sábado, 24 de junho de 2017

O Sorriso da Mona Lisa...

Ardem-me as folhas,
rasgam-se as páginas,
morrem-me as palavras.
O cansaço é o aço que me trespassa
e me abraça com cheiro a morte.
Sorrio, todos os dias,
porque sorrir é um vicio como outro qualquer.
Ser mulher é aprender a sorrir e a acenar e a aceitar...
Ser mulher é ser anjo de um Deus ingrato,
farto de ser perfeito...
Mais um dia, mais um orgasmo, mais um espasmo de melancolia...
A alegria vive nos olhos inocentes dos crentes e dos tolos.
O meu espelho é um semblante carregado,
envelhecido e endurecido pelos ombros do passado.
Desespero e não espero mais nada...
Inspiro o monóxido de carbono e abandono a dor...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

;)


Winter is coming...

Não me fales de despedidas,
de amores que passam,
de emoções que se curam...
As vidas são lágrimas que deixam rasto
e se muram em sonhos e expectativas.
Não mereço que mintas e sintas muito.
Há evasivas que não evadem, amor.
Por favor, tivemos culpa.
Não há desculpa para horizontes rasgados.
Nem para desejos partilhados.
Amei-te e vou amar sempre,
porque nunca aprendi a desamar alguém.
Não. Não te perdoo, nem tu, não te deves perdoar nunca.
Porque não te vai acontecer mais, não assim, não comigo,
não connosco.
Haverão outros portos, outros abrigos, outras marés
a lavarem-nos os corpos de espuma e sal,
cópias do original, a entardecer a dor de dizer: Amor...
Mas não te perdoes, porque perdoar é esquecer
e eu recuso-me a morrer, ou a ser um amor bem resolvido,
esquecido, sem razão de ser...
E na minha culpa serás o eterno Inverno do meu sentir.






quinta-feira, 1 de junho de 2017

Crescimento(e)...

Os lábios são uma batuta ritmada por palavras
e a orquestra aguarda o mundo que se estende à minha volta!


Sei que estavas cansado de crescer, amor, quando me encontraste
e me falaste um pouco de ti...
Eu porém, nunca cresci!
Passamos a vida toda a correr para crescer,
eu porém, nunca corri por querer!
A meta é apenas morrer, nada mais...
Somos mais sábios quando somos crianças,
cheios de esperanças, cheios de sonhos, cheios.
E cada vez que crescemos esvaziamos qualquer coisa,
sempre.
Nada será mais completo do que os seios da nossa mãe,
nada será mais preenchido do que um colo,
nada será mais perfeito do que um primeiro sorriso...
O juízo é o mundo a castrar-nos a vida,
aquela consciência que nos protege de viver,
aquela mordaça que nos sussurra incapacidade...
A regra, o limite, o morrer devagarinho,
o não chorar, o depois, o não pode ser,
aprendemos a morrer.
Quando nascemos temos a liberdade de quem já o soube desaprender...