As minhas pálpebras carregam o mundo nos ombros,
arrastam-se pesadas pelas rugas cansadas da minha face,
como gastrópodes obesos em descidas suicidas...
Aplaudo de pé todos os homens que amei,
porque me roubaram sempre o orgulho e a dignidade
sem me terem dado nada em troca...
A verdade é uma lamina com dois dedos molhados
que me penetra devagar,
obrigando-me a gemer baixinho
enquanto a sinto desbravar caminho...
Os homens são como orgasmos acidentados,
carnívoros vorazes a devorar-me o corpo
e a beberem-me os seios,
enquanto namoram uma Sagres...
Estou exausta e gasta,
farta de lhes passar a língua húmida no ego erecto,
cansada de ser o objecto perfeito
num leito abjeto...
A mão que embala o berço
da masturbação,
mereço mais.

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