terça-feira, 28 de novembro de 2017

Combustão

Anseio o toque,
combustão auto-suficiente,
cura demente,
penetração,
seio que procura a tua boca,
tortura da espera molhada,
noite ardida, perdida em nada.
Anseio o cheiro,
corpo que se perde e encontra,
espada que perfura,
estocada contra a parede,
crinas de cabelos enrolados nos dedos,
segredos gemidos ao ouvido,
tempo despido sem despedida,
noite ardida perdida em sonhos...
Anseio o meu nome,
sussurrado, gritado, mordido,
carne lasciva,
pele,
saliva,
língua,
 membro...
 Noite ardida perdida no tempo.


domingo, 19 de novembro de 2017

Partir é morrer um pouco...

Ás vezes a vida é um lugar estranho,
com um tamanho que não nos serve
e um apetite cruel que nos sorve sem pedir licença...
Sinto que perdi parte do chão e a parte que resta
não deixa o coração descansar...
Podia chorar, mas chorar desidrata o que me sobra do corpo.
Estou farta da seca lá fora e da tempestade cá dentro
e depois tu morreste.
Amaste-me e morreste.
Ensinaste-me a despedir,
ofereceste-me o ultimo fôlego,
suspiraste como quem retorna ao ventre
e regressa a casa, o meu colo.
E eu ajudei-te, queria fugir dali,
mas fiquei a ver-te espaçar o respirar até ao silêncio ensurdecedor
levar-te de mim...
Assim num segundo em que (de)terminou tudo.
Porque Amar também é saber deixar partir...

terça-feira, 7 de novembro de 2017

How can you stop the sun from shinning?


Lápide

O cavalo soltou o trote do meu peito,
desfeito pela dor e agora corre e morre em liberdade
a saudade sobrevalorizada,  não me traz absolutamente nada!
A vida é uma carta fechada que leio devagar,
nunca tive a arrogância de esperar sorrir sempre,
mas acredito nas tuas asas sobre mim!
Quem ama respira mais fundo
e vê o mundo de uma forma mais clara!
Por isso sinto o teu toque tantas vezes,
o teu abraço, o traço imperfeito do teu rosto...
Um dia a morte vencerá pelo cansaço
e eu vou olha-la nos olhos, perdoá-la e abraça-la!
Dir-lhe-ei ao ouvido que o amor não guarda rancor de ninguém
e tornarei a sua missão mais fácil, dar-lhe-ei a mão
e respirarei uma ultima vez sabendo que não guardo remorsos de nada.
O mundo esquecerá os meus esforços, as minhas conquistas,as minhas derrotas
e sem revoltas, dor ou angustias
só terá uma recordação ténue do amor que se afasta
e isso é o legado que me basta!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Sim, a Constança Urbano tem direito a almejar as férias.

O que aconteceu em Junho e no dia 15 de Outubro foi uma calamidade, mas não foi culpa da Constança Urbano de Sousa, não foi.
Acho verdadeiramente vergonhoso que metam nas costas de uma mulher a incompetência que tem vindo a ser praticada ao longo de décadas no que diz respeito a protecção das Florestas.
As pessoas que se regozijam com a sua demissão, com o seu: "não aguento mais", que gozam com as lágrimas que verteu e lhe chamam de fraca metem-me nojo porque eu tenho nojo de pessoas hipócritas. As pessoas que a apedrejam publicamente, são as mesmas que metem emojis tristes nas publicações que dizem respeito aos fogos, enquanto estão num jantar de amigos a rir-se às gargalhadas, porque nós podemos continuar a viver e estamos gratos porque não aconteceu connosco, a Constança Urbano é que é uma cabra sem coração porque falou em férias.
De facto as pessoas que morreram não mais terão férias, as pessoas que viram as as suas vidas ardidas, o suor e o sacrifício de largos anos desaparecer em cinzas e lágrimas, não devem estar a pensar em férias de certeza.
Eu vi uma ministra destroçada, uma mulher que só lhe faltou cair de joelhos perante o publico por estar trespassada pela dor e pela impotência e responsabilidade que sentiu. Eu vi alguém que sentiu empatia pela dor dos outros, que admitiu que aquele foi o momento mais dificil da sua vida, não tendo sido a sua vida, ali, reduzida às chamas. Mas a Constança é fraca porque chorou, o Marcelo porque é homem, pode abraçar uma senhora e toda a gente o acha perfeito ( e foi perfeito porque foi empático e se importou).
Claro que se tem de apurar responsabilidades, responsabilidades que vão desde o agricultor que acha que deve fazer queimadas, ao condutor que manda uma beata pela janela, às pessoas que não limpam os terrenos, aos piromaníacos, às madeireiras e outras Empresas que ganham com isso, a nós todos que contribuímos para a mudança das condições climatéricas, a quem planta eucaliptos.
Claro que têm de ser tomadas medidas, preventivas e eficazes que, infelizmente, não se conseguem em 4 meses, porque então o governo anterior e associados têm de enfiar a cabeça num balde de merda e baixar a crista, porque estiveram lá bem mais tempo e não o fizeram.
O problema é que enquanto o Bento Rodrigues que jurou nunca mais ter ferias na vida de certeza, lançou esta acha para a fogueira, o povo sedento de sangue quis logo queimar bruxas e eu, honestamente estou farta de incendiários.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Prarabdha...

