domingo, 30 de dezembro de 2018

Tic tac...

Sinto os ponteiros deste ano a despedirem-se de mim
com um beijo leve de bons amigos que um dia dormiram juntos!
Tenho muito por que agradecer,
até as cicatrizes foram felizes descobertas
e não existem feridas abertas à espera de sarar!
O tempo não cura nada,
só a nossa loucura de viver nos pode trazer à tona d'agua!
Não existe mágoa, só gratidão,
por não encerrar o meu coração,
por tudo o que vivi ao longo deste ano,
por aquilo que descobri ser capaz,
pela paz de espírito que recuperei,
por nunca ter perdido o sorriso,
me ter permitido perder o juízo
e não me levar demasiado a sério!
A vida só tem sabor no mistério da mudança...
O amor acontece quando menos se espera
e também se perde por que ás vezes tem de ser
mas não temos que morrer por isso.
So temos o compromisso de o viver intensamente!
Há que acreditar que o futuro nos reserva outras surpresas
que é das incertezas que nascem novas possibilidades de felicidade,
que é da duvida que nasce sempre uma resposta!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Para que serve a Clave de Sol?

Toco-te, devagar,
leio-te como pauta,
cada toque um gemido,
nota,
dó sustenido,
piano de cauda,
partitura dura que me invade
e se evade na liberdade do desejo...
Beijo,
orquestra de sentidos,
ruídos abafados por gestos,
sombras chinesas coreografadas
em penetrações compassadas
sob olhares indiscretos...
Teu corpo letra de musica,
acústica perfeita,
mesa de mistura,
loucura, certeza,
minha cama desfeita,
onde peco,
sem castigo...
A dor de dizer Amor ao teu ouvido,
sem eco...


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

4:15, sem filtros...

Eu não amo o melhor das pessoas,
isso não é amor,
é proveito,
usufruto, nada mais...
Amar é ver o defeito,
o negrume, o queixume insuportável,
o luto irrespirável,
o execrável e vergonhoso
e saber que ainda assim, no fim,
aquela pessoa é mais do que isso
e é um vicio mantê-la por perto.
O Amor é o certo apesar do errado,
escolher o caminho apedrejado,
magoar os pés, a alma, o peito,
mas saber que o leito só faz sentido com aquela pessoa,
porque o nosso coração só se acalma a ouvi-la respirar.
O Amor magoa porque nos cura por dentro,
é sair de nós e entrar nos outros,
perder a nossa zona de conforto,
o nosso umbiguismo,
uma forma de masoquismo que é porto de abrigo,
ao mesmo tempo!
O Amor não é pão p'ra boca,
é trigo que tem de ser ceifado, debulhado,
triturado, amassado, levedado e cozido...
E esta vontade louca de abraçar alguém
que se tem ali, sempre,
todos os dias à nossa frente,
mas sabe sempre tão bem como da primeira vez...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Heart of glass...

Lágrima, esgrima da dor,
que nos conhece de cor
enquanto o pranto nos desenha o rosto
e o gosto a sal nos beija os lábios...
A paixão é o mal mascarado de bondade...
O teu corpo massacrado pelo desejo dos meus olhos,
beijo roubado, língua perdida,
vida que se recusa à mingua do medo...
Tenho um segredo para partilhar contigo...
Não consigo deixar de viver,
preciso de ser mulher,
prazer,
volúpia e angústia num turbilhão a perder de vista,
conquista que se avista,
derrota, após derrota, após derrota
e não se rende.
Aprende a lidar comigo, Amor,
descobre-me os gestos,
os afectos,
as iras e as rendições incondicionais...
Serve-me de consolo, de colo, de cama,
de açoite...
Enche-me o dia de noite na ânsia de te reencontrar,
conspurca-me de infância e de sonho...
Faz-me suplicar o teu nome, o teu toque, o teu corpo,
odiar-te e desejar-te numa esquizofrenia perfeita,
desfeita.
A paixão é o mal mascarado de idiossincrasia...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

120 dias ou mais...

Procuro, no escuro, a ingratidão,
servidão,
 momento inseguro de quem nasceu escravo...
Há um travo de traição
que não consigo perdoar...
Não havia motivo.
Um dia falaremos disto,
por agora não insisto.
A minha consciência
é tão transparente como a tua inconsistência...
A tua infelicidade é a prisão
onde encerraste o teu coração...
Um dia falaremos disto,
por agora analiso o cinismo...
Sempre odiei vitimas que se atiram para o chão.
Sim, errei, confiei,
acreditei que havia uma razão...
Associei tudo à tua perda...
 Um dia falaremos disto,
ou então não,
desisto,
vai à merda!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

....

   (...) O sorriso dela era porto onde ele nunca tinha atracado, um rumo difuso que só trazia incertezas... A beleza tantas vezes reside no olhar, naquele alçapão que nos transporta pela mão até ao profundo da alma, nos abraça e diz que já chegaste a casa. 
Ela tinha a inocência de quem acha que viver é um instante, ele de semblante sempre carregado, transportava o mundo nos ombros, demasiado ocupado a pensar viver depois... 
Estavam os dois errados, a vida acontece naquele crepúsculo em que o amor nos anoitece e embala, nem demasiado cedo, nem  demasiado certo, nem demasiado tarde. 
Fala-me de ti, pediu ele, ela encolheu os ombro e disse sou um livro, a descoberta daquilo que sou começa na tua leitura. (...)

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Bismillah

Quero a vida bebida de um trago,
um rasgo de loucura,
uma tortura deliciosa sequiosa de prevalecer além-razão.
Gosto que o chão me fuja de quando em vez.
De enfiar os pés em areias movediças
só pelo prazer de escapar mais tarde.
O Amor é fogo que queima e arde
e eu material combustível,
inacessível a lareiras desinteressantes.
Odeio meios termos, 
Amores mornos
de fornos a meio gáz ...
Preciso de fogo, 
de lume, 
de ciúme, 
de voracidade e necessidade.
Preciso de me sentir prioridade!
Preciso de roupas arrancadas,
de palavras tontas,
de juras idiotas,
de abraços intermináveis...
De serenatas ao luar,
de ser musa, de ser musica, de ser mar!







domingo, 2 de dezembro de 2018

Try to catch the deluge in a paper cup...

Desço as escadas até ao fundo de mim,
no fim da essência,
onde a paciência outrora morou…
Quero o agora,
estou cansada deste nada
que sobra na vida engasgada de futilidades.
Se eu morresse hoje o que mudaria no mundo?
Haveria um profundo silêncio?
As árvores perderiam as folhas?
O mar imenso aquietava-se?
Repensarias as tuas escolhas?
Não.
A minha existência é insignificante,
um acaso errante de átomos...
Somos sintomas do acaso, Amor... 
Aves migratórias com oratórias perfeitas,
desfeitas pelas dores da vida,
a voar por obrigação genética,
numa perdição profética que nos recusamos a ver...
Ás vezes preciso de chorar,
para deixar escorrer o que já não cabe...
o amor não sabe o que me faz,
é uma criança egoísta que não se cansa de ser protagonista...
E eu preciso de paz.






Simurgh

A tristeza do mundo é um manto nos meus ombros,
vasculho os escombros dos outros,
ávida de esperança...
Perdi a confiança na evolução humana
que olha uma criança com total desapego
só porque o tom da pele não combina com a ambição
da decoração da sua casa de catalogo,
que vai à missa confessar pecados superficiais
porque acha que os mortais não são pecados...
Que dá um pacote de arroz trinca para o banco alimentar contra a fome
e come a escravatura do mundo com talheres dourados...
Quero a loucura dos que gritam e se agitam porque não se encaixam
e não se acham melhores do que os pobres,
porque sabem que somos todos mendigos do Amor...
Odeio Nobres de sentimentos,
caridosos sequiosos de holofotes...
Quero a simplicidade das coisas,
o reconhecimento do olhar a empatia que resolve quase tudo...
As agonias do mundo civilizado
poluído pelo ruído dos bancos a tilintar moedas
e a destruir vidas sem sentir nada...
Se Deus nos fez deve chorar todos os dias...



sábado, 1 de dezembro de 2018

Lost and found

Tactuo o chão
à procura do coração que deixei cair
num sentir impossível qualquer.
Há uma mão invisível que tento alcançar,
no escuro,
seguro a voz e o nó na garganta,
esta vontade tanta de chorar...
Mascarar a alma de tranquilidade e calma,
a mente mente-nos sempre...
Gosto da nudez que o silêncio nos fez,
esta transformação que nos acolheu
num céu cinzento da nossa personalidade...
É nos dias tristes que conhecemos melhor os outros...
Tento despir-te...
(Mas tu insistes em usar armaduras como se fosses caçar dragões todos os dias...)
Não te escondas,
não mordas aquilo que és,
sempre em bicos de pés para seres igual a toda a gente....
Quem quer ser um rosto fosco na multidão?
Sinto a tua mão, no escuro,
seguro-te e digo que te amo, baixinho...
Encontro o meu coração, estava contigo.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

wounded birds...

O meu rosto é uma gota de orvalho a humedecer a noite,
um rasgo de emoção que o coração deixou escapar
e tenta segurar para permanecer trancado...
Há um recanto de nós que nunca foi explorado
e não tem mapas ou placas de sinalização.
Sempre que choro há uma parte de mim
que parte para sempre,
de mochila às costas,
sem olhar para trás.
A solidão faz falta
e nunca me falhou...
A multidão é apenas ruído,
acéfalos a bater palmas
num espetáculo sem nexo...
Sexo de anjos assexuados que nunca amaram,
só se preocupam com espelhos
e vivem a vida toda de joelhos...
Preciso do silêncio que se partilha
quando me canso de ser ilha selvagem!
Do beijo que diz tudo,
do desejo que é mais do que um sonho
e alcança uma realidade palpável,
exequível,
simples, tranquila,
uma esperança alcançável,
que me permita respirar em todos os intervalos
e não me omita de mim mesma para segurança dos outros.




terça-feira, 27 de novembro de 2018

Nocturno de Chopin...

Existe um vão de escada
entre a tua alma e o mundo lá fora,
uma aurora nublada encharcada de incertezas
que te faz questionar constantemente
a diferença entre rumo e fumo.
A mente é um beco sem saída,
um ruído de fundo,
um poço profundo
poluido por milhares de corpos mortos
que flutuam, inchados, à superfície...
Não percebo as vicissitudes da vida,
nem concebo as definições da morte,
o presente é um enorme ponto de interrogação
que ora me aperta o pescoço ora me namora à porta de casa...
Podíamos nascer com um guião na mão
mas não era a mesma coisa, pois não?
Gostamos de cometer erros,
de experimentar a dor,
de aprender que desconhecemos o Amor
e ainda assim nos perdemos por Ele...

In" Purpurinas"

(...) Os lábios dela proferiam nuvens, sonhos almofadados que contrastavam com a dureza da vida!
Ela ria-se de uma forma desajeitada e genuína como se os ombros fossem asas prestes a descolar que se fossem soltar do corpo e os cabelos fios de luz a cegar a razão de todos os homens...
  Ele fumava, olhava-a  discretamente pela esquina do olhar, evitando as avenidas da íris para não perder o Norte, o Sul e todos os pontos cardeais, se por delicioso acaso os olhos dele ousassem cruzar os dela.  Em algum lugar do mundo deveria estar a nevar e por momentos ele julgou ver cristais a pousarem nela ou talvez fosse apenas o céu a sacrificar as estrelas, sem piedade, a ajoelhar a noite aos seus pés, inebriado e embriagado com as suas gargalhadas. (...)

sábado, 24 de novembro de 2018

Love of my so many lifes...

