domingo, 29 de maio de 2016

Porque ainda há quem diga que foi merecido.

Ser mulher é difcil todos os dias. Todos.



A primeira vez que um homem adulto me assediou tinha 4 anos, falava com ele todos os dias e achava que era meu amigo, era um vizinho e tinha idade para ser meu avô. Quando o vi sem calças e sem cuecas a chamar-me para entrar na casa dele, fugi e chorei.
 Percebi nesse dia que existem homens maus que fazem mal às crianças, que fazem mal às mulheres.

Tive uma vez um chefe que me agarrou nos ombros por trás e massajou-me as costas, estava sentada na cadeira, a cadeira tinha rodas e com toda a força deslizei a cadeira e mandei-lhe com as rodas nas pernas, deu-me uma raiva tremenda, ele queixou-se mas nada dissemos um ao outro.

Até hoje não sei contabilizar quantas vezes ouvi um comentário porco ou quantas vezes fui confrontada com comportamentos de assédio.
E quantas vezes ouvi pessoas a ainda culparem as mulheres pelo assédio que sofrem:
-Dás conversa a toda a gente
-Veste-te assim o que é que esperas
-Passaste por aquele sitio já sabias o que te esperava
-Ris-te para toda a gente
-Dás muito nas vistas

Felizmente nunca fui violada.

Uma rapariga foi violada por cerca de 30 homens no Brasil, 30 bestas porcas que, contra a sua vontade, abusaram do corpo dela uma vez e outra vez e outra vez e outra vez, enquanto se riam, se atiçavam uns aos outros como cães danados e filmavam toda a barbarie como se de um feito heroico se tratasse.
30 e nem um parou.
30 e nem um se compadeceu.
30 e nem um se lembrou da irmã, ou da mãe, ou da filha que tinha em casa.
30 monstros sem piedade
Violaram-na, bateram-lhe, gozaram-na, humilharam-na e nem um sentiu o errado, o cruel que havia naquilo tudo.
Destruiram aquela menina 30 vezes.

Isto não acontece só no Brasil.
Isto não devia acontecer em parte alguma.

A culpa não foi dela.
A culpa não foi tua.



 

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