Ânsia da distância ingrata
que marca a tua imagem,
tatuagem que se prende à pele
e aprende a linguagem da dor...
Amor ausente num Presente que é presente envenenado...
Passado que impele o Futuro a repetir
e a desistir de mudar.
Inconsciência e consequência num Karma vicioso e viciante,
constante desilusão,
perdão mastigado e vomitado sem culpa...
Desculpa sem remorso, destroço de alma,
palma de flores com cheiro a morte,
consorte do sofrimento, 
lamento sem motivo,
o mesmo sentimento esquivo e destrutivo de sempre...
Amar, sofrer, Amar, doer, Amar...
Morrer...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A vã glória de Invernar...

Os Homens ainda não aprenderam a amar para sempre,
ajudam a trazer a vida ao mundo mas não a conservam dentro de si.
Sei que um dia saberemos esperar que a vida renove e  que os amores hibernem e renasçam, sem pressa, sem renuncia, sem desistência

 Sussurro as palavras que as paredes calam,
as paredes, às vezes, falam demais...
O resultado é um murro no estômago do passado.
Tudo o que sinto é aquilo que minto a mim mesma,
uma nesga de história de amor, com memória perturbada pela dor,
mais nada.
Nem sei como começou, mas sei porque acabou tantas vezes.
Somos arquitecturas destruidas e reconstruidas,
puras obras inacabadas, recomeçadas todos os dias.
Não é dificil amar alguém num momento,
porque os momentos são aguas frescas a beijar rios,
Amar para sempre inclui beijar rios que secaram
ou cujas águas estagnaram...
 E os homens têm demasiada sede.

domingo, 17 de setembro de 2017

Escolhas são sabores de gelados...

Gosto de saborear os sonhos,
mesmo os que acabam ou que nem se dignam a começar.
Gosto das possibilidades e das impossibilidades,
das realidades alternativas, das certezas que se constroem
 e se reescrevem em matérias vivas ou enterradas sem corpo, sequer.
O livre arbítrio que não determina coisa nenhuma,
a soma suma de todos os medos,
a coragem que surge e urge pela fraqueza,
a certeza incerta da (in)decisão.
Sei que Amar não basta, mas ajuda muito!
Sei que um beijo de Amor não cura mas amolece a dor!
Sei que sei muito pouco e ainda bem,
ninguém sabe tudo.
A efemeridade é a eternidade do Amor,
um sempre que nos desafia a desafiar a finitude
com uma amplitude arrogante que se recusa a morrer.
E isso é lindo...

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Sou tua.

Entro,
povoo-te,
devoro-te,
exploro-te...
Sou parte,
sou todo,
sou arte aos pés do teu pincel.
Sou acre e mel à solta
na tua boca que prova e repete.
Sou alma,
sou mente,
sou gente e animal.
Vida, fado,
enfado,
fatal.
Sou ida,
partida,
chegada
e demorada reconstrução.
Sou mão,
na tua,
fechada,
esticada,
desprendida.
Sou rua,
calçada,
passo,
espaço,
nada.
Sou tua.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

2 moedas para o homem da barca...

Nada sei dos mistérios da morte,
não conheço as certezas da vida,
não entendo a linguagem dos anjos...
Mas sei que há uma mensagem escondida
nos lábios de quem ama e (se) perde,
um luto, sem campa, sem flores, sem corpo,
que não se mede em palavras.
Os pássaros voam uma vida inteira
mas morrem no chão a olhar o céu,
nós somos aves sem penas...
A solidão é uma espera, apenas,
um caixão encomendado,
uma mera urna,
a despedida do ser alado
e a admissão da mortalidade...
Desististe e morreste,
ou então morreste e desististe...
O tempo não é estanque ou importante,
 só o fim nos marca,
no fim,
quando chega o Homem da barca...






domingo, 6 de agosto de 2017

Still, Unchained Melody...

