coisas,
que não me chamava Miguel mas que queria ir para casa com ela.
Mais tarde apercebi-me também que por algum motivo que jamais entenderemos
o universo achou que merecíamos, os dois, uma segunda oportunidade,
sem sombras de doenças degenerativas sejam elas físicas, mentais ou mesmo emocionais.
Aprendi que o Amor é aquele fármaco inexplicável que nos vicia e cura
de formas que nem sabíamos que existia uma terapêutica
e que o mais difícil é aprendermos a confiar no nosso coração,
quando fomos formatados para deixar que a razão seja o nosso guia.
Quando trouxe o Miguel para casa vi o que os meus olhos quiseram ver,
foi preciso tornar-me cega para voltar a confiar em alguém
e não nos é fácil abdicarmos do nosso órgão mais precioso, a visão.
Foram meses e meses de fisioterapia
até que ele recuperasse a mobilidade completamente,
não o reconhecia nas atitudes, nem na gratidão genuína que aparentava.
Cada vez que ele me dizia que se chamava Francisco reconhecia-lhe
uma nova forma doentia de tortura, chorava e chamava-lhe de monstro.
Não é fácil aprendermos a amar novamente,
requer uma coragem imensa e uma audacidade que roça o irresponsável,
voltarmos a apaixonarmos-nos por um corpo que um dia foi a nossa campa em vida
requer o alcance limiar da loucura e o despojar completo da nossa auto-preservação.
Quando o sentimento que é suposto nos trazer maior felicidade nos traz vontade de morrer,
toda a nossa existência se torna uma patética contradição,
metemos todo o sentir em perspectiva e a conclusão é sempre a mesma,
não vale a pena.
De princípio e por muito tempo pensei que tivesse perdido
completamente a sanidade mental,
mas com o passar dos meses aquele interesse irritantemente genuíno
que ele demonstrava pela real pessoa que eu era,
a ausência de críticas, expectativas ou rótulos para me definir.
As gargalhadas francas que dava pela primeira vez,
o toque dele,
o cheiro dele,
tudo me parecia diferente,
até a forma como colocava a voz e como lhe baixava o tom
para dizer o meu nome.
Estava a apaixonar-me e começava,
sem querer porque me sentia ridiculamente ameaçadaimediatamente a seguir,
a chamar-lhe Francisco de quando em vez.
Um dia ficou só Francisco, o único e legítimo ocupante daquele corpo,
nesse dia percebi que o Amor é sempre uma possibilidade
que a nossa existência procura e encontra
enquanto continuidade de um Universo maior e mais sábio
que aquilo que os nossos olhos se limitam a ver.
foi preciso tornar-me cega para voltar a confiar em alguém
e não nos é fácil abdicarmos do nosso órgão mais precioso, a visão.
Foram meses e meses de fisioterapia
até que ele recuperasse a mobilidade completamente,
não o reconhecia nas atitudes, nem na gratidão genuína que aparentava.
Cada vez que ele me dizia que se chamava Francisco reconhecia-lhe
uma nova forma doentia de tortura, chorava e chamava-lhe de monstro.
Não é fácil aprendermos a amar novamente,
requer uma coragem imensa e uma audacidade que roça o irresponsável,
voltarmos a apaixonarmos-nos por um corpo que um dia foi a nossa campa em vida
requer o alcance limiar da loucura e o despojar completo da nossa auto-preservação.
Quando o sentimento que é suposto nos trazer maior felicidade nos traz vontade de morrer,
toda a nossa existência se torna uma patética contradição,
metemos todo o sentir em perspectiva e a conclusão é sempre a mesma,
não vale a pena.
De princípio e por muito tempo pensei que tivesse perdido
completamente a sanidade mental,
mas com o passar dos meses aquele interesse irritantemente genuíno
que ele demonstrava pela real pessoa que eu era,
a ausência de críticas, expectativas ou rótulos para me definir.
As gargalhadas francas que dava pela primeira vez,
o toque dele,
o cheiro dele,
tudo me parecia diferente,
até a forma como colocava a voz e como lhe baixava o tom
para dizer o meu nome.
Estava a apaixonar-me e começava,
sem querer porque me sentia ridiculamente ameaçadaimediatamente a seguir,
a chamar-lhe Francisco de quando em vez.
Um dia ficou só Francisco, o único e legítimo ocupante daquele corpo,
nesse dia percebi que o Amor é sempre uma possibilidade
que a nossa existência procura e encontra
enquanto continuidade de um Universo maior e mais sábio
que aquilo que os nossos olhos se limitam a ver.
Testemunho do Francisco:
É preciso passarmos pelo deserto
para aprendermos o valor de uma gota de água,
cada pequena conquista que alcançava com a Joana trazia-me uma felicidade plena,
cada vez que conseguia que me reconhecesse
naquele corpo que nem eu reconhecia, chorava de alegria.
Talvez um dia ela me conseguisse amar
e todo o nosso percurso fizesse sentido até aquele momento fulcral
em que os nossos carros, as nossas vidas e os nossos destinos embateram.
O dia em que a beijei pela primeira vez e ela correspondeu e fomos, depois,
corpo e alma um do outro numa sofreguidão
que as palavras não trazem justiça,
lembrei-me da tatuagem que tinha no meu outro corpo:
“Nankurunaisa” (Com o tempo tudo se acerta!)
E este era o nosso tempo, esta era a nossa oportunidade
de sermos a oportunidade um do outro,
nem sempre tem de fazer sentido, às vezes basta ser sentido!
É preciso passarmos pelo deserto
para aprendermos o valor de uma gota de água,
cada pequena conquista que alcançava com a Joana trazia-me uma felicidade plena,
cada vez que conseguia que me reconhecesse
naquele corpo que nem eu reconhecia, chorava de alegria.
Talvez um dia ela me conseguisse amar
e todo o nosso percurso fizesse sentido até aquele momento fulcral
em que os nossos carros, as nossas vidas e os nossos destinos embateram.
O dia em que a beijei pela primeira vez e ela correspondeu e fomos, depois,
corpo e alma um do outro numa sofreguidão
que as palavras não trazem justiça,
lembrei-me da tatuagem que tinha no meu outro corpo:
“Nankurunaisa” (Com o tempo tudo se acerta!)
E este era o nosso tempo, esta era a nossa oportunidade
de sermos a oportunidade um do outro,
nem sempre tem de fazer sentido, às vezes basta ser sentido!
domingo, 12 de abril de 2020
O Amor tanto bate até que fura!
Claustrofobia voluntária,
mortalidade mascarada de abraço,
mobilidade restringida pelo espaço de direito à vida...
Quem seremos depois de tudo isto?
Resisto, esperança que se acalenta...
E o Amor? Onde fica?
O Amor aguenta...
Contenção ao invisível
que nos prende o coração sensível...
Receio da má sorte da Morte
e um mundo que se alimenta no seio do terror do toque...
E o Amor? Onde fica?
O Amor aguenta...
O que será da humanidade quando nos habituarmos à saudade?
Quando não houverem mais beijos repentinos,
olhares intemporais,
braços que se confundem e fundem em momentos triviais e citadinos?
Que faremos com este distanciamento
que nos rouba do alento uns dos outros?
Da dor partilhada dos nossos mortos?
Torpor a colorir a nossa alma de magenta...
E o Amor? Onde fica?
O Amor aguenta...
Seremos ilhas desertas?
Feridas abertas?
Sobreviventes envenenados
eternamente contaminados pelo horror de sermos tocados?
Colo onde nunca mais ninguém se senta?
E o Amor? Onde fica?
O Amor, meu Amor...
O Amor aguenta!
mortalidade mascarada de abraço,
mobilidade restringida pelo espaço de direito à vida...
Quem seremos depois de tudo isto?
Resisto, esperança que se acalenta...
E o Amor? Onde fica?
O Amor aguenta...
Contenção ao invisível
que nos prende o coração sensível...
Receio da má sorte da Morte
e um mundo que se alimenta no seio do terror do toque...
E o Amor? Onde fica?
O Amor aguenta...
O que será da humanidade quando nos habituarmos à saudade?
Quando não houverem mais beijos repentinos,
olhares intemporais,
braços que se confundem e fundem em momentos triviais e citadinos?
Que faremos com este distanciamento
que nos rouba do alento uns dos outros?
Da dor partilhada dos nossos mortos?
Torpor a colorir a nossa alma de magenta...
E o Amor? Onde fica?
O Amor aguenta...
Seremos ilhas desertas?
Feridas abertas?
Sobreviventes envenenados
eternamente contaminados pelo horror de sermos tocados?
Colo onde nunca mais ninguém se senta?
E o Amor? Onde fica?
O Amor, meu Amor...
O Amor aguenta!
quinta-feira, 9 de abril de 2020
Sturm
O sonho é a loucura obscura
que nos arranca a roupa
e sopra vontades absurdas...
Quantas realidades alternativas tem o teu desejo?
Um beijo será sempre uma resposta mordaz
que nos faz esquecer o passado,
um ansiolitico analítico e eficaz!
Não me deixo corromper,
nem vender como sabores de bancas de gelados.
Somos essência com causa e consequência,
seres exilados,
presos a dores invisíveis
que nos tornam exequíveis e funcionais,
dia após dia
até sermos um dia a mais...
Deixa-me conhecer o teu cheiro,
o que te assusta no negro da noite,
o açoite mais filho da puta que a vida te deu,
a luta que se esconde no teu olhar...
E eu amar-te-ei sem julgar,
sem mudar uma virgula!
Porque Amar é aceitar as tempestades
de peito aberto
e leito deserto de as tranquilizar!
que nos arranca a roupa
e sopra vontades absurdas...
Quantas realidades alternativas tem o teu desejo?
Um beijo será sempre uma resposta mordaz
que nos faz esquecer o passado,
um ansiolitico analítico e eficaz!
Não me deixo corromper,
nem vender como sabores de bancas de gelados.
Somos essência com causa e consequência,
seres exilados,
presos a dores invisíveis
que nos tornam exequíveis e funcionais,
dia após dia
até sermos um dia a mais...
Deixa-me conhecer o teu cheiro,
o que te assusta no negro da noite,
o açoite mais filho da puta que a vida te deu,
a luta que se esconde no teu olhar...
E eu amar-te-ei sem julgar,
sem mudar uma virgula!
Porque Amar é aceitar as tempestades
de peito aberto
e leito deserto de as tranquilizar!
terça-feira, 7 de abril de 2020
Desafio do site Laboratório da escrita
1 - À volta do mundo
Já pensaste em viajar sem sair da cadeira? Entra nesta página e faz girar a roleta. Quando tiveres o país de destino, veste a pele de um turista e regista as tuas impressões e aventuras mais estranhas. Marca dez minutos no temporizador e sê criativo.
Resultado: Espanha, Málaga;
Time: 12:53h-13:03h
Parei no semáforo vermelho durante um minuto até me aperceber que não precisava de o fazer, ninguém se cruzava comigo na estrada nem sequer os espectros de uma cidade fantasma.
Abri o vidro, baixei a máscara a rua cheirava a árvores, fechei os olhos a ouvir o silêncio, insuflei os pulmões da brisa sedutora que insistia em acariciar cada folha trazendo aquele momento mágico aos meus sentidos.
O semáforo provavelmente já teria viajado pelas três cores duas os três vezes, não se ouvia Flamenco nas ruas, vozes temperamentais, nada identificava Málaga, o mundo tinha perdido a identidade.
Senti-me inerte como a rua,fazia agora parte daquele lugar que também tinha sido despojado do que fora para se encontrar agora num absentismo visceral de ausência de personalidade.
E então aqueles passos, curtos, a devorar o silêncio e a marcar território dentro de mim, abri os olhos, senti-me estremecer, coloquei imediatamente a máscara e fechei o vidro, o sinal estava verde e o perigo corria pelo passeio sob a aparência inocente de uma criança que cantava:
-Estrellita donde estas, me pregunto quien seras?.
Fim
(13:07h almost... Shit...)
https://www.laboratoriodeescrita.com/blogue/10-exercicios-de-escrita-criativa
Já pensaste em viajar sem sair da cadeira? Entra nesta página e faz girar a roleta. Quando tiveres o país de destino, veste a pele de um turista e regista as tuas impressões e aventuras mais estranhas. Marca dez minutos no temporizador e sê criativo.
Resultado: Espanha, Málaga;
Time: 12:53h-13:03h
Parei no semáforo vermelho durante um minuto até me aperceber que não precisava de o fazer, ninguém se cruzava comigo na estrada nem sequer os espectros de uma cidade fantasma.
Abri o vidro, baixei a máscara a rua cheirava a árvores, fechei os olhos a ouvir o silêncio, insuflei os pulmões da brisa sedutora que insistia em acariciar cada folha trazendo aquele momento mágico aos meus sentidos.
O semáforo provavelmente já teria viajado pelas três cores duas os três vezes, não se ouvia Flamenco nas ruas, vozes temperamentais, nada identificava Málaga, o mundo tinha perdido a identidade.
