domingo, 26 de fevereiro de 2017

As maratonas têm 42km em todo o lado!

Corre,
o mundo é uma pista é tua espera,
uma descoberta a cada passo no espaço que te reservas...
Corre,
encontra-te no teu cansaço,
absorve tudo de pulmões abertos,
desertos de ar mais puro.
Corre,
sem metas, sem rotas, sem prémios.
sacia-te em cada partida,
mesmo de pernas moídas, arrastadas, enlameadas,
não consegues parar,
por isso corre,
mesmo que os outros não entendam,
mesmo que os pódios não te defendam,
mesmo que alguém não te espere à chegada...
A vida é a corrida que escolheste,
por isso corre,
mereceste!


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Limite

Perguntei às pedras e aos pássaros se te têm visto passar na viagem dos dias,
ninguém me responde, ninguém me entende, ninguém interessa aos outros...

A solidão é uma demência evoluída a sugar-nos a vida,
vivemos no meio de multidões aos tropeções sem sentirmos nada.
As gargalhadas são fabricadas em plástico pardacento,
enquanto simulamos que gostamos do que vemos...
Tento respirar mas sufoco em poluição sonora, inodora, transparente...
Preciso de gente, de ar, de raiva, do ridículo.
Odeio este circulo perfeito feito em montagem sistemática.
Sou asmática mas com orgulho!
Amo até que o coração arda em cinzas,
vivo até ao ultimo fôlego,
existo até consumir a carne pelos ossos.
Chega de subsistir.
Chega de mentir.
Chega de chegar o pouco que chega aos outros.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Rest In Peace...

O coração é uma coreografia de cegos a baterem dedos grossos numa tábua de madeira,
a evitarem os pregos enferrujados, espetados com os dentes para fora,
coordenados, compassados, desesperados a ouvir as imagens em sons...
O Amor é um caminho que se faz de olhos fechados, sem mãos à frente,
nas margens do raciocinio, sem pingo de sensatez,
numa estupidez deliciosa sequiosa por nos mostrar que a vida é dos tolos!
Nunca amei porque quis, mas sempre quis quem amei.
Sei que o Amor é uma glicose que nos transforma em neurose,
numa psicopatia de querer morrer e logo a seguir rir do fundo da alma,
nunca se acalma, nunca sossega, uma fúria cega que nos devora de dentro para fora!

Viver sem amar é fazer tudo bem, menos viver.