domingo, 27 de outubro de 2019

Nankurunasia

Passo, a passo,
caminho construído e doído dos teus pés,
cada gesto, dor, Amor, silêncio,
cada aprendizagem fazem parte
da arte da viagem.
Chora, acredita, grita,
cora e apaixona-te,
emociona-te sempre
crente de que és unico e igual a toda a gente
que realmente e no final só espera ser feliz!
Diz o que pensas, muda de opinião,
erra, encerra caminhos e constrói novos,
perdoa-te e perdoa
tudo o que magoa prova que sabes sentir,
pára de mentir a ti mesmo a dizer que estás bem
quando te perdes...
Encontra-te, confronta-te, enfrenta-te,
aprende, rende os outros com humildade,
traz verdade ao mundo,
a tua,
nua e frágil,
sê agil, sê tranquilidade,
sê idade sem medo das rugas,
não existem fugas em frente,
apenas corrente demente e cobardia,
sê dia quando tudo é noite,
sé abraço após o açoite,
sê laço quando tudo se deslaça e embaraça...
Aceita-te e aceita nos outros a diferença,
recomeça sempre quando caíres
mas só quando te sentires pronto
e deixa-te derrotar quando ainda não estás...
Sê luto de tudo o que perderes
porque o Amor merece flores e dores de despedida,
sê partida mas também chegada,
leme, ancora e remo
e mar e mundos por desbravar,
sê tudo o que quiseres e puderes e sonhares
sem limites ou radares de velocidade,
sê ambicioso de ti
e apaixonado por ti,
mesmo quando te esqueces do valor que tens,
afinal somos apenas um universo imenso e denso por descobrir
e sentir,
um mundo de cada vez!

sábado, 26 de outubro de 2019

Ataque de pânico

Sinto-me trancada num espaço confinado com paredes a esmagarem-me o peito
cada vez que respiro e aspiro sair...
 O corpo a ficar dormente,
o palpitar do coração a paralisar
e descompassar a vida,
palavras que se atropelam na boca e são engolidas de penalty
lábios que não colaboram,
visão que se perde e se turva,
curva do meu corpo a quebrar de encontro ao chão,
morte aparente,
talvez permanente, talvez descanso e paz..
Momento que se faz continuidade,
ansiedade e sede,
cair sem rede no chão,
solidão absoluta,
cérebro que luta por reagir,
alma a fugir e abandonar o corpo inerte,
deixar de ver-te, para sempre,
não abraçar os meus filhos e vê-los crescer, ao longe,
sempre de sorriso triste...
A alma que insiste em voltar,
a lutar e espernear por se controlar,
dor no peito, desfeito por angustia,
vazio completo,
hipotermia,
saber que aguento o sofrimento um pouco mais,
alma que se anuncia e agarra o corpo cobarde,
coração que parte mas se reestrutura,
ainda não está na altura,
respira,
ainda não está na altura,
respira,
ainda não está na altura,
respira.


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Your lips, my lips... Apocalipse!


Desejo,
íman de atração,
beijo,
tempestade perfeita,
teu corpo,
encaixe do meu,
 medida feita à medida,
roupa despida, no chão,
 devagar,
 pausar da respiração
que compassa o coração,
universo que se faz irrisório, lá fora,
aqui, agora.
verso da tua saliva que se escreve em mim,
poema escrito em braile, na tua pele,
mel do teu olhar...
Entrega, Amor,
dor que é prazer e urgência,
ciência da sinergia,
sintonia empírica,
sentir-te estremecer, cá dentro,
fica.


terça-feira, 22 de outubro de 2019

Don't...

O espaço encerra constelações de sonhos
que derivam nos corações desatentos,
alentos estupidos,
sentimentos irascíveis,
misérias que sobrevivem de migalhas,
limalhas de sentimentos a ferirem-nos a cornea
e a estraçalhar o peito aberto, deserto do teu corpo.
Só sei amar como se a vida fosse acabar,
porque vai e ninguém sai vivo,
por quanto esquivo que seja
e no fim só sobeja o fim.
As pessoas não amam porque amar dói tanto
quanto nascer...
Pássaros a devorar as próprias asas
com medo de se magoarem por cair no chão.
Condenação em vida à morte,
cheios de sorte por viverem acorrentados
longe dos prazeres acidentados...
Viverei sempre,
com medo,
com cicatrizes,
com penas arrancadas
e asas, muitas vezes, partidas,
mas doridas de voar!





domingo, 13 de outubro de 2019

My love

O sonho é a coreografia que as memórias permitem,
saudades que emitem sons,
tons diferentes de azul,
sombras chinesas,
velas acesas e a profundidade de um beijo...
Amo-te como escrevo,
sem limites,
sem roteiro,
sem guião.
Tua mão a escalar meu corpo inteiro,
roupa pelo chão,
promessas confessas,
o carmim do meu batom,
tu encaixado em mim,
tom de banda sonora de Hollywood...
Dor, prazer, lágrima a morrer no queixo,
a verticalidade da razão
a escorregar pelo nosso suor ...
Meu colo, meu pecado,
meu desejo conspirado,
Meu Amor!
Voz sussurrada ao ouvido em cada espasmo do orgasmo...
O Amor é a imortalidade que o universo empresta!