domingo, 30 de dezembro de 2018

Tic tac...

Sinto os ponteiros deste ano a despedirem-se de mim
com um beijo leve de bons amigos que um dia dormiram juntos!
Tenho muito por que agradecer,
até as cicatrizes foram felizes descobertas
e não existem feridas abertas à espera de sarar!
O tempo não cura nada,
só a nossa loucura de viver nos pode trazer à tona d'agua!
Não existe mágoa, só gratidão,
por não encerrar o meu coração,
por tudo o que vivi ao longo deste ano,
por aquilo que descobri ser capaz,
pela paz de espírito que recuperei,
por nunca ter perdido o sorriso,
me ter permitido perder o juízo
e não me levar demasiado a sério!
A vida só tem sabor no mistério da mudança...
O amor acontece quando menos se espera
e também se perde por que ás vezes tem de ser
mas não temos que morrer por isso.
So temos o compromisso de o viver intensamente!
Há que acreditar que o futuro nos reserva outras surpresas
que é das incertezas que nascem novas possibilidades de felicidade,
que é da duvida que nasce sempre uma resposta!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Para que serve a Clave de Sol?

Toco-te, devagar,
leio-te como pauta,
cada toque um gemido,
nota,
dó sustenido,
piano de cauda,
partitura dura que me invade
e se evade na liberdade do desejo...
Beijo,
orquestra de sentidos,
ruídos abafados por gestos,
sombras chinesas coreografadas
em penetrações compassadas
sob olhares indiscretos...
Teu corpo letra de musica,
acústica perfeita,
mesa de mistura,
loucura, certeza,
minha cama desfeita,
onde peco,
sem castigo...
A dor de dizer Amor ao teu ouvido,
sem eco...


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

4:15, sem filtros...

Eu não amo o melhor das pessoas,
isso não é amor,
é proveito,
usufruto, nada mais...
Amar é ver o defeito,
o negrume, o queixume insuportável,
o luto irrespirável,
o execrável e vergonhoso
e saber que ainda assim, no fim,
aquela pessoa é mais do que isso
e é um vicio mantê-la por perto.
O Amor é o certo apesar do errado,
escolher o caminho apedrejado,
magoar os pés, a alma, o peito,
mas saber que o leito só faz sentido com aquela pessoa,
porque o nosso coração só se acalma a ouvi-la respirar.
O Amor magoa porque nos cura por dentro,
é sair de nós e entrar nos outros,
perder a nossa zona de conforto,
o nosso umbiguismo,
uma forma de masoquismo que é porto de abrigo,
ao mesmo tempo!
O Amor não é pão p'ra boca,
é trigo que tem de ser ceifado, debulhado,
triturado, amassado, levedado e cozido...
E esta vontade louca de abraçar alguém
que se tem ali, sempre,
todos os dias à nossa frente,
mas sabe sempre tão bem como da primeira vez...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Heart of glass...

Lágrima, esgrima da dor,
que nos conhece de cor
enquanto o pranto nos desenha o rosto
e o gosto a sal nos beija os lábios...
A paixão é o mal mascarado de bondade...
O teu corpo massacrado pelo desejo dos meus olhos,
beijo roubado, língua perdida,
vida que se recusa à mingua do medo...
Tenho um segredo para partilhar contigo...
Não consigo deixar de viver,
preciso de ser mulher,
prazer,
volúpia e angústia num turbilhão a perder de vista,
conquista que se avista,
derrota, após derrota, após derrota
e não se rende.
Aprende a lidar comigo, Amor,
descobre-me os gestos,
os afectos,
as iras e as rendições incondicionais...
Serve-me de consolo, de colo, de cama,
de açoite...
Enche-me o dia de noite na ânsia de te reencontrar,
conspurca-me de infância e de sonho...
Faz-me suplicar o teu nome, o teu toque, o teu corpo,
odiar-te e desejar-te numa esquizofrenia perfeita,
desfeita.
A paixão é o mal mascarado de idiossincrasia...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

120 dias ou mais...

Procuro, no escuro, a ingratidão,
servidão,
 momento inseguro de quem nasceu escravo...
Há um travo de traição
que não consigo perdoar...
Não havia motivo.
Um dia falaremos disto,
por agora não insisto.
A minha consciência
é tão transparente como a tua inconsistência...
A tua infelicidade é a prisão
onde encerraste o teu coração...
Um dia falaremos disto,
por agora analiso o cinismo...
Sempre odiei vitimas que se atiram para o chão.
Sim, errei, confiei,
acreditei que havia uma razão...
Associei tudo à tua perda...
 Um dia falaremos disto,
ou então não,
desisto,
vai à merda!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

....