Sinto que perco um pouco de mim em cada dor,
no desmembramento daquilo que sou
quando dou horizontes e recebo muros de volta...
Vivo à solta,
errante,
amante,
confiante que tudo tem um objectivo e um saber
que podemos não compreender no imediato...
Há um hiato dentro de ti,
algo que te come por dentro e que projectas como arma.
Nunca te pedi nada.
Eu aceito de peito aberto
o momento certo de cada encaixe
neste puzzle encruzilhado a que chamamos vida.
Não há coisa que rebaixe mais a condição humana
do que a incapacidade de ter fé no que sentimos...
Pedimos Amor, Felicidade, compreensão
e depois quando chega fechamos o coração...
É o medo que nos cega,
mais nada.
Estou cansada de arrancarem bocados de mim,
de quererem só um bocadinho,
de me sentirem só para saber como é...
Não sou um animal exótico,
preso numa jaula,
em exposição,
num zoo qualquer...
Sou uma mulher que nem sequer gosta de animais presos...
Estou farta de pesos,
de dúvidas,
de ser uma experiência diferente como um sabor de gelado...
Quero mais,
quero tudo,
quero o que mereço!
Ou então quero silêncio e luto,
porque não luto por mortos
e prefiro dar-me como vencida...
Só resisto e insisto enquanto tenho a confiança
que ainda há esperança,
 que ainda há vida.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Silentio innocentium...

Perdi-me no rasto de um relógio,
esse amordaçar do tempo que nos torna efémeros...
Nunca gostei de ponteiros a comandar a minha vida,
carrascos implacáveis que só nos lembram a realidade cruel
da vida,
feita papel de embrulho,
cheia de entulho,
sem nada para nos oferecer para além da Morte...
Há poemas que não se escrevem,
há palavras que não se dizem
e há amores que não têm de ser...
Não podemos ter tudo o que queremos,
Amor, minha dor deliciosa...
Amar às vezes é deixar partir antes de destruir alguém...
Eu sei...
Um dia, noutra vida,
num sonho qualquer,
quem sabe...
Não me cabe ser o principio do teu fim,
gosto demasiado de ti para o fazer.



terça-feira, 20 de novembro de 2018

In "Purpurinas"

Ela já tinha vivido muitas vidas, já tinha viajado por constelações de olhares perdidos, beijado lábios-satélite, explorado corpos celestes, era uma galáxia completa cheia de estrelas por descobrir e planetas ávidos de vida! Nos seus mil-mundos não haviam fronteiras e o amor era a fluidez que viajava na velocidade-luz dos seus sonhos sem questionar objectivos, ou racionalizar utopias... Queria apenas viver esta ultima vez, intensamente, porque sabia que a vida é aquele sopro que um dia se cansa de ser brisa e sossega enquanto se desiste de existir... Sabia que o Amor não se pode ensinar, só se pode dar sem expectativas esperando que um dia ele subsista para além de nós e se torne na única linguagem possível!

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Dirty dancing revisited...

O orgasmo é a linguagem que os anjos emprestaram aos homens para entenderem a imortalidade e a inevitabilidade do amor, uma viagem, uma resposta, uma essência que a ciência jamais poderá dissecar, ou analisar com bisturis...

Não pertenço ao mundo dos mortais,
a minha punição é amar sem travão...
Preciso de mais,
tenho a ambição de roubar-te o chão
e ensinar-te a voar...
Toma o meu corpo,
quero saciar-te,
sentir o gosto de cada poro,
respirar o teu cheiro que adoro,
ter-te por inteiro
percorrer cada trilho teu com os dedos,
até que não existam segredos entre nós...
Ouvir a tua voz rente a mim,
assim,
respiração a galope,
coração em trote descompassado,
descontrolado...
Tatuar-me em ti,
marcar-te a fogo na alma
ser uma devastação consentida,
uma fome que não acalma
e consome a tua vida sem nunca te tentar mudar.


Dance with me, Johnny...


terça-feira, 13 de novembro de 2018

Lost in my arms...

Atiro-me contra o chão,
não quero o tempo que foge
e me escorre pelos dedos...
Choro,
moro em ti...
Não sabes onde cabes cá dentro,
este espaço devasso que desfaço
de cada vez que enfrento a realidade
e tento desistir.
Sentir é o vicio dos dementes,
mesmo que tentes fugir o Amor encontra-te sempre!
Queria pegar no mundo ao colo, agora,
ser a aurora de todos os teus despertares...
Respirar o teu cheiro,
sentir-te inteiro,
deixar que encontres a paz no meu corpo...
Não vás...
A vida é um sopro,
respira-a devagar...
Deixa-me amar-te,
provar-te, uma e outra vez,
até o teu sabor não me abandonar...
Não sei amar com limites,
desculpa...
O Amor é a minha lupa de aumentar,
exponência e potencia tudo até ao infinito!
E eu acredito que o presente é apenas o lugar e o tempo errado onde nos encontramos para nos perdermos no passado...

domingo, 11 de novembro de 2018

viciada em Sia...


Eye of the needle...

Sou a linha fininha que passa
e se trespassa para caber no pequeno orifício
do espaço que me reservas,
suplicio na noite,
 açoite sem lágrimas,
amor sem direito a dor no peito...
Não gosto de  rédeas,
nem cercas,
nem esporas...
Nunca me rendo,
 nem aprendo,
prefiro dançar de crinas à solta,
até embater no chão,
sem controlar a respiração...
E renascer a saber aquilo que preciso,
a loucura pura do riso que me cura,
me revitaliza e rivaliza com a crueldade,
lá fora,
onde ninguém adora nada...
Nunca fui de ninguém senão do vento
e do mar
e do ar que me envolve
na vida que contenho e liberto
de coração aberto,
sem medo de sofrer,
porque não viver dói e mói muito mais!
Fecha os olhos,
descansa a alma,
acalma essa dor que te acompanha,
se soubesses o que vejo quando te desejo...
Cada cicatriz que reconheci em ti,
cada angústia que pensas viver sozinho
e recompensas com muros à tua volta...
Meu cavalo à solta, tão cheio de sede
que mede a vida sofrida em conquistas egoístas...
Agulha que perfura a carapaça dura e sangra sem ninguém saber
que amar é a cura que não faz doer...

sábado, 3 de novembro de 2018

Sopa de letras

Há palavras destravadas que se atropelam na garganta,
receios, anseios, medos e segredos que tiram senhas para se lamentar à vez...
Quero encontrar a razão do perdão disto tudo,
os porquês das respostas repostas no fim de cada sentir...
Podia mentir e dizer que estava bem,
mas ninguém me perguntou sequer...
Tenho de parar de me sabotar a mim própria
e exigir tudo a que tenho direito...
O meu peito já não tem espaço para cravar mais farpas...
Preciso de um abraço, que dure cem mil anos!
Estou cansada da curiosidade mórbida e sórdida,
do compasso de espera que nunca traz paz alguma...
Estou tão cansada...
Deste nada que o mundo sobeja numa bandeja envenenada...

domingo, 28 de outubro de 2018

Casados à primeira vista (sim, vi o programa e os diários tb, shame on me!!!)

Dave e Eliana:
Gostei do casal, o mocinho parece mesmo empenhado, têm os dois piada e uma boa dinâmica.
 Ele: Cortava-lhe o penteado a Son Goku (kameeee hameee) e dava-lhe medicação para a cistite (anda sempre com as mãozinhas à frente como se estivesse sempre aflito para fazer xixi...) Mas gosto muito dele!
Ela: Gosto dela, acho que se tem aquela melhor amiga só pode ser boa pessoa!


Sónia e João:
Opá... Coitadinhos...
O Rapaz tem um ar tão bonzinho, ela tem ar de quem atropela velhotes na passadeira just for fun!
Vão ser obviamente muito felizes (not)!
Ela: Quer pinar é o padrinho dele, deve ter ouvido a expressão padrinho à espanhola e como gosta de viajar pareceu-lhe bem!
 Ele: Ninguém da produção lhe disse que cortar o cabelo e retirar aquela farófia que tem no cimo da cabeça era uma óptima opção, porquê, porquê?

Ana e Hugo:
As preces do Hugo foram ouvidas, ela tem mamas!!!


Graça e José Luis:
Opa mas que bom ar tem o Senhor, as amigas dela andam possuídas pelo demónio e vão colar-se à lua de mel, afinal as amigas são para essas coisas, pensam elas!!
 Ele: Usa serúm nos olhos, ninguém com 56 anos tem a zona peri-ocular tão lisa sem fazer um serunzinho, a Graça tem sorte ele lava-se mesmo!
Ela: A Graça pode dar graças o senhor toma banho, mas tem de ter cuidado com as amigas que já lhe andam a perguntar se ele é casado!!

Meant to be?

Nunca me desiludi com o Amor,
nunca me despi dele para vestir a dor a seguir...
O Amor reside na certeza
que espalho nos outros quando os abraço
e os alcanço, sem medo...
O segredo da minha leveza
sempre foi saber que dura para sempre,
sem cura,
sem morte aparente,
mesmo quando ausente...


segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Incoming call

Acaso que se curva perante a turva errante visão do ocaso,
teus braços num nascer de dia qualquer,
sem saber os passos que ficam para depois...
Nós dois
perdidos nos sentidos um do outro!
A tua voz mel  a acariciar-me a pele,
rouca,
a tirar-me a roupa sem me tocar,
o teu respirar descompassado
a beijar-me em todo o lado...
O meu corpo medido em palmos,
na intensidade de cada gemido,
mastro erguido...
Desejo que rouba o lastro à minha razão...

sábado, 20 de outubro de 2018

Different Corner

Dedilho cada poro do teu corpo num acordar suave,
meu piano cansado de tocar partituras duras
de vidas interrompidas...
Amo-te devagar,
deixo-te respirar entre cada silaba desta frase feita trave de suporte:
"Tudo passa, meu amor!"
Perdoei-te muito antes de me perdoar a mim,
sou sempre muito mais exigente comigo.
Faz do meu corpo porto de abrigo,
quero ser o mar que te envolve
 e te devolve  cansado de tanto prazer...
Quero-te ver para além do olhar...
Meu barco ancorado a temer as vagas,
porque não apagas os olhos no meu colo?
Os sonhos sempre foram esboços nossos, Amor...
Podíamos ter vagueado sem nunca nos termos encontrado
nesta esquina da sina...
O destino tem um sentido de humor
que a lucidez desconhece...
Adormece, outra vez, meu Amor!


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Since I don't have you...

Sinto saudades do sabor do beijo de Amor que nunca demos,
das juras que fizemos
patéticas e proféticas
como são sempre as juras puras dos apaixonados
quando o para sempre é sempre tão breve...
Sempre...
Cai neve cá dentro, lá fora chove...
Já ninguém ouve a chuva com o mesmo entusiasmo...
Vai Amor,
a dor sempre me fez companhia e nunca me senti vazia por causa disso!
Esse marasmo que escolheste vai acabar por te matar,
um dia...
Pensas que morreste para mim,
mas eu escolho deixar-te viver,
aqui,
onde te senti feliz pela ultima vez!
Para mim sempre fez mais sentido
esquecer como acabou
e lembrar-me de porque começou!
Não te sintas arrependido por tudo o que (não) me disseste,
o passado não se refaz nem se desfaz em desculpas,
nem de facas afiadas que me apontaste
e acabaste por espetar em ti...
O Homem que foste ontem morreu no nascer da madrugada
e eu não espero nada de um Homem morto...
O futuro a Deus cabe
e Deus não sabe nada de arrependimentos,
ou de sentimentos,
apenas de perfeição,
e nós não somos perfeitos, Amor!






domingo, 14 de outubro de 2018

Caçadores furtivos

Há um epicentro de cimento dentro de mim,
uma espécie de edificação em marfim
que ceifou a vida a manadas de elefantes
e outras espécies protegidas...
Antes havia o sonho,
agora o conforto da distância
e esta ânsia de me converter à solidão.
Não suporto mais ficar à espera,
antes só do que este nó constante na garganta,
escolho ser feliz nos meus termos,
no meu tempo,
sem a imposição da desilusão alheia...
Estou cheia e completa,
numa felicidade discreta mas confiante.
O esforço não compensa o sacrifício,
o oficio de servir os outros e continuar sem sentir...
Preciso de me ouvir,
de me escutar,
de me respeitar mais...
A paz não se procura lá fora,
numa madrugada semi-partilhada,
semi-perfeita,
semi-quase-nada...
Eu não quero que me completem,
quero que me aceitem!


