quarta-feira, 28 de novembro de 2018

wounded birds...

O meu rosto é uma gota de orvalho a humedecer a noite,
um rasgo de emoção que o coração deixou escapar
e tenta segurar para permanecer trancado...
Há um recanto de nós que nunca foi explorado
e não tem mapas ou placas de sinalização.
Sempre que choro há uma parte de mim
que parte para sempre,
de mochila às costas,
sem olhar para trás.
A solidão faz falta
e nunca me falhou...
A multidão é apenas ruído,
acéfalos a bater palmas
num espetáculo sem nexo...
Sexo de anjos assexuados que nunca amaram,
só se preocupam com espelhos
e vivem a vida toda de joelhos...
Preciso do silêncio que se partilha
quando me canso de ser ilha selvagem!
Do beijo que diz tudo,
do desejo que é mais do que um sonho
e alcança uma realidade palpável,
exequível,
simples, tranquila,
uma esperança alcançável,
que me permita respirar em todos os intervalos
e não me omita de mim mesma para segurança dos outros.




terça-feira, 27 de novembro de 2018

Nocturno de Chopin...

Existe um vão de escada
entre a tua alma e o mundo lá fora,
uma aurora nublada encharcada de incertezas
que te faz questionar constantemente
a diferença entre rumo e fumo.
A mente é um beco sem saída,
um ruído de fundo,
um poço profundo
poluido por milhares de corpos mortos
que flutuam, inchados, à superfície...
Não percebo as vicissitudes da vida,
nem concebo as definições da morte,
o presente é um enorme ponto de interrogação
que ora me aperta o pescoço ora me namora à porta de casa...
Podíamos nascer com um guião na mão
mas não era a mesma coisa, pois não?
Gostamos de cometer erros,
de experimentar a dor,
de aprender que desconhecemos o Amor
e ainda assim nos perdemos por Ele...

In" Purpurinas"

(...) Os lábios dela proferiam nuvens, sonhos almofadados que contrastavam com a dureza da vida!
Ela ria-se de uma forma desajeitada e genuína como se os ombros fossem asas prestes a descolar que se fossem soltar do corpo e os cabelos fios de luz a cegar a razão de todos os homens...
  Ele fumava, olhava-a  discretamente pela esquina do olhar, evitando as avenidas da íris para não perder o Norte, o Sul e todos os pontos cardeais, se por delicioso acaso os olhos dele ousassem cruzar os dela.  Em algum lugar do mundo deveria estar a nevar e por momentos ele julgou ver cristais a pousarem nela ou talvez fosse apenas o céu a sacrificar as estrelas, sem piedade, a ajoelhar a noite aos seus pés, inebriado e embriagado com as suas gargalhadas. (...)

sábado, 24 de novembro de 2018

Love of my so many lifes...

Sinto que perco um pouco de mim em cada dor,
no desmembramento daquilo que sou
quando dou horizontes e recebo muros de volta...
Vivo à solta,
errante,
amante,
confiante que tudo tem um objectivo e um saber
que podemos não compreender no imediato...
Há um hiato dentro de ti,
algo que te come por dentro e que projectas como arma.
Nunca te pedi nada.
Eu aceito de peito aberto
o momento certo de cada encaixe
neste puzzle encruzilhado a que chamamos vida.
Não há coisa que rebaixe mais a condição humana
do que a incapacidade de ter fé no que sentimos...
Pedimos Amor, Felicidade, compreensão
e depois quando chega fechamos o coração...
É o medo que nos cega,
mais nada.
Estou cansada de arrancarem bocados de mim,
de quererem só um bocadinho,
de me sentirem só para saber como é...
Não sou um animal exótico,
preso numa jaula,
em exposição,
num zoo qualquer...
Sou uma mulher que nem sequer gosta de animais presos...
Estou farta de pesos,
de dúvidas,
de ser uma experiência diferente como um sabor de gelado...
Quero mais,
quero tudo,
quero o que mereço!
Ou então quero silêncio e luto,
porque não luto por mortos
e prefiro dar-me como vencida...
Só resisto e insisto enquanto tenho a confiança
que ainda há esperança,
 que ainda há vida.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Silentio innocentium...

Perdi-me no rasto de um relógio,
esse amordaçar do tempo que nos torna efémeros...
Nunca gostei de ponteiros a comandar a minha vida,
carrascos implacáveis que só nos lembram a realidade cruel
da vida,
feita papel de embrulho,
cheia de entulho,
sem nada para nos oferecer para além da Morte...
Há poemas que não se escrevem,
há palavras que não se dizem
e há amores que não têm de ser...
Não podemos ter tudo o que queremos,
Amor, minha dor deliciosa...
Amar às vezes é deixar partir antes de destruir alguém...
Eu sei...
Um dia, noutra vida,
num sonho qualquer,
quem sabe...
Não me cabe ser o principio do teu fim,
gosto demasiado de ti para o fazer.