Ainda tenho o desenho dos teus lábios na pele,
a impressão do teu cheiro,
o mel desordeiro do teu sabor, Amor...
O meu corpo nu,
teu corpo tempestade bravia da saudade que nos comia,
sem piedade.
Insaciedade do meu ser, cheio de medo de viver...
Inocência, a ciência dos condenados apaixonados!
Ainda tenho o calor dos teus braços na alma,
o desnorte da tua gargalhada desalinhada,
com que  alinhavavas a vida
e o sal de cada despedida nos olhos...
Meu espelho contraluz,
meu inverso,
prosa do verso fugaz
que me reduz ao silêncio mordaz,
lume do meu ciume.

Ainda?
Sempre!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Symphony of destruction

Não sei explicar como vejo o mundo à minha volta,
só sei que sinto cada olhar, cada cheiro, cada pulsar dos pássaros...
De vez em quando fecho os olhos e sinto o sonhos dos outros,
mas os outros sonham muito pouco...
Devoram dias iguais com finais previsíveis e emoções invisíveis.
Um dia morreremos porque desaprendemos a vida,
seremos a espécie extinta pelo desinteresse...
A evolução é apenas uma jaula maior e com menos ar,
que não nos permite pensar...
Não quero cá estar quando deixarmos de cheirar a relva,
quando não soubermos olhar o mar,
quando não sentirmos a calma de afagar um cavalo...

Fazemos coisas para comprar mais coisas para meter nas coisas que temos e que nos transformam em coisas que fazem os outros querer ter coisas como nós...


sábado, 24 de junho de 2017

O Sorriso da Mona Lisa...

Ardem-me as folhas,
rasgam-se as páginas,
morrem-me as palavras.
O cansaço é o aço que me trespassa
e me abraça com cheiro a morte.
Sorrio, todos os dias,
porque sorrir é um vicio como outro qualquer.
Ser mulher é aprender a sorrir e a acenar e a aceitar...
Ser mulher é ser anjo de um Deus ingrato,
farto de ser perfeito...
Mais um dia, mais um orgasmo, mais um espasmo de melancolia...
A alegria vive nos olhos inocentes dos crentes e dos tolos.
O meu espelho é um semblante carregado,
envelhecido e endurecido pelos ombros do passado.
Desespero e não espero mais nada...
Inspiro o monóxido de carbono e abandono a dor...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

;)


Winter is coming...

Não me fales de despedidas,
de amores que passam,
de emoções que se curam...
As vidas são lágrimas que deixam rasto
e se muram em sonhos e expectativas.
Não mereço que mintas e sintas muito.
Há evasivas que não evadem, amor.
Por favor, tivemos culpa.
Não há desculpa para horizontes rasgados.
Nem para desejos partilhados.
Amei-te e vou amar sempre,
porque nunca aprendi a desamar alguém.
Não. Não te perdoo, nem tu, não te deves perdoar nunca.
Porque não te vai acontecer mais, não assim, não comigo,
não connosco.
Haverão outros portos, outros abrigos, outras marés
a lavarem-nos os corpos de espuma e sal,
cópias do original, a entardecer a dor de dizer: Amor...
Mas não te perdoes, porque perdoar é esquecer
e eu recuso-me a morrer, ou a ser um amor bem resolvido,
esquecido, sem razão de ser...
E na minha culpa serás o eterno Inverno do meu sentir.






quinta-feira, 1 de junho de 2017

Crescimento(e)...

Os lábios são uma batuta ritmada por palavras
e a orquestra aguarda o mundo que se estende à minha volta!


Sei que estavas cansado de crescer, amor, quando me encontraste
e me falaste um pouco de ti...
Eu porém, nunca cresci!
Passamos a vida toda a correr para crescer,
eu porém, nunca corri por querer!
A meta é apenas morrer, nada mais...
Somos mais sábios quando somos crianças,
cheios de esperanças, cheios de sonhos, cheios.
E cada vez que crescemos esvaziamos qualquer coisa,
sempre.
Nada será mais completo do que os seios da nossa mãe,
nada será mais preenchido do que um colo,
nada será mais perfeito do que um primeiro sorriso...
O juízo é o mundo a castrar-nos a vida,
aquela consciência que nos protege de viver,
aquela mordaça que nos sussurra incapacidade...
A regra, o limite, o morrer devagarinho,
o não chorar, o depois, o não pode ser,
aprendemos a morrer.
Quando nascemos temos a liberdade de quem já o soube desaprender...




domingo, 14 de maio de 2017

Acho que me apaixonei por ti, Salvador...

O mundo ontem amou em português, leu nas entrelinhas dos teus gestos desajeitados e na profundidade do teu sentir uma mensagem simples mas que nos emociona a todos. 

Não me conquistaste à primeira, confesso, primeiro estranhei-te, estranhei-te à brava, mas a canção conquistou-me e rendida entranhaste-te cá dentro e torci por ti e pela tua irmã que te escolheu para lhe cantares a alma.

Mas não foi aí que me apaixonei por ti, Salvador, só me apercebi que eras o tal, quando chamaste a tua irmã ao palco, quando disseste na conferência de imprensa que falar nos refugiados não era uma mensagem politica era uma mensagem humanitária, que não eras o herói de Portugal e seria muito estranho veres-te nesse papel, porque tu só estavas ali para nos devolver algo, o valor de escutar uma boa musica, algo escrito para nos fazer sentir alguma coisa. E ainda mais quando afirmaste a sorrir que esta euforia ia passar, porque tudo passa e a tua importância hoje, daqui a um mês seria irrisória. 
Afirmaste-o sem falsa modéstia, nesse teu encarar da vida de forma imediata e despretensiosa,  com o teu sorriso desgovernado, inocente e ao mesmo tempo desafiante de tão genuíno.

Tu pautaste pela diferença que te é tão natural e foi essa diferença que nos desconcertou a todos. 

E não te preocupes, não me (nos) deves nada, o meu coração pode amar pelos dois!


terça-feira, 25 de abril de 2017

...

Lembraste de como era?
Iamos sempre pela mesma rua, em silencio...
Bebíamos, sem saborear, aquilo que nos permitiam
E não pensávamos muito porque não valia a pena...
Recordas-te? Como era aceitar sem questionar?
Do cheiro da fome, dos pés descalços, dos pais analfabetos?
A vida do poucochinho, do estudar é para os ricos, do trabalho infantil?
Desditas o presente porque é bom poder dizer mal, sem ter medo---
E ainda perguntas, para que serviu?

segunda-feira, 24 de abril de 2017

PMR

Trago no colo dos lábios o sal do mar a despedir-se do teu corpo,
ainda te amo quando a maré enche e me preenche os poros de sonhos...
Fomos a banda sonora das ondas,
 uma espuma revoltada que trazia harmonia e maresia
à melodia da inocência de viver tudo num só fôlego...
Ao amor inocente tudo é permitido!
Existem castelos que a areia desconstruiu com o passar dos anos,
o meus dedos acariciam as dunas dessas construções fantasmas
e nem encontram os alicerces...
Mereces ser feliz!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

13 Reasons Why






Amei, vi os 13 episodios quase sem respirar, precisava de saber tudo o que se tinha passado com a Hannah Baker, apaixonei-me por ela e desejei tanto, mas tanto, salva-la, será que se vai a tempo?

13 Reasons Why fala sobre o suicídio juvenil e das inseguranças dos adolescentes mas, mais que tudo, fala connosco, faz-nos questionar se estamos tão atentos, uns aos outros, como julgamos, se também poderíamos ter provocado a morte da Hannah, ou teríamos evitado que ela tivesse desistido.

Até que ponto os dramas dos outros não têm uma pitadinha do nosso tempero?

A Hannah Baker tem 17 anos, mas podia ter 30, 40, 50, 60... Aquilo que lhe acontece, acontece todos os dias, a critica, o mau juízo, o desprezo, o olhar para outro lado, o assédio...
Sofremos e provocamos "pequenas mortes" todos os dias, muitas vezes de forma inconsciente é certo, mas muitas outras de forma extremamente consciente.

Espero, honestamente, que cheguemos a tempo de salvarmos a nossa Hannah Baker.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Lágrima do céu...

O dia passou...
Perdoa-me por não o assinalar
apesar de conversar o meu pesar e a alegria contigo,
meu amigo, meu único amigo,
sem tempo marcado, ou passado.
Falo com a nossa Figueira,
vejo-a crescer e sei que entendes,
nessa maneira de entenderes tudo e alcançares
além do alcance dos demais.
Guardavas a sabedoria do Universo nos teus olhos cegos...
Sinto tantas saudades tuas,
mais ainda quando estou feliz...
Falo de ti aos teu bisnetos,
dos afectos, dos olhares, dos livros,
de amares tanto os cavalos...
Farás parte da vida deles, porque és parte de mim
e quero que eles conheçam a mãe.
Parabéns atrasados meu querido A.A.M.!


sexta-feira, 31 de março de 2017

Torpor ou a arte de amar fantasmas...