Senti-me inerte como a rua,fazia agora parte daquele lugar que também tinha sido despojado do que fora para se encontrar agora num absentismo visceral de ausência de personalidade.
E então aqueles passos, curtos, a devorar o silêncio e a marcar território dentro de mim, abri os olhos, senti-me estremecer, coloquei imediatamente a máscara e fechei o vidro, o sinal estava verde e o perigo corria pelo passeio sob a aparência inocente de uma criança que cantava:
-Estrellita donde estas, me pregunto quien seras?.
Fim
(13:07h almost... Shit...)
https://www.laboratoriodeescrita.com/blogue/10-exercicios-de-escrita-criativa
domingo, 5 de abril de 2020
There is freedom within..
O futuro tem um cheiro madeirado
que inebria os sonhos mais auspiciosos e embaraçosos,
como devem sempre ser os sonhos...
Despe-te Amor,
quero conhecer o teu cheiro,
teu desejo inteiro que cabe dentro de mim,
assim,
sem resistência ou formalidade,
apenas realidade que nos agita por dentro.
Há um momento
para cada descoberta
e aquilo que nos desperta o querer
é sempre vago...
Posso beber o mundo todo à minha volta
de um só trago,
ou aquietar-me no teu colo,
enquanto me falas de ti.
E num repente
sermos material incandescente
que se consome em angústia e fome
e se completa pela noite dentro.
Talvez a cura do mundo
seja aquilo que se procura no meio da Dor
e traz Amor,
num profundo equilíbrio...
E o futuro só faça sentido
quando sussurrar o teu nome ao ouvido,
em cada espasmo de um orgasmo repetido...
que inebria os sonhos mais auspiciosos e embaraçosos,
como devem sempre ser os sonhos...
Despe-te Amor,
quero conhecer o teu cheiro,
teu desejo inteiro que cabe dentro de mim,
assim,
sem resistência ou formalidade,
apenas realidade que nos agita por dentro.
Há um momento
para cada descoberta
e aquilo que nos desperta o querer
é sempre vago...
Posso beber o mundo todo à minha volta
de um só trago,
ou aquietar-me no teu colo,
enquanto me falas de ti.
E num repente
sermos material incandescente
que se consome em angústia e fome
e se completa pela noite dentro.
Talvez a cura do mundo
seja aquilo que se procura no meio da Dor
e traz Amor,
num profundo equilíbrio...
E o futuro só faça sentido
quando sussurrar o teu nome ao ouvido,
em cada espasmo de um orgasmo repetido...
quinta-feira, 2 de abril de 2020
Tu che m'hai preso il cuor
A incerteza é o folhear de um livro
esquivo de se escrever
mas que não resisto a ler,
sofregamente...
Guião do destino?
Personagem?
Talvez miragem,
talvez passagem,
talvez Amor em construção...
Coração cambaleante,
desconcertante sorriso,
onde o juizo se perde e rende.
Aprende, meu Amor,
não há acaso no ocaso, nem na dor...
Somos livros livres inacabados
com capítulos danificados
e outros tantos por descobrir
e sentir,
página a página!
Talvez partilhemos estória,
prefácio,
epopeia...
Talvez apenas curta-metragem de produção europeia,
mas seremos sempre memória,
seremos sempre mensagem!
esquivo de se escrever
mas que não resisto a ler,
sofregamente...
Guião do destino?
Personagem?
Talvez miragem,
talvez passagem,
talvez Amor em construção...
Coração cambaleante,
desconcertante sorriso,
onde o juizo se perde e rende.
Aprende, meu Amor,
não há acaso no ocaso, nem na dor...
Somos livros livres inacabados
com capítulos danificados
e outros tantos por descobrir
e sentir,
página a página!
Talvez partilhemos estória,
prefácio,
epopeia...
Talvez apenas curta-metragem de produção europeia,
mas seremos sempre memória,
seremos sempre mensagem!
domingo, 29 de março de 2020
Purpurinas
" (...) O corpo dela rodopiava até ao limite da loucura, talvez assim o mundo girasse mais depressa antes que terminasse toda a empatia dos homens que se habituaram à distância.
Houvera um tempo em que o toque e o beijo eram a pureza da afeição e a tradução livre do sentir, agora amar era acenar e falar mais alto para nos podermos ouvir entre vidros invisíveis.
O poder da centrifugação adivinhava com ansiedade o embate do chão e até a iminente agressão da queda seria menos violenta que o entorpecimento em que vivia, precisava de um abraço que a consolasse do cansaço desta segurança metálica e disciplinada, precisava de um encontrão por acidente, um toque ainda que fugaz de uma mão a roçar na sua mão nua, de sentir a fragância dos cabelos de alguém e o perfume do cheiro do corpo de quem se reconhece e se obedece com os sentidos.
As pernas por fim cediam ao peso da gravidade e enquanto caía sabia que em breve ao menos sentiria alguma coisa e que face à dormência permanente até uma dor fantasma pode trazer algum consolo!"
Não, não têm direito ao passeio "higiénico".
Ontem chorei.
Chorei de raiva e de vergonha pelos imbecis que vieram fazer o seu passeio "higiénico" à margem sul porque estava sol e é chato ter de estar fechado em casa.
Sim, é chato estar fechado em casa, eu sei, estou há 15 dias nesta situação com duas crianças de 6 e 8 anos.
Sabem o que também é chato?
Pessoas a morrer aos quase 900 por dia em Espanha e em Itália, POR DIA.
Sabem o que também é chato?
Estar ligado à merda de um ventilador.
Sabem o que também é chato?
Pode não haver sequer um ventilador para ti, amigo.
Sabem o que também é chato?
Médicos e enfermeiros a chorar porque estão exaustos e vêem nas noticias imbecis a passear alegremente e sabem que parte desses imbecis, quiçá uma boa parte, vai ficar infectado, mas não há problema porque às 22h esses mesmos imbecis vao bater palminhas à janela aos profissionais de saúde .
Sabem o que também é chato?
Pessoas que têm de continuar a trabalhar nos sectores que foram considerados indispensáveis, cheios de medo, que não dormem convenientemente há dias tal não é o nivel de stress e MEDO a que andam sujeitos e nas folgas se fecham religiosamente em casa e deparam-se com noticias destas.
Sabem o que é chato?
É que cada vez que um atrasado mental fura a merda da quarentena por livre e espontânea vontade obriga a todos nós a ficarmos em casa mais tempo porque prolonga o problema.
Sabem o que é chato?
É que isto até podia correr bem e assim não vai correr de todo.
Façam-me um favor e enforquem-se com a merda do papel higiénico que compraram, bestas de merda.
Chorei de raiva e de vergonha pelos imbecis que vieram fazer o seu passeio "higiénico" à margem sul porque estava sol e é chato ter de estar fechado em casa.
Sim, é chato estar fechado em casa, eu sei, estou há 15 dias nesta situação com duas crianças de 6 e 8 anos.
Sabem o que também é chato?
Pessoas a morrer aos quase 900 por dia em Espanha e em Itália, POR DIA.
Sabem o que também é chato?
Estar ligado à merda de um ventilador.
Sabem o que também é chato?
Pode não haver sequer um ventilador para ti, amigo.
Sabem o que também é chato?
Médicos e enfermeiros a chorar porque estão exaustos e vêem nas noticias imbecis a passear alegremente e sabem que parte desses imbecis, quiçá uma boa parte, vai ficar infectado, mas não há problema porque às 22h esses mesmos imbecis vao bater palminhas à janela aos profissionais de saúde .
Sabem o que também é chato?
Pessoas que têm de continuar a trabalhar nos sectores que foram considerados indispensáveis, cheios de medo, que não dormem convenientemente há dias tal não é o nivel de stress e MEDO a que andam sujeitos e nas folgas se fecham religiosamente em casa e deparam-se com noticias destas.
Sabem o que é chato?
É que cada vez que um atrasado mental fura a merda da quarentena por livre e espontânea vontade obriga a todos nós a ficarmos em casa mais tempo porque prolonga o problema.
Sabem o que é chato?
É que isto até podia correr bem e assim não vai correr de todo.
Façam-me um favor e enforquem-se com a merda do papel higiénico que compraram, bestas de merda.
sexta-feira, 27 de março de 2020
If you like your coffee hot...
Pedes um café,
dissertas sobre o medo do mundo,
acertas em estatisticas e metodos quantitativos
de aplicativos de Android,
não quero saber de cientistas,
nem sábios fatalistas...
Dedo nos teus lábios,
as palavras são redundâncias
distâncias supérfluas,
polvilho o teu corpo com o meu cheiro,
somos mescla de aromas,
somas de dois que se subtrai em um
pertença que se confunde
e se funde no mesmo idioma.
Bailado de Bolshoi
arrastado pelo chão em Tango argentino.
Desatino perfeito em leito desfeito,
Amor lapidado devagar
num entregar descontrolado,
prazer que se almeja
e se deseja na simplicidade
de te ter dentro de mim,
sem fim, nem principio,
apenas vicio.
dissertas sobre o medo do mundo,
acertas em estatisticas e metodos quantitativos
de aplicativos de Android,
não quero saber de cientistas,
nem sábios fatalistas...
Dedo nos teus lábios,
as palavras são redundâncias
distâncias supérfluas,
polvilho o teu corpo com o meu cheiro,
somos mescla de aromas,
somas de dois que se subtrai em um
pertença que se confunde
e se funde no mesmo idioma.
Bailado de Bolshoi
arrastado pelo chão em Tango argentino.
Desatino perfeito em leito desfeito,
Amor lapidado devagar
num entregar descontrolado,
prazer que se almeja
e se deseja na simplicidade
de te ter dentro de mim,
sem fim, nem principio,
apenas vicio.
Sempre perto de ti, A.A.M.
Oráculo,
premonição,
monóculo,
ambição...
Tristeza,
certeza,
fluir,
partir,
por dentro.
Saudades,
sabedoria,
ira,
vaidades,
colo,
consolo,
coração,
meu.
Solidão,
imensidão,
saber,
sofrer,
perder.
Escrever outra vez,
(Será que lês?)
Saudades...
Ninho,
voar sem pousar,
nunca mais.
Caminho,
bifurcação,
escolha?
Eutanásia,
folha caída,
perdida em mim.
Magia,
contemplação,
aceitação!
Vazia.
Dor,
pudor,
dignidade,
Morte.
Saudade...
Tive tanta sorte,
Meu Glossário!
Feliz aniversário soul mate!
premonição,
monóculo,
ambição...
Tristeza,
certeza,
fluir,
partir,
por dentro.
Saudades,
sabedoria,
ira,
vaidades,
colo,
consolo,
coração,
meu.
Solidão,
imensidão,
saber,
sofrer,
perder.
Escrever outra vez,
(Será que lês?)
Saudades...
Ninho,
voar sem pousar,
nunca mais.
Caminho,
bifurcação,
escolha?
Eutanásia,
folha caída,
perdida em mim.
Magia,
contemplação,
aceitação!
Vazia.
Dor,
pudor,
dignidade,
Morte.
Saudade...
Tive tanta sorte,
Meu Glossário!
Feliz aniversário soul mate!
terça-feira, 24 de março de 2020
Es muss sein
Insultos afincados em silêncio,
indultos que não chegam,
sentimentos que não cegam,
Amor que não vingou
e vingou-se em mim.
Dizem que o fim é apenas um novo começo...
Adormeço a pensar nisto,
não insisto mais
devo isto a mim mesma!
Lá fora o mundo mudou
e tem-se medo de um abraço...
Que pessoa serei depois desta distância toda?
Não tenho medo que dure,
tenho medo que acabe e nunca cure nada.
Já não tenho o alento da ânsia dos teus braços,
de sermos passos no caminho um do outro,
afinal já caminho sem sombra há tanto tempo
o que são mais uns milhares de kilometros?
Karma do desapego que carrego...
Só quero que a banda continue a tocar
enquanto me estou a afogar, lentamente,
sempre me salvei a trinta segundos do fim...
Preciso sempre de sentir o corpo a desistir
para me obrigar a reagir, sabias?
É tão doce a respiração da Morte no nosso pescoço
a sussurrar com voz rouca que a dor pode finalmente acabar...
O Amor não cura merda nenhuma,
somos nós que nos remendamos sozinhos
e vivemos cheios de suturas por dentro,
até um dia escorrer tudo cá para fora...
O momento é agora?
Não.
indultos que não chegam,
sentimentos que não cegam,
Amor que não vingou
e vingou-se em mim.
Dizem que o fim é apenas um novo começo...
Adormeço a pensar nisto,
não insisto mais
devo isto a mim mesma!
Lá fora o mundo mudou
e tem-se medo de um abraço...
Que pessoa serei depois desta distância toda?
Não tenho medo que dure,
tenho medo que acabe e nunca cure nada.
Já não tenho o alento da ânsia dos teus braços,
de sermos passos no caminho um do outro,
afinal já caminho sem sombra há tanto tempo
o que são mais uns milhares de kilometros?