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Guilty pleasure...


Hipnagogia

Agarro o meu coração na mão,
 a força vai diminuindo
enquanto o estado de consciência se apaga,
 draga tudo o que me rasga cá dentro
e arrasta a minha essência num grito mudo…
Estou cansada.
Estamos condenados,
seres egoístas a regatear conquistas irrisórias
enquanto vasculham as histórias uns dos outros...
Quero despir-me e nadar no mar,
purificar-me e amar-me ali mesmo!
Encher os pulmões de agua até me habituar
a respirar fluídos outra vez…
Não pertenço aqui.
Anjo da guarda que guarda a minha dor,
vamos escrever Amor na cor do céu!
Tu e Eu...
Quero-te nu a beijar-me devagar,
preciso de sentir que Amar não é mentir a mim mesma
e é possível,
mesmo na demência
de me recusar à dormência do mundo desenvolvido…
Faz amor comigo!
Larga as asas e nada!
Quero o sabor salgado da tua pele,
o fel da humanidade não é a nossa verdade,
foste feito para Amar,
salvar o mundo um leito de cada vez!
Deixa-me dormir nos teus braços
antes de ouvir os passos da inevitabilidade
de ter de continuar a enterrar os meus pés
na lama do mundo onde as marés não governam…
Onde os homens não Amam…
Onde os homens não sonham...


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Ponto Cardeal

Ás vezes sou um sopro que viaja a lamber o céu,
o inicio do véu da noite que destapa as estrelas,
o vicio de morder os lábios de alguém...
Sou o todo que se confunde com o tudo
 e se funde com o universo,
o verso que ama a estrofe,
o Amor que nos entope as veias!
Sei que no final há um sinal
que nos abranda e nos manda de volta a casa,
nos devolve a asa e nos envolve de tranquilidade...
Sei a verdade de todas as coisas,
só desconheço o preço que tenho a pagar...
Gosto de Amar,
de me envolver no cheiro dos outros
como se fosse um primeiro beijo suave e doce!
A minha fragilidade aparente
sente a força de cada lágrima,
sou abraço e aço de esgrima
a trespassar e a mergulhar em ti!
Tudo tem um sentido que vai além do desconhecido,
um rumo envolto em fumo,
a ânsia mórbida e sórdida de saber o fim...
o Amor é o único ponto cardeal
que tenho em mim
o retiro espiritual que nos salva constantemente
da semente da irrelevância!


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Eu te I love you!

Lambo-te as lágrimas, devagar,
cada gota saboreada nos meus lábios,
cada dor s-o-l-e-t-r-a-d-a nos meus sonhos...
Ergo-te e ajoelho-me a chorar por ti,
descansa meu Amor,
estou aqui a trocar de lugar contigo...
Somos isqueiros acesos,
presos em chamas violentas,
eu sei que não aguentas mais
e ainda assim não reclamas de nada
sempre que me chamas de Amor...
A vida é tramada mas juntou-nos...
Vou cuidar desse mar no teu olhar,
hoje és areia molhada,
amanhã serás de novo rebentação,
meu coração desfeito a soluçar dentro do peito...
Gosto tanto de ti...
Minha tormenta atormentada,
princesa sem castelo ou flores no cabelo...
Estou aqui a dar colo,
a lamber-te as feridas nas próximas mil-vidas
que te destruírem...
Nasceste árvore em solo crispado de pedras
e ainda assim teimas em dar sombra aos outros...


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Burn baby burn!

Dispo-me,
a roupa desliza pela pele lisa,
baixo as luzes
e imagino que me seduzes com o olhar,
começo-me a tocar,
os meus dedos conhecem-me de cor,
mordo-me e sinto o sabor a desejo
como se desse um beijo violento,
olhos fechados,
os joelhos dobrados a roçar um no outro,
mamilos erguidos,
gota que escorre até ao umbigo,
quando consigo finalmente respirar...
Gemo,
 tremo por dentro,
conheço-me,
meço-me na resistência,
ainda não,
um pouco mais devagar,
posso esperar o tempo que quiser
e recomeçar tudo outra vez,
sei que me vês na tua imaginação,
constantemente,
de sexo na mão,
demente por não me poderes tocar,
porém,
rio-me com desdém
a imaginar a tua frustração!
Nua,
suada,
saciada,
sem precisar de ti para nada!



quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Nenúfar

Anjo de uma só asa que me abraça e me morde o pescoço
peço-te perdão,
pelo teu esforço, em vão,
eu sei que tenho o condão
de transformar a ilusão em solidão...
 Sou uma Pétala caída e esculpida em falta,
flauta que suspira enquanto respira saudade,
ansiedade,
absinto quando me sinto embriagada...
Janela com vista para o nada,
substrato em terra infértil,
extrato de banco sem saldo,
projéctil que me atinge
e finge ser Amor...
Dor.
Nenúfar rasgado ao meio
a deixar-me afogar
sempre que me castigo
a procurar abrigo em alguém...
Não existe ninguém.
Meu Anjo infeliz que me diz ao ouvido
que está preocupado comigo...
Tu não tens culpa de nada,
sou apenas uma pétala rasgada,
de uma flor que perdeu a cor há algum tempo...

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Fire meet gasoline!

Fogo,
 combustível que me consome
 e some entre pensamentos inquietos
devorando tudo,
imundo mundo de conflitos, sons escritos a saliva,
esquiva que nos desenha e arranha a voz...
Desejo é o beijo que mata
e nos maltrata a razão...
Combustão do corpo inquieto,
incerto momento de entrega,
fúria cega de chamas
quando me chamas de Amor,
dor, violência,
urgência e paixão...
Chão que foge,
gasolina a arder e coração a bater em galope permanente,
alma demente que ensina a mentir,
mão urgente,
fôlego quente,
penetração, sofreguidão,
sentir-te a pulsar cá dentro
no momento em que até o gemido se morde
e nos arde a pele com cheiro a mel e suor
vigor e poder,
poder dizer que te amo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

40º à sombra

Respiro devagar como se cada sopro meu
fosse uma viagem de longo alcance
que num relance,
 num rasgo de sorte
te alcançasse
e te beijasse devagar!
Quero perder o Norte contigo
e o Sul
e todos os pontos cardeais...
Sempre amei demais,
com uma fúria adocicada
que herdei de outras vidas conturbadas...
Quero arrancar-te a roupa e a culpa
e conhecer de cor o teu cheiro,
sentir-te inteiro e fragmentado,
rendido e perdido em mim...
Assim,
na urgência de um desejo ruim
 de tão certo...
Prazer a gemer por dentro,a gritar,
a implorar
a render os nossos corpos,
mortos de tão soltos e revoltos,
um no outro!
Quero-te perto,
colado,
encaixado,
derrotado de cansaço
quando o abraço por fim ceder...

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Ambição

Tenho a alegria das coisas simples,
a minha ambição não cabe na mão nem no bolso,
prende-se com as coisas pequenas que não cabem em números...
Tenho apenas o dever de querer bem aos outros,
de amar e perdoar para seguir o meu caminho...
Nunca devemos lamentar o carinho que oferecemos,
aquilo que demos,
as nossas entregas cegas...
Amar é a única arte perfeita
feita da melhor parte que extraímos
e dividimos com o mundo!
O Amor é o profundo
e o profano unidos sem engano,
ou dúvida!
É a certeza de que somos maiores
e melhores do que acreditamos ser...
Se morrer hoje,
não chores por mim
porque vivi sem arrependimentos,
com os sentimentos explorados,
sem serem poupados de nada!
 Conheci a dor o Amor e a Morte
e a tão grande sorte de experimentar a vida!
Morro envolvida e devolvida ao Universo,
morro como um verso que termina
em rima!

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

...

Já morri centenas de vezes,
já me reergui outras tantas...
Ás vezes sinto que minto a mim própria
quando digo que sou feliz
e consigo sorrir...
Devia desistir e descansar
pelo menos uma vez...
Não me posso remendar mais...
Estou tão cansada
do nada à minha volta,
deste vazio frio que me asfixia,
da agonia de sentir tudo
como se o mundo me devorasse e destroçasse
de dentro para fora...

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Adeus, não demores os teus sonhos nos meus...

Não sei que verdade existe
numa amizade que desiste,
na mão que se desenlaça,
como quem abraça,
sem vontade...
Amei-te sempre,
profundamente,
e de todas as maneiras que se pode amar alguém!
(As crianças sabem sempre amar melhor,
porém...)
Perdemos-nos para sempre...
Sempre que me foge um amigo,
cresce este luto comigo,
a dor da impotência da dormência que castiga
e me mastiga por dentro...
Amor, sabes o que significa?
Sabes sequer o que implica?
A dor não te toca?
Sufoca...
Morre nos braços meus,
Meu Amor...
Adeus...
Não demores os teus sonhos nos meus...
Amor,
palavra que me encortiça a boca sedenta de justiça...
O meu corpo não te provoca?
Sufoca, teme os devaneios...
Geme de desejo,
Meu Amor,
Não demores o teu beijo nos meus seios..
Adeus.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O teu nome? Meu Amor...

Não sei porque é que o tempo nos deixa rugas
enquanto passa e nos abraça de tristeza
com a destreza da insaciedade...
O Amor é a dor imensa que nunca compensa,
uma leviandade que custa tudo
e nos ofusca a razão...
O coração é a maldição que me torna aquilo que sou
sempre que me dou sem freio ou meio termo...
Nunca entendi a maldade gratuita,
a crueldade astuta e oportunista
que conquista para destruir...
Podes sorrir, ganhaste!
Não haviam defesas,
não haviam fraquezas,
apenas confiança pura
regada a uma doce dose de loucura...
Não me arrependo de nada,
e mesmo sendo nada,
sei que dei tudo,
a quem pensei que era tanto
e era nada,
no entanto...







quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Vai à tua vida (ahahah)!

Há uma dormência na inocência que se perde,
quando o coração cai ao chão e se parte...
Não há perdão,
não há mágoa,
não há dor,
apenas um vazio que fica e petrifica tudo
o que foi profundo...
Amor?
Para ti nem chega a ser palavra,
só manipulação que existe na tentação que insiste.
Fecho os olhos e respiro fundo,
o mundo continua um lugar bonito,
nada mudou por tua causa!
Acredito que a tua incapacidade
é a razão da infelicidade que transpiras
cada vez que inspiras todo o ar à tua volta...
Foge, a covardia cai-te tão bem,
nunca iria atrás de ti,
nunca corri atrás de ninguém...
Vive como puderes,
entre mulheres que não sabes amar...
Pobre de ti,
tão pequeno para saber,
nunca conseguiste de facto estar à altura,
que tortura  que deve ser!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Hey Now, hey now...