terça-feira, 20 de novembro de 2018

In "Purpurinas"

Ela já tinha vivido muitas vidas, já tinha viajado por constelações de olhares perdidos, beijado lábios-satélite, explorado corpos celestes, era uma galáxia completa cheia de estrelas por descobrir e planetas ávidos de vida! Nos seus mil-mundos não haviam fronteiras e o amor era a fluidez que viajava na velocidade-luz dos seus sonhos sem questionar objectivos, ou racionalizar utopias... Queria apenas viver esta ultima vez, intensamente, porque sabia que a vida é aquele sopro que um dia se cansa de ser brisa e sossega enquanto se desiste de existir... Sabia que o Amor não se pode ensinar, só se pode dar sem expectativas esperando que um dia ele subsista para além de nós e se torne na única linguagem possível!

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Dirty dancing revisited...

O orgasmo é a linguagem que os anjos emprestaram aos homens para entenderem a imortalidade e a inevitabilidade do amor, uma viagem, uma resposta, uma essência que a ciência jamais poderá dissecar, ou analisar com bisturis...

Não pertenço ao mundo dos mortais,
a minha punição é amar sem travão...
Preciso de mais,
tenho a ambição de roubar-te o chão
e ensinar-te a voar...
Toma o meu corpo,
quero saciar-te,
sentir o gosto de cada poro,
respirar o teu cheiro que adoro,
ter-te por inteiro
percorrer cada trilho teu com os dedos,
até que não existam segredos entre nós...
Ouvir a tua voz rente a mim,
assim,
respiração a galope,
coração em trote descompassado,
descontrolado...
Tatuar-me em ti,
marcar-te a fogo na alma
ser uma devastação consentida,
uma fome que não acalma
e consome a tua vida sem nunca te tentar mudar.


Dance with me, Johnny...


terça-feira, 13 de novembro de 2018

Lost in my arms...

Atiro-me contra o chão,
não quero o tempo que foge
e me escorre pelos dedos...
Choro,
moro em ti...
Não sabes onde cabes cá dentro,
este espaço devasso que desfaço
de cada vez que enfrento a realidade
e tento desistir.
Sentir é o vicio dos dementes,
mesmo que tentes fugir o Amor encontra-te sempre!
Queria pegar no mundo ao colo, agora,
ser a aurora de todos os teus despertares...
Respirar o teu cheiro,
sentir-te inteiro,
deixar que encontres a paz no meu corpo...
Não vás...
A vida é um sopro,
respira-a devagar...
Deixa-me amar-te,
provar-te, uma e outra vez,
até o teu sabor não me abandonar...
Não sei amar com limites,
desculpa...
O Amor é a minha lupa de aumentar,
exponência e potencia tudo até ao infinito!
E eu acredito que o presente é apenas o lugar e o tempo errado onde nos encontramos para nos perdermos no passado...

domingo, 11 de novembro de 2018

viciada em Sia...


Eye of the needle...

Sou a linha fininha que passa
e se trespassa para caber no pequeno orifício
do espaço que me reservas,
suplicio na noite,
 açoite sem lágrimas,
amor sem direito a dor no peito...
Não gosto de  rédeas,
nem cercas,
nem esporas...
Nunca me rendo,
 nem aprendo,
prefiro dançar de crinas à solta,
até embater no chão,
sem controlar a respiração...
E renascer a saber aquilo que preciso,
a loucura pura do riso que me cura,
me revitaliza e rivaliza com a crueldade,
lá fora,
onde ninguém adora nada...
Nunca fui de ninguém senão do vento
e do mar
e do ar que me envolve
na vida que contenho e liberto
de coração aberto,
sem medo de sofrer,
porque não viver dói e mói muito mais!
Fecha os olhos,
descansa a alma,
acalma essa dor que te acompanha,
se soubesses o que vejo quando te desejo...
Cada cicatriz que reconheci em ti,
cada angústia que pensas viver sozinho
e recompensas com muros à tua volta...
Meu cavalo à solta, tão cheio de sede
que mede a vida sofrida em conquistas egoístas...
Agulha que perfura a carapaça dura e sangra sem ninguém saber
que amar é a cura que não faz doer...

sábado, 3 de novembro de 2018

Sopa de letras

Há palavras destravadas que se atropelam na garganta,
receios, anseios, medos e segredos que tiram senhas para se lamentar à vez...
Quero encontrar a razão do perdão disto tudo,
os porquês das respostas repostas no fim de cada sentir...
Podia mentir e dizer que estava bem,
mas ninguém me perguntou sequer...
Tenho de parar de me sabotar a mim própria
e exigir tudo a que tenho direito...
O meu peito já não tem espaço para cravar mais farpas...
Preciso de um abraço, que dure cem mil anos!
Estou cansada da curiosidade mórbida e sórdida,
do compasso de espera que nunca traz paz alguma...
Estou tão cansada...
Deste nada que o mundo sobeja numa bandeja envenenada...