Karma do desapego que carrego...
Só quero que a banda continue a tocar
enquanto me estou a afogar, lentamente,
sempre me salvei a trinta segundos do fim...
Preciso sempre de sentir o corpo a desistir
para me obrigar a reagir, sabias?
É tão doce a respiração da Morte no nosso pescoço
a sussurrar com voz rouca que a dor pode finalmente acabar...
O Amor não cura merda nenhuma,
somos nós que nos remendamos sozinhos
e vivemos cheios de suturas por dentro,
até um dia escorrer tudo cá para fora...
O momento é agora?
Não.
sexta-feira, 20 de março de 2020
Adore
Correntes,
cadeados apertados,
dentes serrados,
aço frio e morto contra o corpo,
ciclo de violência,
dormência e ansiedade...
Ruído da cidade adormecida, lá fora,
vida escorrida como sangue da tua boca...
Talvez seja louca,
talvez seja a ultima vez..
Chicote,
açoite durante a noite,
medo,
segredo respirado ao ouvido,
mordido e engolido à pressa.
Palavras a esquartejar a alma devagar,
Amor até que a Morte nos separe...
Teu corpo no meu contra a parede,
meia de rede a escorregar perna abaixo,
unhas cravadas na carne,
desejo que arde e consome,
fome.
quinta-feira, 19 de março de 2020
Indigente
Há um lapso perdido
entre o sonho e o encontro que perdemos muitas vezes,
um tempo que não volta,
um ombro que não chega,
uma palavra que não solta o que cala o coração...
Somos apenas distânsia,
ansia de um chão que não se percorre
e morre um pouco, dentro de nós,
todos os dias...
Orgulhosamente sós,
ocupantes e ocupados pela dor,
Amor que se sonega,
não nos chegam os abraços
e entre nós sempre mais passos,
sempre mais migalhas
onde te atrapalhas e escorregas...
Habituei-me ao conforto do vazio,
a respirar em salas poluídas de gente
que nunca sente,
gosto da sofreguidão do ar a insuflar o peito,
da pulsação a disparar,
da vida a trespassar-me de Dor
e a provar que o Amor
é um sem abrigo de castigo dentro de mim
que no fim de contas só pede esmola
e consola a fome no sorriso de quem passa...
terça-feira, 17 de março de 2020
Last waltz
Sussurro,
palavra mordida
perdida em mim,
murro do teu silêncio,
fim da linha,
a minha existência em suspenso...
Valsa Vienense,
os meus pés sem tocarem o chão,
a minha mão na tua
como tantas e tantas vezes...
Opera de olhos fechados
sentimentos atropelados cá dentro,
tento reter tudo
desta ultima vez
embalada pelos teus pés...
O teu abraço de despedida,
traço leve do teu sorriso
perdida na paz dos teus olhos!
Vieste despedir-te de mim
e fizeste anos há quatro dias...
We always have Schubert!
palavra mordida
perdida em mim,
murro do teu silêncio,
fim da linha,
a minha existência em suspenso...
Valsa Vienense,
os meus pés sem tocarem o chão,
a minha mão na tua
como tantas e tantas vezes...
Opera de olhos fechados
sentimentos atropelados cá dentro,
tento reter tudo
desta ultima vez
embalada pelos teus pés...
O teu abraço de despedida,
traço leve do teu sorriso
perdida na paz dos teus olhos!
Vieste despedir-te de mim
e fizeste anos há quatro dias...
We always have Schubert!
domingo, 15 de março de 2020
Eu vou ficar em casa, sou uma sortuda!
Hoje começa o meu primeiro dia de clausura voluntária, sou asmática, alérgica à maioria dos antibióticos e mãe solteira com dois filhos menores de 12 anos. Vou receber apenas 66% do meu vencimento e vou estar sem sair de casa com duas crianças não sei por quanto tempo. Eu sou uma sortuda.
-Quem não é sortudo neste momento são os médicos e enfermeiros que estão a meter a vida em risco, sem descansar, sem ver as suas famílias para salvarem quem precisa. Respeitem o seu sacrifício.
-Quem não é sortudo neste momento são os bombeiros e as forças de segurança publica que têm de zelar pelo nosso bem estar e protecção tantas vezes com meios técnicos e humanos insuficientes e se calhar sem álcool para se desinfectarem e máscaras para se protegerem porque quem não precisava açambarcou tudo.
Eles também têm medo, eles não têm mãos a medir.
-Quem não é sortudo neste momento são os auxiliares de acção medica, os administrativos e todos os outros profissionais de saúde que têm de permanecer nos seus postos de trabalho e trabalhar ainda mais sujeitos a ser contaminados por pessoas que sendo sortudas não fizeram a sua parte e meteram a sua saúde em risco bem como a dos outros e agora também destes profissionais.
Eles também têm medo, eles não têm mãos a medir.
-Quem não é sortudo neste momento são as pessoas que trabalham nas Farmácias e Parafarmácias que estão a ser bombardeadas de gente que não respeita o distanciamento e "só querem ter uma garrafinha de alcool em gel para andar na mala", pedem aconselhamento nos cremes de beleza (a serio pessoas???) ou na maquilhagem (se o fazem agora são mesmo pessoas feias, por isso desistam!) e largam perolas tais como pode chegar-se ao pé de mim que eu não estou doente e que atrasam o atendimento de pessoas que vêm aviar receitas ou comprar bens essenciais.
Eles também têm medo, eles não têm mãos a medir.
-Quem não é sortudo neste momento são os operadores de supermercados que estão a trabalhar o triplo do normal, a repor prateleiras que não param de esvaziar, a registar milhares de produtos nas linhas de caixas sem conseguirem manter o distanciamento do cliente, sem se conseguirem proteger durante os atendimentos convenientemente porque são milhares de produtos que já foram manipulados sabe Deus por quantas pessoas a passarem-lhes pelas mãos, a fazerem mais horas, a verem os colegas com filhos a irem para casa e a saberem que vão ficar ainda mais sobrecarregados.
Eles também têm medo, eles não têm mãos a medir.
-Quem não é sortudo neste momento são os médicos e enfermeiros que estão a meter a vida em risco, sem descansar, sem ver as suas famílias para salvarem quem precisa. Respeitem o seu sacrifício.
Fiquem em casa, não saiam só porque está sol e é só um cafezinho, evitem aglomerados de gente, mantenham distância, tussam para o braço, lavem as mãos, sejam conscientes, pensem um bocadinho nos outros e não corram para o Hospital só porque tossiram uma vez.