 Podias percorrer cem mil anos sem me encontrar,
mas há um lugar para cada um de nós,
onde o tempo se perde e a voz se reconhece!
A cadência da respiração é uma pulsação partilhada
e o nada é o mundo a abrir-nos os braços numa prece perfeita...
Ouço os passos do destino, num desalinho de alinhamento universal,
deita-te ao meu lado, vamos contar as constelações, devagar ...
Obrigar os ponteiros a serem pioneiros nesta rebelião
de não nos apressar o coração...
Meu Amor, minha dor maravilhosa!
Não sei se há bem maior no mundo,
do que o sentir profundo da entrega de alguém...
Meu Amor, minha palavra em letra crescida
que faz a vida parecer preciosa e breve...
Deixa que eu te leve, assim, pela mão,
o mundo é uma criança a fazer bolas de sabão...
💓

 

domingo, 9 de setembro de 2018

Stairway to Heaven

O medo é o maior inimigo do Amor, o medo de perdermos quem amamos e o medo de nos perdermos por quem queremos…

Não vou falar do amor que vem nos livros, 
retratado de uma forma pueril
onde as árvores que se agitam na loucura do tempo,
choram folhas douradas durante as intempéries…

O Amor é senil,
 nada tem de poético,
ou de ético
é o caos anárquico da emoção,
a esquizofrenia do coração...
O Amor não cabe em geometrias descritivas,
em tabelas de excel, 
ou facturações detalhadas…
É o sentir que nos faz desistir da razão!
Quero-te!
 Sem palavras ensaiadas, 
ou furtivas…
Quero o teu corpo sobre o meu, 
vezes e vezes sem conta,
numa afronta que ruborize o mundo,
quero aquilo que dura,
a loucura,
o profano, 
o profundo,
quero conspurcar a definição,
beber-te,
conhecer-te,
foder-te 
e adormecer-te depois
na exaustão de dois corpos que se fundem
e se confundem num só folego...

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Imortalidade

Procuro no escuro,
tacteando o futuro com as mãos,
entrego ao braille do coração
a razão de tudo o que faço...
Gosto de sentir o vento no rosto
saborear tudo como se a vida breve e leve
me estivesse a beijar pela ultima vez,
o tempo é a única coisa que tenho a certeza
que não terei muito tempo...
Quero sorver a vida e fazer amor com ela,
não quero desesperos,
nem remorsos,
nem culpas a carpir na minha lápide...
A dor passa,
as feridas curam,
mas a vida,
se não a despirmos,
se não a sentirmos,
a preencher cada poro,
cada fôlego,
cada instante,
se não for a amante que desejamos e amamos intensamente,
morre-nos por dentro,
nos dias que se tornam cinzentos...
O meu legado será sempre o amor demente que entrego a toda a gente!
Este sentir cego que não se assusta por poder sofrer,
porque viver sem Amar é estar morto sem saber...




quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Cosplay

Podia falar do cansaço das almas sensíveis,
do aço que trespassa,
do fracasso que compassa,
dos afectos invisíveis dos outros...
Mas as palavras são sobras de obras inacabadas,
terminadas antes mesmo de começar.
Estou exausta,
atiro a toalha gasta e encardida ao chão,
o meu coração não pode continuar a comandar a minha vida
porque só me traz a morte, mais nada...
Tenho a sorte de o poder encurralar
numa redoma de razão plastificada,
preciso de respirar devagar,
preciso de treinar a alma,
fazer da calma e da dormência um novo caminho de resistência!
Aprender a morrer um pouco,
para não morrer de todo.
Se alguém caminhasse sob os meus pés sentiria como me pesa cada passo
e como disfarço sempre tão bem...

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Ain't no mountain high enough...

Existem montanhas escondidas
nas almas perdidas dos sonhadores...
Dores que os ensinam que a sina de crescer
faz o tempo moer-nos por dentro...
Tento sempre crescer devagar,
sem vagar o meu lugar,
sem deixar de pertencer,
sem ter de deixar nada
na sombria encruzilhada de cada vida,
envolvida na minha linha delimitada...
Somos teias perfeitas em areias desfeitas,
ora aprisionamos os outros,
ora nos afundamos  em sopros fugazes...
Capazes de lutar até ao ultimo fôlego pelo que acreditamos,
vivemos, perdemos,
vivemos, erramos,
vivemos, amamos,
vivemos, morremos.


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A insustentável cegueira do Ser

Os olhos são rasgos do infinito
a conduzir as emoções que não entendemos…
Não sei expressar tudo o que sinto,
não analiso cada riso ou cada lágrima,
não podemos dissecar a nossa alma
em fatias completamente simétricas.
Os sentimentos são momentos que nos escapam,
cavalos a trote no peito,
leito da racionalidade rendida e perdida
 a dar tréguas enquanto entrega as rédeas!
Os olhos são os sábios que simplificam os lábios,
a nossa passagem secreta e directa para a alma dos outros,
o lugar mágico onde as almas se sentem e consentem!

Não há fim mais trágico ou desperdiçado
que um olhar que afaga,
 enquanto se apaga, 
assim, 
tão devagar ,
por nunca encontrar ninguém do outro lado...


domingo, 26 de agosto de 2018

Gin (a)tónico

Mata-me devagar,
alimenta-te de mim,
a minha morte eminente
é o que me torna diferente,
saberes que no fim
eu vou sufocar,
mas o prazer que te posso dar será satisfeito...
Crava-me os dentes no peito,
exibe-me como uma aberração maravilhosa,
afinal sou mais uma rosa que te pode picar...
Sou só mais um  Gin!
O que importa é fechares a porta atrás de ti,
eu rendo-me,
não aprendo...
Bebe-me de um só trago,
deixa o coração ao largo,
não me deves nada...
Eu estou tão cansada...
Tão cansada...
-E então?!



sábado, 25 de agosto de 2018

Atelophobia

O meu corpo tem kilometros de mar,
ondas saturadas de sal que me desidratam...
Um dia quis ser porto onde atracassem escunas,
um dia quis ser as dunas que te polvilham os sonhos...
Mas os dias são acasos a morrerem em ocasos,
nem sempre são aquilo que a gente deseja...
O meu coração almeja a paz
que a tranquilidade traz, devagarinho...
Nasci ímpar num mundo par,
a reconstruir-me um bocadinho todos os dias
e destruir-me completamente a cada minuto...
Luto contra este luto que me faz companhia,
esta protecção que me dá a mão,
afaga a cabeça e me levanta do chão.
Aconteça, o que acontecer,
nunca dependeu de mim,
não pelo menos agora...
A hora das escolhas foi quando o mundo não existia,
sequer,
ter escolhido ser mulher já foi demasiado audaz...
Um dia fecharei os olhos,
inspirarei pela ultima vez o mar,
verei tudo em perspectiva e assimilarei a paz...

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Hierarquia das necessidades de Maslow

A empatia é o primeiro degrau da felicidade
a humildade de reconhecer outro olhar
e aceitar, sem julgamento...
Somos todos escravos dos sentimentos..
Vivemos de olhos postos no passado ou no futuro e o presente
está ausente dos nossos sonhos.
Podia tocar, despir, devorar corpos sem rostos,
um prazer efémero e acessível a todos os mortais...
Porém quero mais,
sou orgulhosamente uma mente ambiciosa...
Acho que a nossa alegria é a magia de nos darmos aos outros,
sem reservas em entregas absolutas
mesmo sofrendo dores argutas,
ousando,
contrariando as estatísticas,
refutando a lei da fisica
porque às vezes a atração dos polos não depende só das características,
o coração às vezes tem mais peso que a gravidade!
A coragem reside na leviandade de te abraçar,
e sentir mais do que o tangível...
Afinal o impossível demora só um pouco mais a conquistar...



quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Mc Bacon

O mundo é feito de cadáveres bem maquilhados, as pessoas, hoje, só cheiram a morte e a filtros de selfies...

Quero o mundo servido numa bandeja com Valdispert,
estar triste é um luxo tão vintage que é quase obsceno...
Já ninguém tem um ego pequeno, o suficiente...
E eu tenho tanto, tanto sono...
Bocejo sem pudor,
a ver o Amor passar-lhes ao lado,
falando de trivialidades com ar de sabedoria da Maria...
Um beijo já não vale nada,
tudo é fast food,
o romance, o Amor até a dor...
Nada se vive,
tudo se desliza com o dedo,
sem medo que o tempo passe
e o coração se trespasse de vazio.
É preciso coragem para Amar,
para arriscar,
para se atirar de cabeça contra o chão...
É tudo frio, plastificado, descartável, reciclavel e alergico ao gluten!
Ninguém tem nada dos outros, nem nada de seu...
Metem uma máscara diferente todos os dias
e caminham, de alma vencida, rumo à Morte...
Má sorte ter sido Puta na outra vida...





domingo, 19 de agosto de 2018

50 Shades of pain

As emoções são borboletas frágeis,
voam nas margens da razão,
elevando o coração até uma morte certa...
Amo como escrevo,
de alma nua,
de peito aberto,
sem rumo certo...
A esperança é um rua vazia,
onde o silêncio ensurdece
quem passa.
A minha alma abraça os teu olhos
que perderam a capacidade de acreditar
que uma onda não apaga o mar...
Acredito que o Amor
é a dor sublimada em imortalidade,
a única verdade que interessa
e nos atravessa a rasgar os conceitos
que os nosso peitos aprisionaram...
Perdemos só o que nunca encontrámos,
cegos pelo pó do medo
e da arrogância que nos sobeja,
na ânsia de que a distância nos proteja de amarmos...
O Amor porém, não maltrata ninguém,
não anseia por ser a mágoa que rasa os olhos de agua,
não se escreve pela dor,
ou o horror de castigar,
Amar é pertencer,
ou morrer a procurar.






sábado, 18 de agosto de 2018

...

Não sei lidar com a dor, bloqueio tudo cá dentro e permito-me chorar um fragmento daquilo que me é suportável...

A minha cabeça é uma roda de hamster, gira numa velocidade esférica, até à exaustão...
Revejo a tua morte vezes e vezes sem conta, visualizo o sofrimento, a agonia, a solidão que sentiste por uma ajuda que não chegou a tempo...
Uma ajuda que não chegou, de todo...
Não merecias nada disto, que terás pensado nos últimos instantes enquanto te vias desamparado, com dores, sem conseguires articular uma palavra?
Quantas horas estiveste ali, ante a confusão dela,  que te enfiava agua à força, pela boca abaixo?
De queixo e braço partido, no chão, a dor dilacerante a esmagar-te o peito, o ar a entrar cada vez mais devagar, o corpo a desistir de tolerar o sofrimento?
Quantas horas?
Como me posso eu perdoar-me por uma coisa destas?
Como podemos todos perdoar-nos por uma coisa destas?
Como pode a vida de todos nós continuar, normalmente, depois de uma coisa destas...
O mundo é um lugar estranho.
A curiosidade de todos os que te foram destapar para observar o teu sofrimento, mais de perto...
O padre que falava de ti, sem te conhecer de lado nenhum e tinha de ler o teu nome para saber de quem falava.
Aquelas velhas bafientas que me vieram beijar e avaliavam cada lágrima com um prazer obsessivo enquanto tentavam adivinhar quem eu seria...
E eu, cheia de nojo, cheia de raiva, com vontade de gritar para desaparecerem todos dali e me deixarem sozinha contigo para te pedir desculpa...
Desculpa tio por não pressentir que precisavas de ajuda.
Desculpa.



quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Ultima dança

Foi contigo que aprendi a gostar de musica clássica, devia ter uns 9/10 anos, eu disse que era horrível e que não dava para dançar e tu mandaste-me ouvir de olhos fechados.
Dançavas a valsa comigo, adoravas dançar...
Tinhas montanhas de paciência para mim, para eu não enjoar no carro deixavas-me ir lá atrás, agarrada ao teu banco a cantar aos teus ouvidos!
Foi contigo que passei anos de férias na minha praia preferida, íamos juntos para a agua e ria-me de ti porque nadavas sempre de costas.
Morreste hoje.
Gosto muito de ti, vou gostar sempre, porque o Amor não acaba aqui, deves-me uma ultima valsa ao som do Pavarotti!



João Pinho 13/03/1935-16/08/2018

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Partitura ou condenação...

Respiro-te como pauta de musica,
articulando,
pausadamente,
o poder de cada nota,
quero sentir cada momento,
cada suspiro,
cada movimento,
aqui,
onde o tempo é barco sem leme...
Geme,
grita,
a vida se deixarmos fica sempre para trás,
aflita...
Traz contigo tudo o que consigo adivinhar,
há quanto tempo não fechas os olhos para ouvir o mar?
Respira como pauta de musica,
articula,
vorazmente
a loucura da orquestra,
sente os momentos todos,
contornos do meu corpo arqueado
enrolado no teu,
circulo perfeito,
peito em compasso certo,
o céu aqui tão perto,
erosão de desgaste consentido,
gemido após gemido...
Há quanto tempo não fechas os olhos para ouvir Amar?



sábado, 11 de agosto de 2018

Livre arbitrio

Há histórias escritas a carvão
pela mão do tempo,
palavras rasgadas pelas almas feridas
perdidas num momento de fúria...
Jura que o Amor é tudo o que preciso,
 jura não há juízo maior que a razão do Amor...
Um dia tive asas e escolhi morar aqui
entre os homens que não sonham,
entre os dementes que não amam,
entre os indiferentes que não vivem...
Escolhi ser destroçada vezes e vezes sem conta
na afronta de viver sempre fora do peito
e fazer do meu leito a cura do sofrimento...
Escolhi olhar dentro dos outros e beber-lhes a alma devagarinho,
sabendo que o único caminho da lucidez
é aquele que se trilha com o coração
e jamais com os pés...
Escolhi amar sem limites,
mesmo que nunca acredites ser possível.
Um dia, quando morrer, saberei que nunca precisei de asas para voar
e que Amar chega e não cega!





O tempo não cura, só atrasa...

Não procuro o contacto imediato das coisas frívolas,
a minha alma não se acalma com a superficialidade
da realidade furtiva,
cativa das aparências e indecências fugazes...
Se todos fossemos capazes de Amar,
de despir os medos e contar os segredos mais sombrios ao vento,
o mundo seria um lugar menos vazio...
Quero um Amor profundo,
um Amor voraz,
capaz de tudo,
louco,
infantil,
febril e solto!
Quero ser feliz,
intensamente,
imensamente,
obscenamente feliz!

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Sonho de uma noite de Verão..

Sinto todas as palavras por dizer,
a cadência da respiração,
a frequência cardíaca e mágica...
A saudade é um veludo delicioso,
desejoso de se exprimir e se expandir
pelo corpo todo!
Deus inventou o amor,
nós ensinamos-lhe o que fazer com ele...
O desejo é um beijo repetido
que ecoa em cada poro,
coro,
rio,
imagens que se repetem
quando os corpos se completam...
O Amor é o único sonho que nos mantém acordados,
desesperados por pertencer
e esquecer quem fomos...
 Somos ar quente,
sente
o chão a fugir,
Amor,
tens de te permitir enterrar a dor e soltar o pranto
porque dói muito mais resistir tanto...
As asas feitas de penas pertencem,
 apenas,
 a quem ousar Amar!




sábado, 4 de agosto de 2018

Asas partidas...

Há amores que já nascem em fase terminal,
contaminados pelo mal que herdaram de outras marés,
espraiam-se, demasiado cansados para formar ondulação.
Só queria molhar os pés, outra vez...
O meu coração nunca soube perder,
ou amar com cuidado,
tem medo de ficar trancado
na claustrofobia, de um dia, não sair nunca mais...
Sempre amei tudo,
o ar que respiro,
o mar que me comove,
os amigos que abraço,
e os amores que nunca alcanço...




terça-feira, 31 de julho de 2018

Um mundo melhor para os meus filhos

Sempre defendi os meus ideais de forma apaixonada, ás vezes violenta até, acredito convictamente que a maior doença do mundo é o preconceito, luto fervorosamente com os meus todos os dias.
Um dia alguém de quem gosto mesmo, mesmo muito, disse-me:
-Sou maricas...
Ninguém que desde criança tem uma opção sexual diferente pode ser maricas, ninguém... É preciso uma coragem imensa para a assumir perante o mundo, para suportar os olhares, os risinhos, a piadinha fácil e ainda assim escolher ser feliz!
Não devia ser tão difícil.
Não devia.
Não.
Mas é...
E ainda não têm os mesmos direitos que os heterossexuais que acham que podem decidir a felicidade deles, se podem casar, se podem andar de mãos dadas na rua, se podem ser pais...
Isto parece-me demasiado errado, eu não gostaria que alguém decidisse essas coisas por mim.
Eu quero que os meus filhos, um dia, possam assumir aquilo que são sem dependerem da tolerância dos outros.
Eu acredito, verdadeiramente, que um mundo mais simples é um mundo melhor.
Um mundo em que a opção sexual, a raça, a religião não definam os nossos direitos e o direito de outro decidir por nós, é este o mundo que luto (até comigo mesma, muitas e muitas vezes) para deixar aos meus filhos.

domingo, 29 de julho de 2018

You know nothing, Jon Snow...

Engulo o mundo num copo de vinho tinto,
o cetim das uvas esmagadas e adocicadas a embriagarem-me o palato...
Os gestos que se demoram e choram por atenção
numa ebriedade lenta e violenta...
Devoro o cheiro húmido do mundo,
o ruído branco do sexo,
reflexo de sonhos ao espelho...
Os homens não sabem nada sobre o amor,
mastigam-no quando o deviam sorver, devagar...
Gosto desta liberdade aparente,
da tempestade dormente que se faz cá dentro,
de analisar tudo e antecipar todos os cenários...
Há vários sonhos que sei que ficarão por sonhar...
Os medíocres, porém, nem ousam sonhar...
Quero a alma dos outros servida numa bandeja de prata,
estou farta que me esquartejem por dentro,
essa curiosidade mórbida de me ter...
Quero morrer a viver tudo,
todos os instantes, todos os fôlegos,
todos os gemidos,
a dar gargalhadas!
Os homens não sabem amar,
os homens não sabem foder...
Os homens não sabem absolutamente nada.

sábado, 28 de julho de 2018

Nights in white satin (revisited)

As minhas mãos são grãos de areia
que escrevem sonhos no teu corpo,
deslizam, perdem-se, espalham-se..
Somos ilhas desertas à espera de ser descobertas,
meu Amor,
palavra que enche a boca e me esgota por dentro...
O tempo são ondas a morrerem nos nossos pés,
marés soltas, bravias,
e vazias...
Meu corpo porto de abrigo
que te acolhe das vagas e te escolhe,
teu corpo barco perdido
a desbravar mar que não conhece
e se esquece de atracar...
Somos praias secretas à espera das ondas certas,
meu Amor,
palavra que me tira a roupa e me solta de mim!
O tempo são bolas de berlim
a lamberem-nos os dedos,
medos purificados em sal,
oração de mulheres que viram o amor partir para o mar
em madrugar de tempestade.
Saudade e liberdade abraçadas a chorar,
enquanto se penetram no chão...
Meu Amor,
palavra proibida proferida sem razão.




quinta-feira, 26 de julho de 2018

Tears in heaven...

O silêncio é um cubo de Rubik,
um enigma que me faz lamber quadrados...

Sinto que sou o maior enfado de sempre,
um passado sem história,
de memória curta...
Que escreverias na minha lápide?
Aqui jaz alguém que não faz falta...
Rio-me às gargalhadas para calar a sobriedade,
esta minha mania disfuncional de ver o que os outros nem sonham...
Sinto sempre todas as magoas do mundo,
como se ouvisse o sofrimento alheio,
o mundo está tão cheio de gente infeliz
que diz que está bem...
Estou cansada de entrelinhas,
de puzzles humanizados,
de melancolias industrializadas...
Quero a simplicidade da areia nos pés,
não quero resolver teoremas, ou dilemas macabros!
Quero viver e rir e amar,
agora,
sempre,
já!
Toda a gente ao pulos e aos saltos no meu peito,
sem refugios, sem espaços definidos,
sem limitações!
Amar porque faz sentido e é sentido obrigatório,
que se lixe o purgatório,
o céu, se quisermos, pode ser aqui!

quarta-feira, 25 de julho de 2018

O Amor não tira senha na segurança social...

Não se pode forçar o Amor, prende-lo pelos braços, amordaça-lo, impedi-lo de partir...
O Amor não parte, só tem de viajar quem ainda não chegou ao destino...


O Amor não é um corpo que nos chama na cama,
não é ter compatibilidade
ou a harmonia da empatia .
O Amor esventra-nos,
dilacera-nos,
morde-nos a alma, não se acalma com nada
e de repente abre as asas e devolve-nos tudo,
É uma criança mimada extremamente encantadora!
Não tem hora, não se espera, não se procura,
é a cura da doença que ele mesmo cria,
uma vontade voraz que não se faz por vontade,
uma bruxaria abençoada e idealizada nos céus,
que nos faz ver com os olhos de Deus...
Não é uma promessa que se esqueça ou que se cumpra,
não é minuta ou contrato que se celebre,
o  Amor é a caixa de Pandora que se abre,
e escorre, corroendo tudo,
uma força que não cabe nas leis físicas do mundo.
A musica que conduz a vida, a morte e o Sonho,
a vertiginosa euforia da alegria,
ou objectivo e motivo de todas as nossas penas,
apenas...

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Sina ou sinal de loucura..

Encontra-me nos braços doridos,
caídos, derrotados e magoados no chão...
Sê o colo que me resgata do solo,
a fragata que veleja onde sobejam as ondas!
Preciso de me perder,
de ser aquilo que nasci para cumprir...
Estou farta de sorrir sem rumo,
quero seguir o fumo de onde vem o fogo,
meu Amor, minha dor contínua,
por ti nua, sem orgulho,
sem respeito, sem desdém,
sem ninguém...
Encontra-me.

domingo, 22 de julho de 2018

Anda estragar-me os planos...

Sal morno que me anoitece a pele,
fogo posto no olhar,
amar sem que o tempo dure,
sem que perdure o sonho...
Tenho todos as ilusões vestidas no corpo nu...
E tu?
Que horizonte esconde o teu olhar?
Que vaga de mar já engoliste?
Que desejo pediste, quando eras menino?
O destino é um gume afiado,
se nos distraímos caímos no passado...
Que lume veste a tua cama?
Que chama chama por mim,
assim, devagar,
a queimar o bom senso?
O futuro é um nevoeiro denso,
um primeiro beijo quando nem se sabe beijar,
e se fica a sonhar acordado com aquele momento desajeitado!
A vida é o que acontece enquanto se sonha com outras coisas...

 

sábado, 7 de julho de 2018

Mantra da sobrevivência!

