quinta-feira, 2 de junho de 2016

E4 F5



Respiro entre as silabas procurando o caminho das palavras,
tudo parece supérfluo, irascível, medíocre...
O desconforto é um vestido dois números abaixo,
a apertar-me os seios, os pulmões e os sonhos...
Ser infeliz dá demasiado trabalho,
e o rancor é um amor leproso,
orgulhoso e mesquinho a desfazer-se devagarinho.
Não possuo a arrogância e a sorte dos que conhecem o dia da Morte...
Por isso esgoto o Amor que tenho todos os dias
para no dia seguinte apaixonar-me outra vez
e surpreender-me por mais um dia de poesia!
Assim sei que dei tudo o que pude,
assim sei que tenho tudo para dar
e posso ser enterrada nua e livre,
sem nada que me prenda à terra
porque as asas não precisam de amarras.






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