Entro,
povoo-te,
devoro-te,
exploro-te...
Sou parte,
sou todo,
sou arte aos pés do teu pincel.
Sou acre e mel à solta
na tua boca que prova e repete.
Sou alma,
sou mente,
sou gente e animal.
Vida, fado,
enfado,
fatal.
Sou ida,
partida,
chegada
e demorada reconstrução.
Sou mão,
na tua,
fechada,
esticada,
desprendida.
Sou rua,
calçada,
passo,
espaço,
nada.
Sou tua.
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
2 moedas para o homem da barca...
Nada sei dos mistérios da morte,
não conheço as certezas da vida,
não entendo a linguagem dos anjos...
Mas sei que há uma mensagem escondida
nos lábios de quem ama e (se) perde,
um luto, sem campa, sem flores, sem corpo,
que não se mede em palavras.
Os pássaros voam uma vida inteira
mas morrem no chão a olhar o céu,
nós somos aves sem penas...
A solidão é uma espera, apenas,
um caixão encomendado,
uma mera urna,
a despedida do ser alado
e a admissão da mortalidade...
Desististe e morreste,
ou então morreste e desististe...
O tempo não é estanque ou importante,
só o fim nos marca,
no fim,
quando chega o Homem da barca...
não conheço as certezas da vida,
não entendo a linguagem dos anjos...
Mas sei que há uma mensagem escondida
nos lábios de quem ama e (se) perde,
um luto, sem campa, sem flores, sem corpo,
que não se mede em palavras.
Os pássaros voam uma vida inteira
mas morrem no chão a olhar o céu,
nós somos aves sem penas...
A solidão é uma espera, apenas,
um caixão encomendado,
uma mera urna,
a despedida do ser alado
e a admissão da mortalidade...
Desististe e morreste,
ou então morreste e desististe...
O tempo não é estanque ou importante,
só o fim nos marca,
no fim,
quando chega o Homem da barca...
domingo, 6 de agosto de 2017
Still, Unchained Melody...
Ainda tenho o desenho dos teus lábios na pele,
a impressão do teu cheiro,
o mel desordeiro do teu sabor, Amor...
O meu corpo nu,
teu corpo tempestade bravia da saudade que nos comia,
sem piedade.
Insaciedade do meu ser, cheio de medo de viver...
Inocência, a ciência dos condenados apaixonados!
Ainda tenho o calor dos teus braços na alma,
o desnorte da tua gargalhada desalinhada,
com que alinhavavas a vida
e o sal de cada despedida nos olhos...
Meu espelho contraluz,
meu inverso,
prosa do verso fugaz
que me reduz ao silêncio mordaz,
lume do meu ciume.
Ainda?
Sempre!
a impressão do teu cheiro,
o mel desordeiro do teu sabor, Amor...
O meu corpo nu,
teu corpo tempestade bravia da saudade que nos comia,
sem piedade.
Insaciedade do meu ser, cheio de medo de viver...
Inocência, a ciência dos condenados apaixonados!
Ainda tenho o calor dos teus braços na alma,
o desnorte da tua gargalhada desalinhada,
com que alinhavavas a vida
e o sal de cada despedida nos olhos...
Meu espelho contraluz,
meu inverso,
prosa do verso fugaz
que me reduz ao silêncio mordaz,
lume do meu ciume.
Ainda?
Sempre!
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
Symphony of destruction
Não sei explicar como vejo o mundo à minha volta,
só sei que sinto cada olhar, cada cheiro, cada pulsar dos pássaros...
De vez em quando fecho os olhos e sinto o sonhos dos outros,
mas os outros sonham muito pouco...
Devoram dias iguais com finais previsíveis e emoções invisíveis.
Um dia morreremos porque desaprendemos a vida,
seremos a espécie extinta pelo desinteresse...
A evolução é apenas uma jaula maior e com menos ar,
que não nos permite pensar...
Não quero cá estar quando deixarmos de cheirar a relva,
quando não soubermos olhar o mar,
quando não sentirmos a calma de afagar um cavalo...
Fazemos coisas para comprar mais coisas para meter nas coisas que temos e que nos transformam em coisas que fazem os outros querer ter coisas como nós...
só sei que sinto cada olhar, cada cheiro, cada pulsar dos pássaros...
De vez em quando fecho os olhos e sinto o sonhos dos outros,
mas os outros sonham muito pouco...
Devoram dias iguais com finais previsíveis e emoções invisíveis.
Um dia morreremos porque desaprendemos a vida,
seremos a espécie extinta pelo desinteresse...
A evolução é apenas uma jaula maior e com menos ar,
que não nos permite pensar...
Não quero cá estar quando deixarmos de cheirar a relva,
quando não soubermos olhar o mar,
quando não sentirmos a calma de afagar um cavalo...
Fazemos coisas para comprar mais coisas para meter nas coisas que temos e que nos transformam em coisas que fazem os outros querer ter coisas como nós...
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