Eles também têm medo, eles não têm mãos a medir.-Quem não é sortudo neste momento são os bombeiros e as forças de segurança publica que têm de zelar pelo nosso bem estar e protecção tantas vezes com meios técnicos e humanos insuficientes e se calhar sem álcool para se desinfectarem e máscaras para se protegerem porque quem não precisava açambarcou tudo.
Eles também têm medo, eles não têm mãos a medir.
-Quem não é sortudo neste momento são os auxiliares de acção medica, os administrativos e todos os outros profissionais de saúde que têm de permanecer nos seus postos de trabalho e trabalhar ainda mais sujeitos a ser contaminados por pessoas que sendo sortudas não fizeram a sua parte e meteram a sua saúde em risco bem como a dos outros e agora também destes profissionais.
Eles também têm medo, eles não têm mãos a medir.
-Quem não é sortudo neste momento são as pessoas que trabalham nas Farmácias e Parafarmácias que estão a ser bombardeadas de gente que não respeita o distanciamento e "só querem ter uma garrafinha de alcool em gel para andar na mala", pedem aconselhamento nos cremes de beleza (a serio pessoas???) ou na maquilhagem (se o fazem agora são mesmo pessoas feias, por isso desistam!) e largam perolas tais como pode chegar-se ao pé de mim que eu não estou doente e que atrasam o atendimento de pessoas que vêm aviar receitas ou comprar bens essenciais.
Eles também têm medo, eles não têm mãos a medir.
-Quem não é sortudo neste momento são os operadores de supermercados que estão a trabalhar o triplo do normal, a repor prateleiras que não param de esvaziar, a registar milhares de produtos nas linhas de caixas sem conseguirem manter o distanciamento do cliente, sem se conseguirem proteger durante os atendimentos convenientemente porque são milhares de produtos que já foram manipulados sabe Deus por quantas pessoas a passarem-lhes pelas mãos, a fazerem mais horas, a verem os colegas com filhos a irem para casa e a saberem que vão ficar ainda mais sobrecarregados.
Eles também têm medo, eles não têm mãos a medir.
Cada vez que alguém tosse o coração destas pessoas dispara, cada vez que o despertador toca todas estas pessoas têm medo de ir trabalhar mas vão, por nós os sortudos que só temos de ficar em casa.
domingo, 8 de março de 2020
Homeopatia
Misturo-me em milhões de litros de água,
separo a minha essência da demência de sentir,
e deixo-me diluir...
Pudesse eu fluir com a inocência da agua
que mata a sede sem exigir nada em troca
e morre na sede da tua boca.
Pudesses tu beber-me com a mesma coragem
que devoras a agua da torneira,
sem questionares a origem da ribeira,
ou a pureza da sua margem.
Pudéssemos nós ser combinação molecular
em vez de bóias perdidas no mar...
Pudéssemos nós ser combinação molecular
em vez de bóias perdidas no mar...
Misturo-me em milhões de litros de agua
para perder a intensidade
e render-me ao peso da superficialidade
e do amor descartável
e solúvel em cafés...
Bato com os pés até ao expoente da loucura,
nado até à exaustão do corpo...
podíamos ter sido sede,
mas não,
estás sempre à procura do furo na rede.
Bato com os pés até ao expoente da loucura,
nado até à exaustão do corpo...
podíamos ter sido sede,
mas não,
estás sempre à procura do furo na rede.
Purpurinas
(...) Ela era um rio a desaguar mares nunca antes navegados, tinha a dureza da vida tatuada num olhar cirúrgico e escuro que nos obrigava a viajar por galáxias enquanto nos rasgava a alma e arrancava todas as máscaras de protecção, tinha a limpidez de um lago e a profundidade misteriosa de um pântano de águas mornas que nos convida a flutuar contemplando o céu sem pensar em mais nada senão nas formas das nuvens.
sábado, 7 de março de 2020
sexta-feira, 6 de março de 2020
Eutanásia.
As horas passam e espaçam os outros,
somos ponteiros sempre a cometer os mesmos erros,
relógios parados que só acertam duas vezes por dia.
E o tempo corre,
escorre-nos, devagar, para sarjetas e valetas,
onde somos cenários de liceu,
de popularidade bacoca.
O meu tempo esgota,
tic tac sombrio e vazio que me arranca de mim
e me tranca cá dentro.
Tento demais,
Amo demais,
Rasgo-me demais
e tatuo mais um remendo.
Aprendo e sigo,
digo que vou ficar bem,
consolo-me,
sou o meu próprio colo
e durmo abraçada a mim.
O fim chega a todos,
nem a Dor nos poupa,
nem o Amor nos salva
e o corpo é apenas a roupa suja da Alma.
somos ponteiros sempre a cometer os mesmos erros,
relógios parados que só acertam duas vezes por dia.
E o tempo corre,
escorre-nos, devagar, para sarjetas e valetas,
onde somos cenários de liceu,
de popularidade bacoca.
O meu tempo esgota,
tic tac sombrio e vazio que me arranca de mim
e me tranca cá dentro.
Tento demais,
Amo demais,
Rasgo-me demais
e tatuo mais um remendo.
Aprendo e sigo,
digo que vou ficar bem,
consolo-me,
sou o meu próprio colo
e durmo abraçada a mim.
O fim chega a todos,
nem a Dor nos poupa,
nem o Amor nos salva
e o corpo é apenas a roupa suja da Alma.
domingo, 1 de março de 2020
Breakfast
O Amor é um rumor,
um sussurro que nos mostra o caminho,
devagar,
como se nos estivesse a moldar por dentro.
É um carinho,
um olhar mais demorado,
silêncio partilhado,
comunhão.
Chão que se despede dos nossos pés,
mas que nos espera quando pousamos,
sem cobrar nada.
Madrugada fria partilhando café e torradas,
na cama,
com o mundo a matar-se lá fora.
Chama que não queima mas que aquece
e nos conhece,
sem máscaras,
sem rótulos,
sem roupa!
Amor é lamber-te as lágrimas,
é sermos praia um do outro,
sermos mar,
bússola,
mas também ancora
e porto.
Ser nascente e tu poente
E poder respirar fundo, finalmente!
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
Purpurinas...
(....) E tudo começara com um toque suave no rosto, um breve tocar de dedos que quase a medo lhe saboreavam a pele, um momento que se vincava na eternidade, se tatuava nos segredos mais profundos do tempo, um instante que significava uma vida inteira, entre tantas vidas passadas à espera de um sentido irrelevante qualquer...
Talvez fosse esse o honesto significado do Amor um toque que resume tudo e se partilha na sabedoria do silêncio entre dois olhares que se bastam (...)
Talvez fosse esse o honesto significado do Amor um toque que resume tudo e se partilha na sabedoria do silêncio entre dois olhares que se bastam (...)
terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
Basorexia
Lapso do Universo,
prolapso de verso na estrofe,
o silêncio interrompe tudo,
grito em mímica
o infinito a contorcer-se
e o Amor a encolher-se,
cá dentro,
para caber numa cave,
amarrado à trave de uma dor qualquer.
Mentiras em espargata perfeita,
quando a boca foi feita para beijar.
Ofensa gradual à minha inteligência emocional...
Relaxo e contemplo o horizonte,
corpos que se atropelam,
lábios que apelam o calor dos meus.
Deus é o nome da desculpa maior da culpa dos homens...
Travo salgado que lambo devagar,
pecado carnal que mora ao lado...
Guerra imortal da minha alma
condenada na palma da mão.
Não.
prolapso de verso na estrofe,
o silêncio interrompe tudo,
grito em mímica
o infinito a contorcer-se
e o Amor a encolher-se,
cá dentro,
para caber numa cave,
amarrado à trave de uma dor qualquer.
Mentiras em espargata perfeita,
quando a boca foi feita para beijar.
Ofensa gradual à minha inteligência emocional...
Relaxo e contemplo o horizonte,
corpos que se atropelam,
lábios que apelam o calor dos meus.
Deus é o nome da desculpa maior da culpa dos homens...
Travo salgado que lambo devagar,
pecado carnal que mora ao lado...
Guerra imortal da minha alma
condenada na palma da mão.
Não.
domingo, 16 de fevereiro de 2020
If the world was ending...
Meu corpo desenhado no chão,
procuro a tua mão
no escuro,
seguro o teu nome junto a mim,
fim de tudo,
pecado capital.
Lá fora o mundo morre
como a vida escorre,
vazio,
alma solta que não volta mais.
A hora repete-se,
cada minuto é o luto que luto para afastar,
talvez se o mundo acabar...
Valeria a pena condenar toda a gente
pela eternidade de um olhar?
Morrer no teu abraço,
pelo cansaço de te tocar,
sentir cada milímetro do teu prazer
e o mundo a morrer, lá fora,
na hora que seria só nossa?
A minha boca a devorar a tua,
carne nua ,
coreografia das minhas ancas
a receber-te devagar,
sentada no teu colo,
olhos nos olhos,
ritmo certo e inquieto,
sermos sofreguidão
e a destruição do mundo lá fora
a vingar a hora que nunca foi nossa.
sábado, 15 de fevereiro de 2020
Perguntam-me muitas vezes porque estou sozinha, se não sinto falta de ter alguém.
Eu não quero "ter" alguém, nunca tive essa necessidade de me completar por arrasto, precisar de ser salva por um príncipe encantado, encontrar noutra pessoa a razão da minha existência, não quero, nem posso transferir para outra pessoa essa responsabilidade.
Também não busco um Amor daqueles de cinema, perfeito, utópico, quase intocável, de dias sempre maravilhosos, hálitos sempre frescos e personalidades super-hiper-mega positivas.
Eu não consigo, de todo, ser essa personagem, não quero alguém que me veja como um anjinho papudo, ou uma Cinderela esvoaçante, não sou assim, sou sarcástica, às vezes odeio pessoas, digo asneiras no transito, odeio transito, acho que tenho sempre razão e tenho mesmo quase sempre o que por si só é também bastante irritante, quando estou com o período apetece-me matar meio mundo, gosto das coisas arrumadas e se me pisam o chão que estou a lavar é melhor fugirem, tipo logo...
Choro muito facilmente mas passado 10 minutos já ninguém o sabe.
Adoro crianças e animais, é sempre tudo mais fácil com eles.
Adoro aprender coisas e que me ensinem coisas e saber coisas e livros, adoro livros, adorava ter uma biblioteca e musica, não vivo sem musica e amo dançar, danço quando estou feliz e ainda mais quando estou triste e estou triste muitas vezes.
Tenho o humor mais negro deste mundo e amo incondicionalmente os meus amigos, todos eles sabem isso porque lhes digo, sempre.
Quando ouço musica da Mafalda Veiga e do André Sardet na rádio irrito-me...
Amo os meus filhos com todo o coração, todo. Às vezes zango-me com eles mas eles sabem que a mãe, apesar do mau feitio, faria qualquer coisa por eles, mesmo qualquer coisa, tipo crimes.
Sou um bocadinho mãe de toda a gente, sempre fui, até dos meus pais desde sempre, talvez por isso tenha sempre sido um bocadinho mãe dos meus namorados e hoje sei que já não quero isso para mim.
Sou horrível com tecnologias, horrível mesmo.
Quando me apaixono perco o controlo e isso assusta-me porque sei que irremediavelmente vou sofrer, o que acontece sempre, mas é a vida.
Não quero alguém que me ame só pelo meu lado bom, quero alguém que me veja como sou, com vontade de me mandar à merda muitas vezes, mas que saiba que eu sou este furacão sem fundo de emoções mas que o amo e também o sei amar nos dias maus e não vou a lado nenhum porque o nosso caminho é o mesmo.
Quero alguém que tenha a inteligência de saber que "as princesas" também dão puns e às vezes parecem bem mais dragões ou ogres, do que princesas...
Quero alguém com quem me sinta sempre eu, porque eu sempre soube amar as falhas nos outros e honestamente é aquilo que está realmente por baixo da mascara que me puxa mais a atenção.
Quero alguém que perceba que primeiro estarão sempre os meus filhos e não se sinta ameaçado por isso, ou tente competir porque não há competição possível.
Enquanto não encontrar alguém, realmente, assim, prefiro estar como estou sozinha mas completa porque nunca fui metade de nada!
Eu não quero "ter" alguém, nunca tive essa necessidade de me completar por arrasto, precisar de ser salva por um príncipe encantado, encontrar noutra pessoa a razão da minha existência, não quero, nem posso transferir para outra pessoa essa responsabilidade.
Também não busco um Amor daqueles de cinema, perfeito, utópico, quase intocável, de dias sempre maravilhosos, hálitos sempre frescos e personalidades super-hiper-mega positivas.
Eu não consigo, de todo, ser essa personagem, não quero alguém que me veja como um anjinho papudo, ou uma Cinderela esvoaçante, não sou assim, sou sarcástica, às vezes odeio pessoas, digo asneiras no transito, odeio transito, acho que tenho sempre razão e tenho mesmo quase sempre o que por si só é também bastante irritante, quando estou com o período apetece-me matar meio mundo, gosto das coisas arrumadas e se me pisam o chão que estou a lavar é melhor fugirem, tipo logo...
