quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Hello Darkness my old friend...

Cansaço,
o aço que nos vence a todos,
nos modos desajustados de um tempo que não aguento
e me destrói por dentro...
Um
Dois
Três...
Era uma vez alguém que não era de ninguém
e preferiu morrer a deixar-se pertencer...
Amor, estado de hipnose colectiva!
Tentativa de manipulação que me esmaga o coração...
Temporal que arrasta o meu corpo entre agua e ventania,
agonia de me tentar agarrar...
Suster a respiração e ver a tona sempre mais distante,
sou uma amante de circunstância e oportunidade...
Um involucro que desperta curiosidade
com um conteúdo demasiado elaborado...
Um
Dois
Três...
Era uma vez...

domingo, 20 de janeiro de 2019

Tears in the rain...

O espaço contorce-se e comove-se
neste compasso de espera
que supera a paciência da virtude
de aguardar o tempo certo...
Há um deserto que se constrói cá dentro,
uma dor que mói sem dilacerar,
uma asa a rasgar,
uma casa a arder,
a morrer entre cinzas e esperanças perdidas...
Quero GRITAR,
mas o mundo é cego e surdo
e só me aborrece...
Esquece, não vais perceber...
Este fogo que trago comigo,
um jogo perigoso cheio de personagens desistentes,
faz-me cerrar os dentes...
Quero tanto, amo tanto
e entretanto as ovelhas sempre a bramir...
As pessoas estão velhas e cansadas,
sempre preocupadas, a desistir...
Queria fugir mas a terra é redonda
e está saturada de gente, gentalha, maralha,
apetecia-me morrer,
mas não quero que me chorem,
ou adorem quando me enterrarem no chão...
Não!
Não me elogiem,
não me lamentem,
porque as vossas lágrimas também mentem!
Deixem-me ser pó,
deixem-me estar só,
deixem-me dissipar no ar e esquecer que um dia fui esquecimento!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Rosa dos ventos

Sabes que mais?
Não existem pontos cardeais no universo!
Vivemos a correr, até morrer...
Traçamos percursos,
usamos recursos, 
inventamos destinos que justifiquem meio ou razão 
e na verdade não existe nenhuma missão... 
O mundo está submerso num controlo perverso,
que justifica o irrelevante grão de pó da nossa existência,
que nos tornam escravos atrás de cenouras invisíveis,
previsíveis, controláveis, manipuláveis
e desinteressantes...
Deixaremos heranças feitas de vento,
um alento afogado ao nascer...
Porque na realidade apenas o Amor
acrescenta valor à nossa existência sumária e ordinária,
tudo o resto são indicações para ruas sem saída em rotundas imaginárias...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

New book is coming... ;)

         I 
"Ele" e "Ela"


    Foi num dia igual a tantos outros, sem qualquer pormenor digno de registo, “Ele” talvez estivesse atrasado porque teria adormecido como tantas outras vezes, corresse rua abaixo enquanto trincava uma maçã, ou simplesmente tivesse deixado o carro no final da rua e soubesse que o vidro ia estar coberto de gelo.  Qual a relevância do caminho, ou das circunstâncias quando o que realmente importa foi o impacto que todo o seu corpo sentiu da primeira vez que “Ele “a viu…

O sorriso d’ “Ela” era porto onde ele nunca tinha atracado, um rumo difuso que só trazia incertezas... A beleza tantas vezes reside no olhar, naquele alçapão que nos transporta pela mão até ao profundo da alma, nos abraça e diz que já chegaste a casa. 
“Ele“ tentou impressioná-la, começou a falar, incessantemente sobre o trabalho que tinha e tanto o orgulhava, o percurso que causava inveja nos outros, das suas conquistas, dos seus sacrifícios, “Ela” olhava-o nos olhos, lia-lhe o movimento dos lábios, estudava-lhe a postura das mãos, interrompeu-o e perguntou-lhe:
-Qual foi o dia mais feliz da tua vida?
“Ele”, franziu a testa, tinha acabado de enumerar os momentos felizes da sua vida agora mesmo, todas aquelas vitorias eram dias felizes, teria de escolher um?
Optou pelo politicamente correcto:
-O nascimento da minha filha, tenho uma filha tem 12 anos e chama-se Mia.
“Ela” perguntou,
-A Mia é feliz?
-Claro que é feliz, tenho a certeza que a minha filha é uma criança muito feliz!
“Ela” sorriu,
-As crianças se as deixarmos, são sempre felizes, a felicidade já trazemos connosco, não acho que seja possível alguém nascer triste, a tristeza só se aprende depois…
-E tu, és feliz? Perguntou “Ele”,
“Ela pegou-lhe na mão, encostou a mão ao peito, respirou profundamente e disse:
-Eu não tenho filhos.
“Ele” não soube bem o que aquilo quis dizer, mas soube que não devia insistir numa explicação, não pode deixar de sentir o coração disparar ante o toque dela e o compassar da sua respiração, a forma como “Ela” fechara os olhos enquanto respirava,  fê-lo desejar beijá-la devagar mas seria como conspurcar um quadro de Botticelli.
-Queres beijar-me?
Adivinhou “Ela”,
“Ele” sentiu-se constrangido, tinha sido obviamente lascivo na forma de olhar para “Ela”, depois era casado, inconscientemente acariciou a aliança com o dedo da outra mão. 
“Ela” beijou-o e disse que nunca mais se iriam ver, eram apenas dois estranhos que se encontraram num acaso, não existiria um Futuro depois, nem um Passado porque ontem nada os unia.
O beijo não foi uma erupção vulcânica, sequer, foi só um carinho quase caridoso, os lábios tocaram-se brevemente, ele ainda se retraiu e depois quis saboreá-la, mas os lábios já se desprendiam e despediam…
Eram demasiado diferentes e não havia um sentido que definisse aquele encontro, afinal nenhum deles queria um depois, depois do agora, a simplicidade daquele errado era tão certo apenas porque há momentos ditados pelo crescimento da nossa alma e é no confronto com a diferença do outro que percebemos o sentido da nossa vida.
 “Ela” tinha a inocência de quem acha que viver é um instante, ele de semblante sempre carregado, transportava o mundo nos ombros, demasiado ocupado sempre a pensar viver depois... 
Estavam os dois errados, a vida acontece naquele crepúsculo em que o amor nos anoitece e embala, nem demasiado cedo, nem demasiado certo, nem demasiado tarde. 
O Amor não tem de ter uma razão, não tem de ter um motivo, não tem de ter um desfecho, ou um final feliz, na verdade se for Amor não terá final sequer, é apenas continuidade.
-Fala-me de ti, pediu “Ele”, 
“Ela” encolheu os ombros e disse sou um livro, a descoberta daquilo que sou começa na tua leitura.
Depois, abraçaram-se os dois  antes que a meia-vida continuasse e os acordasse do sonho... Por ora seriam apenas pele, apenas toque, apenas entrega, apenas Presente.
 

 In "Purpurinas"

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Sincelo

Dorme Rui,
nos meus braços cansados
mas esperançados de ouvir os teus passos...
O meu amor tem os ponteiros parados,
à tua espera,
revivo o ultimo beijo que me deste.
de lábios quentes por andares sempre a correr!
Foi ontem que te vi desaparecer,
mas dizem que passaram 20 anos...
Dorme Rui,
fecha os olhos gentis,
sempre que sorris acende-se uma luz cá dentro!
Eu tento fechar os meus mas o coração
não se acalma...
Volta meu Amor,
minha dor,
minha alma,
meu sangue , meu berço vazio...
Terás frio?
Luto contra o luto por não desistir de ti...
No meu sonho eu chego a tempo
e sou o teu aconchego antes de ires dormir...
Na geada que se tornou a minha existência
o sofrimento é o alimento da tua ausência,
porque sem a dor não resta nada...




segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Alquimia da via láctea...

Um beijo é o universo a pedir permissão
para tomar o nosso corpo,
a nossa alma,
e ensinar-nos a linguagem que existia
antes do supérfluo da palavra,
quando tudo o que importava
era abraço
e o espaço não deixava vazio entre quem se pertencia...
Um beijo permite voar,
uma viagem de sonho, de fantasia
que nos traz o sabor do Amor
e nos permite provar o infinito,
devagar...
Um beijo permite ao tempo contorcer-se,
para caber e saber que não existem limites
para o que está aquém da nossa compreensão,
é a ilusão que se torna garantia palpável,
uma alquimia de língua e saliva
que se esquiva de ser razoável
e se torna o sentido incontestável dos sentidos!









quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Just breathe, my love...

 (...) O tronco dela arqueou-se, a despedida penetrava-a como uma lâmina, sentia cada milímetro daquela agonia cada vez mais profunda no mesmo compasso em que o passo dele se afastava... Talvez ele ainda não o soubesse, talvez... Só se ama verdadeiramente uma vez tudo o resto são esboços do quadro original, uma espécie de final compensatório ao viveram incompletos para sempre... (...)

Há uma certeza na pureza do Amor,
uma dor que nos conforta mesmo se não somos correspondidos...
A convicção de que é possível ser melhor,
ser do outro,
dar sem receber nada em troca...

Amar invoca forças que nem sabíamos possuir,
abriga-nos e obriga-nos ao compromisso
de fugir de dentro de nós
e vivermos dentro de alguém,
mesmo se estamos lá, sós,
num canto omisso qualquer...
O Amor tem o encanto dos sonhos,
o prazer da dádiva,
a eloquência do saber para além do senso comum
que na verdade somos todos um,
e nunca existiram outros!







terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Migalhas dão-se aos pombos.

Linha de partida,
saída,
viagem,
viragem,
começo,
preço,
exigência,
carência,
decência,
demência,
razão,
coração ao largo,
embargo,
muralhas,
migalhas,
dispensa,
o crime não compensa...
Ciúme,
lume,
incineração...
Solidão...
Espelho,
conselho,
erro que se repete...
Promete.
Amor só quando o tempo sobra...
Cobra sentimento,
momento,
investida,
a minha vida, sempre.