O ódio é a semente demente da morte a comer-nos por dentro,
o rancor tem raízes daninhas que secam aquilo que somos
e o que fomos para os outros!
Prefiro ser apenas uma lembrança doce,
um olhar terno,
o Inverno em que nevou!
Não anseio ficar para sempre no coração de alguém,
prefiro ser como a brisa que passa e abraça sem tocar...
Nunca estive à espera que me salvassem
e me trouxessem a Felicidade numa bandeja...
Nada do que sobeja dos outros nos pode completar,
a verdade é que não se procura aquilo que está ao alcance de todos!
As rugas que me esgravatam o rosto não me envergonham,
a beleza fugaz passou, a juventude partiu,
o tempo beijou-me demasiado depressa...
Só quero respirar fundo e apaixonar-me pelo mundo,
todos o dias,
um dia de cada vez!
Só quero abrir os olhos todas as manhãs e agradecer por ter tanta sorte,
todos os dias,
mesmo nos dias maus
porque podiam ser piores...
Só quero chorar e gritar para ficar cansada
e respirar, mais devagar, depois.
Não sou forte,
não sou valente,
não sou nada mais do que um recomeço constante,
teimosa o bastante para não desistir
de insistir que a vida vale a pena, sempre!

segunda-feira, 2 de julho de 2018

...

Respiro, sem nó, sem dor,
o Amor foi um suspiro que me deixou só,
passou e não me levou com ele.
Precisava de sentir que valeu a pena!
Nesta pequena estrada acidentada a que chamamos Vida,
reclamamos de tudo até morrer
e só choramos a batalha perdida aos pés de uma lápide qualquer...
Não me arrependo de Amar ninguém,
mesmo com as desilusões, mesmo com as mágoas,
mesmo com as lágrimas...
Agora é tempo de aceitar que devo caminhar sem sombra!




quarta-feira, 20 de junho de 2018

Maré cheia...

A imperfeição é a minha maior arma,
o Karma que resolvo e me envolvo em acção.
Não sei odiar, nunca aprendi o contrário do amor,
a dor ensinou-me a agradecer as outras coisas...
Não acho que a felicidade dos outros seja o antagonismo da nossa,
isso é cinismo e preguiça!
Há uma força que existe dentro de mim
e me ensina que a sina não é um abismo!
Sou assim, anormal, imperfeita e mortal...
Matéria feita de sonhos e de carne,
feliz por natureza e por defeito!
Uma séria candidata à incerteza como caminho,
cheia de opções e de mutilações cicatrizadas!
Às vezes os membros fantasmas ainda doem
porque os vivi intensamente e a morte é sempre dura...
Um dia não encontrarei uma cura
ou alguém que me faça feliz,
um dia não encontrarei a metade da minha alma,
um dia...
Eu sou feliz agora, um dia posso não cá estar para me encontrar...
E se ás vezes choro é porque adoro o mar
e ás vezes sabe-me bem trazê-lo assim, dentro de mim!

domingo, 10 de junho de 2018

Banco de jardim

Deambulo entre o inicio e o fim de mim,
um caminho tortuoso e orgulhoso que me descobre
e encobre o que o passado passou, sem ter apagado...
Quero a paz que se faz cá dentro,
o Amor sem cobrador, ou dor alguma,
a tranquilidade da verdade sem máscaras.
Cansei-me de correr atrás da reciprocidade,
prefiro descansar o peito e dar tréguas à alma...
A idade não me assusta, nem me acalma
e o leito ainda não me chama para a Morte...
Tenho sorte e sou feliz quase todos os dias!


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Coração de borboleta (meu novo conto infantil)

