quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Câmara escura...

Tenho um choro desidratado estampado no sorriso,
uma felicidade, aparente, que sente a dor
como uma ameaça, que a trespassa em silêncio...
Não sei sofrer,
acho que no dia em que chorar tudo
não sobrará nada,
ninguém regressa do mundo dos mortos.
Dispo a tristeza, peça a peça,
arrepio-me de coragem e lavo-me...
A agua do mar purifica-me,
mesmo aquela que me lava o olhar,
deixo-me ficar a ver o céu
e a imaginar o teu rosto,
gosto que sejas o meu sonho furtivo!
Uma espécie de liberdade da piedade,
o contrário arbitrário do que sou,
o meu negativo...
Somos todos fotografias, rasgadas, à procura
de sermos reveladas numa, claustrofóbica, câmara escura
para nos tornarmos, tão só, no quadro da nossa vida
e acabamos tantas vezes numa moldura esquecida, cheia de pó....


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