quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Porque me dói o peito.

Enquanto mães imploram que deixem passar os seus filhos, os atiram desesperadas por cima do arame farpado e os deixam aterrorizados e perdidos do outro lado, sem colo, sem chão, sem elas...
O mundo discute o indiscutível...

Primeiro salvam-se as pessoas, depois encontram-se soluções, primeiro garantem-se os direitos fundamentais, primeiro está a humanidade depois a merda das fronteiras e das religiões e das culturas e dos subsídios...

São pessoas, mães como nós que embalam os filhos para os adormecer, que sofrem quando estão doentes, que querem o melhor para eles, eles são crianças como as nossas, querem brincar, correr, ir à escola, ter amigos, ter um futuro possível e em segurança.

Estamos a condenar crianças por termos medo dos adultos, porque podem ser terroristas e podem fazer-nos mal, é certo... Então matamos-lhes os filhos à fome e ao frio.

Não são refugiados, porque ser refugiado no dicionário de muitos significa que têm mais é de aguentar tudo porque não pertencem aqui.
Não são refugiados, são pessoas, cidadãos de um mundo que é de todos...

Malucos existem em todo o lado, aqui também existem psicopatas que matam pessoas seja porque motivo for e isso não faz de todos os portugueses malucos.

São culturas diferentes?
Nós também embirramos com os espanhóis e eles connosco tantas e tantas vezes e há quem diga que os franceses não gostam de tomar banho...
Todos os espanhóis são estúpidos?
Todos os franceses são porcos?
Todos os portugueses são corruptos ou matam vizinhos por causa dos cães?

 No meio de toda esta insanidade desumana as crianças, aquelas que condenamos com medo dos pais, às vezes são tão mais simples e sábias:
Tens fome? Queres uma bolacha?
És uma pessoa como eu e eu partilho as minhas (poucas) bolachas contigo.


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