quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Nomenclatura do vazio.

Os lábios são portas que o  passado lacrou,
risos mordidos e repartidos em mentiras mordazes,
vorazes, como cardumes carpas a devorar beatas...
O Amor é a espera que se faz sem paciência
pelo tempo que vem sem pressa.
Sussurrei o teu nome até à exaustão senil
de já nem o saber soletrar.
Às vezes penso que nunca existimos tu e eu
e que fomos um romance de cordel a aspirar ser lenda...
Há uma fenda de culpa que nos engoliu e deglutiu sem mastigar,
como se a dor fosse um colar macio que sufoca devagar
 e que nos apertava enquanto nos adornava o ego.
Hoje entrego o sonho numa bandeja ferrugenta e gasta,
como pérola de ostra conspurcada por erosão doentia de mar morto.
Nada nos prepara para o nada que nos resta quando não resta mais nada.

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