Choro muito facilmente mas passado 10 minutos já ninguém o sabe.
Adoro crianças e animais, é sempre tudo mais fácil com eles.
Adoro aprender coisas e que me ensinem coisas e saber coisas e livros, adoro livros, adorava ter uma biblioteca e musica, não vivo sem musica e amo dançar, danço quando estou feliz e ainda mais quando estou triste e estou triste muitas vezes.
Tenho o humor mais negro deste mundo e amo incondicionalmente os meus amigos, todos eles sabem isso porque lhes digo, sempre.
Quando ouço musica da Mafalda Veiga e do André Sardet na rádio irrito-me...
Amo os meus filhos com todo o coração, todo. Às vezes zango-me com eles mas eles sabem que a mãe, apesar do mau feitio, faria qualquer coisa por eles, mesmo qualquer coisa, tipo crimes.
Sou um bocadinho mãe de toda a gente, sempre fui, até dos meus pais desde sempre, talvez por isso tenha sempre sido um bocadinho mãe dos meus namorados e hoje sei que já não quero isso para mim.
Sou horrível com tecnologias, horrível mesmo.
Quando me apaixono perco o controlo e isso assusta-me porque sei que irremediavelmente vou sofrer, o que acontece sempre, mas é a vida.
Não quero alguém que me ame só pelo meu lado bom, quero alguém que me veja como sou, com vontade de me mandar à merda muitas vezes, mas que saiba que eu sou este furacão sem fundo de emoções mas que o amo e também o sei amar nos dias maus e não vou a lado nenhum porque o nosso caminho é o mesmo.
Quero alguém que tenha a inteligência de saber que "as princesas" também dão puns e às vezes parecem bem mais dragões ou ogres, do que princesas...
Quero alguém com quem me sinta sempre eu, porque eu sempre soube amar as falhas nos outros e honestamente é aquilo que está realmente por baixo da mascara que me puxa mais a atenção.
Quero alguém que perceba que primeiro estarão sempre os meus filhos e não se sinta ameaçado por isso, ou tente competir porque não há competição possível.
Enquanto não encontrar alguém, realmente, assim, prefiro estar como estou sozinha mas completa porque nunca fui metade de nada!
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Purpurinas...
(...) A mão tremia-lhe , brisa trazida pela idade que o agitava por dentro, mágoas envenenadas pelas derrotas, tudo condensado num tremer de mãos. A caneta tentava efectuar as piruetas das letras, confessando num bailado acidentado tudo o que o peito escorria, a alma era um banho de sangue tingido como o papel corrompido pela tinta esborratada da caneta segurada com tanta dificuldade, lágrimas que se suicidavam dos olhos, de mãos dadas, cheias de medo de um embate num combate de sobrevivência...
O Amor é a demência da vida devolvida em migalhas pelas nossas constantes falhas. Agora que a vida lhe ditava pouco tempo e a mente se perdia, era uma casa vazia de sonhos, faltava escrever a ultima carta, o legado que provaria a razão da ilusão da sua existência, a mão falhava, fugia ao seu controlo como a vida sempre teimara em fugir e exigir um rumo independente, a dor era voraz e capaz de o silenciar em breve e depois o leve peso da viagem para a irrelevância da ânsia de deixar tudo o que julgamos conhecer... Como se escrevia aquela palavra que nos lavra por dentro, como se segura a cura de todos os medos e se deposita na força de uma caneta a ultima confiança da esperança, meta final, derradeira ruga na fuga à dor tamanha que sempre nos acompanha?
Amor. (...)
O Amor é a demência da vida devolvida em migalhas pelas nossas constantes falhas. Agora que a vida lhe ditava pouco tempo e a mente se perdia, era uma casa vazia de sonhos, faltava escrever a ultima carta, o legado que provaria a razão da ilusão da sua existência, a mão falhava, fugia ao seu controlo como a vida sempre teimara em fugir e exigir um rumo independente, a dor era voraz e capaz de o silenciar em breve e depois o leve peso da viagem para a irrelevância da ânsia de deixar tudo o que julgamos conhecer... Como se escrevia aquela palavra que nos lavra por dentro, como se segura a cura de todos os medos e se deposita na força de uma caneta a ultima confiança da esperança, meta final, derradeira ruga na fuga à dor tamanha que sempre nos acompanha?
Amor. (...)
Not meant to be.
Dor,
lágrima,
esgrima,
estocada,
rancor.
Não preciso de nada disto,
desisto.
Sabemos que perdemos quando não já nos reconhecemos.
Degrau,
sub-cave
mau presságio,
contágio grave,
entrave,
morte.
Deixa-me sepultar-te com carinho, por favor.
Meu Amor,
boa sorte!
Segue o teu caminho,
não olhes para trás,
preciso de paz para seguir o meu.
Adeus.
lágrima,
esgrima,
estocada,
rancor.
Não preciso de nada disto,
desisto.
Sabemos que perdemos quando não já nos reconhecemos.
Degrau,
sub-cave
mau presságio,
contágio grave,
entrave,
morte.
Deixa-me sepultar-te com carinho, por favor.
Meu Amor,
boa sorte!
Segue o teu caminho,
não olhes para trás,
preciso de paz para seguir o meu.
Adeus.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
Ad Aeternum
Espiral,
Anáfora,
Infinito,
Mural,
Metáfora,
Grito,
Repetição (in)voluntária da acção.
Padrão,
Pulsação,
covardia.
-Quem sabe um dia?
-Nunca.
Mentiras atrás de mentiras atrás de mentiras, atrás...
Sinopse e sinapse.
Elipse,
sintoma viral,
soma residual,
pena.
(talvez seja demasiado pequena??!...)
Ausência.
Falta de paciência,
ribalta da gabarolice,
tolice brejeira,
Amor para a vida toda?
-Que se foda!
Anáfora,
Infinito,
Mural,
Metáfora,
Grito,
Repetição (in)voluntária da acção.
Padrão,
Pulsação,
covardia.
-Quem sabe um dia?
-Nunca.
Mentiras atrás de mentiras atrás de mentiras, atrás...
Sinopse e sinapse.
Elipse,
sintoma viral,
soma residual,
pena.
(talvez seja demasiado pequena??!...)
Ausência.
Falta de paciência,
ribalta da gabarolice,
tolice brejeira,
Amor para a vida toda?
-Que se foda!
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