Era uma vez uma pequena lagarta castanha chamada Lola que se sentia borboleta.
Lola vivia num lindo prado encantado rodeada de várias lagartas castanhas como ela, os dias no prado passavam tranquilos e doces e à exceção de Lola todos no prado eram felizes por serem simplesmente aquilo que eram, mas ela passava os dias odiando a sua condição e observando as maravilhosas mariposas coloridas que desfilavam deslumbramento entre o perfume inebriante das flores. Lola não tinha inveja de ninguém, nem se sentia superior às suas irmãs, no entanto sentia-se muito estranha e infeliz no seu corpo de lagarta.
Ninguém compreendia o sentimento que a torturava, todos lhe diziam que se ela nasceu lagarta devia sentir-se orgulhosa daquilo que era, aprender a gozar a sua vida, divertir-se a rebolar nas folhas como as suas semelhantes e tomar grandes e revigorantes banhos de sol nos troncos das árvores que se confundiam com ela e a protegiam dos animais perigosos.
As lagartas, suas irmãs, gozavam com ela, chamavam-lhe maluca e esquisita, não compreendiam como alguém podia sentir-se insatisfeito no corpo com que tinha nascido. Consideravam Lola uma ingrata por detestar tanto ser uma lagarta como elas.
Lola, porém, não lhes desejava mal nenhum, até sentia pena de não poder ser feliz como elas que passavam horas a brincar enquanto faziam cocegas na barriga umas das outras e se riam às gargalhadas, ou quando via o prazer com que comiam as frescas folhas verdes. Todos os dias se esforçava para encontrar na vida de lagarta o mesmo prazer que as outras lagartas, mas não conseguia e isso deixava-a cada vez mais triste e sozinha. Lola sentia que no prado inteiro ninguém a compreendia, nem mesmo as borboletas que a fascinavam, porque mesmo essas desdenhavam dos seus desejos e desprezavam Lola, chamando-lhe invejosa.
Sempre que Lola passava por elas, cabisbaixa e infeliz as suas irmãs gritavam:
-Olha, olha lá vai a lagarta com a mania das grandezas!
-Coitada, acha-se melhor do que nós e tem vergonha daquilo que é!
-A infeliz é mesmo ridícula! Então lagartinha deprimida já te nasceram asas? Então lagarta chorona já ganhaste outras cores?
Lola umas vezes nem respondia, outras só dizia:
-Eu não tenho culpa de sentir que nasci no corpo errado… Não vos quero mal, só quero ser aquilo que o meu coração diz que sou. Eu sei que nasci para voar!
As outras lagartas riam-se a bom rir!
-Olha esta presunçosa! -Dizia uma!
-Nasceste para voar? Então voa daqui para fora! - Dizia outra
-Se não te consideras lagarta não devias viver no meio de nós! -Acrescentava uma terceira
-Enches-nos de vergonha só pela tua presença, devias ir-te embora de uma vez! -Finalizava outra
Os dias passavam muito devagar para Lola, cada vez mais isolada e presa na sua condição, não tinha um único amigo, alguém que mesmo sem compreender a frustração e angústia dela ao menos a respeitasse e a aceitasse como era.
Sentia-se humilhada e julgada por todos e por mais que procurasse respostas dentro de si a única certeza que tinha é que aquele corpo não era o corpo que a fazia feliz.
O coração da pobre lagartinha estava cheio de dor, a vida era uma tortura constante, cada vez saía menos do buraquinho onde se habituara a esconder.
Começou a evitar os dias de sol para não ver o reflexo do seu corpo nos ribeiros e não almejar o voo dançante das borboletas que tanto admirava. Começou a evitar os dias de chuva por não conseguir participar na alegria das suas irmãs que tomavam longos banhos de imersão nas folhas mais concavas.
Sentia-se uma borboleta sem asas obrigada a rastejar pelo mundo sem nunca poder abraçar a sua verdadeira condição de ser alado.
Se desaparecesse do prado talvez a sua vida se tornasse mais fácil, mas nem tinha coragem para tentar ir para longe, achava que em parte nenhuma do mundo alguém a poderia entender ou estender-lhe a mão.
Um dia encheu-se de coragem e resolveu partir, saiu do seu buraquinho, desceu o tronco castanho da sua árvore e lançou-se no caminho da sua felicidade, tinha de tentar ser borboleta, não conseguia mais sentir-se assim desajustada e incompleta, algures existiria alguém que a pudesse ajudar a encontrar uma maneira de se sentir bem e feliz!
As suas irmãs quando a viram partir ficaram tristes, apesar de estarem sempre a contestar os seus desejos, gostavam de Lola e no fundo sentiam-se um bocadinho traídas por ela não se sentir feliz no meio delas…
As borboletas pousaram todas nas flores para a ver partir, seria esquisito não voltar a ter o seu olhar deliciado de admiração cada vez que passavam por ela. Aquela pequena lagarta maluquinha que queria tanto ser como elas, começava a deixar saudades e ainda agora a viam partir.
O caminho novo que se apresentava aos seus pés era desconhecido e assustador, mas cada passo que ousava dar a fazia sentir mais segura de que tinha de encontrar uma nova vida que fizesse sentido no seu coração. A noite aproximava-se e com ela o medo de um mundo cheio de dúvidas e incertezas, a pequena Lola estava cansada de tanto andar e o escuro que tingia o céu fê-la ter saudades do buraquinho seguro no seu tronco de árvore. Lola tremia de receio e de frio devia ter trazido o seu cachecol que comprara na feira dos bichos da seda, a noite era fria e sombria e a lagartinha estava só e desprotegida.
De repente aparece uma coruja branca, a coruja olhou para a Lola e lambeu o bico, estava com fome e Lola era um opimo aperitivo enquanto não aparecia nada maior. A coruja atira-se em voo, faz apontaria ao pequeno corpo de Lola e com a patas: “Trás-pás!” apanha a pobrezinha em pleno voo.
O primeiro instinto de Lola foi de gritar de terror:
-Ahhhhhhhhhhhh!!!!!!!
Mas, subitamente, Lola sente-se a voar, pela primeira vez, voava, se tivesse que morrer por causa disso então que fosse! Enquanto a Coruja a elevava no ar os olhinhos verdes de Lola brilhavam de alegria, sentia-se a rasgar os céus, a brisa no rosto, o fresco das nuvens na noite estrelada, a liberdade de sentir-se leve pela primeira vez e sem se aperceber exclamou de alegria:
-Oh! Que maravilha finalmente o céu!
Estupefacta a Coruja não queria acreditar no que ouvia, a Lagarta estava contente?
-Olha lá lagarta desmiolada! Eu sou uma coruja! Tu sabes que as corujas comem lagartas, certo?
Lola, até corou de vergonha, ia morrer e ainda assim só dizia parvoíces, mas respondeu à coruja:
-Sim, eu sei, provavelmente vais comer-me, mas eu sou uma borboleta presa no corpo de uma lagarta e o momento em que me permitiste voar contigo, foi o momento mais feliz da minha vida, até agora!
A coruja estava cada vez mais confusa e pousou com a lagarta num ramo para perceber melhor o que se estava a passar ali, naquele momento peculiar e insólito,
-Uma borboleta presa no corpo de uma lagarta? Como assim, eras uma borboleta e uma lagarta comeu-te? És uma borboleta que perdeu as asas? O que raio és tu, afinal?
Lola nada tinha a perder e resolveu esclarecer, como podia, a coruja,
-Eu nasci com corpo de lagarta, mas alma de borboleta, toda a minha vida senti que estava deslocada no mundo, que a natureza me tinha pregado uma partida e me tinha dado um corpo que não me pertencia. Sei que nasci para voar, mas nasci sem asas, sei que nasci para colorir a primavera, mas sou da cor do tronco das arvores, sei que nasci para beijar as flores, mas em vez disso vejo-me obrigada a comer-lhes os caules e as folhas.
A coruja não queria acreditar no que estava a ouvir, nunca tinha conhecido ninguém tão angustiado e corajoso ao mesmo tempo, devia ser muito difícil sentir tudo aquilo. Era coruja e como todas as corujas era sábia e perspicaz, não podia comer a pobre e atormentada lagarta, na verdade a história dela já a tinha comovido e agora era impossível torna-la numa mera refeição fugaz.
A coruja pensou e por fim suspirou:
-Deves sofrer bastante por te sentires assim, como se não pertencesses completamente a nenhum desses teus dois mundos…
-Sim. -Disse Lola enquanto baixava o olhar marejado de lágrimas – É difícil…
Porém uma estranha e intensa esperança tomava agora conta do seu pequeno coração, pela primeira vez sentia que alguém a tinha compreendido um bocadinho, acabara de sentir a compaixão e empatia da coruja branca. O animal que a podia ter devorado sem pestanejar foi o único que, até então, a ouviu sem julgar e se compadeceu do seu sofrimento.
-E que fazes aqui pequena lagarta? A noite é perigosa para animais pequenos e desprotegidos. Olha que da próxima vez podes não ter tanta sorte e receberes apenas uma boleia pelos céus!
A pequena lagarta sorriu ante a observação da coruja,
-Eu sei que tive muita sorte por te ter encontrado a ti, és boa e simpática linda coruja branca, mas tive de abandonar o prado que me servia de lar, não era feliz entre as lagartas e era desprezada pelas borboletas, senti que tive de encontrar um novo caminho, talvez nesta minha aventura possa encontrar uma forma de me tornar por fora aquilo que sinto por dentro.
A coruja admirou o empenho e perseverança de Lola, era admirável que alguém lutasse tanto pelos seus sonhos, já há muito tempo que nada, nem ninguém a conseguiam surpreender tanto e resolveu ajuda-la na sua demanda.
-Espero que encontres o teu caminho e em breve ganhes as asas que te pertencem por amor e direito, mas és pequena e estás cansada e o solo não é lugar seguro para uma pequena lagarta. Vem chega-te a mim, no meu tronco, esta noite dormirás abrigada no calor das minhas penas, a tua vida não correrá qualquer perigo e assim, amanhã estarás mais forte para continuares a perseguir o teu destino.
Lola chorou de alegria, a coruja tinha-lhe permitido voar pela primeira vez, tinha-lhe poupado a vida, ouvido, respeitado e agora ainda se prontificava a protege-la durante a noite. Pela primeira vez Lola sentia o calor da amizade que se reconhece imediatamente pelo coração, a coruja branca salvou-a de muitas maneiras com o seu amável e louvável gesto e acabava de lhe dar forças para não desistir de procurar a sua felicidade.
Nessa noite aquecida e protegida pelas alvas penas da sua nova amiga Lola dormiu tranquilamente e sonhou que voavam de asas dadas.
No dia seguinte, revigorada, despediu-se da coruja branca com o maior abraço que o seu pequeno tamanho permitia,
-Obrigada querida coruja branca pela tua compreensão e amizade, nunca me esquecerei de ti, da tua bondade, nem do meu primeiro voo!
-Tem cuidado lagartinha-borboleta. Evita os predadores esfomeados e tenta arranjar um abrigo seguro todas as noites, quando realizares o teu sonho vem visitar-me e voaremos juntas.
A crença que a coruja depositava na possibilidade de a lagarta alcançar o seu objetivo encheu-a de alegria. Lola partiu, mas era uma nova Lola, cheia de alento e de sorriso estampado no rosto.
O dia acordava cheio de sol, o perfume das flores decorava e espalhava magia no ar ainda decorado com pequenas gotas de orvalho. Lola depenicava uma folha pequena e tenra e bebericava pequenas gotas de agua, contemplava a natureza a acordar, o espreguiçar dos gafanhotos, o voo buliçoso das abelhas, o marchar incessante das formigas madrugadoras e questionava-se se algum animal estaria aprisionado no corpo errado, como ela. Depois de um bom pequeno almoço retomou o seu caminho.
Lola andou sem descansar, num passo constante, mas não demasiado acelerado para não perder o ritmo, nem o folego, o sol já ia alto e a vegetação tornava-se tão densa que Lola não sabia que trilho seguir. Resolveu então subir a uma arvore para estudar, lá do alto, melhor as possibilidades do seu destemido itinerário. O tronco do velho Carvalho era rugoso e forte e cheio de nós sarapintados de musco verde e fofo. Quando o seu pequeno corpo cilíndrico serpenteava pelo tronco do velho Carvalho, soou uma sonora gargalhada:
-AH! AH! AH! AH!
E uma voz rouca e portentosa continuou:
-Quem se passeia pelos meus nós de madeira?
Lola empalideceu com aquela voz que parecia um trovão perdido no tempo, encaracolou-se toda e ficou a tremer, sem emitir qualquer resposta. Mas o velho Carvalho continuou:
-Quem anda aí? Quem és tu que me arrepias com tantas cocegas? Eu gosto muito de cocegas!
Lola retomou a respiração, a voz vinha da arvore que estava a subir, nunca tinha ouvido falar de arvores malvadas por isso não devia correr perigo. Recuperou a sua cor, refez-se do susto e respondeu:
-Olá, eu chamo-me Lola e sou uma borboleta presa em corpo de lagarta!
-Olá Lola! Sê bem-vinda! Ah! Pois uma borboleta presa em corpo de lagarta, isso é difícil sim, já vi isso acontecer outras vezes…
Lola ficou estupefacta,
-Tu, tu… Conheces outras como eu?
-Claro que conheço, já aqui estou há muito tempo, já vi muita coisa!
O coração de Lola começou a palpitar de excitação, afinal aquilo que ela sentia não era assim tão anormal, nem singular e subitamente apercebeu-se que o velho Carvalho podia ter as respostas que precisava.
-E onde estão as outras borboletas presas em corpo de lagarta, como eu? Podes dizer-me? Preciso de as encontrar!
O velho Carvalho pensou, pensou, coçou a sua copa com um ramo, voltou a pensar e respondeu:
-Sabes minha querida, a última que vi já partiu há muito tempo, vocês têm uma vida mais breve do que nós, nós somos edificados para durar muitos Invernos.
-Mas para onde foi ela? Conseguiu ser borboleta? Vinha de onde?
-Bem… De onde vinha ou para onde foi não sei… Mas sim, conseguiu, não foi fácil, teve de sofrer uma grande e profunda mudança, um pouco dolorosa até, demorou bastante tempo, em tempo de lagarta, mas tornou-se numa linda borboleta!
-Oh! A serio? Oh! Isso é tão maravilhoso!!! E como se deu essa grande e profunda mudança?
-Como te disse foi um pouco doloroso, ela teve que despir o seu corpo de lagarta, teve de o ver morrer, para renascer como borboleta. Sofreu uma metamorfose, as metamorfoses são processos complicados.
-Uma metamorfose? Nunca ouvi falar em tal coisa… E isso faz-se onde?
-Esse é o problema a metamorfose tem de se fazer dentro de ti, de dentro para fora. Tens de a aceitar no teu coração, mas se a quiseres verdadeiramente surge a mudança que precisas para te poderes transformar.
-Uau! A metamorfose! E posso começar já?
-Não sei, só poderás mudar quando estiveres realmente preparada e o mundo também tem que se preparar para te aceitar como és, a mudança começa em nós, mas estende-se aos outros. Temos todos que estar receptivos para a aceitar.
-E quando saberei que eu estou preparada? E se os outros nunca me aceitarem? Quando saberei que é o momento certo?
-Primeiro tens de percorrer o teu caminho, sem pressas, tens de te descobrir devagarinho, aceitares a mudança, ninguém muda assim da noite para o dia e todas as mudanças são um pouco assustadoras. Quando ganhares autoconfiança e segurança na tua decisão, a pouco e pouco o corpo entende o que precisa de ultrapassar, inicia-se o processo. Depois os outros acabarão por entender, uns mais depressa, outros com mais resistência, mas terão de te ver como realmente és, porque agora só conseguem ver aquilo que pareces. Mas não vai ser fácil, tens de ter consciência que existirão muitas dificuldades até ganhares as tuas asas.
