sexta-feira, 28 de junho de 2019

Poente

Luzes,
camera,
acção!
A ribalta é um ponto de situação efémero...
Quanto tempo consegues sorrir, a fingir?
Um dia,
numa utopia qualquer,
foste feliz a valer,
lambuzaste-te no meu corpo como quem aprende a andar!
Sentiste cada suspiro,
um retiro espiritual
feito carnal,
espasmos e orgasmos em desgarrada...
Estou cansada de correr descalça,
de pisar vidro.
Despe-me a alça do vestido,
seremos entrega e inconsciência,
o Amor é a ciência da procura, meu Amor!
Jura o que não podes,
esquece que a vida está sempre resolvida sem o nosso consentimento,
não temos tempo,
nunca o tivemos,
molda os meus seios à tua boca,
a tua voz rouca a sussurrar o meu nome
sem freio ou arreios,
seremos sofreguidão...
A Liberdade começa sempre ao poente da razão.



quarta-feira, 26 de junho de 2019

Viagem ao centro da Terra

Cheio de sonhos como se o mundo fosse um portal demasiado estreito
e o leito demasiado agridoce...
Queria dar-te a mão e navegar pelo espaço,
ser abraço e colo e consolo,
ser chão que te trouxesse firmeza
e a certeza de saborearmos o céu outras tantas vezes!
Mas eu sou apenas ninguém
e não tenho talento algum...
Talvez só alento,
talvez só loucura,
será que um beijo, de facto, cura?
Fizemos um pacto quando éramos inocentes,
crentes de que a vida nos sorriria sempre entre as marés!
Talvez não te lembres,
talvez o tenha sonhado,
ou desejado em silêncio.
Hoje estico os pés para te alcançar
e te desejar o melhor!
Que o Amor (te) vença sempre,
pela força e pelo cansaço
e te entregues a quem de direito num abraço firme e estreito!

domingo, 16 de junho de 2019

Everything will rain...

Não (me) morras, Meu Amor,
por favor...
Não devia pedir,
não te devia exigir nada,
és arraçada de vento e liberdade sem freio...
Mas Amo-te sem meio-termo
e no ermo sotão do pensamento
sempre foste chama e alento
e não sei viver, sem saber, que por aqui andas,
mesmo que longe,
mesmo sem ver-te,
preciso, porém, saber-te bem!
Crescemos a devorar o mundo uma gargalhada de cada vez,
salgámos as nossas dores com abraços demorados,
almas gémeas que nunca se quiseram iguais
e que se amam mais por terem fardos diferentes.
Não Me morras  Meu Amor
porque és parte de mim
e não posso deixar escapar-te por entre os dedos,
meu cofre de segredos  e de sonhos!


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Reencarnação

Se o sonho fosse destino tangível
seriamos aventureiros de mochilas às costas,
a desbravar inocência de mãos dadas com a incoerência da vida.
Estou decidida a ser margem,
não velejo mais,
não naufrago mais...
Dei os últimos passos, 
baixei os braços,
deixei-me cair,
e embati, morta, no chão.
Quantas vidas podemos viver numa só vida?


domingo, 9 de junho de 2019

Dissertação estupida

Tens os lábios mordidos das lágrimas,
prisioneiros de sorrisos de circunstância,
infância a escapar entre os dedos
nos segredos mordidos que a maturidade obriga.
A razão é a face mais nobre da intriga...
Fomos os primeiros amantes da Terra,
viemos ao mundo para aprender e ensinar a valorizar o tempo...
De momento sinto que não aprendi, nem cumpri nada
e que minto a mim mesma, todos os dias.
Tenho saudades tuas, sabias?
Mas nunca teve importância,
ninguém tem relevância alguma,
micro-partículas ridículas de um Universo imenso
submerso no desconhecido...
Penso em ti como um penso rápido
a ocultar uma gangrena.
(Mente fechada e pequena preso num ego insuportável.)
Queria respirar fundo e engolir o mundo,
um ultimo fôlego condescendente
antes da frieza da Morte decadente.
Reciclamos pessoas e consumimos o plástico,
somos o elástico da fisga que aniquila a Natureza
a esticar a nossa capacidade de matar até ao expoente da insanidade...
E ainda assim sei que te Amei,
sei que te amo
e que te amarei,
sempre,
 ainda que não conheça a longura, obscura, da eternidade.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Elysium

Há tormentas que nascem numa cama desfeita,
imperfeita como deve ser tudo aquilo que o amor toca...
Preciso de sentir como do pão para a boca,
no dia em que for dormência entrego o meu corpo à ciência
para servir quem ainda estiver vivo,
pois não sirvo, ou servirei para mais nada.
Sou alma desajustada insuflada desta inquietação
que é ser coração e dança e voz...
Não nascemos para ser sós e no entanto
somos o entretanto da solidão.
Amo-te e isso ainda te assusta
porque custa seres o pouco que me basta...
O Amor não se gasta porque não é feito do nosso barro da mortalidade...
Tenho um peito desfeito de sonhos
e de lágrimas encardidas e perdidas
que ficaram e ficarão por chorar.
Não tenho tempo para ter pena de mim,
sou assim um átomo que almejou ser algo mais...
Um corpo que é involucro deste sentir imenso
que condenso a sorrir para o mundo.
Um profundo pesar que é leveza e firmeza,
uma sina que professo e confesso
porque Amar é a lição que a nossa missão ensina! 

domingo, 2 de junho de 2019

Levava este ruivinho para casa para decorar uma estante... Coisa mais fofinha! (O Bieber não...)


I don't care!

Talvez o tempo tenha passado
mas os dias ainda me comem com dentadas gulosas,
ansiosas pelo segundo a seguir,
a descobrir o que me reserva o mundo!
A vida é um prato de salada colorida,
com os sabores todos misturados,
alternados,
o doce do tomate e a acidez da cebola.
Os amores e a estupidez envolvidos
e intimamente relacionados.
Corpo e mente  devorados aos bocados
em cada um de nós...
Estamos sós e mesmo assim existem multidões cá dentro,
a atropelarem-se nas nossas ânsias,
criando distâncias confortáveis com os outros...
Nasci assim,
fluída como a agua,
escapo pelos espaços todos e posso ter os três estados no mesmo dia,
só que ninguém consegue estar emerso tanto tempo...
Talvez o tempo tenha passado,
mas jamais terá estagnado na poluição de um coração qualquer,
quero tudo, ou trazer nada e recomeçar de novo,
por agora liberto-me à espera do que a maré possa trazer!