sábado, 21 de novembro de 2015

ADeus...

Esquecemo-nos do que somos,
meros mortais de uma espécie qualquer a querer cultivar o vento,
a almejar mais do que a vida que fica tantas vezes esquecida dentro de nós.
Deus criou-nos num dia de tédio.
Nós criamo-lo num dia de raiva.
Demos-lhe palavra e um propósito,
Demos-lhe moral e uma consciência
e chamamos à nossa vingança, justiça.
O Homem cobiça o perdão de deus mas nunca soube perdoar.
Aprendemos o rancor e chamamos-lhe Amor
e aos amantes tudo se perdoa…

Se eu conseguisse queria ser uma pedra, imutável mas em paz.
A felicidade para mim seria resistir à chuva e ao vento,
ou deslizar por uma colina  num momento qualquer.
Os Homens não sabem ser pedras, não sabem ser chuva,
não sabem ser vento, não sabem ser nada.
E gostam da mão pesada do deus que inventaram, sobre as suas cabeças,
a fazer ameaças, a atormentar-lhes a alma
e a culpar-lhes a carne.
O masoquismo é um egoísmo disfarçado…

Deus porém nunca teve mãos,
só Amor e nunca o soube explicar
e deu cores aos Homens como deu cores aos pássaros,
mas os Homens não voam e magoam as aves…

Se o mundo adormecesse no meu colo,
hoje, fazia-o esquecer as cores e as dores que deus lhes traz.

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