sábado, 27 de agosto de 2016

Cadunt altis de montibus umbrae

As forças são um velho cego que encontrou a surdez,
a desorientação fiel rosa dos ventos,
a tristeza a bondade que resta...
Os momentos são horas a girar em espiral,
numa saudade de reencontro banal
que a mudez torna menos incomoda.

Sinto que já fui tudo, sinto que já fiz tudo,
sinto que não mudei nada.
O mundo está igual, não tive qualquer propósito.
Se morresse agora os pássaros voariam na mesma,
as manhãs seriam clarim de alvorada,
as ondas beijariam os pés das mesmas praias...

Somos tão pouco e tão arrogantes,
amantes ambiciosos de rastos leprosos
a deixar cair ridiculos sonhos queixosos.

Se morresse agora a hora continuaria,
minuto a minuto sem fazer luto algum...

Somos tão pouco e tão arrogantes,
amantes intolerantes de passos indecisos
a trocar promessas falsas por esgares de sorrisos...

E eu sou tão pouco.