Torpe entorpecimento de cimento,
fragilidade da agilidade frágil,
vulnerabilidade da habilidade vulgar,
vulgo lugar, o meu mundo...
Se a possessão fosse uma sessão de posse,
um absolutismo do luto, um ismo senciente de tudo,
sentirias o meu sentir ou nem ias ter a sabedoria de o saber?
A que sabe, ser amado?

A vida é o intervalo que a Morte nos concede, mais nada
e quem não nos procura não almeja o nosso encontro.




domingo, 26 de fevereiro de 2017

As maratonas têm 42km em todo o lado!

Corre,
o mundo é uma pista é tua espera,
uma descoberta a cada passo no espaço que te reservas...
Corre,
encontra-te no teu cansaço,
absorve tudo de pulmões abertos,
desertos de ar mais puro.
Corre,
sem metas, sem rotas, sem prémios.
sacia-te em cada partida,
mesmo de pernas moídas, arrastadas, enlameadas,
não consegues parar,
por isso corre,
mesmo que os outros não entendam,
mesmo que os pódios não te defendam,
mesmo que alguém não te espere à chegada...
A vida é a corrida que escolheste,
por isso corre,
mereceste!


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Limite

Perguntei às pedras e aos pássaros se te têm visto passar na viagem dos dias,
ninguém me responde, ninguém me entende, ninguém interessa aos outros...

A solidão é uma demência evoluída a sugar-nos a vida,
vivemos no meio de multidões aos tropeções sem sentirmos nada.
As gargalhadas são fabricadas em plástico pardacento,
enquanto simulamos que gostamos do que vemos...
Tento respirar mas sufoco em poluição sonora, inodora, transparente...
Preciso de gente, de ar, de raiva, do ridículo.
Odeio este circulo perfeito feito em montagem sistemática.
Sou asmática mas com orgulho!
Amo até que o coração arda em cinzas,
vivo até ao ultimo fôlego,
existo até consumir a carne pelos ossos.
Chega de subsistir.
Chega de mentir.
Chega de chegar o pouco que chega aos outros.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Rest In Peace...

O coração é uma coreografia de cegos a baterem dedos grossos numa tábua de madeira,
a evitarem os pregos enferrujados, espetados com os dentes para fora,
coordenados, compassados, desesperados a ouvir as imagens em sons...
O Amor é um caminho que se faz de olhos fechados, sem mãos à frente,
nas margens do raciocinio, sem pingo de sensatez,
numa estupidez deliciosa sequiosa por nos mostrar que a vida é dos tolos!
Nunca amei porque quis, mas sempre quis quem amei.
Sei que o Amor é uma glicose que nos transforma em neurose,
numa psicopatia de querer morrer e logo a seguir rir do fundo da alma,
nunca se acalma, nunca sossega, uma fúria cega que nos devora de dentro para fora!

Viver sem amar é fazer tudo bem, menos viver.


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O Homem que fazia nevar...

A névoa abraça-me num enlace molhado e terno,
um Inverno que me embala e se cala com os segredos das lágrimas doces...
Se tu fosses o Homem por detrás da neve leve que me toca
e morre na minha boca...
Há magia no gelo que se solta
e dança à minha volta como pássaros brancos despedaçados...
As penas da neve são emoções de ilusões roubadas,
soterradas pelo manto do pranto de cada amor perdido.
Há um pássaro que morre numa gaiola de cardos
por cada coração partido, sabias?
E há um homem a moldar o gelo,
num belo e mágico castelo
a chorar e a fazer nevar no mundo,
num profundo e triste silêncio,
porque sabe que o Amor morre um pouco todos os dias.



domingo, 22 de janeiro de 2017

Pretenciosismo...

Sou um castelo de blocos de madeira,
uma solidez aparente que se destrói e constrói em segundos.
Todos os mundos possuem uma eternidade frágil e hipócrita...
A escrita tem uma verdade camuflada,
uma opacidade de letras que traduzem o pretenciosismo de alguém...
Ninguem nasce a saber escrever,
nunca vi uma árvore a vomitar letras
na sabedoria de pertencer em comunhão...
Sorvo a ilusão  num cálice de vinho tinto,
saboreio o aroma frutado de todos os sonhos,
não colecciono obras de arte em parte nenhuma...
Em suma, somos estreias em meras plateias cansados de esperas
em casas ridiculamente cheias.