domingo, 29 de dezembro de 2019

Out of Africa

Tudo é vago,
como um lago de profundidade sombria,
mente vazia de sonhos,
verdade embargada afogada em decepção...
Flutuo sobre mim mesma,
espectro do que fui,
rosto do que sou,
ruínas baldias de desejos
confiscados por beijos de morte...
Má sorte ser tanta coisa,
nenhum corpo suporta tantas personagens reconstruídas...
Vidas que se curvam e se turvam,
todos os dias.
O Amor é o esplendor do impossível mascarado de posse.
Fosse eu bola de sabão despida de objectivo
e tão cheia de beleza.
A simplicidade sempre me comoveu!
Tem sempre de haver um estupido motivo para tudo,
um véu castrador de eloquência,
uma dormência efectiva de vida
que não nos permite ver fora deste limite.
E tudo o que eu sempre quis foi observar,
devagar,
o que é belo,
o singelo e simples,
aparentemente tão desinteressante
para toda esta gente incessante
de felicidade aparente e angustiante.



quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

I used to love you but i had to kill you!

Penumbra,
quadro riscado a giz,
fiz tudo o que pude,
o que soube,
o que aprendi,
mecanismos de vida que não ajudaram
e não passaram de ilusionismos da felicidade.
Desapareci, perdi-me, esqueci quem era,
chorei,
fiz quadros em excel,
questionei,
magoei-me
e embati no chão.
Tudo começa e tudo acaba,
a vida é um intervalo que a Morte nos empresta
e um dia cobra...
Morde o lábio,
meu mago, meu sábio, meu cabrão!
Tu sabes que eu não merecia nada disto,
pois não?
Morre um dia, amargo,
na tua cama urinada de culpa,
não existe desculpa,
não existe perdão,
razão
ou condenação justa.
Mataste tudo cá dentro,
esta alegria,
a inocência a confiança cega,
a entrega de alma e corpo.
Tornaste-me cínica, meu desAmor,
deixei de ser poema,
hoje sou cronica,
reportagem jornalistica,
artigo do Correio da manhã...
Minha maçã envenenada
que me matou a fome enquanto me envenenava por dentro...
Obrigado por me teres desabrigado ao relento.
Obrigado por seres uma merda.
Obrigado por fazeres de tão boa vontade,
sem seres na verdade obrigado a nada.