-Aquilo que sinto agora também é muito difícil sábio Carvalho, toda a minha vida senti a dor de não me reconhecer no que vejo ao espelho das aguas límpidas do rio. A mudança pode ser difícil e dolorosa, essa metamorfose de que falas, mas sentir aquilo que eu sinto é uma agonia que mata devagarinho e me rouba a alegria de pertencer onde sei que pertenço.
-Compreendo o que dizes e acho que no teu coração o processo já começou. Confia em ti e tudo será possível, a força de um coração determinado é mais resistente que o tronco secular de um velho e resistente Carvalho!
Lola tinha agora um novo objetivo alcançar a sua metamorfose, não sabia muito bem em que consistia, nem como se desenrolava o processo, mas sabia algo que desconhecia até então, ainda que eventualmente dolorosa, havia uma solução para o seu problema e isso já era um grande progresso na sua demanda.
Do alto do velho Carvalho Lola tinha uma visão mais ampla do melhor trilho a percorrer, era magnifico poder ver o mundo de cima, sentir a brisa que agitava cada folha dos ramos daquela arvore. Agora o futuro parecia-lhe mais nítido, já não percorria um caminho errante, vagueando ao acaso sem um destino concreto. Lola agora sabia que havia uma razão para ter abandonado o buraquinho seguro do seu tronco, ela perseguia a sua mudança, ela tinha direito a ser aquilo que sempre soube que era.
O velho Carvalho sentiu uma leve inveja boa do olhar jovem e cheio de sonhos da lagarta-borboleta, como eram sonhadores doces os jovens, a descobrirem o mundo a seus pés e como às vezes era implacável o mundo a recebe-los.
Lola despediu-se do velho Carvalho prometendo visita-lo novamente quando fosse borboleta e agradeceu-lhe do fundo do coração por tudo aquilo que o sábio amigo lhe ensinou. Precisava de retomar o seu caminho de forma a abraçar o seu destino e tinha de avançar o mais possível durante o dia porque, tal como prometera à coruja, à noite tinha de se abrigar.
O dia tombava depressa e as aves principiavam a recolher-se em bando nas árvores, Lola resolveu procurar um cantinho aconchegante onde pudesse mergulhar no mundo de Orfeu, olhou à sua volta e procurou criteriosamente o melhor lugar para descansar, descobriu por fim um pequeno buraco num tronco oco e partido, arrastou o seu pequeno corpo cansado para dentro do buraco, o buraco era estreito à primeira vista, mas lá dentro alargava, alargava e tornava-se numa grande câmara escavada na madeira. Era muito escuro, mas parecia confortável e seguro. Tateando o chão, com cuidado, Lola explorava curiosa a sua dormida quando, sem nada que o fizesse prever, Lola sente-se presa, assustada Lola começa a debater-se, mas em vez de se soltar, parecia que surgiam fios de todos os lados que a envolviam numa armadilha mortal e claustrofóbica. Completamente aterrada Lola gritava com todas as forças:
-Socorrooooo, socorrooooo!!! Alguém que me ajude!!! Estou presa!!!
E no meio da penumbra ouve-se apenas:
-Xiu!
Lola ficou meio atordoada com uma resposta tão seca à sua aflição tão acentuada e pensou que o “Xiu” que tinha ouvido fosse fruto da sua imaginação e voltou a gritar:
-Socorroooooo, socorroooo!!! Preciso de ajuda!!! Estou a morrer apertada!!!
E novamente, ecoa na camara de madeira:
-Xiu! Borboleta barulhenta.
Lola ficou estupefacta, a voz no escuro tinha-lhe chamado borboleta…. Será, será…. Será que ela já se tinha transformado? Até se esqueceu, por momentos, da aflição que vivia, presa e apertada no meio da escuridão.
-Quem falou? – Perguntou Lola.
-Eu já sou uma borboleta? Consegues ver-me? Eu já mudei? – Continuou ela.
-Olha e já agora, estou presa, podes ajudar-me? -Arriscou ainda
Eis que, entre o negrume cerrado, começa a surgir uma ténue luz que se aproximava rapidamente, na verdade a rapidez com que a luz se deslocava era tão grande que Lola ficou na dúvida se seria uma luz ou várias. Subitamente a luz que parecia correr enlouquecida estava a cegar-lhe os olhos.
-Aiii! Estás a cegar-me!! -Gritou Lola
-Xiu! -Ouviu-se novamente
Mas então os olhos de Lola começaram a habituar-se à intensidade da luz, começaram a cooperar e aos poucos Lola começou a ver quem falava com ela, era uma aranha amarela e com ar de poucos amigos.
-Olá, sou a Lola… - Disse - Desculpa ter entrado na tua casa, não sabia que moravas aqui, só me queria abrigar da noite.
-Vocês borboletas estão sempre à procura de sarilhos, não estão? – Respondeu a aranha.
-Tu chamaste-me borboleta, outra vez! Por favor, diz-me de que cor são as minhas asas? E já sou completamente borboleta ou ainda sou meio lagarta?
A aranha amarela ficou abismada com a conversa de Lola.
-Olha lá tu, perdeste o juízo? Que conversa é a tua? Sei lá de que cor são as tuas asas, eu sou uma aranha cega. E como assim, meio lagarta?
-Tu és cega? -Exclamou Lola abismada.
-Sim, sou cega mas ao menos não entro pela casa dos outros sem pedir licença, tropeço em tudo e fico enrolada como um casulo de bicho da seda.
-Tens razão aranha amarela, peço desculpa por toda esta confusão. Mas se és cega porque é que me chamaste borboleta?
-Porque eu tenho a capacidade de ver além dos olhos e senti aquilo que és, és uma borboleta, certo?
-Sim, sou, sou uma borboleta! Mas não sei se já deixei o meu corpo de lagarta, podias soltar-me por favor para poder ver se o meu corpo já está diferente?
-Tu não me pareces muito boa da cabeça… Não sei se é boa ideia soltar-te… Não estás a fazer muito sentido.
Lola então resolveu explicar tudo à aranha amarela, como tinha chegado ali, o encontro com a coruja e com o velho Carvalho, a sua busca por aquilo que era e o seu desejo de se sentir completa e feliz. A aranha ouviu-a em silêncio, ser cega tornava-a uma excelente ouvinte, no fim soltou Lola. Lola quando se viu livre da teia da aranha percebeu que ainda estava presa no corpo de lagarta e começou a chorar, o seu coração tinha-se enchido de esperança e agora via que nada tinha mudado. A aranha amarela entendeu como era premente a sua necessidade de ser borboleta, não é fácil sermos diferentes aos olhos do mundo, mas sermos diferentes aos nossos próprios olhos devia ser ainda mais complicado. Deixou-a desabafar toda a angustia e frustração daquele momento e no fim disse-lhe apenas:
-Eu não sei como é o teu corpo, mas sei o que os meus sentidos apurados me dizem e eu garanto-te que tu és uma borboleta. Aquilo que os olhos veem nem sempre é a verdade, o que é realmente importante vê-se com o coração e absorve-se com a alma. Estás desculpada por teres entrado na minha casa e és bem-vinda a passar esta noite.
Lola sentiu-se confortada com as palavras da aranha amarela, agradeceu a hospitalidade da nova amiga e descansou numa cama de rede feita de teia, na camara escura de madeira iluminada pela ténue luz que emanava da sua minúscula lanterna de pó de pirilampo, era estranho como uma aranha cega conseguia ver o mundo e os outros com tanta clareza. Uma coisa era certa, estava a mudar de certeza porque a aranha sentiu que ela era uma borboleta, antes mesmo de Lola lhe contar a sua história e isso só podia ser um bom sinal!
O dia amanheceu da cor dos sonhos azul e esperançoso, Lola despediu-se da aranha amarela com um grande e vigoroso abraço e retomou o seu caminho. Aproveitou para fazer uma perspetiva da sua aventura e percebeu que desde que tinha partido tudo começou a correr melhor, fez 3 novos amigos, com os quais se sentiu apoiada e compreendida, descobriu que havia uma solução para a sua condição e ainda que já começava a sentir alguns sinais da eventual mudança que tanto ambicionava.
O mundo parecia-lhe agora um lugar mágico, ao longe as joaninhas faziam piqueniques, as cigarras afinavam as guitarras e os bichos de conta ensinavam matemática aos seus filhos. O dia estava bonito como se fosse o mais bonito dia de todos os dias desde o princípio do mundo. Lola respirava determinação e pela primeira vez sentia que tudo podia correr efetivamente bem.
Enquanto deambulava absorvida pelos seus pensamentos Lola deparou-se com duas espetaculares folhas vermelhas perfeitas como asas gigantes, Lola interpretou a sua descoberta como um sinal, não podia ser um mero acaso aquelas folhas tão perfeitas ali abandonadas, não podiam estar ali sem um motivo. Seria que? Sim, só podia ser isso, aquelas seriam as suas asas, pareciam leves o suficiente para se içarem com o vento e resistentes o bastante para aguentarem os voos mais arrojados. Lola estendeu cada uma das folhas, delicadamente no chão, guardando o preciso espaço, do seu corpo, entre elas e deitou-se de olhos fechados com uma asa de cada lado, sem se mexer, esperançosa de que a qualquer instante a mudança se desse, as folhas se colassem ao seu corpo e ela finalmente se tornasse numa linda mariposa. Lola ficou ali, imóvel durante muito tempo, sem desistir da sua empreitada, sempre a pensar que ia conseguir.
De repente ouve uma voz:
-Olá miúda, precisas de ajuda? Estás a sentir-te bem? Já aí estás no chão há muito tempo…
Lola abriu os olhos e viu um enorme caracol cinzento debruçado sobre si.
-Olá sou a Lola, muito obrigado pelo teu cuidado, estou só aqui à espera da minha metamorfose.
-Da tua meta quê? E ainda demora muito e tens de a esperar deitada no chão? Estás aí há imenso tempo…
-Me-ta-mor-fo-se! Sim, suponho que demora o seu tempo, o velho Carvalho disse que era um processo complicado. Tenho que esperar que estas folhas se colem ao meu corpo e se tornem asas para poder tornar-me numa borboleta.
-Ah…. Olha não leves a mal, mas não me parece que esse plano vá resultar Lola.
-Eu sei que parece impossível, mas eu sou uma borboleta presa em corpo de lagarta e preciso mesmo que esta transformação aconteça.
E Lola contou a sua história sem omitir qualquer detalhe ao atento caracol, todas as suas privações no prado e todos os seus encontros ao longo do percurso. O Caracol refletiu e de repente o seu rosto iluminou-se como uma lua brilhante.
-Espera! – Disse ele- Acho que te posso ajudar a minha baba é uma espécie de cola liquida, espessa e forte. Se colares as folhas ao teu corpo com a minha baba e tentares voar pode ser que a magia aconteça e pelo que me contaste quando voaste, com a Coruja Branca, tiveste a melhor sensação do mundo!
Lola ficou feliz e embevecida com a generosidade do caracol cinzento, a ideia dele fazia todo o sentido no seu coração, de facto, tentar voar só podia ser a derradeira resposta que lhe faltava.
Cuidadosamente o caracol cinzento colou as duas folhas vermelhas e majestosas no corpo da pequena e sonhadora lagarta. Lola nunca se tinha sentido tão feliz e tão completa, parecia mesmo, mesmo uma borboleta! Vaidosa começou a passear mostrando as suas asas a toda a gente, exibia o melhor sorriso de sempre e estava genuinamente feliz, todos a iam entender agora, as lagartas, as borboletas, todos!
-Ficam-te bem as asas novas pequena borboleta!
-Oh muito obrigado querido caracol cinzento, pela primeira vez sinto-me linda e completa!
-Agora tens de as estrear! As asas fizeram-se para voar! Vamos, vais saltar desta pedra alta, espera que a brisa te embale e quando sentires a boleia do vento salta e alcança o teu sonho!
Lola esperou impaciente no cimo da pedra alta, o seu coração parecia o trote de um cavalo tal não era a excitação. Estranhamente não tinha receio de cair, nem equacionava que se tudo corresse mal a queda da pedra poderia ser perigosa, mortal até. O seu coração tinha a certeza que chegara o momento de ser feliz e viver com o corpo que identificava como seu.
Sem esperar muito a brisa anunciou-se chegar, o vento envolveu o corpo vestido de folhas vermelhas da corajosa Lola e elevou-a no ar! As asas de folha estavam a cumprir brilhantemente o seu papel. Lola gritava de felicidade:
-Iupiiiiiii!!!!!!!! Estou a voar, estou mesmo a voar!!!
E o caracol cinzento fazia claque, cá de baixo
-Boa Lola, tu és mesmo capaz! Mostra-lhes como se voa miúda!! Eh!! Eh!!
Todos os animais estavam com os olhos presos no céu a ver a alegria daquela lagarta a voar pela primeira vez, com as suas improvisadas asas de folha, achavam a situação caricata, mas não conseguiam evitar de rir com a alegria contagiante de Lola, alguns animais até a aplaudiam e incentivavam:
-Isso estás a conseguir! Não desistas!!
O vento cada vez a elevava mais alto e Lola sentia-se completa e feliz!
No entanto o seu momento perfeito estava prestes a ruir, a força do vento movimentava-a com violência e as asas de folha começaram a rasgar-se ligeiramente no meio. Lola sentiu-se a rodopiar sem parar, tentou manter o controle, mas as folhas cada vez mais rasgadas já não a conseguiam ajudar a manter o equilíbrio e perdia altitude a grande velocidade numa espiral de desespero rumo ao chão. Lola gritava, as lágrimas corriam-lhe pelo rosto:
-Nãoooooooooooo as minhas asas…
O caracol cinzento gritava:
-Oh! Não, não pode ser, isto é uma catástrofe…
Mas ante o terror de todos os animais que assistiam impotentes ao desespero de Lola, ela caiu violentamente, no chão, enrolada nas asas de folha.
Os animais tentaram alcança-la, mas Lola não se mexia, nem respondia, a pequena lagarta estava morta, enrolada para sempre nas asas que por momento a tinham feito tão feliz. O caracol cinzento chorou a perda da amiga e muitos animais se comoveram com a sua história contada pelo caracol.
Os dias passaram e a tragédia de Lola foi praticamente esquecida, mas quando alguém falava nela chamavam-lhe sempre borboleta e nunca se referiam a ela como lagarta. Só o amigo caracol cinzento não se conformava com a perda da amiga e de quando em vez ia meter pétalas em cima das asas de folha que lhe serviam de jazigo.
Um certo dia em que o caracol cinzento fora prestar homenagem à sua saudosa amiga apanha um grande, grande susto, quando ia pousar as pétalas em cima das asas de folha, estas começam a estremecer… O pobre caracol até caiu para trás e ficou com a casa virada ao contrário…. Misteriosamente as asas de folha continuaram a estremecer e uma casca dura surgia debaixo delas, uma espécie de casulo rígido que estranhamente parecia estar-se a partir. Meio a medo o pobre caracol cinzento pergunta, muito assustado:
-Quem está aí, quem perturba o eterno descanso da minha pobre amiga Lola?
Não obteve nenhuma resposta, mas viveu a maior surpresa da sua vida quando uma linda e maravilhosa borboleta de asas vermelhas surge de dentro da pulpa.
Lola tinha-se transformado finalmente naquilo que sempre soube ser, uma mariposa!
Graciosamente Lola dirigiu-se ao espantado amigo e disse-lhe baixinho, já com voz de borboleta:
-Muito Obrigado Meu amigo por teres acreditado em mim, teres-me aceite como eu sou e ainda nunca me teres abandonado durante a mudança, sem ti teria sido muito mais difícil!
Os dois amigos abraçaram-se e choraram de alegria, agora finalmente Lola sentia-se completa e feliz e podia voltar ao prado onde tinha nascido para fazer as pazes com as suas irmãs e voar com as outras borboletas!
Fim