sexta-feira, 9 de março de 2018

A renúncia do Cuco...

O tempo não cura, nem apaga,
o tempo é apenas luto que luto para ultrapassar,
não sei chorar tudo, tenho que rir nos intervalos,
o choro é um mudo a mendigar atenção
a fazer sinais com as mãos,
perante a confusão dos demais...
Rir liberta-me e cura-me,
surpreende a minha capacidade
de reagir à realidade, sem fugir.
Ser só não é só estar sozinho,
é escolher um caminho
sem a sombra de alguém,
é escolher ser ímpar num mundo par.
Sou só mas não me sinto mais só do que o resto do mundo,
que no fundo também não se sente acompanhado,
ou aconchegado da solidão,
a condição humana engana o coração
e não sabe dar-se aos outros.
O Homem tem medo do Amor
como tem medo de estar sozinho...
E o medo é um muro à volta de quem somos,
sempre fomos escravos como passaros em gaiolas
sem usarem as asas a agradecerem o tecto das casas...
O tempo não cura, nem apaga
porque é apenas tempo e a mudança somos nós,
não é feita de ponteiros de relógio,
nem de um cuco sobressaltado,
hei-de Amar sempre porque sem Amor nada somos
e eu sinto que sou alguma coisa!

Sem comentários: