quarta-feira, 20 de julho de 2016

Os inocentes jamais serão troféus.

Um homem esfaqueou uma mulher e duas meninas porque estavam com pouca roupa. Outro entrou num comboio, um miúdo na verdade, com um machado e atacou quem conseguiu.
 Em Nice um homem conduziu um camião contra famílias que viviam um momento de alegria a ver o fogo de artificio...

Há dias passeava por Sesimbra à noite com a minha família e só pensava no que aconteceu em Nice, a marginal de Sesimbra estava cheia de pessoas, pessoas que passeavam aproveitando o calor da noite, famílias com crianças, como a minha, que comiam gelados, riam, conversavam descontraidamente, felizes.

É isto que nos espera agora?
Viver neste medo, nesta angústia, ou pior aceitar esta realidade como a nova realidade, agora é assim, paciência, há que ter sorte e não estar no local errado, há hora errada?

Quando foi o atentado de Nice lembrei-me de uma carta que recebi uma vez de alguém especial que vivia em França mas era filho de portugueses e tinha, no regresso das férias, ficado retido no aeroporto de Paris por causa de um atentado à bomba. Foi a primeira vez que ouvi falar num atentado à bomba, juro! Tinha uns 15/16 anos e aquilo pareceu-me tão surreal, como se tratasse de um filme. Hoje todos os dias se lê que houve um ataque terrorista em alguma parte do mundo, tornou-se o dia a dia, o comum, se é que matar pessoas inocentes pode ser alguma vez considerado comum.

Como é que alguém mata indiscriminadamente? Matar inocentes é um acto de covardia e não enaltece, ou glorifica nenhum Deus, na verdade é a humilhação e a vergonha no seu estado mais miserável...
Como é que alguém atropela crianças voluntariamente, que nobreza ou heroísmo poderia advir duma acção tão nojenta, mesquinha e gratuita? Que Deus, algum dia, por muito vil que fosse, receberia de braços abertos um covarde? Nenhum.
Não existe ninguém à vossa espera, o vosso fim é serem pó e nada mais, é saberem que não pertencem a lado nenhum, porque foram um erro, uma anomalia que Deus algum reclamaria.
Tenho pena de quem é tão pobre de espírito, que acha que ceifar a vida dos inocentes pode ser algum tipo de justiça ou servir alguma causa.
Até na guerra existe honra, vocês não são guerreiros.

Sei que muitos de vós sofreram horrores, viram morrer familiares mas lamento dizer que se perderam, não existe nada vosso que mereça ser salvo e no leito da morte dos vossos, que lamento apesar de tudo, deixaram tudo o que tinham e agora são sombras, nada mais, sombras que envergonham a memória daqueles que perderam e cada vida inocente que levam convosco afasta-vos mais da possibilidade de os virem a reencontrar.




Sem comentários: