sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O cheiro da chuva

As lágrimas secaram,
morreram à espera de uma sede doentia
que o amor não bebeu…
O destino é um sarcasmo de pleonasmo irónico,
que se ri às gargalhadas largas na nossa finitude.
E este grito afónico a cortar-nos em silêncio
que amiúde me sussurra segredos e mantém refém
da tua voz que já não diz nada.
Nós é uma palavra pesada, amor.
Ainda te lembras do cheiro da chuva?
Tenho saudades de tremer com frio debaixo do teu abraço,
das fragilidades dos teus sonhos,
do espaço vazio do teu colo.
Ainda te lembras do sabor do terror da perda?
Ainda te lembras de pertencer?
A memória é uma história traída
A arder enquanto as cinzas se espalham na chuva

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