Não me conquistaste à primeira, confesso, primeiro estranhei-te, estranhei-te à brava, mas a canção conquistou-me e rendida entranhaste-te cá dentro e torci por ti e pela tua irmã que te escolheu para lhe cantares a alma.
Mas não foi aí que me apaixonei por ti, Salvador, só me apercebi que eras o tal, quando chamaste a tua irmã ao palco, quando disseste na conferência de imprensa que falar nos refugiados não era uma mensagem politica era uma mensagem humanitária, que não eras o herói de Portugal e seria muito estranho veres-te nesse papel, porque tu só estavas ali para nos devolver algo, o valor de escutar uma boa musica, algo escrito para nos fazer sentir alguma coisa. E ainda mais quando afirmaste a sorrir que esta euforia ia passar, porque tudo passa e a tua importância hoje, daqui a um mês seria irrisória.
Afirmaste-o sem falsa modéstia, nesse teu encarar da vida de forma imediata e despretensiosa, com o teu sorriso desgovernado, inocente e ao mesmo tempo desafiante de tão genuíno.
Tu pautaste pela diferença que te é tão natural e foi essa diferença que nos desconcertou a todos.
E não te preocupes, não me (nos) deves nada, o meu coração pode amar pelos dois!

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