quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Sou tua.

Entro,
povoo-te,
devoro-te,
exploro-te...
Sou parte,
sou todo,
sou arte aos pés do teu pincel.
Sou acre e mel à solta
na tua boca que prova e repete.
Sou alma,
sou mente,
sou gente e animal.
Vida, fado,
enfado,
fatal.
Sou ida,
partida,
chegada
e demorada reconstrução.
Sou mão,
na tua,
fechada,
esticada,
desprendida.
Sou rua,
calçada,
passo,
espaço,
nada.
Sou tua.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

2 moedas para o homem da barca...

Nada sei dos mistérios da morte,
não conheço as certezas da vida,
não entendo a linguagem dos anjos...
Mas sei que há uma mensagem escondida
nos lábios de quem ama e (se) perde,
um luto, sem campa, sem flores, sem corpo,
que não se mede em palavras.
Os pássaros voam uma vida inteira
mas morrem no chão a olhar o céu,
nós somos aves sem penas...
A solidão é uma espera, apenas,
um caixão encomendado,
uma mera urna,
a despedida do ser alado
e a admissão da mortalidade...
Desististe e morreste,
ou então morreste e desististe...
O tempo não é estanque ou importante,
 só o fim nos marca,
no fim,
quando chega o Homem da barca...






domingo, 6 de agosto de 2017

Still, Unchained Melody...

Ainda tenho o desenho dos teus lábios na pele,
a impressão do teu cheiro,
o mel desordeiro do teu sabor, Amor...
O meu corpo nu,
teu corpo tempestade bravia da saudade que nos comia,
sem piedade.
Insaciedade do meu ser, cheio de medo de viver...
Inocência, a ciência dos condenados apaixonados!
Ainda tenho o calor dos teus braços na alma,
o desnorte da tua gargalhada desalinhada,
com que  alinhavavas a vida
e o sal de cada despedida nos olhos...
Meu espelho contraluz,
meu inverso,
prosa do verso fugaz
que me reduz ao silêncio mordaz,
lume do meu ciume.

Ainda?
Sempre!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Symphony of destruction

Não sei explicar como vejo o mundo à minha volta,
só sei que sinto cada olhar, cada cheiro, cada pulsar dos pássaros...
De vez em quando fecho os olhos e sinto o sonhos dos outros,
mas os outros sonham muito pouco...
Devoram dias iguais com finais previsíveis e emoções invisíveis.
Um dia morreremos porque desaprendemos a vida,
seremos a espécie extinta pelo desinteresse...
A evolução é apenas uma jaula maior e com menos ar,
que não nos permite pensar...
Não quero cá estar quando deixarmos de cheirar a relva,
quando não soubermos olhar o mar,
quando não sentirmos a calma de afagar um cavalo...

Fazemos coisas para comprar mais coisas para meter nas coisas que temos e que nos transformam em coisas que fazem os outros querer ter coisas como nós...