   (...) O sorriso dela era porto onde ele nunca tinha atracado, um rumo difuso que só trazia incertezas... A beleza tantas vezes reside no olhar, naquele alçapão que nos transporta pela mão até ao profundo da alma, nos abraça e diz que já chegaste a casa. 
Ela tinha a inocência de quem acha que viver é um instante, ele de semblante sempre carregado, transportava o mundo nos ombros, demasiado ocupado a pensar viver depois... 
Estavam os dois errados, a vida acontece naquele crepúsculo em que o amor nos anoitece e embala, nem demasiado cedo, nem  demasiado certo, nem demasiado tarde. 
Fala-me de ti, pediu ele, ela encolheu os ombro e disse sou um livro, a descoberta daquilo que sou começa na tua leitura. (...)

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Bismillah

Quero a vida bebida de um trago,
um rasgo de loucura,
uma tortura deliciosa sequiosa de prevalecer além-razão.
Gosto que o chão me fuja de quando em vez.
De enfiar os pés em areias movediças
só pelo prazer de escapar mais tarde.
O Amor é fogo que queima e arde
e eu material combustível,
inacessível a lareiras desinteressantes.
Odeio meios termos, 
Amores mornos
de fornos a meio gáz ...
Preciso de fogo, 
de lume, 
de ciúme, 
de voracidade e necessidade.
Preciso de me sentir prioridade!
Preciso de roupas arrancadas,
de palavras tontas,
de juras idiotas,
de abraços intermináveis...
De serenatas ao luar,
de ser musa, de ser musica, de ser mar!







domingo, 2 de dezembro de 2018

Try to catch the deluge in a paper cup...

Desço as escadas até ao fundo de mim,
no fim da essência,
onde a paciência outrora morou…
Quero o agora,
estou cansada deste nada
que sobra na vida engasgada de futilidades.
Se eu morresse hoje o que mudaria no mundo?
Haveria um profundo silêncio?
As árvores perderiam as folhas?
O mar imenso aquietava-se?
Repensarias as tuas escolhas?
Não.
A minha existência é insignificante,
um acaso errante de átomos...
Somos sintomas do acaso, Amor... 
Aves migratórias com oratórias perfeitas,
desfeitas pelas dores da vida,
a voar por obrigação genética,
numa perdição profética que nos recusamos a ver...
Ás vezes preciso de chorar,
para deixar escorrer o que já não cabe...
o amor não sabe o que me faz,
é uma criança egoísta que não se cansa de ser protagonista...
E eu preciso de paz.






Simurgh

A tristeza do mundo é um manto nos meus ombros,
vasculho os escombros dos outros,
ávida de esperança...
Perdi a confiança na evolução humana
que olha uma criança com total desapego
só porque o tom da pele não combina com a ambição
da decoração da sua casa de catalogo,
que vai à missa confessar pecados superficiais
porque acha que os mortais não são pecados...
Que dá um pacote de arroz trinca para o banco alimentar contra a fome
e come a escravatura do mundo com talheres dourados...
Quero a loucura dos que gritam e se agitam porque não se encaixam
e não se acham melhores do que os pobres,
porque sabem que somos todos mendigos do Amor...
Odeio Nobres de sentimentos,
caridosos sequiosos de holofotes...
Quero a simplicidade das coisas,
o reconhecimento do olhar a empatia que resolve quase tudo...
As agonias do mundo civilizado
poluído pelo ruído dos bancos a tilintar moedas
e a destruir vidas sem sentir nada...
Se Deus nos fez deve chorar todos os dias...



sábado, 1 de dezembro de 2018

Lost and found

Tactuo o chão
à procura do coração que deixei cair
num sentir impossível qualquer.
Há uma mão invisível que tento alcançar,
no escuro,
seguro a voz e o nó na garganta,
esta vontade tanta de chorar...
Mascarar a alma de tranquilidade e calma,
a mente mente-nos sempre...
Gosto da nudez que o silêncio nos fez,
esta transformação que nos acolheu
num céu cinzento da nossa personalidade...
É nos dias tristes que conhecemos melhor os outros...
Tento despir-te...
(Mas tu insistes em usar armaduras como se fosses caçar dragões todos os dias...)
Não te escondas,
não mordas aquilo que és,
sempre em bicos de pés para seres igual a toda a gente....
Quem quer ser um rosto fosco na multidão?
Sinto a tua mão, no escuro,
seguro-te e digo que te amo, baixinho...
Encontro o meu coração, estava contigo.