terça-feira, 23 de abril de 2019

The devil on your back

Horizonte longínquo e mordaz
que me faz esquecer os bons princípios...
A bondade é um jogo de poder da vaidade,
todos adoramos denegrir a imagem dos outros
para sentir que estamos no degrau acima, não é?
A moral é um mau vicio, um indicio do mal...
Clima de cortar à faca que me farta,
não vou ter saudades deste oxigénio de mau génio,
desta podridão adocicada e conspurcada,
somos todos imperadores do nada,
com uma coroa que magoa, sentados numa lixeira uma vida inteira...
A anarquia sabe-me a café e tira-me o sono,
ponho-me a rezar sem fé
porque me atrai  esta aura de purificação,
sem coração, sem perdão, sem religião...
Somos a espécie da destruição,
ninhos de ratos sedentos de sangue,
pragas de gafanhotos a devastar mundos,
constelações,
universos...
sinónimos e heterónimos da demência.
Inferno servido aos bocadinhos,
a soltar perdigotos e perdições
em gestos profundos de desprezo,
sem qualquer peso na consciência...

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Still because I can...

As palavras são munições das emoções, ora nos acariciam e aliciam, ora nos rasgam e estragam por dentro...


Há um arco de resposta em cada acção,
uma espécie de boomerang enraivecido
que num gesto atrevido nos traz o coração de volta ao peito...
Amo tudo em que toco por isso evito tanto de tocar nos outros,
não me posso permitir iludir a toda a hora
quando o foco dos meus problemas sou eu, apenas...
Cultivo este rosto de paisagem,
a imagem da serenidade intocável,
inabalável,
uma integridade quase palpável
e por dentro o turbilhão da razão avassalada pela dor...
Amor...
Palavra proibida que só me arranca da vida
e único motivo pelo qual vivo...
Viver custa,
mas Amar arrasa tudo e porém, sem Amar
só nos resta o que não presta.
Ambiguidade deliciosa,
umbiguidade despojada,
maliciosa sabedoria que nos torna ninguém
e o outro alguém em tudo...
Ninguem sabe realmente despir a sua imagem projectada, pois não?
A ilusão do poder que amar nos rouba assusta mais do que a Morte,
os amantes têm a sorte e a audácia de quem nada têm a perder se não tudo,
se não o todo,
se não o lodo de existir numa existência sem importância,
se não ânsia  de um propósito sem consistência...